A História

Aqui entras na minha area, que e mesmo o Antigo Testamento, de longe o meu livro preferido.
Acho que a tua comparacao ate faz muito sentido, parece quase decalcado ate, mas e tambem preciso compreender o contexto dessa batalha descrita no antigo testamento. Existem outras obras, cuja veracidade pode ser posta em causa mas para mim sao de grande ajuda, no chamado Book of Jasher, conta-te a estoria mais detalhadamente sobre a batalha de Guibeon, o que nao interessa muito para aqui.
O que me leva a refutar a teoria que apresentas e mesmo o facto de ser antigo testamento, numa era em que se odeiam os Judeus e nao se quer nada a ver com eles. A Bibilia so existe em Latim e a populacao so e facultada a leitura do novo testamento, alias, assim e no sentido em que em 1684 o Vaticano remove 14 livros da Biblia, todos eles do antigo testamento.
Nao me parece que fazer comparacoes a uma grande vitoria dos Judeus, fosse a tentativa dos monges a escreverem a vitoria dos portugueses, nao estou a dizer que nao seja possivel, mas acho mesmo muito estranho.

Depois de uma semana fora do poiso, regresso com um pensamento sobre a História da, porventura, maior figura da República Romana, Marco Túlio Cícero (106 a 43 a.C.), enquanto intelectual, político, jurista, orador…, pelo menos foi o que mais se notabilizou sem ser originário de uma família antiga de patrícios, nem por deter um poderoso comando militar, nem por haver realizado negócios que lhe conferissem fortuna pessoal …

Ignorar o que aconteceu antes de nascermos é o mesmo que permanecermos sempre crianças. Qual o valor da vida humana, se não for enlaçada com a vida dos nossos antepassados pelos registos da História?

Cícero, “Do Orador”, 46 a.C.

Sabes que Roma para mim, tem o personagem que e o maximo, ja reparaste no meu nick? :twisted:

Ter um dono como Calígula não é para qualquer um…, nem o PAN iria tão longe…

:lol: :lol:

:twisted:

Bem, não sei se não ter detido um poderoso comando militar ( foi só passear para a cilicia salvo erro), joga em favor dele.
Os grandes romanos jogavam sempre nas duas frentes. Politica e militar. Como “diz” o Nassim Taleb : skin in the game.

Importante descoberta relativa aos sacrifícios humanos (neste caso de crianças) nas Américas antes da chegada dos europeus… Os tais “paraísos” pré-colombianos…

Na altura dos 500 anos da partida da expedição que viria a dar uma volta completa ao planeta por via marítima, gostaria de dizer que considero que o mais provável é que Fernão de Magalhães tenha mesmo sido o primeiro homem a completar a circum-navegação da Terra, e vou expor como tal ocorreu e em que documentação sobrevivente se baseia.

Datas principais da concretização da circum-navegação da Terra, em duas etapas, por Fernão de Magalhães:

A 25 de março de 1505, partiu de Lisboa para a Índia na armada do 1º vice-rei da Índia D. Francisco da Almeida.
Em meados de agosto de 1511, bateu-se na conquista de Malaca, onde já estivera em 11 de setembro de 1509 na armada pioneira de Diogo Lopes de Sequeira.
De novembro de 1511 à segunda metade de 1512, terá participado na armada de António de Abreu que, saindo e regressando a Malaca, percorreu as Molucas do Sul (Buru, Ambon, Seram, Banda).
A 11 de janeiro de 1513, saiu de Malaca de regresso a Lisboa.
A 20 de outubro de 1517, chegou a Sevilha.
A 10 de agosto de 1519, parte de Sevilha ao comando da armada que visa alcançar as ilhas Molucas por via ocidental.
A 27 de abril de 1521, foi morto numa batalha na ilha de Mactan, junto à de Cebu, nas Filipinas.

