Bem decidi, aquando de uma reportagem feita pela rtp sobre este caso, fazer uma reclamação ao provedor do espectador basicanete dizendo que não percebia como um condenado era capaz de ter tanto tempo de antena, e achei interessante postar aqui a resposta a essa reclamação:
Agradeço o e-mail enviado.
1 - Efectivamente, têm sido recebidas dezenas e dezenas de mensagens a protestar contra a forma como a RTP tem tratado a notícia do julgamento e sentença do caso “Casa Pia”. Em particular porque entendem os Telespectadores estar a ser dado um “tratamento preferencial” de defesa perante a opinião pública ao Sr. Carlos Cruz, antigo profissional desta empresa.
2 - Alguns Telespectadores reclamam também pelo facto do Provedor não ter, ainda, manifestado a sua opinião sobre este assunto.
3 - Devo esclarecer que, normalmente, não me precipito a reagir a estas questões de grande melindre social. Todavia, já enviei uma nota interna para o Director de Informação da RTP, dando conta dos protestos dos Telespectadores.
4 - Da minha parte discordo e lamento que o tratamento deste assunto não esteja a obedecer a parâmetros de equidade, privilegiando, com efeito, o Sr. Carlos Cruz, provavelmente por critérios editoriais. Reconheça-se porém que, no relevo mediático, que este caso sempre teve, desde o surgir da primeira notícia, Carlos Cruz, indevidamente, foi sempre a pessoa mais visada.
5 - É óbvio que Carlos Cruz é a figura mais mediática neste processo. Mas essa qualidade, por lhe dar direito à livre expressão de opinião em sua defesa e nas críticas que emite em relação ao processo, ao julgamento e sentença, não lhe confere o direito de ser excepcionado relativamente aos outros arguidos / condenados, às vítimas e seus advogados ou assistentes.
6 - Esse “tratamento diferenciado” coloca a RTP sobre a acusação de parcialidade e de exercer um “proteccionismo corporativo” descabido.
7 - Obviamente a RTP não pode fazer silêncio sobre um assunto de grande mediatismo e de enorme impacto na opinião pública.
Por sua vez, a RTP, instituição de serviço público, não deve ser vínculo dos ataques, deferidos à instituição Justiça, sem o contraditório da parte dos magistrados e investigadores, envolvidos neste processo, aliás, nas circunstâncias processuais, impedidos de o fazerem.
Envio, portanto, a todos os Telespectadores que se pronunciaram sobre este assunto, esta resposta, cujo conteúdo será objecto de um comunicado na página dos Provedores e de um próximo programa.
Com os melhores cumprimentos.