Excelent post, caro Chirola, do qual realço esta parte, a mais crítica. Ainda hoje estava a comentar precisamente isto com um Sportinguista.
O mundo do futebol possui muitas semelhanças com o da política. A política pode ser um pântano e o futebol uma horta de fruta, contudo ambos são território fértil para o aparecimento de um sem-número de espécies de vermes, cujos ciclos de vida são curtos. Ora esse é um problema potencialmente grave, já que esses mesmos ‘vermes’ renascem passado um curto período de tempo. Na política, aconteceu com Cavaco Silva, dado como politicamente morto até ao dia em que ressuscitou como Presidente da Republica. Outro exemplo de outro partido, para que não seja acusado de facciosismo político: até há bem pouco tempo, José Sócrates vivia num purgatório Francês, usando a Filosofia para resolver os seus problemas existenciais. Hoje está de volta, ainda por cima em horário nobre.
No mundo do futebol, os exemplos multiplicam-se. Desde Godinho o vice dos paquetes, até Godinho o Presidente, passando pelas três vidas de Freitas e as duas de Duque, verdadeiros gatos do futebol eleitos numa lista saco-de-gatos. Infelizmente, o Sporting necessitava de leões.
Contudo, os ciclos futebolísticos são curtos e instáveis. Basta um ciclo de derrotas para sarar uma reputação ferida, esquecer um passado opaco, metamorfosear um traidor num salvador, um caloteiro num credível.
Os que hoje lêem estas linhas com cepticismo, escritas um dia apenas após a esmagadora vitória do nosso presidente na AG, são os mesmos que viram Freitas contratar Purovics e Buenos e ser corrido de Alvalade, para regressar uns anos mais tarde, levado em ombros, visto que durante a sua anterior passagem (qual das duas?) ‘não ter tido condições financeiras’ para reajustar o plantel. São os mesmos que viram Couceiro-treinador, Couceiro-director de futebol e quase viram Peyroteo-Couceiro presidente. Esquecem-se que as sequelas dos filmes geralmente concluem numa triologia. E os últimos anos do Sporting tem sido um verdadeiro filme de terror que Godinho tentou transformar num suspense de cortar a respiração. A última sequela até pode ser um policial, caso Paulo Pereira Cristóvão decida voltar aos grandes écrans. E isso é bem possível, pois este e outros ilustres sportinguenses irão sempre berrar que vivem num estado de direito, que todos somos inocentes até provados culpados, provavelmente apoiados por Rogério Alves e outros membros da entourage do croquete.
É por essa razão que vejo a Auditoria de Gestão como a medida mais importante da história do SCP desde que sigo o clube (comecei a ver futebol em 1991). Pela primeira vez na história do nosso clube a culpa não vai morrer solteira e vamos chamar os bois pelos nomes, um por um, após provar a sua culpabilidade. A verdade não deverá surpreender ninguém, pois os factos são já sobejamente conhecidos: Godinho Lopes é tão culpado de gestão danosa como pinto da costa é corrupto. Os únicos ex-presidentes capazes de serem considerados inocentes são Dias da Cunha e Bettencourt, o 1º caso seja comprovada a sua senilidade, o 2º caso se venha a confirmar que sofre de sérias deficiências cognitivas e o melhor procedimento para evitar tiradas como a dos ‘terroristas’ é a lobotomia.
Então para quê a Auditoria de Gestão? O que é que o clube vai ganhar com isso? De um ponto de vista estritamente economicista, a auditoria até será contra-producente, pois é cara e duvido que haja algum caso que tenha pernas para ir a tribunal. Dito isto, estou convicto que existe matéria suficiente para declarar uma inteira linhagem como culpada de tentativa de homicídio de um clube centenário, expulsar os seus membro de sócios e barrar a entrada dos mesmos em todos os recintos desportivos do Sporting. Acima de tudo, é imperativo marcar este período negro na história do clube através de um processo que irá descobrir, sem deixar margem para dúvida, quem induziu o Sporting no estado comatoso em que se encontra hoje e porquê. Só assim poderemos evitar o mais que provável reaparecimento destes parasitas. Já os consigo ver, numa AG num futuro não muito distante, jurando a pés juntos que foram selvaticamente perseguidos e injustamente caluniados, mas que o seu amor pelo Sporting os obrigou a regressar para salvar o clube, tal como Roquette o fez em 1997.
Salvar o clube dos sócios.
SL