Fernão de Magalhães deve ser considerado o primeiro homem a dar uma volta ao mundo, uma circum-navegação pelos oceanos. A documentação da época, séc. XVI, admite a probabilidade elevada desse grande navegador português ter concluído esse circuito quando chegou às atuais Filipinas em 1521, onde faleceu, ao fazer a metade do percurso em redor da Terra correspondente à segunda etapa dessa realização, sendo a primeira efetuada quando chegou às ilhas de Banda (Molucas do Sul) em 1512, a partir de Malaca, na armada de António Abreu que fora à descoberta das Molucas, por ordem de Afonso de Albuquerque, com cerca de 120 portugueses.

Fernando Oliveira no trabalho que, entre 1560 e 1570, prefaciou, traduziu, adaptou e acrescentou com o título Viagem de Fernão de Magalhães na Demanda de Maluco por El-Rei de Castela forneceu informações relevantes sobre a participação de Magalhães na armada de António de Abreu:

Entre os portugueses que descobriram Maluco foi um chamado Fernão de Magalhães, natural da cidade do Porto, em Portugal. Este era da geração dos Magalhães, gente honrada e nobre, e era criado del-rei em foro de moço de câmara, e homem entendido na arte de navegação e cosmografia, em especial, pelo que aprendeu de um seu parente (de Fernando Oliveira) chamado Gonçalo de Oliveira, em cuja companhia foi ter aquela terra, do qual entendeu a verdade do sítio daquelas terras, porque era Gonçalo de Oliveira mui sabido nesta faculdade.

O piloto Gonçalo de Oliveira é pois referido como o principal responsável pela formação náutica de Fernão de Magalhães e sabe-se que foi um dos três responsáveis pela navegação da armada de António de Abreu, indo no navio capitaneado por Francisco Serrão, sendo o seu nome apenas conhecido pelas alusões à participação que teve nesta viagem.

Quanto ao autor Fernando Oliveira, interessou-se por questões históricas e navais, e nos anos trinta do sec. XVI estava em contacto com o cronista da Ásia João de Barros enquanto professor dos filhos deste, pelo que poderá ter obtido informações por essa via ou dadas por outras personalidades conhecedoras dos factos que relatou na sua história de Fernão de Magalhães. É uma fonte credível, até porque apresenta detalhes que seriam difíceis de conhecer se não fossem provenientes de fontes seguras, nomeadamente os relativos ao pouco conhecido piloto Gonçalo Oliveira.

Fernão de Magalhães incorporou a armada que em meados de agosto de 1511 conquistou Malaca e só encetou a viagem de regresso a Portugal a 11 de janeiro de 1513, saindo em simultâneo com António de Abreu, o que reforça a probabilidade de ter sido um dos cento e vinte homens que, sob o comando deste, entre novembro de 1511 e data incerta da segunda metade de 1512, percorreram, em viagem de ida e volta a Malaca, o cordão de ilhas até Buru, Ambon e Seram, nas Molucas do Sul, produtoras de noz-moscada e maça, havendo também chegado às pequenas ilhas do arquipelago de Banda um pouco mais a Sul.

Todavia, a expedição de Abreu não alcançaria as Molucas do Norte, ilhas principais de Ternate e Tidore e outras três, produtoras do cobiçado cravo, em virtude de sabotagem dos pilotos javaneses que as quiseram manter ocultas, e apenas lá chegaria o capitão Francisco Serrão na sequência de uma tempestade que tresmalhou o seu navio. As Molucas, em sentido estrito por vezes usado no sec. XVI, eram basicamente aquelas cinco ilhas do Norte.

As informações sobre a identidade dos cento e vinte homens da armada de António Abreu são muito escassas, só se conhecendo os nomes dos capitães, dos pilotos, do feitor, do escrivão e de alguns companheiros do tresmalhado Francisco Serrão que chegaram a Ternate em 1512, sendo de lembrar que Magalhães não tinha, nem teve antes, qualquer função de chefia atribuída por Afonso de Albuquerque, ficando-se só como cavaleiro fidalgo que era. O silêncio não é de estranhar, pois na documentação do próprio Fernão de Magalhães este não revela os sítios onde esteve.

Outrossim, é de considerar que a credibilidade de Magalhães junto do imperador Carlos V pode ter sido reforçada se o monarca e os seus conselheiros soubessem que ele tinha estado apenas a poucos dias de viagem das ilhas do cravo, porquanto já navegara na região. Isso pode muito bem ter influenciado o soberano no seu reconhecido entusiasmo em patrocinar a expedição de 1519 às Molucas. Seja como for, parece improvável que o navegador português tivesse ficado parado em Malaca quase ano e meio enquanto muitos outros foram à descoberta. Uma primeira viagem realizada em 1512 teria contribuído para reforçar o seu desejo de posteriormente visitar as Molucas do Norte, superando a frustração de ter delas estado já tão perto e de delas ter obtido informação por via do seu amigo Francisco Serrão.

Enquanto fonte diversa, temos o cronista Fernão Lopes de Castanheda, um autor escrupuloso e em geral bem informado, que alude ao descobrimento das Molucas por António de Abreu afirmando: do que o mesmo Fernão de Magalhães fora testemunha e tendo a certeza onde aquelas ilhas jaziam. Esta frase é uma afirmação explícita de que Fernão de Magalhães foi um dos companheiros de António de Abreu, senão Castanheda não diria que Magalhães fora testemunha ao referir-se a essa primeira viagem à região das Molucas em sentido lato (de facto apenas às Molucas do Sul).

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Este material assenta na investigação do historiador especialista na época dos Descobrimentos, professor José Manuel Garcia, mormente no seu estudo fundamental, de 2007, publicado pela Editorial Presença, “A Viagem de Fernão de Magalhães e os Portugueses”.

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Emprestaram-me a revista Visão de 15 a 21-8-2019 que tem a capa (e artigo interno) Magalhães a grande aventura do navegador “maldito”… e lá vem a treta da moda, bem de acordo com o “pensamento correto” atual… … o malaio Henrique de Malaca, adquirido por Magalhães como escravo, em 1511, e participante na grande expedição como intérprete, completou a volta ao planeta muito antes dos seus companheiros de viagem europeus regressarem a Espanha, visto que na longitude de Sumatra fechou - igualmente em duas tiradas (está referir o facto de Magalhães o ter feito conforme explico no texto anterior a este) - o circuito da Terra a partir do seu local de nascimento.

Ou seja, o autor do artigo da Visão não sabe, ou faz de conta que desconhece, que Henrique de Malaca desertou aquando da morte de Magalhães em Mactan, nas Filipinas, e portanto não chegou à longitude de Sumatra…, não prosseguiu a viagem no navio de Elcano… Ao contrário do que o artigo insinua… Mas vá lá, não é como uns tantos que até dizem que Henrique foi “o primeiro homem a completar a viagem”… Vá lá, não vão tão longe, porque reconhecem que Magalhães já o teria feito…

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Diocles de Lamecum

[member=14601]Erdos, apresente-se ao serviço, :lol: , neste seu fantástico tópico .


É incrível, do primeiro mosaico, tenho a miniatura com íman colocado no frigorífico comprado no Verão do ano passado no museu arqueológico de Mérida… E julgo que ambos estão aí expostos! Passeei por Mérida entre as 11 e as 19h (lembro-me bem das horas certas) e consegui ir ao museu, ao circo, ao anfiteatro, ao teatro, ao dito arco de Trajano (de facto mais antigo), ao templo de Diana, e atravessar a ponte romana…, só não fui a outras explorações arqueológicas por absoluta falta de tempo, nomeadamente a dita casa de Mítrio e outra muito perto…, e também não fui ao castelo mouro.

Esse grande Caio Apuleio Diocles… Não sei se estará provado que fosse natural da antiga Lamego, e claro que a malta de Mérida defende que era de lá. Teria de tentar saber se haverá outra fonte documental para tal atribuição de naturalidade, além da muito posterior em Bernardo de Brito (1609) Monarchia Lusytana (2ª parte). Julgo que não há como provar onde efetivamente nasceu, conquanto tivesse sido na província da Lusitânia romana criada em 29 a.C. pelo 1º Imperador Romano, Augusto (nascido Caio Octávio).

Quando se fala dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa por via marítima, um ponto importantíssimo poucas vezes salientado é o quanto foi relevante para a alimentação, de então e futura, de amplos segmentos da Humanidade, pelo que fiz esta nota retirada da obra e do autor abaixo mencionados.

O mundo lusitano em movimento teve um impacto inapagável na Europa, na Ásia, em África e nas Américas. O movimento de mercadorias como a pimenta, as especiarias e o açúcar alterou a alimentação dos europeus e os seus hábitos culinários. Se há casos em que é possível afirmar, com uma confiança razoável, que os portugueses foram os primeiros a introduzir plantas de uma região do mundo noutra, há também outras ocorrências onde, não tendo a primazia, a sua ação foi importante.

A introdução do milho e da mandioca na África Ocidental teve repercussões demográficas. Efetivamente, nenhuma nação isolada pode rivalizar com os portugueses no feito de terem alterado e melhorado a alimentação de tanta gente através da transplantação de culturas alimentares e da movimentação de produtos agrícolas. Tecnologias de cultivo também foram transferidas.

vd. A.J.R. Russell-Wood, Um Mundo em Movimento - os Portugueses na África, Ásia e América (1415-1808), Difel,1998.

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A discusao que tive faz um par de anos aqui num restaurante indiano, qd pedi um vindaloo e lhe disse que era influencia dos portugueses, e depois acrescentei quem sem o portugueses nem caril tinham… (por causa dos chilies…)

Tempura no Japao, sweet bread no hawaii, caril na india, um infindavel conjunto de ingredientes e pratos na america do sul e Africa…

Sem dúvida os P[ortugueses podem ficar muito orgulhosos da influencia do pais na culinaria de todo o mundo.

No Irao, Portugal quer dizer laranja. Ainda estou pra percecber se foi com as invasoes que as laranjas mais tarde chegaram ao Irao, ou se qd ca chegaram viram tantas laranjas que foi o nome que deram ao pais.

PS - vou responder a minha propria pergunta

The Persian orange, grown widely in southern Europe since the 11th century, was bitter. Sweet oranges were brought from India to Europe in the 15th century by Portuguese traders. Some South East Indo-European languages name orange after Portugal, which was formerly its main source of imports. Examples are Bulgarian portokal, Greek portokali , Persian porteghal, and Romanian portocală. Also in South Italian dialects (Neapolitan), orange is named portogallo or purtualle, literally “the Portuguese ones”. Related names can also be found in other languages: Turkish Portakal, Arabic al-burtuqal, Amharic birtukan, and Georgian phortokhali .
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“Nasci português, português quero morrer”, proclamou D. Luís, na primeira página do DN a 28 de setembro de 1869, faz este sábado 150 anos.

Pogrom de Lisboa

[member=14601]Erdos , novo tema. Canta. :boohoo:


Vale a pena ler… E é relevante lembrar que aquilo que se passou foi algo espontâneo (detonado por um facto fútil) e não um movimento intimidatório dirigido pelo poder politico local ou nacional da época contra uma etnia ou comunidade. Não foi aprovado ou sequer tolerado pelas autoridades locais, que se viram impotentes durante alguns dias… Assim, a expressão Progrom pode e talvez ser considerada abusiva no caso em apreço em 1506, os autores foram reprimidos na medida do possível logo que autoridades tiveram meios para atuar. Deve ter atingido muita gente sem ligação aos judeus…, mais um pretexto para roubo e vandalismo da arraia-miúda à solta e cheia de necessidades num clima ainda por cima de peste em Lisboa

Nicolau Maquiavel 1469-1527

Obra de maior renome: O Príncipe 1513-1516, apenas publicado em 1532.

Sete conclusões aí expressas derivadas da sua observação enquanto político e diplomata.

  • A história é escrita pelos vencedores.
  • Nunca se pode confiar nos outros.
  • Um líder bem sucedido tem de ser simultaneamente um leão e uma raposa.
  • Um líder tem de ter a sorte do seu lado e tem de estar preparado para tirar o máximo partido dela.
  • Há alturas em que uma sociedade depende inteiramente das ações de um líder forte.
  • Manter sempre uma grande força militar e usar sempre o próprio povo como soldados.
  • Uma nação tem de estar unida para permanecer forte.
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5 de Outubro de 1143


Se o G fosse um C, lia-se Por Ca :poop: