Sendo o João um ciclista de manter um ritmo mais regular e menos de picos, talvez para ganhar grandes voltas tenha de ter outra estratégia, ou seja, lançar ataques mais cedo e encontrar um ritmo forte. Quando tiver uma margem, se tiver, para gerir, conseguirá encurtar distâncias a vir de trás para a frente e colmatar a pouca capacidade de responder a ataques a exigir mudanças bruscas de velocidade.
É possível o João ganhar um Giro ou Vuelta. O potencial está lá, depende da equipa a acompanhá-lo, dos adversários a pedalar pelo mesmo objetivo, também da estratégia ao longo da prova. Já teve a oportunidade no Giro, agora é esperar por outra. Na Vuelta, parece ir com o Yates e a liderança poderá depender do qual estiver melhor (o Poga se decidir ir, tudo cai por terra, pois o objetivo é levar o Poga a ganhar). O Ayuso também parece estar de fora da Vuelta, se for deve ser ele o líder.
Tanto Giro como Vuelta, será sempre um forte candidato a julgar pelo que se viu no Giro do ano passado e no Tour deste ano. Sobretudo de Pogacar, Vingegaard, Remco e Roglic (os 4 que estão claramente acima dele) não estiverem.
Se tem ido ao Giro este ano por exemplo era em teoria o 2o mais forte, indo à Vuelta é candidato à pódio.
Não percebo como se pode dizer que um candidato claro a pódios aos 25 anos será sempre “muito difícil” ganhar alguma nos próximos 6 ou 7 anos mas se calhar sou eu que tenho estado desatento e Pogacars e Vingegaards têm-se fartado de fazer Giros e Vueltas e o futuro do Remco passa por ignorar o Tour…
Existem quatro ciclistas atualmente claramente superiores ao João para uma competição de três semanas: Pocajar, Vingegaard, Remco e Roglic. O João ainda está a alguma distância dos dois últimos deste lote (os piores), e para chegar lá ele terá que melhorar bastante na montanha.
Poderá sempre ganhar uma grande volta tendo alguma sorte com o lote de ciclistas presentes, mas para mais que isso terá que melhorar e muito.
Com um pormenor, desses 4 há um que provavelmente terá no máximo mais dois anos de grande forma. Ficarão depois 3.
Neste momento já não acho que seja uma questão de melhorar, o Joao só está a um nível claramente inferior a 4 ciclistas (um dos quais veterano), ciclistas esses que têm e terão sempre como grande objetivo todos os anos vencer o Tour, não o Giro ou a Vuelta.
Todos os outros ciclistas, que são em grande medida os que nos próximos anos irão ao Giro e à Vuelta com ambições de ganhar, não lhe parecem já, ao dia de hoje, claramente superiores.
Acho complicado ganhar uma grande volta mas é sempre candidato a top5. Ganhar uma volta a Suíça (ja sei que não é a mesma coisa é o próprio Rui Costa já o fez) já me parece bastante mais exequível.
Vamos ver a sua evolução, as metas que a equipa lhe vai traçar. Não faço futurologia muito menos para questões a 6/7 anos, apenas analiso o que vejo agora.
Em 2 anos muita coisa muda.
Este ano Pogacar quis ir ao Giro. No próximo ano não sabemos se quer fazer a vuelta. Também não sabemos se o Vingegaard só que fazer o Tour, o mesmo para o Remco.
Para não falar na dificuldade que é liderar a UAE quando Pogacar não está e que todos querem ser galos.
Isso pressupondo que mais ninguém se juntará ao lote desses três. Muita coisa muda num curto período de tempo no ciclismo. O Contador e o Andy Schleck pareciam que iam dominar a modalidade durante 10 anos e aquela rivalidade durou dois anos até aparecem os ingleses da Sky…
Em relação à UAE, é verdade e também por isso é tão importante o Joao estar a fazer este Tour e ser o mais bem classificado da equipa a seguir ao Pogacar.
Quanto ao resto, a Vuelta pode acontecer mais mas o Giro dificilmente. É verdade que este ano o Pogacar foi lá, mas também é verdade que nunca tinha ido; e o Vingegaard (pelo menos desde que se revelou um corredor extraordinário) creio que também não.
O Remco não sei que planos tem e o Roglic também não, mas sabemos que Roglic privilegia Vuelta e sobretudo Tour.
Há outra concorrência (Hindley, Mas, Yates, Vlasov, Carlos Rodríguez) mas, estando aí bons ciclistas, já não me parecem imbatíveis.
Acho improvável que de 2026, imaginemos, a 2029, não haja pelo menos uma grande Volta a que o Joao possa ir em que Pogacar, Vingegaard e Remco não estejam, mas tudo é possível.
Eu também não estou a dizer que vai ganhar. Estou a dizer que tem condições e capacidades para isso e que tem de ter essa ambição. O pódio já está, o passo seguinte é esse.
Verdade, mas o Giro do ano passado + o Tour deste ano (se não houver quebra na última semana) são pontos a favor do João para se posicionar cada vez mais como o “chefe” sempre e quando o Pogacar não estiver para aí virado (já sabemos que o Poga não é um ciclista normal e gosta de ir a todas…).
Além disso penso que o próprio João, pelo que tem feito, não aceitará menos do que ser o 2º 2 da equipa e se vir que a equipa não está para aí virada (é possivel) tratará de conseguir ser chefe de fila noutra equipa e o que não faltam neste momento são equipas mito poderosas (pelo menos 2, nomeadamente a Ineos e a RedBull) a precisar de ciclistas com a valia do João. Neste momento o mercado está complicado, os 2 extraterrestres ninguém dos tira de onde estão, o Remco pode ser o “mais apetecível” para quem quiser investir muito forte mas depois disso não sobre ninguém que se possa dizer que esteja acima do João…
Remco > Joao, Ayuso e Rodríguez. Mas são 3 ciclistas ainda jovens (os dois últimos muito jovens) e que têm vários anos de excelente ciclismo pela frente.
Serão sempre alvos apetecíveis não só das equipas espanholas, como da RB, Ineos e….Visma.
Depende do valor que lhe derem… Uma coisa é ser “gregário” do Pogacar, seja como for num mano a mano com ele nunca terá hipótese e portanto até não é mau quando estão na mesma corrida trabalharem nesta ordem… outra completamente diferente é ser a 3ª ou 4ª escolha numa equipa que ainda tem Ayuso (já provou ser muito ambicioso e é um excelente ciclista) e o Yates (parece ter a absoluta confiança da equipa). No pior destes cenários o João não ganha nada (exceto um salário principesco) em continuar na UAE muito tempo.