Casa Pia - Sentença

Ele poderá ter “admitido” que sabia que tinha menos de 14 anos pelo que leu no “Auto” e não por realmente conhecer o rapaz. Neste caso a palavra “admitir” poderá não ser a mais correcta pois tem um tom incriminatório, ainda por mais a juntar ao “sabia” o que dá uma sensação que no passado (na altura do crime) o CCruz conhecia mesmo o rapaz e que sabia a idade dele.

No entanto tudo se pode resumir a “O CCruz sabe que o rapaz na altura tería menos de 14 anos” (através da leitura do auto e não pela conhecimento efectivo do rapaz).

Penso que é isso que ele tenta explicar.

PS: E neste caso ninguem estaría a mentir nem a juiza nem o CCruz, pois ela afirmou que ele sabia da idade do rapaz (e o mesmo sabia) e o CCruz não admitiu saber a idade do rapaz pelo próprio mas sim pelo que leu no Auto e aí o CCruz não tem influencia, pois apenas constata um facto que é a idade descrita no mesmo.

Tinha que vir a política para aqui. ::slight_smile: Quem alguns queriam que aparecesse no processo não aparece, porque não é pedófilo. Quem cospe para o ar sujeita-se. Aliás, eu ADORAVA que o Carlos Cruz revelasse os nomes, porque a III República caía.

a juiz diz mais à frente 1’10, "tinha perfeita conhecimento que os actos de natureza sexual que SUBMETEU o menor, prejudicavam…

não pode ser mais claro que isto!!!

Assim fico sem perceber nada. Então, a juíza é que mentiu? É que não é só uma mentira (que violou a criança), são várias: a idade do miúdo, a violação, o facto de saber que estava a cometer um crime, o admitir do crime em si, etc.

Não sei nada de nada no que se refere a este gajo, admito-o. Custa-me a crer que exista uma conspiração contra ele, mas admito que tudo é estranho.

O que sei, digo-o/escrevo-o à vontade: mais um péssimo trabalho jornalístico. A moderadora, paga a peso de ouro com os impostos de todos nós e a trabalhar num canal público que verte milhões ao dia, fez o trabalho de um advogado de defesa: perguntas certas para o “Carlos”.

Por acaso, na entrevista desta noite, a minha opinião é diferente.

Fiquei surpreendido com algumas das perguntas feitas (incluindo a referência ao video), que pensava que não seriam abordadas. Não vou especular sobre teorias em volta da condução da entrevista em si.

Continuando sem ter certezas absolutas se é inocente ou se é culpado, apenas serviu para confirmar o que já tinha reparado: partindo do principio que o que foi falado são factos e questões que estão mesmo no processo… aquilo tudo tem mais falhas, contradições e buracos que um queijo suiço!

Carlos Cruz sendo alegadamente culpado, não admira que se possa safar (nos recursos, oportunidades proporcionadas pela mesma justiça que antes o condenou), porque parece ter mesmo n maneiras e motivos por onde pegar neste novelo que começou mal desde o seu inicio.

Para além da atrocidade cometida nas vitimas, há muitas coisas que cheiram ali mal. O tipo faz acusações e levanta questões gravissimas, com visados directos que não vejo forma de o contrariarem sem o levar a tribunal por difamação ou algo do género, e estou curioso para ver onde isto vai dar e pelas eventuais respostas dos ditos.

Mas repito, por muito que tente e aconteça o que acontecer no futuro, Carlos Cruz nunca conseguirá tirar de cima de si a suspeita, o estigma, a mancha.

Eu estive bem atento à entrevista e ela apertou com ele. Falou no vídeo, no Mota, nos nomes que ele disse que ia divulgar, sobre se haveria conspiração política. Tentou não o deixar desviar-se das perguntas colocadas.

Achei um trabalho interessante de jornalismo, não fiquei com a mais pequena idéia que tivesse sido uma entrevista concertada. CC é um comunicador nato e passeia-se bem naquelas águas.

Mais uma vez se reparou que todo este processo está inquinado. Até a PGR ao que parece omitiu provas que ajudavam na defesa de CC, e isso é gravíssimo.

Já dizia o ditado: “O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita.”

Quem é que disse isso ? O Carlos Cruz ?

Preferes acreditar nas palavras de um pedófilo condenado do que na PGR ?

A PGR não é nenhum lugar santo , mas entre a PGR e um pedófilo , acho que não há duvida , qual o mais credível , penso eu.

Há gente aqui a dar importância demasiada ao que ele diz , mas a palavra de um pedófilo vale alguma coisa , se se quer defender é no tribunal , não na praça pública.

Se tem alguma coisa contra alguem ou tem queixas de alguem , que diga quem e apresente os factos , o que ele teria a perder nesta situação , nada , agora isto não passa de uma cortina de fumo e há quem vá na conversa.

Se a PGR omitiu factos , então para quê que servia a defesa do Carlos Cruz , apresentassem as provas então , tangas lançadas para apanhar incautos , há quem caía em tudo , isso já ele sabia e por isso está a lançar esta cortina de fumo.

O engraçado é que ele consegue convencer toda a gente, as entrevistas em público são mais verosímeis que o show do Jerry Springer, mas convencer uma batelada de juízes que foram passando pelo processo é que népia… cá pra mim os juízes é que são todos vesgos e têm todos alguma coisa contra o Carlos Cruz assim só porque sim. :mrgreen:

Acho vergonhoso que a Televisão Pública, do Estado, paga com o nosso dinheiro, dê tempo de antena a alguém que neste momento se encontra condenado pela Justiça Portuguesa, pelo mesmo Estado, que somos todos nós.

Ou seja, o Estado dá tempo de antena a um condenado para pôr em dúvida o desempenho, para inquinar a opinião pública, quanto ao trabalho dos representantes do mesmo Estado no âmbito dum processo judicial.

Porque motivo os restantes condenados não têm a mesma oportunidade?

Porque motivo as vítimas também não são ouvidas?

De facto é suposto num tópico destes não se falar em política. Contudo já havias escrito isto…

Resumindo:
Se for para falar do PS, do Socas e do Ferro Rodrigues para associá-los a coisas graves está tudo bem. Mas se isto invocar nomes como o Paulo Portas e as suas histórias engraçaditas já é um assunto brejeiro, já são “politiquices” e temos que nos sentar em cima do muro do distanciamento político. Mas realmente é como tu dizes: quem anda à chuva molha-se e portanto se a porta é aberta num sentido obviamente que também servirá para o outro… Em democracia é assim!

Sem querer beliscar minimamente a tua opinião, acho que estamos para a pedofília neste momento como se estava para o homossexualismo nos séculos passados. Dantes o homossexualismo era considerado uma doença, agora é uma orientação sexual. Tentar branquear a sordidez da pedofília dando-lhe um enquadramento médico não faz sentido nenhum.

Alguém que sofre duma doença é digno de pena. Eu da minha parte não consigo sentir pena nenhuma por um pedófilo, como não sinto pena nenhuma por abusador sexual de crianças, como não consigo sentir pena nem compaixão para com um violador ou para com um “serial killer”.

Doença é um cancro, esquizofrenia, diabetes, ELO e similares. Pedofilia para mim é simplesmente a demonstração máxima do carácter animalesco da sociedade humana em que vivemos que cada vez mais se aproxima a passos largos da sua aniquilação moral.

Sob o ponto de vista médico a pedofilia é uma perturbação das preferências sexuais, classificada como tal na ICD-10 e DSM-IV (tabelas de classificação das doenças e problemas médicos). Mas é tão “doença” como o sado-masoquismo, o fetichismo, o exibicionismo ou o voyeurismo (que também se enquadram nestas classificações).

Se esse problema/perturbação/doença o torna mentalmente incapaz de distinguir o certo do errado ou controlar os seus impulsos, isso é outra questão completamente diferente.

Bem decidi, aquando de uma reportagem feita pela rtp sobre este caso, fazer uma reclamação ao provedor do espectador basicanete dizendo que não percebia como um condenado era capaz de ter tanto tempo de antena, e achei interessante postar aqui a resposta a essa reclamação:

Agradeço o e-mail enviado.

1 - Efectivamente, têm sido recebidas dezenas e dezenas de mensagens a protestar contra a forma como a RTP tem tratado a notícia do julgamento e sentença do caso “Casa Pia”. Em particular porque entendem os Telespectadores estar a ser dado um “tratamento preferencial” de defesa perante a opinião pública ao Sr. Carlos Cruz, antigo profissional desta empresa.

2 - Alguns Telespectadores reclamam também pelo facto do Provedor não ter, ainda, manifestado a sua opinião sobre este assunto.

3 - Devo esclarecer que, normalmente, não me precipito a reagir a estas questões de grande melindre social. Todavia, já enviei uma nota interna para o Director de Informação da RTP, dando conta dos protestos dos Telespectadores.

4 - Da minha parte discordo e lamento que o tratamento deste assunto não esteja a obedecer a parâmetros de equidade, privilegiando, com efeito, o Sr. Carlos Cruz, provavelmente por critérios editoriais. Reconheça-se porém que, no relevo mediático, que este caso sempre teve, desde o surgir da primeira notícia, Carlos Cruz, indevidamente, foi sempre a pessoa mais visada.

5 - É óbvio que Carlos Cruz é a figura mais mediática neste processo. Mas essa qualidade, por lhe dar direito à livre expressão de opinião em sua defesa e nas críticas que emite em relação ao processo, ao julgamento e sentença, não lhe confere o direito de ser excepcionado relativamente aos outros arguidos / condenados, às vítimas e seus advogados ou assistentes.

6 - Esse “tratamento diferenciado” coloca a RTP sobre a acusação de parcialidade e de exercer um “proteccionismo corporativo” descabido.

7 - Obviamente a RTP não pode fazer silêncio sobre um assunto de grande mediatismo e de enorme impacto na opinião pública.

Por sua vez, a RTP, instituição de serviço público, não deve ser vínculo dos ataques, deferidos à instituição Justiça, sem o contraditório da parte dos magistrados e investigadores, envolvidos neste processo, aliás, nas circunstâncias processuais, impedidos de o fazerem.

Envio, portanto, a todos os Telespectadores que se pronunciaram sobre este assunto, esta resposta, cujo conteúdo será objecto de um comunicado na página dos Provedores e de um próximo programa.

Com os melhores cumprimentos.

Devo ter-me feito entender mal, estava a tentar dizer que pedófilia e abuso de crianças não são a mesma coisa e foi isso que C Cruz disse numa entrevista

A pedófilo é alguém que tem atracção preferencialmente por crianças ou jovens (não deverá estar muito bem definido é algo assim) o que não quer dizer que a pessoa pratique o acto. Se alguém é acusado em tribunal por pedofilia é um pequeno abuso da palavra. Uma pessoa pode ser cleptomaníaca e nunca ter roubado coisa alguma e só pode ser condenada pelos seus actos e nunca pela sua vontade. Ninguém é condenado por cleptomania.

A prova de cleptomania ou de pedofilia num caso julgo que até poderá ser uma atenuante uma vez que é algo do foro clínico.

O caso contrário também acontece e será o mais normal diria eu. Os abusadores de crianças não são necessariamente pedófilos.

EDIT: Após uma pequena pesquisa a cleptomania é caracterizada pelo roubo de objectos “insignificantes”, não sei se toda a gente que rouba objectos “insignificantes” será cleptomaniaca mas julgo que não.

As palavras são por vezes enquadradas em mais que uma área. Eu já falei do ponto de vista médico, agora quando se fala em “pedofilia” na comunicação social raramente é da perspectiva médica da coisa.

Mas a mim o que me parece é que no DIreito não é diferente da perspectiva médica, não faria sentido sê-lo e parece-me que foi simplesmente esse o reparo que C Cruz fez.

Mas se alguém souber por o que é que C Cruz e os outro foram acusados que nos ajude por favor.

Espero que a tua nova etapa académica te consiga incutir a distinção entre prova, sugestão e evidência.

O que tu relatas é a expressão de um estigma muito comum na sociedade actual: a ostracização das doenças mentais relativamente às do “corpo”. A pedofilia é uma doença, como a depressão, psicose ou esquizofrenia. A diferença é que esta doença, tal como a psicopatia, causa danos graves a terceiros, ao contrário da depressão ou da esquizofrenia - que também causam danos, porém de forma diferente.

Aquilo que muitas pessoas não sabem, é que grande parte dos pedófilos sentem-se culpados pelos impulsos que têm. Simplesmente não os conseguem controlar nem evitar sentir atracção sexual por crianças, sendo que a maior parte deles não “age” os impulsos, isto é, não passa ao acto. Eu consigo ter pena de um pedófilo deste género, porque são homens completamente dominados e torturados pelos seus próprios impulsos internos.

Em relação à diferença entre pedofilia e abuso sexual de menores, o Paracelsus disse tudo. Em termos de direito, a lei não poderá julgar intenções (pedofilia) mas sim factos concretos, neste caso o abuso propriamente dito.

Segundo a imprensa de hoje depois de supostamente terem visto o acordão é confirmado que C Cruz nunca admitiu qualquer dos crimes e que foi condenado por 3 crimes mas que foram provados 6 (os outros 3 não foram admitidos por questões processuais).

Aqui ficam as conclusões da culpa dos arguidos retiradas do site da TVI 24:

http://multimedia.iol.pt/backoffice/oratvi/multimedia/doc/id/13317648//9

O que tu relatas é a expressão de um estigma muito comum na sociedade actual: a ostracização das doenças mentais relativamente às do "corpo". A pedofilia é uma doença, como a depressão, psicose ou esquizofrenia. A diferença é que esta doença, tal como a psicopatia, causa danos graves a terceiros, ao contrário da depressão ou da esquizofrenia - que também causam danos, porém de forma diferente.

Desde que se deixou de considerar a homossexualidade uma doença não há razão para considerar a pedofilia como tal. Os pedófilos não têm mais impulsos sexuais que uma pessoa normal, simplesmente não têm como exprimir a sua sexualidade de forma normal, por motivos óbvios, o que pode afectar psicologicamente pessoas mais frágeis.
O mais grave é que nenhum irá procurar ajuda, porque o estigma social associado a pedofilia é muito grande…

Considerar a pedofilia como doença contribui a desresponsabilizar os pedófilos que cometem violações e abusos, como no caso Casa Pia.