Chorei pela segunda vez na minha vida a ver um filme. Depois de Dancer in the Dark, que já vi há uns aninhos, foi impossível conter-me a ver Room.
PS-Não [member=18013]juziel , não sou rabeta…
Chorei pela segunda vez na minha vida a ver um filme. Depois de Dancer in the Dark, que já vi há uns aninhos, foi impossível conter-me a ver Room.
PS-Não [member=18013]juziel , não sou rabeta…
Também gostava de estar tão entusiasmado com Room como vejo tanta gente…Eu já adormeci duas vezes. Vou para a terceira tentativa. :lol:
Já vi o Room. Não me entrou mesmo como filme. Já vi 5 dos 8 nomeados para melhor filme e foi o que menos gostei (aliás gostei menos do que de alguns não nomeados, como o The Danish Girl ou o Ex Machina). Tem uma nota positiva porque conta uma história pertinente, com pouca representação no cinema e tem uma soberba interpretação da Brie Larson (acho que leva melhor actriz).
De resto, não gostei de algumas cenas serem pouco realistas (nomeadamente a cena que o Jack acaba por escapar está pessimamente trabalhada desde o início ainda no quarto - a sério que se leva assim um cobertor enrolado e está feito? :
- até à chegada da polícia), não gostei da segunda metade do filme ter tido pouco ou nenhum impacto e/ou relevância a não ser o drama da mãe da criança. Penso que devia ter sido melhor e mais trabalhada a adaptação do Jack ao mundo real (que me pareceu demasiado “fácil”), bem como o drama da mãe depois da tentativa de suicídio, assim como o facto do avô não aceitar o Jack, que parece que foi um assunto que morreu por ali sem nada desenvolvido. Achei a última hora muito forçada mesmo.
6/10
1. o pior que podes fazer é colocar “hype” no Room: absorve simplesmente, se não te “envolver”, acontece. :lol: :menos:
[hr]

b[/b] não compreendo. :mrgreen: É a frase que melhor (se) encaixa na minha experiência cinematográfica ao visualizar 1h30 de uma história ainda (mais) simples do que algumas, já de si, simplistas [Brooklyn, The Martian, Bridge of Spies, The Revenant] embora aquilo que mais (me) aborreça seja a tentativa desesperada de ser romântico sem o ser, profundo sem o explorar e|ou nostálgico sem o conseguir. Todos os requisitos para uma película (supostamente) emocional estão lá: celebração de 45 anos de casado, descoberta|revelação de um namoro antigo, diálogos sentimentais, ritmo lento, banda sonora elegante - e bastante presente, ainda que de volume bastante baixo! - demonstrações carinhosas do quotidiano de um casal mais velho, no entanto, apesar da cumplicidade e do (vasto!) tempo de antena dedicado ao casal, o que se “vê” é uma mulher independente, numa aula de teatro sozinha, a utilizar diversas expressão|olhares íntimos|profundos|sentimentais, e um homem, que anda ao sabor do que a sua mulher, perdão, a história, quer e|ou precisa. É um casal que não (nos) prende nos seus momentos ternurentos, que não demonstra ligação no ecrã - apesar de algum esforço do realizador! - e que não envolve|sensibiliza o espectador. Faltou algo. Fosse a história, a qualidade de representação, a escassez do elenco, algo, faltou coração a uma película que pede por ele. Digo eu.
