Amanhã ainda verei o Joy e o The Hateful Eight, pelo que colocarei aqui mais tarde o que achei dos dois. Só após esses visionamentos, darei as minhas previsões e preferências para a entrega dos prémios. Para já, ficam as breves análises aos principais concorrentes:
Mad Max: Fury Road
Gostei do filme, embora para mim não seja o melhor da saga (essa honre cabe ao 2). Em termos técnicos é um filme praticamente perfeito, no entanto, senti-me por vezes pouco à vontade com o pace utilizado ao longo do filme. Andar numa montanha russa é porreiro, mas passar duas horas numa montanha russa pode dar uma enorme dor de cabeça. Destaque para a grande interpretação da Charlize Theron e para a realização do George Miller, apesar do ritmo demasiado alucinante, na minha opinião. 7/10
Room
Já fiz a minha breve análise ao filme. Os aspectos negativos já os apontei atrás e pela positiva não há como não destacar a perfeição da Brie Larson, onde lhe foi permitido brilhar (noutras situações penso que o próprio plot não lhe permitiu ir além). Jacob Tremblay faz o que tem a fazer com mestria também. Destaque para alguns aspectos positivos da realização, embora não tenha gostado da edição do filme. 6.5/10
Carol
Confesso que esperava mais. Tem duas das melhores actrizes da actualidade (que não desiludem nem um pouco) e tem um forte argumento. No entanto, nunca me pareceu arrancar. Estive durante todo o visionamento à espera de mais e isso nunca veio a acontecer. Penso que se perdeu uma boa oportunidade de se fazer algo maior. Perfeito em todas as componentes técnicas. 6/10
The Big Short
Provavelmente o melhor filme que vi de 2015 (na minha opinião, é claro). É um filme pretensioso e até um pouco arrogante, mas pessoalmente adorei essa espontaneidade e a atitude que o mesmo transmite. O tema é pertinente, o guião é óptimo, as interpretações estão a um nível fantástico (Bale e Carrell à cabeça), a realização é competente e a edição…diferente, pelo menos. Se pudesse escolher, seria este o meu filme do ano. 8.5/10
The Martian
Surpreendeu-me pela positiva. A interpretação de Matt Damon foi das coisas que mais me surpreenderam, mas a realização de Ridley Scott não lhe fica atrás (a nomeação ficou onde?). É um filme daqueles que passa rapidamente sem darmos conta, com reviravoltas, com surpresas, com decisões complicadas com dilemas morais à mistura…tem os ingredientes certos, ficando ali entre uma abordagem mais séria e uma abordagem declaradamente blockbuster. Gostei muito. 8/10
Spotlight
Tema bastante pertinente, com um leque de actores que garante interpretações de qualidade, polémico, actual…tinha tudo para dar certo. E deu. É um dos bons filmes do ano. No entanto, na minha opinião, ficou a faltar algo para ser ainda maior. Faltou um pouco de chama, faltou um pouco de factor-surpresa, faltou um pouco ir mais além do simples contar de uma história. A nível de montagem é o melhor que vi este ano, onde tudo parece encaixar na perfeição. Mas às vezes parece demasiado perfeito. 7.5/10
Brooklyn
É um filme engraçadinho. Bom para se ver num domingo à tarde. Bom para se ver com a família e/ou companheira. Bom para se ver quando estamos numa paz de espírito que nos permita ver algo leve sem muito para pensar. Tem uma grande interpretação da Saoirse Ronan que me chama a atenção desde bem novinha e é fantástico a sua transformação ao longo do filme. 7/10
The Revenant
É um grande filme. Ponto. Ouvi muita gente dizer que desiludiu e tal, mas tudo o que faz, faz bem. A nível técnico é o filme mais forte do ano (aquela fotografia é qualquer coisa fantástica), a nível de realização é uma lição que deve ser estudada take por take e a nível de coordenação de actores está próximo da perfeição. A nomeação de Tom Hardy surpreendeu, mas não entendo porquê. Desde os primeiros momentos do filme que se percebe o que ele iria fazer dali. E fez. Quanto a DiCaprio…eu percebo que gostem mais doutro tipo de personagens do mesmo, personagens mais baseados no diálogo e menos na expressividade. Mas o que ele faz aqui é assombro. Merece o prémio. Como aspectos menos positivos, aponto a falta de consistência no argumento (pouco sólido). 8/10
Ex-Machina
Para mim é a grande ausência na lista dos melhores filmes. Tendo em conta que em anos anteriores já tivemos surpresas como Toy Story 3 ou District 9 (que mereceram!), esperava este ano ver por ali este filmaço. A Alicia Vikander merecia a nomeação, o Oscar Isaac faz um enorme papel e a nível técnico o que faz também não é brincadeira (destaque para o som-ambiente presente em todo o filme). Tudo isto aliado à colocação de várias questões éticas/morais ao longo da trama e a um clima de suspense constante. Um dos melhores do ano. 8.5/10
45 Years
Um argumento bastante simplista, um filme que cabia e bem como uma curta. Mas não há como negar que Charlotte Rampling leva o filme às costas, apesar do Tom Courtenay também ter estado a um nível muito bom. No entanto, ficou sempre sensação de que acrescentava muito pouco como filme. Há pouco a destacar aqui. 5.5/10
The Danish Girl
Gostei. A nível técnico está lá (guarda-roupa, caracterização…) e depois tem o Eddie Redmaine a brilhar mais uma vez (a nível de expressividade a transformação é do mais impressionante que já vi) e a Alicia Vikander a justificar o prémio na minha opinião. Aliás, quanto a mim, merecia ter tido duas nomeações este ano. É um caso sério esta rapariga. Como filme, é um bom filme, que cumpre ao que vem, não indo muito além em questões que deveria (o dilema interior da personagem principal é suplantado pelo dilema interior da personagem de Vikander, poderia separar as águas entre corpo de homem/mulher vs atracção por homens/mulheres, etc.). 7/10
Steve Jobs
O argumento é bom. Mas isso já sabíamos quando vimos quem era o seu responsável. Esperava mais, confesso. É um bom filme, mas explora pouca a natureza e os conflitos interiores de Jobs. Ainda estou para entender se Fassbender não foi mais além por culpa própria ou se foi o próprio guião que não o permitiu. Muito bem Winslet, embora por vezes me parecesse exagerada nos tiques e maneirismos. Gostei bastante (e surpreendentemente) do Seth Rogen. Achei por demais exageradas as cenas de diálogo em andamento, como hoje está tão na moda em Hollywood. 7/10
Creed
Está…giro. E é isso. Um filme leve, para passar o tempo, para ver sem grandes pretensões. Não percebo algum barulho que foi criado (em que até se falava em nomeações para realização ou actor principal ^-^ ). Aliás, as melhores notas do filme são as interpretações de Stallone (que mereceu a nomeação) e a de Tessa Thompson (que seria difícil caber como Actriz Secundária num ano tão forte). Blockbuster típico. E bom. 7/10