Concluída que está a pré-época, gostaria de dar os meus parabéns ao Carlos Freitas, pelo excelente trabalho que tem feito na construção do plantel.
O Carlos Freitas chegou ao clube, o ano passado, associado a muito amor e, ao mesmo tempo, a muito ódio. Da parte de quem não acreditava no seu trabalho, vinha rotulado como o homem que trouxe para o Sporting o Nalitzis, o Kirovski e outros 100 que tais. Da parte de quem o apoiava, vinha rotulado de salvador da pátria, o homem que, em conjunto com Luís Duque, nos deu dois campeonatos.
Ora, concluída que está quase a sua segunda pré-época no cargo, devo dizer que, muito embora não seja o salvador da pátria, não é já nada que se assemelhe ao mesmo gestor que contratou uma série interminável de flops, e que nada trouxeram nem produziram para proveito do Sporting.
No primeiro ano, a sua pior contratação terá sido de facto o Ribas. Era um jogador que muitos (incluindo eu) acreditavam que poderia trazer golos e alternativa tática, pela sua compleição física. No entanto, infelizmente não rendeu. Mas é, também, precisamente por isso que veio emprestado, numa espécie de teste. De qualquer forma, reconheço nesta contratação uma falha, já que se calhar bastaria tê-lo visto ao vivo em vez de Youtube para perceber que não prestava.
Ainda no que toca a falhas, pode dizer-se que o Rodriguez e o Luís Aguiar poderão ter sido também barretes. Mas ambos, convenhamos, já conheciam bem o futebol português (e eram também conhecidos), estavam adaptados ao trabalho do então treinador do Sporting, e um era titular da selecção peruana, enquanto outro vinha de disputar a final da Taça dos Libertadores. Olhando para trás, infelizmente não renderam, mas não se pode dizer que, a priori, não eram mais-valias (sendo certo que saíram os dois não por não terem capacidade, mas mais por questões disciplinares, o que coloca a discussão num outro patamar).
No que toca ao positivo, trouxe o Capel, o Insúa, o Wolfswinkel, o Elias, o Rinaudo, o Onyewu, o Schaars, e mesmo o Jeffren, jogadores com uma qualidade e potencial tal que cortavam completamente com a política de contratações do passado recente e que, convenhamos, nada tinham que ver com o que estávamos habituados a ter no plantel, desde há muito tempo.
Jogadores como Capel, Insúa e Elias, por exemplo, são jogadores de top mundial. E, a título de exemplo, no ano anterior a contratação mais sonante tinha sido a do Maniche…
Quanto a este aspecto, gostaria de realçar o trabalho do Carlos Freitas pela sua capacidade de motivar os jogadores a assinar pelo Sporting. Não é novidade ouvir jogadores como Labyad ou Rojo dizerem em entrevistas que escolherem o nosso clube em detrimento de outros precisamente por causa do Carlos Freitas, que sempre os acompanhou e motivou ao longo das negociações. Isso conta muito.
E, ainda na mesma altura, contratou o Carrillo, o Arías e o Rubio, jogadores não dirigidos ao onze titular no imediato, e que podem ainda significar bons negócios (sobretudo o Carrillo).
Infelizmente, não ganhámos nenhum título. Mas será mesmo por causa do trabalho do Carlos Freitas que isso aconteceu?
Este ano, o bom trabalho continuou, na minha opinião, mesmo com todas as limitações a nível de orçamento. Tínhamos um problema com o Rinaudo e foi contratado o Gélson Fernandes, que me parece até que merece ser titular (ao menos pelo que tem feito até agora). Depois, com a dificuldade que sabemos que existe em encontrar laterais-esquerdos disponíveis, entrou o Pranjic (um grande jogador) e, para o centro da defesa, o Rojo e o Boulahrouz. Tudo internacionais pelas respectivas selecções. Para o ataque, contratou o Labyad (um dos melhores reforços dos últimos anos, ao menos a nível de potencial) e, continuando a apostar no futuro, o Valentín Viola (que, vamos ver, até pode ser uma agradável surpresa).
Nada mau, até comparando com as outras equipas do futebol português (o Sporting, neste nível, aliás, é a equipa que melhor se reforçou de todas). E, em abono da verdade, não vejo aqui nenhum Nalitzis.
Contas feitas, temos sem dúvida nenhuma o melhor plantel desde há muito, muito tempo. Se isso garante títulos? Não, mas bolas, ao menos permite sonhar mais alto do que atacar a liga com Rui Patrício, Abel, Torsiglieri, Daniel Carriço, Evaldo, André Santos, Saleiro, Maniche, João Pereira, Vukcevic, Valdés, Zapater e Postiga… O resto é futebol. E, mais importante para o que aqui interessa, o resto não é competência directa do Carlos Freitas. A ver vamos, então.
E, sem dúvida, o Sporting é hoje em dia uma equipa muito mais apetecível para investidores estrangeiros, para o estabelecimento de parcerias para a venda de passes. E, com a qualidade de jogadores no plantel, outros se sentirão atraídos. Isto sim é o ponto de partida para o Nosso Sporting.
Julgo, portanto, que o Carlos Freitas está de parabéns e não queria deixar de o assinalar. É claro que pode sempre fazer melhor (o céu é sempre o limite), mas acho que é dele que veio o maior upgrade, o maior corte em relação ao passado do Sporting e o caminho que vinha seguindo e que, ano após ano, nos afastava dos estádios.