b[/b] não querendo argumentar a carreira e|ou os méritos de Charlotte Rampling - que até teve alguns comentários que geraram polémica [http://www.nytimes.com/2016/01/23/movies/charlotte-rampling-says-oscars-furor-is-racist-against-whites.html?_r=0] - mas esta película preocupou-se demasiado consigo, ao ponto de tornarem a celebração de um casamento - que para todos os efeitos, ainda é um contrato bilateral - e um namoro antigo num tema quase exclusivo à sua pessoa. :menos: Andrew Haigh produz uma película para Charlotte Rampling, dá-lhe todo o tempo de ecrã que ela deseja, coloco-a em momentos de introspecção pessoal por diversas vezes - como que para explorar o ecletismo da actriz! - e a história, a curta história, que nem tem muito a ver consigo, lá vai andando devagarinho, para que haja minutos suficientes para Charlotte ter momentos de diversão, entusiasmo, tristeza, revolta. É “Oscar Hunting”, na minha opinião, e por muito que outros actores, bastante célebres, também os tenham - coff coff Leonardo DiCaprio - o produto, em que se insere, não é tão “menosprezado”. Mas lá está. Talvez esteja a ser duro. Duro porque não compreendi …
… não compreendi como é que uma mulher, casada há 45 anos, que durante esse período - presumo, mais de metade da sua vida! - não tem rigorosamente nada a apontar ao marido, vivendo felizes e em harmonia durante todos estes anos, mesmo não tendo qualquer descendência, transforma um amor adolescente do marido, que terminou abruptamente devido à morte da sua anterior namorada, em algo de extremamente “ofensivo” à sua pessoa, mesmo quando o próprio, no seu discurso de celebração, refere que a melhor decisão da sua vida foi ter “conquistado” o amor dela própria. :menos: É que não só escrevi o maior número de palavras sem ponto final que (me) recordo, como embora compreendendo a “mágoa” de não ser a “1ª escolha” do marido - que diga-se, nem a conhecia na altura! - é capaz de ser “egoísta” ao ponto de se sentir “ofendida” por não o ser, quando o marido a ama, sempre amou e continua a amar.
É uma película que apenas serve de confirmação masculina ao ditado de “tem de ser sempre tudo sobre ti (mulher)”. :lol: :twisted: Eu não quero estar a ser injusto e|ou insensível mas não compreendo como se produz um argumento que explicita isto “A married couple preparing to celebrate their wedding anniversary receive shattering news that promises to forever change the course of their lives.” quando a revelação que é feita não só não deve alterar patavina nenhuma, como nunca, em nenhum momento, colocou em causa o sentimento e|ou o amor da relação. História curta. Elenco curto. Não atrai. Não sensibiliza. E pouco entretém.
Eu concordo com a tua avaliação do 45 Years. Não tenho tido tempo para comentar…falei só mesmo do Room porque tinha que justificar o porquê de não ir ao encontro do que a maioria pensa. Mas Domingo devo conseguir fazer uma avaliação (pequena que seja) de todos. O 45 Years foi um bocejo enorme (embora tenha adormecido mais no Room) e um filme que poderia bem ser uma curta que não se perdia nada.
[Carol]

b[/b] é complicado prestar atenção ao que quer que seja de uma película quando a Cate Blanchett mantém este hábito de invadir a tela [Blue Jasmine, The Aviator].
:mais: É inacreditável a quantidade de caracterizações elogiosas que Cate Blanchett tem no seu currículo: The Talented Mr. Ripley, I’m Not There, Oscar and Lucinda, Elizabeth, Little Fish, The Curious Case of Benjamin Button, e isto só para enumerar os que não foram premiados. É absurdo. É uma actriz de mão cheia, que volta a não defraudar em Carol, com (mais) uma prestação onde procura a essência da sua personagem, (nos) envolve através da estúpidez de intensidade que consegue colocar no seu rosto e para quem a deseja ver num estilo algo adocicado, de enorme flirt, subtil, requintado e bastante delicado, este é o papel ideal. É surreal o que ela transmite no olhar. 'Tá lá tudo. Ela exprime todo o erotismo|desejo da sua personagem no olhar arrasador com que delicia quem a vê. É uma película que não é tão descarada quanto a anterior na procura por um Óscar - o argumento é curioso e interessante! - mas que Todd Haynes faz questão de colocar (quase) que por inteiro nas mãos das suas duas actrizes. Com um inconveniente. Tudo o que é dado a uma [Cate Blanchett], a outra não tem e|ou tem em falta [Rooney Mara]. Eu não queria apelidá-la de insonsa - até porque a direcção da sua personagem, provavelmente, é que a encaminhou para tal! - mas para lá das lacunas escritas, que não ajudam ao pouco contexto que é dado à sua personagem, o texto com que tem de trabalhar é mínimo e a direcção vai colocando-a em diferentes cenários|locais sem que a personagem pareça ter um rumo próprio, estabelecido por si.
