Banda Desenhada

Conhecem o “Remember” do John Lennon? Acaba com os versos “Remember/the 5th/of November”, seguidos de uma explosão. Está no disco “Plastic Ono Band”.

Já lá vai o tempo dos statements anarquistas no rock…

Ena, estava para aqui a gabar-me de o ter lido o Tintim inteiro, quando tu já o fizeste em três línguas diferentes… ;D

O “Calvin & Hobbes” é brilhante. Aparentemente, quando o Público pretendeu substituí-lo, foi obrigado pelos leitores a manter a tira, ainda que repetindo o que já fôra publicado para trás.

Há uma tira cómica que procuro acompanhar: o “Mutts” do Patrick McDonnell. Em Portugal, é o “24 Horas” (ou era) que a publica diariamente.

Também gosto muito do “Peanuts” do Charles Schulz. Finalmente, está a ser publicado na íntegra em Portugal (já saíram os quatro primeiros volumes).

‘Peanuts’ conheci através dos desenhos animados na 2. adoro o Snoopy e adorava ouvir as musicas da série. já encontrei um ou dois, mas são caríssimos. talvez nos anos ou na noite aderente da fnac.

É verdade, são estupidamente caros. A fase de que mais gosto é a da década de 60 que ainda não está publicada. Acho que vou esperar por esses para comprar…

Astérix é a única colecção BD que tenho na totalidade, eu ria-me sozinho a ler aquilo quando era miúdo. E para apreciar ao máximo a obra em todas as suas vertentes (desde o humor, à história, até às personagens) dá mesmo jeito ter uma certa contextualização histórica da obra. Nunca li em francês, por isso não posso dizer se se perde ou não na tradução para português, mas já li em inglês e não tinha a mesma piada, por isso suponho que tenham feito um bom trabalho na passagem para português.

As histórias eram originais e engraçadas, depois havia aqueles pormenores brilhantes do tipo:

Hoje em dia diz-se engarrafamento (garrafa) quando o trânsito está parado. Como na Antiga Roma não havia garrafas, mas sim ânforas, sempre que as carroças entupiam as ruas eles diziam que havia um “anforamento”. :rotfl:

Há uma obra onde até caricaturam um português (Lusitano na altura): baixinho, moreno, de bigode e afável. ;D

A obra nunca mais foi a mesma desde que o Goscinny morreu. O Uderzo nunca devia ter continuado sozinho. O último livro “O Céu cai-lhe em cima da cabeça”, nem consegui passar da 5ª página, aquilo já não é Astérix, é apenas desenhos do Astérix. Ainda estou à espera que apareça um argumentista que ressuscite o requinte e o humor que o Goscinny trazia à obra.

:arrow:

O Uderzo é um tonto. Só sabe desenhar.

Incitatus:

conheces isto?

Jaime Hernandez - “Whoa, Nellie!” (mini-série de 3 números).


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Karol:

espreita ali em baixo.

Brilhante.


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Em relação à banda desenhada já tive várias fases.

Comecei quando era muito miúdo pelos Tintins, Asterix’s, Lucky Luke (Jolly Jumper e o Rantanplam simplesmente impagáveis :mrgreen: ) que saiam em fasciculos semanais, gostava também muito do Cubitus, do Taka Takata e outras personagens com estórias curtas de uma página. Tenho a colecção encadernada desde o início até ao ano de 1975, altura em que fui viver para o Brasil. Tenho uma porção de fasciculos mais recentes e ainda tenho o objecivo de completar essa colecção. Mais tarde voltei a estes livros para descobrir outras séries que não gostava ao início, como os “Blake e Mortimer” (os meus preferidos de hoje em dia), Alix, Spirou, etc.

Durante a minha estadia no Brasil , comecei a ler os “Tio Patinhas” e os almanaques da “Turma da Mónica”, depois mais tarde virei-me para os super-herois da Marvel: O Homen de Ferro, Capitão América, Surfista Prateado e por ai a fora. :slight_smile:

Hoje em dia, não dispenso as minhas tirinhas diárias que recebo por mail do “Dilbert” (Brilhante!), do Marmaduke (gosto muito porque tenho um cão igual), e dos “Peanuts”. A quem interessar: http://www.comics.com

Outra banda desenhada que também é incontornável é a “Mafalda”. Muito me ri com estes livros. Hoje em dia já está um bocado datado , mas mesmo assim, ainda vale a pena.

Nunca fui grande apreciador de BD, apesar de na fase dos 6/7 anos quando comecei a ler, lia as revistas de BD que saíam sempre naquela altura no Expresso, jornal que o meu pai comprava. Foi uma excelente introdução à leitura, diga-se.

Agora, vejo de vez em quando os “Calvin & Hobbes” que vêm nos jornais, e aprecio algum (pouco) “cartunismo”. Sendo que aí a minha preferência recai sobre um grande senhor brasileiro chamado Millôr Fernandes, que tem 84 anos, é escritor, cronista, humorista, dramaturgo e cartunista, e mesmo com essa idade continua a escrever e a desenhar genialmente e de forma diária (!) no seu site e também para alguma publicações brasileiras.

O site fica aqui: UOL - Seu universo online

Influenciado pelo Incitatus, acabei de “adquirir” uma valente compilação do Frank Miller com as obras mais relevantes e até agora estou verdadeiramente surpreendido com 300 (já tinha visto o filme) e Elektra Assassin. De seguida vai o Sandman para ver se realmente vale a pena.

Aparte disso, alguem sabe onde posso “adquirir” toda a coleção do Corto Maltese?

