Efemérides Nacionais: 25 de Abril

Não sabes tu nem ninguém. E ao omitires a fonte do texto também não ajudas muito.

:stuck_out_tongue:

Está lá a fonte.

(A lista de mortes do fascismo, bem como a parte final do artigo são adaptados de um texto da autoria da Comissão "Abril Revolucionário e Popular")

Bom, Majestade, no essencial por essa lista, desde 1945 a 1974, o número de mortos não diverge em mais de duas dezenas ao apresentado pela Prof. Irene Pimentel. Mas repito, se insistirmos na objectividade, confio bem mais no trabalho de uma historiadora que tem dedicado a sua vida ao estudo aprofundado do Estado Novo e que está acima de qualquer suspeita de cariz ideológico (ainda agora editou um livro de um estudo conjunto com o historiador Fernando Rosas do BE, sobre tribunais políticos), do que numa lista elaborada por uma Comissão chamada “Abril Revolucionário e Popular” da qual nem existem informações na internet mas que será certamente formada não por académicos mas por revolucionários. :wink:

Agora quilo que houve, dito pela própria Prof. Irene Pimentel foram 15 mil presos políticos entre 1945 e 1974.

Citaste o autor mas não fizeste referência ao local de publicação do texto. :wink:

Bom, Majestade, no essencial por essa lista, desde 1945 a 1974, o número de mortos não diverge em mais de duas dezenas ao apresentado pela Prof. Irene Pimentel. Mas repito, se insistirmos na objectividade, confio bem mais no trabalho de uma historiadora que tem dedicado a sua vida ao estudo aprofundado do Estado Novo e que está acima de qualquer suspeita de cariz ideológico (ainda agora editou um livro de um estudo conjunto com o historiador Fernando Rosas do BE, sobre tribunais políticos), do que numa lista elaborada por uma Comissão chamada "Abril Revolucionário e Popular" da qual nem existem informações na internet mas que será certamente formada não por académicos mas por revolucionários. Wink

Agora quilo que houve, dito pela própria Prof. Irene Pimentel foram 15 mil presos políticos entre 1945 e 1974.

É certo! :great:

Mas convém não deixar de ouvir a voz do povo de vez em quando, duvido que se inventem histórias sobre isto. Tantas outras que aconteceram no interior do país, e nem ninguém os contabilizava. Quando falaste em 15 mortes eu fiquei logo de pé atrás, isto porque por exemplo na aldeia do meu pai, Beira-Alta, todos sabem quem foi morto pela PIDE naquele tempo. Se até nessa aldeia aconteceu então a uma escala nacional a PIDE tentacular não iria abrandar nem mudar métodos. C

laro que podemos dizer que não há provas, mas para mim é tão evidente que nem vou contra-argumentar mais as análises académicas da senhora Pimentel. :mrgreen:

Em 15 mil presos políticos não tenho duvidas, também, que pelo menos largas centenas acabaram por morrer por causas directa ou indirectamente ligadas ao encarceramento.

Mas isto é chover no molhado. Para mim qualquer regime que assassine sequer 1 patriota inocente por expressar opinião contrária merece todo o desprezo do mundo.

Será que estas a referir-te aos zairenses e cubanos?

:boohoo:

Deixei-te uma pergunta, continuo à espera de uma resposta apenas para confirmar a ‘pinta’ que já te tirei…

Numa Democracia há quem considere estranho que se defenda a própria Democracia… E depois, há quem fale de arrogância. Não é o teu caso, mas a “moral” é uma injustificada picardia.

Parece-me normal que exista indignação quando perante saudações e louvores à ditadura.

Como a idade fosse uma condição essencial para opinar sobre seja o que for. Que postura tão paternalista…

É verdade que o controlo era menos evidente e intenso que na metrópole, mas existia e a dureza era mesma. O sadismo era maior.

Mas é precisamente junto da comunidade portuguesa, que teve já os seus filhos em África, que nasceu a génese do que veio dar origens aos movimentos de libertação. Isso sucedia pelo descontentamento, pela repressão, falta de Liberdade, pela impossibilidade de desenvolvimento económico devido ao condicionamento industrial. Depois, porque começaram a ver os seus filhos discriminados porque simplesmente tinham nascido em África. Nenhum pai permite isso… E tu, junto da tua família, deves saber disso muito bem.

Aquela terra sempre foi deles. Nós é que fomos os ocupantes, e não o inverso. Porque não deveriam eles ser donos do seu destino, para o bem e para o mal? Quando combatemos Castela, pedimos permissão?

E tiveram. Os nascidos no território foram obrigados a optar pela nacionalidade onde nasceram. Quem nasceu em Portugal, se optasse por manter a nacionalidade portuguesa, assim seria.

o herói de abril, mario soares, está a dar no pros e contras mais uma imagem do pateta que é…

Ainda ninguém lhe disse que está bem é sentado em frente a lareira, caladinho, sem dizer baboseiras?

Parece-me um exagero escrever que somos um povo mexido. A História fala por si. O alegre convívio com uma das mais longas ditaduras na Europa, o nosso grande gosto pela “firmeza” e “Dureza”…

Por alguma razão alguém que se manifeste, apele à indignação, faça questões incómodas é quase sempre olhado de soslaio, apontado e rotulado de “comuna”. Por alguma razão somos passivos e permissivos com abusos, com políticos incompetentes e corruptos. Valentim, Isaltino, Fátima…

Por quase toda a Europa Bolonha deu origem a protestos. Em França há manifestações a pedir melhor ensino. Por cá, passou-se alguma coisa? Mexido, mas no umbigo. Somos incapazes de abraçar causas comunitárias, e isso reflecte-se no nosso caminho.

