Um dia que por casualidade passes no meu bairro, e com algum dinheiro na conta, não percas a oportunidade de levares para casa um memorável mix de queijos
O velho Milo…lata verde.
E o Ovomaltine…daquele granulado
Quando era puto, ia às escondidas com uma colher às latas, e era directo para o bucho.
O Cola Cao é que nunca gramei.
As gemadas eram muito bem vindas, assim com a farinha Maizena, com ovo e canela, quentinha a sair do tacho.
Ah…e como não podia deixar de ser, a farinha 33, com o gajo cheio de músculos no rótulo
Obviamente que eu sei que, há 30/40 anos atrás (eu tenho 36 e apanhei isso), os garotos comiam essa merda do pão com manteiga e açúcar amarelo.
E também sei o que são sopas de pão e café com leite. Os meus avós até gostavam muito de sopas de broa, só com café. E, às vezes, acompanhavam com… Sardinha assada. Era um jantar que os via fazer muitas vezes.
Mas lá está! O tempo evolui! Atualmente, isso de comer pão com manteiga e açúcar amarelo é coisa de miserável. De rabolho! Não é por acaso que ficam sem dentes cedo!
Já o Tulicreme, o Bollycao, as bolachas Maria com manteiga no meio… É mexer com a nostalgia das pessoas.
Esse rapaz da fotografia. Ator. Era o namorado da filha do Tony Carreira. Era ele que ia a conduzir no acidente em que a miúda infelizmente faleceu. Daí o meu humor negro.
Isso! As bolachas Maria com manteiga, e os palitos la reine molhados em café com leite.
Tudo comprado avulso em mercearias, ou lojas de café, naqueles pacotes de merceeiro grosso.
Porra, grandes tempos que as novas gerações não fazem a mínima ideia de que existiram.
E éramos felizes com pouco, e sem comércio massificado.
Pão com manteiga e açúcar era só quando ele saia do forno ainda a ferver e tinha que se partir à mão, porque usar a faca em pão ainda quente tirava a força a quem tinha amassado o pão.
Por acaso, é uma coisa que me faz alguma confusão. Os garotos, hoje em dia, têm muita dificuldade em ‘serem felizes’. E os pais ajudam a isso.
Porra, eu ficava o Verão todo sozinho em casa. Às vezes ia para casa de um amigo que tivesse Nintendo, Playstation, ou computador (eu tive mais tarde até porque nunca fui muito de pedir coisas), mas a maior parte das vezes ficava por lá. Tem piada que, apesar de eu não ter nada disso, era mais frequente eu receber amigos, do que ir a casa deles.
Tínhamos 4 canais, e um VHS. E uma bicicleta. Era suficiente para nos divertirmos durante 3 meses de férias! E ainda ficávamos com pena quando elas acabavam… De manhã, tomávamos o pequeno almoço, que consistia em um copo de leite com 4 ou 5 colheradas de Nesquik, torradas com manteiga ou com doce de qualquer coisa. Ou cereais cheios de açúcar. Ficávamos a ver os desenhos animados até ao almoço, com uma merenda pelo meio, que poderia muito bem ser comer Chocapic do pacote à mão cheia. Ao almoço, os pais vinham para almoçar, íamos ao café com eles, comíamos uma porcaria qualquer (porque ninguém era intolerante a lactoses, glutens, nem nada que se parecesse) tipo um chocolate, um gelado, um Bollycao, ou um pacote de batatas fritas. Depois íamos outra vez para casa, para os quatro canais, até aparecer um amigo com a bicicleta, para irmos arriscar um joelho numa descida acidentada qualquer, ou a mandar saltos que nos poderiam mandar para o hospital, mas nunca acontecia nada de mal. Antes de sairmos, lá íamos ao lanche, com os tradicionais pães com Tulicreme, bolachas com manteiga, pães com fiambre, leites achocolatados etc. Quando voltávamos para casa, se tivesse dado um filme mais ‘picante’ durante a noite, era certinho que o VHS tinha ficado a gravar. Ou isso ou íamos ver que cassete era aquela que o pai tinha escondida da mãe. E, quando acabasse o ‘BMX’, ou a futebolada, lá íamos nós ver, antes que os pais chegassem…
Hoje em dia, queixam-se que não têm nada que fazer com computador, telemóvel, consolas, bicicletas, 200 canais, ATL, inscrições no futebol, na natação, praias fluviais e piscinas públicas à porta de casa… E não têm nada para comer com o frigorífico cheio de toda a espécie de merdas que, no meu tempo, nem no supermercado haviam, quanto mais em minha casa…