b[/b] eu não sou adepto da sua irmã [Kate Mara] - celebrizada em House of Cards! - pela pouca versatilidade que a mesma demonstra em contextos que exclamam por reacções|trejeitos diferentes, e aqui, Rooney Mara, está praticamente 2h com o mesmo rosto, a mesma expressão e|ou o mesmo entusiasmo. Ela é mais que isto. :mrgreen: Muito mais até. Dá para verificar o talento que tem quando comparamos a sua prestação em Carol e em Millenium e só tenho pena que não tenham exigido|fornecido mais à sua personagem. Havia mais para dar. E isto leva-me à (principal) crítica ao filme: faltou mais audácia durante as 2h, a película navegou em “águas-de-bacalhau” durante (demasiado!) tempo, o romance demorou demasiado a concretizar-se - ao ponto de perder alguma da sua autenticidade! - e há momentos em que o filme navega sem critério. É um romance, pouco ortodoxo, de fim-de-semana, que optou por não explorar em demasia um tema que podia ser polémico - preferiram jogar pelo seguro! - e onde uma das personagens principais, na minha opinião, está muito mal escrita. Têm 6 nomeações [Actress, Cinematography, Adapted Screenplay, Costume Design, Original Score] mas podem, perfeitamente, terminar a noite sem qualquer vitória. É uma produção bonita, com uma banda sonora que se adapta (bastante!) bem à peça, e que merece ser vista por quem, como eu, é adepto de Cate Blanchett. Todd Haynes sabe como colocar uma actriz no topo das atenções [I’m Not There, Far From Heaven] mas é preciso algo mais para montar um filme de topo.
[member=22115]Pires90, boa crítica a Room, também achei o climax da película demasiado rápido [1h] mas houve desejo|audácia do realizador em querer enveredar pelo caminho mais complexo de retratar o “após”.
:mais: Também senti algumas das críticas que apontas, talvez seja apenas mais simpático na ponderação das mesmas por acreditar que deva ser algo bastante complicado de replicar no ecrã.
[member=22115]Pires90, já agora aproveito, davas uma nomeação ao Jacob Tremlay?
As minhas escolhas seriam assim (as que consigo avaliar):
Melhor Filme
Perdido em Marte
Melhor Actor Principal
Eddie Redmayne, A Rapariga Dinamarquesa
Melhor Actriz Principal
Brie Larsson, Quarto
Melhor Realizador
Adam McKay, A Queda de Wall Street
Melhor Actriz Secundária
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
Melhor Actor Secundário
Mark Ruffalo, O Caso Spotlight
Melhor Argumento Original
Divertida-Mente
Melhor Argumento Adaptado
Quarto
Melhor Direcção de Arte
The Revenant - O Renascido
Melhores Efeitos Especiais
Mad Max: Estrada da Fúria
Melhor Edição
Star Wars: O Despertar da Força
Melhor Documentário
Amy
Melhor Fotografia
The Revenant - O Renascido
Melhor Guarda-Roupa
The Revenant - O Renascido
Melhor Edição de Som
Perdido em Marte
Melhor Maquilhagem e Cabelo
The Revenant - O Renascido
Melhor Filme de Animação
Divertida-Mente
Com todo o respeito, discordo de quase tudo… :mrgreen:
Mas também é essa a beleza do cinema. :great:
Melhor Filme
Estarei a torcer pelo Mad Max e pelo Room. Mas acho que vai ganhar o Spotlight ou o The Revenant.
Melhor Actor Principal
Estou a torcer pelo DiCaprio mas mais por gosto pessoal pela sua carreira, já merecia. Porque falando objectivamente não acho que a sua perfomance neste filme esteja sequer nas melhores da sua carreira. Mas acho que o Eddie Redmayne vai ganhar e, sinceramente, se isso acontecer será justo. Um filme que não achei nada de especial e que podia e devia ter percorrido outros caminhos, tiveram no Eddie e na Alicia desempenhos fabulosos.
Melhor Actriz Principal
Cate Blanchett esteve muitíssimo bem, como sempre, a Saioirse Ronan esteve brilhante e a mostrar que é uma actriz não só do futuro mas do presente e ficarei feliz se ganhar, no entanto estarei a torcer pela minha Briezinha. Tendo papéis principais ou secundários, entrando em filmes dramáticos ou comédias, ela está sempre bem e encarna sempre bem a sua personagem. Todos os filmes que eu vi dela, gostei, no Room esteve impecável. :hearth:
Melhor Realizador
Estarei a torcer pelo George Miller. Se ganhar o Lenny Abrahamson também não ficarei chateado. Mas acho que vai ganhar o Tom McCarthy ou o Iñarritu.
Melhor Actriz Secundária
Alicia Vikander. Sem dúvida.
Melhor Actor Secundário
A categoria onde tenho mais dúvidas e onde acho que pode cair para qualquer lado. Interpretações tão diferentes mas todas cumpriram.
Melhor Argumento Original
Inside Out.
Melhor Argumento Adaptado
Room.
If Mad Max wins, my faith in the Oscars will be restored.
:mais:

Na minha opinião devia ficar:
Melhor Filme
Room
(Acho que vai ganhar o The Revenant)
Melhor Ator Principal
Leonardo DiCaprio, The Revenant
(Se for para o Eddie é totalmente merecido, mas o Leo já merece um Óscar)
Melhor Atriz Principal
Brie Larson, Room
(Sem dúvida, embora a prestação da Cate também seja muito boa)
Melhor Realizador
Lenny Abrahamson, Room
(Mais uma vez acredito que vá para o Alejandro G. Iñárritu, The Revenant)
Melhor Actriz Secundária
Alicia Vikander, The Danish Girl
Melhor Actor Secundário
Tom Hardy, The Revenant
(Apesar de ter gostado muito da interpretação do Christian Bale, The Big Short)
Melhor Argumento Original
Divertida-Mente
Melhor Argumento Adaptado
Room
Melhor Filme de Animação
Divertida-Mente
Não gostei muito do Spotlight, por mim era um dos que saia sem prémio nas principais categorias. Já a Queda de Wall Street não estou a ver espaço para um grande triunfo na noite, talvez com o Bale, mas foi um filme que me agradou. :great: O Mad Max também gostei muito mas só o estou a ver ganhar nas categorias de efeitos especiais, ainda assim muito bem conseguido.
Por mim o grande vitorioso da noite seria o Room.
Vocês que tanto criticam o facto de actores terem recebido o Oscar sem merecer (Al Pacino por ex) onde teve actuações simplesmente brutais em filmes anteriores e ganhou num filme da treta, estão neste momento a dar razão a esses gajos. Se Leonardo não merece não merece, ponto, que ganhe o melhor e siga a banda.
Se o Sporting não for campeão vamos dar-lhe o trofeu na mesma, visto que “merecia”… enfim.
Ele merecer merece, senão nem estava nomeado. Agora é discutível qual é o melhor entre ele e o Eddie. Até porque são papéis totalmente diferentes e com diferentes exigências.
As questões das nomeações de crianção são sempre complicadas/polémicas, embora eu concorde com eles quando existem desempenhos excepepcionais. O Jacob Tremlay faz uma grande interpretação mesmo e não me chocaria se tivesse sido nomeado. No entanto, parece-me um papel (até pela exposição em tela) claramente de actor principal. E aí, confesso que não vejo onde poderia caber este ano. Guardei o The Revenant para ver hoje (no cinema). De resto, todas as outras interpretações são, na minha opinião, sublimes e não me admiraria com qualquer um dos vencedores. Dos 4 que já vi, apenas esperava um bocadinho mais (confesso) do Fassbender no Steve Jobs. Esteve muito bem, foi muito bom, mas penso que a carga dramática poderia estar mais desenvolvida, mas o filme em si não ajudou a si. O Steve Jobs (o filme) é frio como tudo e começo a ficar cansado deste estilo recente de quererem colocar todos e mais alguns diálogos em movimento, querendo criar um estilo desenfreado. Não vi a prestação do Will Smith, por isso não sei se caberia ou não aqui.
Atenção que não estou a fazer qualquer juizo de valor. Aliás, é quase consensual que o Leonardo é muito mais actor que o Eddie. Agora o homem tem tido azar, sempre que faz prestações monumentais existe sempre alguém que se destaca ainda mais. Acontece!
Deviam obrigar o Iñarritu a dar o Óscar do ano passado ao Wes Anderson, e ele que ficasse com o deste ano :inde:
Em termos de Actor, acho que ganha o DiCaprio. E seria merecido. Apesar de já ter tido bons papéis, este ano foi também o melhor. Achei o Eddie Redmayne estranho, talvez por ser tão raro ver actores a vestirem-se de mulher. Mas nesse aspecto lembro-me à uns anos do Jared Leto que me custou menos ver. E o melhor no Some Like It Hot, o Jack Lemon :lol: que fantástico!
Em termos de filme, gostava do Mad Max ganhar. Adorei o filme. Mas a segunda escolha seria o Spotlight. Por isso, também gostava que o George Miller ganha-se para Director, mas não estou a ver isso acontecer.
Actress, eu escolhia a Saoirse Ronan. Que grande actriz. Sou fã desde que vi o Atonement, e no Brooklyn foi perfeita. Mas senão que vá para a favorita Brie Larson também foi perfeita no Room.
Supporting Actor, para mim seria entre Tom Hardy e Mark Ruffalo, aqui nem queria saber quem ganhava, desde que fosse um deles.
Supporting Actress, Alicia Vikander.
Original Screenplay, Inside Out.
Animated, Inside Out.
O fifty shades of grey teve uma nomeação para os óscares. :wall:
[Trumbo]

b[/b] não papei. :lol: :menos: Trumbo perde-se na leviandade do seu realizador [Jay Roach], que não conseguiu esconder a sua veia irónica|cómica - ele que é o maestro de Austin Powers, Meet the Focker, Meet the Parents! - numa película que exclamava por mais seriedade e segundo consta, por uma caracterização mais fidedigna da personagem real. Foi dado demasiado destaque a questões melodramáticas, o trailer* que é dado transmite a ideia de que estaremos na presença de um retrato inteligente|ambicioso|audaz|controverso que incide, seriamente, nas questões políticas|ideológicas da actualidade, de Hollywood, da Guerra Fria, no entanto, o que os produtores|escritores|realizador optaram por manter no ecrã diz respeito às dificuldade em arranjar trabalho, o impacto do avolumar laboral nas dinâmicas familiares e um constante chorrilho de explicações à sua família do que tinha e|ou devia ser feito como (se) a plateia não conseguisse compreender a importância do que estava a ser feito.
*
https://www.youtube.com/watch?v=n0dZ_2ICpJE
b[/b] Trumbo é uma caracterização simplista - again! - que não envereda no principal tema de debate em questão e que por arrasto acaba por nem conseguir dar o impacto que Dalton Trumbo merecia, no entanto, conseguem transformar uma história de um homem cujos méritos cinematográficos são indiscutíveis e que ousou “desafiar” as convicções (radicais) da época em algo com um impacto, quase, minimalista. Todas as personagens são escritas|idealizadas sem nenhum arco de relevo, algumas delas são simples caricaturas do que é suposto serem [Cleo Trumbo, Hedda Hooper, Frank & Hymie King], há demasiado estereótipos numa película que clama por um tema onde o “correcto” e|ou “errado” é muito mais complexo do que o partido em que se inserem. Toda a família de Trumbo é um cartoon, Bryan Cranston, ao que parece não capturou a excentricidade de Dalton Trumbo mas o que mais (me) incomodou é como uma produção sobre um tema desta importância é abordado de uma forma tão oca. Tiro o meu chapéu a Hellen Mirren e a John Goodman, deram uma lufada de ar fresco à tela de cada vez que apareciam no ecrã. Têm uma nomeação para Actor Principal [Bryan Cranston] mas não (me) parece que a sua prestação seja suficiente para arrecada a estatueta, de qualquer das formas, boa transição para o cinema num papel principal, que exigia algumas transformações no discurso e|ou hábitos.
As minhas reviews aos principais filmes nomeados para as várias categorias:
[b]Bridge Of Spies: [/b]Em plena Guerra Fria o advogado James Donovan fica encarregue de defender um espião soviético capturado pela CIA. Com a captura de um espião americano na União Soviética, Donovan tem a oportunidade perfeita para proporcionar uma troca de espiões, mas, para isso, coloca a sua vida em jogo, bem como a da sua família... O filme explora o clima vivido nos anos 60, onde o confronto de ideologias era constante. O regresso em grande de Steven Spielberg, que conseguiu dar conta do roteiro (a cargo dos irmãos Coen, com o precioso auxílio de Matt Charman) da melhor forma possível. Interpretação fantástica de Tom Hanks no principal papel. 8/10Brooklyn: Baseado no romance homónimo de Colm Tóibín, o filme leva-nos à década de 1950, quando Eilis Lacey, uma jovem irlandesa, troca a Irlanda pelos Estados Unidos. A adaptação ao novo país não é fácil, mas tudo muda quando Eilis conhece Tony, um bombeiro italiano. É então que a jovem se vê dividida entre dois países - entre o amor e o dever. Com um enredo (e elenco) bastante competente, a vida pessoal da jovem Eilis é esmiuçada com particular interesse pela sua vida amorosa. Uma história que apesar de apresentar alguma previsibilidade a dada altura, não se torna aborrecida devido ao equilíbrio convincente do argumento. Belíssima prestação de Saiorse Ronan. Bom filme. 7/10
The Big Short: A história de quatro homens que anteciparam a crise económica dos Estados Unidos em 2008, juntando-se e realizando investimentos elevados. O filme mostra-nos, de forma simples e eficaz, os factores que desencadearam a crise financeira nos Estados Unidos (que rapidamente alastrou um pouco pelo mundo inteiro), passando, ao mesmo tempo, algumas noções do funcionamento do mercado financeiro. Baseado no livro homónimo de Michael Lewis. Com um argumento e uma direcção bastante competentes, e uma performance sublime do elenco, The Big Short é um sério candidato às estatuetas douradas. 8.5/10
Trumbo: Dalton Trumbo foi um escritor de sucesso, que teve a sua carreira em risco após ser acusado de comunismo pelo governo norte-americano. Mesmo na prisão, Trumbo nunca deixou de escrever e conquistou, atrás das grades, um Óscar para o melhor roteiro. Baseado em factos reais. Dificilmente teríamos melhor retrato de um dos episódios mais marcantes da Guerra Fria: a autêntica ‘‘caça às bruxas’’ efectuada pelos norte-americanos, tendo como alvo quem se identificava com a ideologia comunista. Excelente prestação de Bryan Cranston, que dá vida à personagem central. 7.5/10
Joy: E se, de repente, uma jovem mãe solteira se tornasse uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos? É precisamente esse o assunto que Joy aborda. Uma ode à capacidade humana em ultrapassar obstáculos e superar barreiras, tudo por uma vida melhor. Um filme que vale muito pela prestação de Jennifer Lawrence, que disfarça algumas lacunas estruturais do argumento. Baseado numa história verídica. 6/10
Hateful Eight: Alguns anos após a Guerra Civil Americana, oito estranhos encontram-se abrigados numa estalagem nas montanhas, devido a uma tempestade de neve. Aos poucos, os oito começam a descobrir os segredos uns dos outros, alguns bem terríveis e sangrentos… Tarantino a ‘‘Tarantinar’’! Tensão, reviravoltas, intrigas… E sangue, muito sangue são os ingredientes de mais um belo filme do norte-americano. 8/10
Straight Outta Compton: Estamos na Califórnia, decorre a década de 1980. Cinco jovens baseiam-se nas suas experiências de vida para produzir músicas contra o sistema. É assim que surge o NWA (Niggaz Wit Attitudes), a banda rap que dá voz a uma geração. Filme biográfico. Com uma banda-sonora poderosa, Straight Outta Compton mostra-nos a importância de ter princípios, a importância de sermos fiéis a nós próprios. E bem. 8/10
The Revenant: Inspirado na história real de Hugh Glass, que partiu para o oeste americano decorria a década de 1820, numa expedição pelo interior. Durante a mesma, Glass foi violentamente atacado por um urso, o que levou ao abandono dos seus companheiros, que levaram consigo todos os seus pertences. Gravemente ferido e sem quaisquer equipamentos ou mantimentos, Glass iniciou uma desesperada jornada de luta pela sua sobrevivência e de vingança por quem o abandonou. Uma poderosa história sobre a crueldade humana. Único! Veremos se é desta que Leonardo DiCaprio arrecada o principal prémio cinematográfico - sendo que a sua prestação foi estrondosa. 9/10
Spotlight: Baseado numa história verídica, Spotlight mostra-nos um grupo de jornalistas americanos que reúne milhares de provas que confirmam o abuso sexual de menores por parte de padres católicos. Com um argumento poderosíssimo, o filme destaca-se pelo interesse e honestidade com que relata o filme, não entrando em cruzadas políticas ou policiais. Rachel McAdams, Mark Ruffalo e Michael Keaton apresentam-se em grande plano. Visualização obrigatória. 9/10
Creed: Spin-off de Rocky. Adonis nunca conheceu o seu pai, o famoso campeão mundial de peso-pesado Creed, falecido antes do seu nascimento, mas tal não o impossibilita de ter o boxe a correr-lhe nas veias. Quando parte para Filadélfia, onde ocorreu a lendária luta de Creed contra Rocky encontra Rocky, entretanto já retirado do mundo das lutas. Após grande insistência de Adonis, Rocky começa a treinar o jovem, certificando-se que este pode atingir, também ele, o topo. Desengane-se quem achar que este é um filme que em nada prestigia o legado Rocky - desde a sua belíssima concepção a um argumento que atinge o mais ínfimo pormenor, Creed é um daqueles (poucos) filmes que nos mete a rir e a chorar. E claro, importa realçar que Sylvester Stallone reaparece com uma interpretação memorável! 8.5/10
Carol: A vida de Therese Belivet dá uma completa reviravolta quando conhece a elegante e sofisticada Carol Aird, uma cliente que procura um presente de Natal para a sua filha. A mesma Carol é impedida de passar o Natal com a sua própria filha em virtude do processo de divórcio que enfrenta com Harge, um poderoso banqueiro. É aí que convida Therese a embarcar numa viagem pelos Estados Unidos e nada volta a ser como antes… Baseado no romance The Price Of Salt, de Patricia Highsmith, datado de 1952. O filme está muito longe de relatar apenas um romance lésbico: dá-nos a perfeita sensação dos obstáculos vividos pelas mulheres à época. Estrondosa interpretação de Cate Blanchett e Rooney Mara, também ela, a dar boa conta de si. Não admira que Carol esteja nas bocas do mundo… E em breve nos Óscares. 8.5/10
Room: Jack tem cinco anos e vive com a mãe, Ma. Mas os dois não habitam em condições normais: ambos estão confinados a um quarto com dez metros quadrados. À medida que Ma vai tentanto fortalecer os seus laços com Jack, este vai-se tornando cada vez mais curioso quanto ao mundo que os rodeia e que desconhece. É então que, juntos, começam a planear uma forma de fugir. Uma espantosa lição de amor, exemplarmente dada pelos protagonistas - Brie Larson e Jacob Tremblay - com uma grande carga dramática e emocional imposta sob a direcção de Lenny Abrahamson, que junta mais um excelente filme ao seu currículo. 8/10
The Danish Girl: Einar e Gerda Wegener, ambos pintores (de diferentes estilos), formam um casal feliz. Até ao dia em que a modelo que Gerda contratou para retratar não aparece e a única alternativa que surge é Einar vestir-se de mulher e posar para a sua própria esposa. É a partir desse momento que tudo muda drasticamente: Einar sente algo de errado na sua própria natureza e começa a desejar ser mulher. E é com Gerda ao seu lado em todos os momentos que Einar inicia a caminhada para se tornar na primeira pessoa a mudar de sexo. Baseada na vida real de Einar Wegener/Lili Elbe. Uma narrativa com pontos muito fortes, uma belíssima fotografia e uma extraordinária interpretação de Eddie Redmayne no principal papel são os ingredientes de um poderoso, mas elucidativo drama. Bela prestação, também, de Alicia Vikander. 8.5/10
45 Years: O casal Mercer está a uma semana de comemorar o 45º aniversário de casamento. Kate anda atarefada, a organizar toda a festa. Enquanto isso, Geoff recebe uma carta da Suiça a dar conta da descoberta do corpo da sua antiga namorada Katya, morta em 1962 durante umas férias a dois, passadas nos Alpes. A notícia instalou o choque no casal Mercer, com Geoff a tornar-se distante e Kate a descobrir segredos com mais de cinquenta anos… Que filme poderoso! A obra faz-nos pensar no tempo e nas suas passagens, no que pode acontecer, no que acontece… no que podia ter acontecido - tudo isto de forma particularmente próxima do espectador, tal a forma soberba como Andrew Haigh consegue apelar à emoção. Incrível. 9/10
Nas principais categorias atribuiria:
Já em contagem decrescente!
