É difícil dar uma nota positiva num mercado onde as lacunas continuam sem ser suprimidas e quando a equipa continua a ter uma dose incrível de wishful thinking.
É mais um daqueles cenários onde a coisa pode correr bem ou a coisa pode correr mal.
Não nos vejo com uma clara superioridade em relação aos rivais. Aliás, neste momento, creio que o Porto parte à nossa frente como favorito para o campeonato. Desde logo porque (1) foi campeão e (2) teve poucas mexidas.
Olhando para aquilo que era o 11 na temporada passada, diria que o Sporting CP está mais fraco do que aquilo que estava.
O Sporting CP continua a conservar o Rui Silva como principal opção para a baliza. Junta-lhe agora um “vamos ver no que dá” Kaique.
Na defesa, trocámos o Diomande pelo vamos ver no que dá Ba. O Diomande, aos dias de hoje, era claramente superior ao Ba.
No meio campo perdemos um referência que parece ter sido bem substituída pelo Altimira. Era o que se desejava. A saída do Morita é tragável e esperada na substituição pelo Doumbia, embora estejamos no wishful thinking de que o jogador se vai adaptar e será tudo aquilo que estamos à espera.
Na frente, pedia-se um extremo esquerdo que se queria que fosse um claro acrescento de qualidade e… Não veio ninguém. É substituído por um jogador que se espera que venha a ser tudo aquilo que promete e mais além. Saiu o Trincão que era uma referência e espetámos 30M€ no Zalazar que, ao fim de meia dúzia de jogos, já se questiona qual é a posição certa para o jogador. É evidente que, para já, também não saímos a ganhar.
Conseguiu dar-se mais profundidade ao plantel? De certa maneira… Sim. Mas continua a ser um mercado agridoce, com uma postura que pouco dignifica o Sporting CP no que diz respeito a saídas e a valorização dos jogadores. Continuamos a vender barato, continuamos a comprar caro, continuamos a demorar a fechar alguns negócios. Temos muita dificuldade em colocar certos jogadores e a fazer bons encaixes com excedentários. Diga-se de passagem que também temos dificuldade em fazer bons encaixes com jogadores que não são excedentários. A venda do Trincão e a do Diomande são particularmente assustadoras, tanto mais quando vemos continuamente a anunciarem que “o leão já fez mais de 200M€ neste mercado” como se esta merda fosse algum título incrível.
Por outro lado, há mais um jogador da formação - que, curiosamente, até joga numa posição que considero deficitária - que sai ao desbarato (Travassos) para se manter por cá um excedentário que ainda não se percebe aquilo que custou.
Os dossiers Pote, Bragança e Callai são outros que tenho dificuldade em perceber.
Tendo em conta o que já vi neste início de temporada, estou com as expectativas MUITO baixas para o que aí vem. O que pode ser bom, uma vez que, pelo menos, não ficarei desiludido e o que vier, vem por acréscimo.
Mas o plantel não me dá particularmente confiança e confesso que o treinador também não.