Bruno Tabata

Era um meia atacante e não um 8. Não vale a pena continuar a bate na mesma tecla.

Um meia atacante é um médio ofensivo, seja ele 8 ou 10.

Não. Aquilo a que na Europa se chama de 8 é um jogador de equilíbrios. Um tipo que manda no meio-campo, que tem de ser competente a nível ofensivo, mas também no capitulo defensivo. É na essência o verdadeiro médio centro. Não é necessariamente o box-to-box à inglesa, embora muitas gente os confunda. Aquilo que se convencionou chamar de 8 é o patrão de meio-campo. Não é um médio ofensivo. O que tu tens são médio-ofensivos que pela sua capacidade tática, visão e passe e muitas vezes por perderem velocidade, repentismo ou a capacidade de atuar em espaços curtos, descem um pouco e se assumem como patrões do meio-campo (vide Modric).

Por tudo o que me disseram sobre ele e de coisas que já vi, o Tabata nunca foi isso. Era um médio ofensivo. Pode não ser o clássico camisa 10 (mas também, se pensarmos no que isso é no Brasil, nunca ninguém o foi), mas eles só recentemente têm essa figura do 8 no Brasil e mesmo assim pouco (o que é estranho, porque tiveram um dos jogadores que melhor poderia servir essa posição, Paulo Roberto Falcão). O mais parecido será o 2º volante, um tipo qua auxiliava o volante na defesa, mas nem é bem a mesma coisa. Ser-se meia-atacante é mais ao estilo do 10, não o brasileiro ou italiano, que eram avançados, mas do médio que tem mais que atacar e distribuir e pouco se importa com a componente defensiva, com manter posição. É jogador de bola no pé.

O nosso 8, até por jogarem dois e depois receberem compensação dos homens da frente ou dos alas, tem de ser muito mais responsável, que construa mais pelo passe e pela visão de jogo (colocando bons lançamentos), sabendo quando segurar a bola, quando parar ou acelerar o jogo, etc., do que andando com a bola no pé à procura de fazer estragos.

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Nunca tendo sido um 8, nem nunca tendo tido essas funções de equilíbrio não achas que num curto espaço de tempo pode assumir tais funções?
Não achas que tem características para ser chegar a frente, para aparecer no espaço, para lançar, para realizar passes de ruptura e ao mesmo tempo temporizar, acalmar o jogo e assumir comportamentos de compensação e defensivos.
Nos poucos minutos da pré época pareceu me que tem pelo menos o compromisso para se adaptar. É pouco tempo mas gostei.

Pareceu-me que este nosso meia 8 é bem responsável: não parece, a jogar ali, nada “brasileiro”. Tem um equilíbrio europeu no seu jogo. Mas vamos ver.

Se tiver uma curva de aprendizagem brutal. Faz-me lembrar aquela cena do moneyball, “it’s not that hard - it’s incredibly hard”.

Não sei. Eu só o conheço do Portimonense e do pouco no Sporting, onde nunca apresentou tais características (“temporizar, acalmar o jogo e assumir comportamentos de compensação e defensivos”)

Ui, a pré-época. Só conto com os últimos jogos e nem conto muito. Acho que, cada vez mais, nas pré-épocas não se analisam equipas ou jogadores.


Vamos ver. Eu ainda não vi tudo isso, mas vamos ver. Eu não vi o último jogo, mas nos resumos vi um passe para a lateral completamente estapafúrdio e muito pouco europeu, que não só não dá posse de bola, mas num jogo a sério poderia dar um contra golpe perigoso, mas vamos ver.

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A equipa mudou, para melhor, quando ele passou para o meio. Vamos vendo.

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Como disse, eu não vi o jogo. Vi o resumo e pronto. Dizem que ele acelerou o jogo. Podes dizer-me como o fez?

Respondo eu… não acelerou mas ele melhorou quando passou para o meio campo, o nosso jogo manteve-se igual, houve mais profundidade com entrada no N. Santos!! Mas jogamos pouco o resultado é enganador!!

Aposto já aqui que ganha o lugar.

O adversário vai-nos apanhar muitas vezes no contra-golpe com o Tabata, por falta de equilíbrio em campo pois deixa os centrais destapados. Aquela ideia de estares bem posicionado para a perda da bola em posse, esquece. Talvez também a ideia seja outra e aí ele encaixa melhor (ataque continuidade, velocidade na frente, deixar a transição do adversário para os centrais). Tenho a ideia que vê demasiado o ala e menos o avançado.

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Uma coisa que foi referida nas transmissões dos jogos é que o Amorim está a alterar ligeiramente a tática este ano.
A pressão é feita com o número 8 muito mais adiantado do que o ano passado, ficando muito mais próximo do 3 da frente.
Mesmo durante o jogo, os comentadores referiram isso. Até a defender em ataque continuado do adversário.

Isto pode ter a ver apenas com as caraterísticas dos jogadores que na pré-época têm jogado a 8 ou pode mesmo ser uma alteração, que nos deixa um pouco mais expostos na defesa, mas mais agressivos na recuperação da bola. Correndo bem, recuperamos mais à frente e somos mais perigosos; correndo mal, estamos mais expostos (temos apenas 3+1 fixos).

Se esta observação se confirmar (e for mesmo uma estratégia), faz sentido o Tabata, que dá outro pendor ofensivo naquela posição.

por isso mesmo não estou a ver Matheus Nunes nem Ugartes a serem o “8” que se espera, depois do “outro”…

esse lance que o @Ravanelli fala… não sei se é o mesmo que eu vi, onde tinha a esquerda toda aberta e insiste em meter no Esgaio que estava fechadíssimo na marcação.
o Tabata tem uma vantagem sobre a outra opção imediata, o Daniel, que é a capacidade de reter a bola. mesmo no drible é mais lixado de contrariar. por aí não virão mais turnovers e transições rápidas do adversário (sempre comparando com o Daniel, nunca com o “outro”).
depois, como o @Ravanelli já explicou, falta-lhe a capacidade de descomplicar e de gerir tempos e posse.

não sei. mais depressa acredito que a forma de jogar se altere um pouco do que se encontre, neste plantel atual, um tipo que dê o mesmo que tínhamos ali.

Entretanto há também um lance em que está solto e mete a bola na esquerda, para ninguém. Lance típico de quem não tem grandes preocupações com a perda de bola no centro. Uma coisa é estar na frente e arriscar o passe rápido, sem olhar, outra é no meio.

Eu sei que os adeptos gostam de cenas vertiginosas e tal. Mas ali um gajo tem de pensar mais à frente que o simples adepto. E sim, às vezes tem de parar e executar mais lento, mas mais certo ou até pensar que um passe em frente vai dar em nada, o lance vai acabar por morrer, logo há que jogar ao contrário e manter a bola. Não será o querido das bancadas ou dos fóruns, mas vai fazer com que a equipa esteja mais perto de ganhar, mesmo passando a idolatria para outros companheiros (muitas vezes sem tanta importância).

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Por isso disse, com ele a 8 assim, ficamos mais expostos ao contra-golpe e vão surgir imensos.

nesse aspecto da má decisão de passe, sim. acredito.

Até mesmo o posicionamento, ele preocupa-se pouco com a ocupação de espaços, facilmente deixa a equipa em desequilíbrio. Obviamente que é tudo novidade e vai crescer com os jogos, a nível técnico é que pode ser mais complicado.

é isso, o posicionamento é mais “fácil” de ensinar (e o mister está ali ao lado a berrar lá para dentro). já a decisão é lixada. está muito formatada na cabeça do jogador.

Pois, eu percebi.

É um dos aspetos que ele tem de melhorar. E lá está, onde se nota a tal falta de escola do 8. Porque muitos dos comportamentos dessa posição são inputs que se gravam depois de muitas horas a fazer o mesmo.

Ele tem técnica, pensa o jogo com maldade, visão de jogo, guarda bem a bola e disponibilidade física para defender agora o resto desde que tenha disponibilidade para aprender é trabalho do treinador mas acho que facilita muito o facto de ser um jogador inteligente.