[Krigen]

b[/b] há algo no cinema Europeu. :mais: Há algo cru. Há algo verdadeiramente sentimental. Há uma capacidade fabulosa de despir as personagens e colocar as suas emoções completamente expostas em tela. É esta a principal diferença para Hollywood. Há pouco espaço para exageros melodramáticos. Há pouco desejo em ocupar tempo e|ou playing time em explosões incessantes. Tobias Lindholm, o escritor de outra história nomeada [Jagten e|ou The Hunt] - igualmente arrebatadora do ponto de vista emocional! - está novamente em Hollywood e é inevitável conter o pensamento do que seria este mesmo argumento nas mãos de um qualquer pupilo de Hollywood. :lol: :menos: Teria o dobro da acção|movimento|explosões|tiroteios na 1ª hora, e o triplo do choro|discussões|berros|drama na 2ª hora. Teria sido melhor? Não. Teria sido mais memorável? Talvez. Krigen não (se) preocupa em trivialidades, não pretende chamar a atenção para personagem x e|ou y, não deseja basear a sua obra na capacidade de representação do seu elenco, preocupa-se somente em contar a história de uma forma imparcial, sem exercer qualquer juízo de valor - e era tão fácil fazê-lo! - e mantém o espectador preso no dilema moral|humanitário de enorme responsabilidade pessoal|familiar durante 2h. Há um momento que define a seriedade|objectivo da película:
*
1. a última cena do filme podia, facilmente, ser um “happy ending” familiar, fortemente emocional, numa espécia de reconciliação moral com a sua família e|ou amigos, no entanto, Tobias Lindholm opta por encerrar a sua produção numa sequência silenciosa, solitária, com a sua personagem principal sentada no quintal, de madrugada, numa clara demonstração de que a decisão do tribunal pode ter tido bastante peso, mas a sua decisão pessoal é que provoca(cou) danos|estragos.
b[/b] é uma história simples mas que ao contrário de Hollywood, possui um argumento extremamente complexo de ponto de vista sentimental|emocional, onde o arco das personagens é uma preocupação ao longo da película - sem ele, a própria questão, de fundo, do filme não resultaria! - bem representado pelo sósia do Ewan McGregor [ :twisted:], Pilou Asbaek, e por um elenco feminino de qualidade, em Tuva Novotny e Charlotte Munck. É uma película algo pesada, bastante gráfica - por vezes! - que não tem o ritmo a que estamos habituados nas produções dos EUA e que pode “desinteressar” quem não for adepto de um enredo que (ainda) demora algum tempo a ser construído. Há uma excelente interacção entre a dupla de actores principais e está nomeado para Melhor Filme Estrangeiro. Tenho ainda para ver os outros 4 [Mustang, Embrace of The Serpent, Son of Saul, Theeb] mas gostei do trabalho que foi feito por Tobias Lindholm.
[hr]
1. alguém viu alguma película estrangeira que está nomeada para os Óscares? [member=14303]Helio_Lion100? :mais:
Considero a Cate Blanchet uma atriz sem paralelo, actualmente não tem rival, a manter assim entrará no patamar das musas do cinema na altura da golden age.