Agora tira e põe o lado B.

Espelho, meu caro. Espelho… ::slight_smile:

Isso não é verdade. Os meus pais, eu e o meu irmão estivemos em Angola até 1983. E nunca houve, sequer, “convites” de expulsão.

Como já antes referi, houve quem fugisse com receios do que poderia suceder desse processo de transição, e houve outros que correram porque sabiam perfeitamente o que andaram a fazer (e não o deveriam tê-lo feito). Quem estava de consciência tranquila, e com coragem, ficou para ver.

Não gostas do que lês, tens o botão ignore

Lamentável… Uma ditadura com 50 anos, prisões sumárias, torturas como regra habitual, e há quem lance a toa um número de 15 vítimas fatais. Omo lava mais branco. :inde:

Mas voltaram??? :think:

Foi graças a ele, a Cunhal e outros que tens a Liberdade para dizeres isso. Se fizesses o mesmo sobre Salazar ou outra figurona do regime, é certo que amanhã já estarias “desaparecido” numa cela.

E o teu lugar, onde é?

[b]A liberdade não é uma palavra vã[/b]

Vou escrever sobre aquilo que não vivi. Tinha 7 anos em 1974 e tenho apenas imagens vagas sobre o que ocorreu então e o que se passou antes. Já adolescente pertenci a associações de estudantes no liceu e os primeiros despertares para as questões políticas remontam aos primeiros anos da década de 1980, quando os problemas e as preocupações eram já outras. Vagueei próximo da JC durante uns tempos, ao mesmo tempo que frequentava a Festa do Avante e tinha fama de comunista em alguns círculos, e de “CDS” noutros, o que me fazia rir. Nunca me filiei em nenhum partido, se calhar por causa disso mesmo. Do riso, principalmente.

Hoje é comum ouvirem-se lamentações sobre o desconhecimento que os jovens têm desta história recente, da liberdade de que todos usufruem e que têm por garantida mas cujo valor desconhecem. Do direito ao voto que não exercem e que não sabem o que custou a conquistar. Só damos valor ao que não temos, é uma verdade universal. Os jovens que desconhecem o que é viver num país sitiado, respirar um ambiente saturado, uma atmosfera sufocante, a olhar por cima do ombro com medo da denúncia, dos bufos, da incerteza de quem pode estar a ouvir. Onde a liberdade era tomada e exercida em pequenos gestos, pequenas revoltas, pequenos passos. Imagino o que seria viver num país onde não se podia falar, não se podia ouvir, não se podia ver. De canal de televisão único, de imprensa censurada e vigiada, de paleio pseudo-patriótico sobre Pátria, Deus e Família, orgulhosamente só, desconfiado, até à paranóia, das contaminações que vinham do exterior. Um Ultramar em guerra, um país cansado e cercado por todos os lados. Portugal condenado nos fóruns internacionais, isolado, desprezado. Confesso que uma imagem que me é mais surpreendente e dolorosa de ver é a do ministro Rui Patrício a discursar para uma assembleia da ONU vazia. Uma verdade real e uma verdade oficial, visões inconciliáveis da mesma realidade, consoante a origem. Um país provinciano, tacanho, mesquinho, reverente, remoto, surdo e cego, triste, conformado, beato e pequeno. Uma percepção do tempo e da realidade do império ultramarino estática, imóvel, parada no tempo. Como se Portugal fosse uma Miss Havisham de Dickens que tivesse quebrado todos os relógios, a fim de manter e preservar um estado ideal. Uma mentira piedosa. Um vazio. Um atraso. Quem se debruça sobre o panorama da historiografia portuguesa da época sobre matérias ultramarinas depara com um deserto, uma terra queimada. Há um atraso de décadas. Neste campo como, certamente, noutros.

E, no meio, toda uma geração (ou várias) encurralada. Colocada perante escolhas impossíveis. Calar o que não podia mais ser calado, arrastar-se por trilhos já gastos e anacrónicos, como se Portugal fosse uma vetusta bolha de passado num mundo em rápida transformação. Engolir em seco e aguentar. E uma guerra à espreita, uma guerra interminável, uma guerra estranha numa terra estranha, em nome e em defesa de uma quimera. Uma guerra com 13 anos, em 3 cenários diferentes, para onde se ia mancebo e se regressava homem, tantas vezes brutal e dolorosamente maduro. O apelo da emigração, da saída, da liberdade, do conhecimento e do mundo. A luta, a resistência. Esta música fala disso. Não é uma música qualquer. Para mim, que não vivi, é uma música exemplar. O medo e a esperança. Há 35 anos, subitamente, acabou. É algo que os jovens de hoje não sabem, nem sonham. Mas foi para isso mesmo que acabou…

http://jugular.blogs.sapo.pt/848118.html

E então? Não posso comentar aquilo que dizes?
Lamento informar-te mas eu não costumo usar o botão Ignore quando eu pretendo ignorar. Simplesmente ignoro. Agora no teu caso não consigo, porque se aceito que haja uns “velhotes” que defendam o antigo regime porque assim foram educados, custa-me a acreditar que um rapaz com quase a minha idade possa ter um deslumbramento por um regime de opressão de valores, dizendo que nesse regime é que havia vontade de trabalhar e de evoluir. Se calhar umas férias de Verão bem passadas a fazer serviços que a maioria da população fazia naquela altura (trabalho nas obras, no campo, etc…) a preços e condições miseráveis fazer-te-iam mudar de opinião. É que essas teorias são muito fáceis de ser ditas por alguém que nunca trabalhou na vida…