Como acham que será o mundo daqui a 100/200 anos?

Obviamente que não.

O que eu estou a dizer é que existe sempre maneira dos miudos contornarem as regras.

Eu as vezes ouço pais dizer - “Ah, o meu filho tem 13 anos e eu não deixo que ele tenha telemóvel”

Mas voces acreditam mesmo nisto?

Obviamente que tem que existir um controle em tudo, mas muitas das vezes os extremismos só fazem pior.

Eu estou obviamente a falar de idades já mais “avançadas” quando os miúdos têm 13/14/15/16 anos.

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Agora mais a sério.

Sou um pouco pessimista relativamente ao destino da raça humana. O desenvolvimento mental dos seres humanos não acompanha o desenvolvimento tecnológico. Uma ínfima parte de humanos é responsável pelos avanços tecnológicos brutais a que assistimos. São geralmente gente inteligente e sensata que compreende as implicações do que inventa e desenvolve. Depois há toda a uma massa de símios que estão essencialmente preocupados em viver a sua vida ou a embarcar alienados nas conversas dos encantadores de massas e que não compreendem patavina das implicações que o uso de determinadas tecnologias podem ter no futuro da espécie (religião, ideologias, populistas, etc).

A Humanidade coletivamente está numa situação semelhante aquele cenário em que das uma arma de fogo a chimpanzés e esperas que tudo corra pelo melhor.

Plot twist… não corre.

Portanto, a meu ver daqui a 100/200 anos não me parece que a Humanidade esteja numa local melhor do que aquele em que se encontra agora. Se ainda não tivermos chegado a um dos grandes filtros do Paradoxo de Fermi - o da autodestruição - parece-me que viveremos pior numa sociedade neo-feudalizada onde os governos serão substitutos por mega-corporações, o sonho molhado dos anarco-capitalistas, onde até a própria vida humana será uma comodity. Qualquer cenário de pioria das condições de vida dos humanos, de maiores desigualdades sociais, mais conflitos, menores índices de democracia, aumento dos nacionalismos, aumento dos desequilibrios climáticos, aumento da automação e do desemprego estrutura, aumento dos refugiados por conflitos e climáticos, etc, resultará sempre numa aproximação a esse filtro que pode materializar-se em holocausto nuclear, pandemia, catástrofe climática, ou outro.

Se por algum milagre conseguimos ultrapassar este filtro, provavelmente entraremos numa era de transhumanismo onde a o conceito de Humanidade evoluirá cada vez mais para um afastamento dos constrangimentos biológicos que um corpo físico e/ou biológico tem face ao inexorável e implacável avanço da entropia. Como disse se passarmos o grande filtro da autodestruição, provavelmente a vida humana evoluirá para formas de vida baseadas em silício ou até desmaterializadas. A simbiose entre humanos e a inteligência artificial, cada vez será mais forte até deixarmos de distinguir uma coisa da outra. Passarão por aí os tais conceitos que temos de imortalidade, transcendentalidade, exploração espacial, etc. Passaremos facilmente para uma civilização de tipo 1 na escala de Kardashev.

Esta ultima hipótese é a otimista.

Não sei se ter sido, desde tenra idade influenciado por Carl Sagan e pela ficção cientifica. Hoje um adulto de 40 anos à espera do primeiro filho, tenho um fascínio cada vez maior pela Natureza que nos rodeia. Gosto de olhar para o céu e para as estrelas, qualquer noticia sobre o cosmos, sobre o avanço da ciência, da física quântica, à ciência planetária me entusiasma. Acho que ao olharmos para o Cosmos, para as estrelas e para o que está para além do nosso planeta Terra - a nossa nave-mãe Terra como lhe chamava Buckminster Fuller - caem quase todos nossos preconceitos relacionados com a nossa posição no mundo. Passamos a pensar não como o Zé, o Manel, o português ou o espanhol, o Europeu ou o Chinês, mas como Humanos, os habitantes do planeta Terra. Como diria Carl Sagan em Pale Blue Dot… somos apenas um ínfimo grão de pó na grande vastidão cósmica do nosso Universo. Acho que o centro de gravidade da nossa noção de autopreservação muda completamente. Isso é algo que me fascina brutalmente, assim como apreciar a natureza e as suas extraordinárias obras de arte. Acho que passará muito por aqui o futuro da nossa espécie. O sermos capazes de dar este leap of faith em direção ao transhumanismo e às estrelas.

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Muito bem referido.
Já tive esse papel imensas vezes, por exemplo com primos mais novos e até irmãos mais novos desses primos que não tinha o irmão mais velho naquele momento no bom caminho, por exemplo.

Daí caber a todos como fazes mencionar e muito bem.

Quanto à parte do que se trata em casa, como costumo dizer que o Ministério da Educação é em casa e do Ensino para além de casa é na escola.
Que é complicado, imagino. Porque filhos não tenho mas já o percurso de escola fez-me saber mais do que não queria do que aquilo que queria. Tive dois bons ministro de educação em casa e era só seguir o caminho que acredito que tenha sido correcto, com falhas como todos.

Hoje em dia não estou também bem a par de como é a escola hoje só por conta da minha sobrinha que ainda tem 8 anos e não ter tantos exemplos na adolescência como poderia ter para saber mais da realidade de hoje em dia nas escolas mas imagino o difícil e cada vez mais poderá ser mas como dizes, vem de casa primeiro que tudo.

Vim do futuro e posso garantir que o Porto continua a perder com o Estoril.

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Contornam as regras se não tiveres controle sobre a vida deles, se não souberes por onde andam, com quem andam, e o que andam a fazer.

Claro que uma criança pode mexer num telefone, computador, ou jogar numa consola. Mas tudo tem um limite. Não precisas de ser um tirano.

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A AI vai ao fundamental da música, que é matemática.
Mas não tem “alma” por assim dizer. Para ter isso é preciso criatividade e isso a AI não tem.

Já é.
Extinção não haverá. Somos demasiados, é como as baratas.

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Era bom que assim fosse eu pessoalmente gostava de chegar pelo menos até aos 150 anos :joy:,não me imagino sem o meu Sporting.

@Diego8 como referi concordo com o que dizes. a minha pergunta aponta mais no sentido „teoria“ e „prática“. eu tambem imaginava muita coisa que queria ou não fazer quando fosse pai, e já tinha cuidado tantas vezes em sobrinhos etc. a verdade é que estar com criançar umas horas/dias ou estar 24/7 não tem nada a ver.
continuo na minha de tentar controlar o possivel, em especial no que toca a tecnologia etc. e por enquanto (a filha tem 4anos) ainda é fácil (quando realmente se quer - o que falta muitos pais), mas tenho bastante respeito do que está para vir.

Dos melhores comentário que vi neste Fórum! Concordo em absoluto :clap:t2:

“Nós”… :joy: