Bem, só agora vi o The Revenant e tenho que aplaudir, de pé, o enorme trabalho de Alejandro González Iñárritu. Fantástico e soberbo. A ideia de produzir um filme sem luz artificial, deu um carácter de enorme naturalidade ao filme. Há ali pormenores técnicos de grande qualidade, o facto da lente da câmara embaciar, deu-nos um contexto muito forte de realismo e de drama. As paisagens são maravilhosas, os ângulos que capta as mesmas são muito bons, de um realismo estonteante, levou-nos para aquelas florestas, para aquelas montanhas, sem nos apercebermos.
Quanto ao argumento, ao filme propriamente dito, não tem nada de especial. Está bem realizado. Mas falta ali trabalho de forma a conseguir agarrar melhor o espectador, o drama não foi bem entrosado, não conseguiram transmitir emoção, é um filme frio e que tem dificuldade em manter o foco na história em si. Perdemo-nos mais nos aspectos técnicos e não tanto no drama que sustenta todo o filme. Preferi o The Big Short, se quisermos comparar entre um e outro. Há tentativas de captar atenção, mas inglórias. Gostei da banda sonora, mas creio que a nível técnico é onde o Alejandro González Iñárritu pode e deve ser mais assertivo, ficou um pouco aquém dado que há demasiados momentos mortos, falta-lhe espectacularidade sonora e isto até era simples, o filme proporciona momentos de algum climax cinematográfico. Admito que não é fácil elogiar, nem gostar, da música dos filmes de Alejandro González Iñárritu, são sempre muito particulares e parecem ter caído ali do nada, são de outro patamar.
Leonardo Di Caprio. Sem ver ainda todos os filmes, cheira que será desta que lhe é reconhecido o talento com uma estatueta. E poderá ganhar, com boa performance, mas que não é o seu melhor papel. Tem protagonismo, mas não é o principal a 100%, gostei do trabalho mais físico, da representação, que é realmente muito boa. A nível de diálogos, aqui a culpa nem é dele, o filme é fraco, a prestação é fraca. Eu sei que o filme não se sustentou nisso, mas fica o apontamento, havia espaço para trabalhar mais nisso.
The Revenant acaba por ser uma obra-prima da técnica, da produção, mas ainda longe de ter um argumento coeso. É um filme de imagens estonteantes, arrisco a dizer que se fazia este filme sem diálogos, o que o tornaria sim, numa obra prima. É que o filme tem protagonismo, tem qualidade, quando não há diálogos, uma lição de sobrevivência humana, bem caracterizada, bem executada, mas que lhe falta imenso conteúdo. Como disse, seria espantoso fazer este filme sem diálogos, um exercício que lhe retirava algum protagonismo, mas que o colocaria noutro patamar, noutra galeria.
Para mim, concordando com o que foi escrito para trás, limpa as estatuetas nas categorias mais técnicas. Leonardo Di Caprio fica com a sua estatueta e Alejandro González Iñárritu ganha a estatueta de melhor realizador, onde está muito acima dos outros todos. Quanto a melhor filme, sou sincero, gostei mais do The Big Short e ganhava este igualmente a estatueta para Best Picture. Quanto avaliações, não lhe dou qualquer números porque não tenho num ranking de padrão e tenderia a ser injusto, se o fizesse. Tal como dizia há dias o Nuno Markl, é uma película para ser visualizada uma única vez, mas que merece ser visto essa única vez, sem qualquer dúvida.
P.S. Como é que o Tom Hardy não tem uma nomeação? Ou tem e passou-me ao lado? :shifty: