Jogo de rendimento mínimo.
Se o Mundial tem sido pródigo em partidas medíocres, esta foi mais uma delas.
Ficou a ideia de que ambas as equipas passaram o jogo na expectativa, sem saberem muito bem como lidar com o futebol do adversário. Portugal, entrando praticamente a ganhar, ficou à espera de que a Angola começasse a arriscar mais, de forma a tentar jogar em contra-ataque. Até tinha em campo um jogador típico de contra-ataque - Simão. O pequeno jogador parece talhado para jogar em corrida, nunca sabendo muito bem o que fazer quando tem um adversário que não lhe dá muito espaço.
Mas se Portugal esperava uma Angola mais desinibida a partir de certa altura, Angola parecia também esperar que Portugal continuasse a atacar com o mesmo ritmo, mesmo já estando a ganhar. Ambas as equipas queriam jogar em contra-ataque, convertendo-se toda aquela expectativa num gigantesco bocejo.
Individualmente, Figo, mais uma vez, esteve numa plataforma superior ao resto da equipa. Mesmo sem a velocidade de outros tempos, Figo assumiu o comando da equipa como costuma fazer, saindo dos seus pés a maioria das jogadas mais perigosas da equipa. O lance do golo de Portugal é brilhante, tanto na forma como na eficácia.
Ronaldo é daqueles casos que podem vir a exasperar o mais calmo dos adeptos. Dá a ideia de que é um jogador que sente em demasia os elogios que lhe costuma fazer. Ele próprio parece acreditar que é melhor do que na verdade é, encarando na perfeição o mito. Não que seja um mau jogador, mas é claramente um jogador que ainda tem muito que evoluir até chegar ao nível dos melhores. Ontem foi um claro exemplo disso. Jogávamos contra Angola e mesmo assim Ronaldo pouco fez. Deslumbrado com a própria técnica, achou que devia recriar-se umas tantas vezes, mesmo que isso não trouxesse nenhuns benefícios para a equipa.
De resto, pareceu-me haver confusões a mais naquele meio campo. Tiago é um jogador excessivamente macio para as tarefas defensivas, nunca se mostrando, ao mesmo tempo, capaz de desempenhar o papel de número 10 de forma eficaz. Irritou-me sobretudo alguma lentidão na execução.
Pauleta cumpriu, com o golo, os serviços mínimos. Excessivamente trapalhão fora da área, pede-se no entanto que continue a marcar.
A defesa cumpriu, ainda que tendo sido pouco posta à prova. Daí também a liberdade para os laterais subirem. Miguel fê-lo melhor do que Nuno Valente, uma das unidades mais fracas da equipa.
Poucas mais observações a fazer. Não foi jogo que desse para grandes conclusões, muito fruto do tal golo madrugador. Acredito que teríamos visto mais de Portugal se o golo tivesse surgido mais tarde. De qualquer forma, defender o 1-0 pareceu-me excessivamente arriscado. Já a Argentina se ia dando mal quando passou uma parte a defender um 2-0.
Contra o Irão acho que mantemos o favoritismo. Vi o jogo que fizeram com o México e, apesar do bom começo, o Irão cedo desapareceu. De qualquer forma, já com uma derrota, irão (trocadilho involuntário) de certeza dar tudo no próximo jogo.