Obrigado! :great:

Não sabia que desenhava.

Aqui há um tempo, o Independente publicou um livro com crónicas dele (parece-me que organizado pelo Pereira COutinho), mas não cheguei a comprar.

Se estiveres perto de uma Fnac, entre edições portuguesas e francesas - se estas te interessarem - deverás conseguir a obra completa.

Há uns anos, o jornal Público editou vários álbuns do Corto Maltese, mas não os publicou a todos. Não sei se esgotaram. Mas é procurar numa loja do Público, mais uma vez se estiveres perto de uma.

De qualquer modo, o Corto Maltese só fica verdadeiramente “completo” se, às edições a preto e branco, também juntares os álbuns que o Hugo Pratt coloriu mais tarde com aguarela. Há um album, o “Tango”, que traz um CD. Não sei se em todas as edições. Portanto, se puderes, e quiseres, naturalmente, compra com cd.

Aproveitando a embalagem, talvez te apeteçam outros álbuns do Hugo Pratt sem Corto. Recomendo os “Escorpiões do deserto” (se calhar, até é o que gosto mais dele) que têm edição portuguesa.

Só por curiosidade, que compilação compraste do Frank Miller? Tens o 300 e a Elektra no mesmo volume, é isso?

Olha, por acaso até nem achei mau. Há uma adaptação do “From Hell” que também não está mal, com o Johnny Depp (chama-se mesmo “Jack, o estripador”, parece-me; há para aí nos vídeo clubes). Basicamente, os livros do Alan Moore, são tão densos e têm tantas ideias, que são impossíveis de adaptar. Como é que vais adaptar para o cinema um livro como o “From Hell” que é uma bd com centenas de notas de rodapé, resultado de uma pesquisa que dava para um tratado sobre a época vitoriana? É impossível. Ok, se calhar, é melhor nem tentar… ;D A verdade é que o Alan Moore cai sempre fora das adaptações, acaba sempre por se chatear com os tipos de Hollywood.

Subscrevo tudo. É mestre nisso. Os álbuns dele têm uma respiração única.

Quando falei no Alan Moore, estava a pensar sobretudo no “Whatever Happened to the Man of Tomorrow?”, precisamente por ter a vinheta mais chocante de todo o Super-Homem que li: a imagem do Super-Homem a chorar, que ocupa a totalidade da prancha. Esta série dá a uma personagem que sempre me pareceu das mais quadradas uma profundidade psicológica espantosa.

Sim, o Romita Jr. é o desenhador actual de que mais gosto na Marvel. Aquele número do Homem-Aranha sobre o 11 de Setembro foi, de tudo o que vi sobre aquele dia, das coisas que mais me impressionaram.

Obrigado, vou ver :great:

Sim é verdade. O livro chama-se “Pif-Paf” é uma colectânea de crónicas, fábulas, contos, poemas, provérbios, citações e aforismos vários e também cartunes dele, muitos deles publicados em Portugal nos anos 60 precisamente sob o nome de “Pif-Paf” para o Diário de Lisboa, que conseguiam passar na censura (os senhores do lápis azul sempre foram um bocado burros perante alguma coisa inteligente) e que rezam as lendas até faziam Salazar sorrir a contragosto.

Eu tenho esse livro, comprei-o na Buchholz (acho que já faliu) numa altura em que estava em desconto e eles fizeram liquidação de stock dessa colecção do Independente. Agora que o Indy e essa livraria faliram já deve ser complicado encontrar esse livro.

Não faliu porque os fãs não deixaram, está viva e de boa saúde :wink:

O problema do V for Vendetta nao e nenhuma complexidade argumentativa, o problema mesmo e que foca certos temas e de uma maneira que o cinema mainstream ‘hollyoodesco’ nao pode tocar. Por isso e que ele se chateou com os gajos do filme e recusou que usassem o nome dele na publicidade.

Para os fánaticos de BD, existe uma boa loja, a BD Mania, quem vem do Cais do Sodré para o Largo de Camões, fica no largo perto dos Bombeiros de Lisboa.

É verdade, o “V for Vendetta” original era sobre o confronto anarquia/ capitalismo e o “herói” era uma personagem ambígua e adepta do uso da violência. O filme mudou o tema da história, introduziu aspectos (“guerra ao terrorismo”) que não eram abordados no original e tornou o V mais “bonzinho”. O Alan Moore não gostou nada. O “remember, remember, the 5th of November” é tirado duma velhíssima cantilena inglesa que fala da conspiração da pólvora de 1605, a qual foi urdida por católicos descontentes, que queriam rebentar com o Parlamento inglês e que falhou por um triz.

Recomendo vivamente, há anos que sou um cliente satisfeito dessa loja.

Quanto aos meus gostos em matéria de BD, sou leitor da Mad há muito tempo (o avatar do Stromp1906 é um dos meus preferidos aqui no fórum :great:) e também gosto do humor negro, pornográfico e escatológico do “Chiclete com Banana”, revista que nos ofereceu, entre outras pérolas, a luta de morte entre os Piratas do Tietê e o Fernando Pessoa.

Também sou fã do Corto Maltese, Astérix (os escritos pelo Goscinny, de preferência), Art Spiegelman (Maus, In the Shadow of No Towers) e do Charlie’s War, uma série sobre a I guerra mundial que parece uma história de aventuras “banal” mas que é um clássico da BD anti-guerra.

“adquirir” ≠ comprar ;), pelo que esta “aquisição” foi feita nos locais do costume por aí já sobejamente referidos.