Um (verdadeiro) hino para o Sporting

Não sei se é por ter andado a ver jogos internacionais ou demasiado futebol de má qualidade nos últimos tempos. Mas sinto que falta qualquer coisa nos momentos que antecedem os jogos do Sporting. Algo que acalme os nervos, que congregue energia de todos, que instile coragem e responsabilidade nos nossos e arrepie os cabelos dos adversários. Falta um verdadeiro hino do Sporting para ser tocado e cantado por todos – do adepto ao massagista - antes dos jogos, quando as equipas se alinham. Um bom hino dá aquele toque de ocasião especial. Não é por acaso que a UEFA criou um hino para a sua maior competição - pode ser a letra mais estúpida da história, mas funciona!

Já se fez um sem número de tentativas de um hino mas nunca nenhuma pegou. O “Viva o Sporting” de Maria José Valério tem um significado afectivo e foi talvez o mais popular desde que vou Alvalade, mas tem um ar demasiado “marcheiro” para ser levado a sério tanto por nós como pelos adversários. O “Alvalade XXI” (que tocou nos dois primeiros anos do novo estádio) depende demasiado de produção em estúdio e tem uma letra incompreensível. A música do centenário “Fogo do Leão” não é má. Mas a letra é ainda demasiado comprida. O “Só eu sei”, “És a nossa fé” e o “Até morrer” são excelentes, mas são cânticos para durante o jogo, não hinos.

Por isso decidi lançar a minha proposta. A primeira coisa a fazer era clarificar os requisitos do que seria um bom hino.

  1. Tem de ter uma poética muito simples. Letras complicadas e adjectivos gongóricos são difíceis de decorar e fazem-nos sentir ridículos quando estamos a cantar.

  2. Tem de conter alusões à história do clube – grandes momentos ou atletas exemplares – para criar a sensação de que estamos a convocar algo de muito, muito profundo.

  3. Tem que aludir a um adversário em concreto. Todos os grandes hinos o fazem: a Marselhesa aos inimigos da Revolução, a Internacional aos Senhores. Até a Portuguesa era, na sua versão director’s cut, “contra os Bretões, marchar, marchar”. Visualizar um arqui-rival é a melhor maneira de focar energias.

  4. Tem que ter uma melodia ao mesmo tempo serena (sem ser soporífica) e determinada (sem ser histriónica) para dar a entender ao adversário que estamos dispostos a tudo mas que sabemos muito bem o que estamos a fazer.

  5. Tem de evitar linguagem ofensiva, senão nunca poderá congregar todos os adeptos e será sempre, por muito divertido que seja, de uma minoria e não de um estádio em peso.

Para melodia, peguei no hino não-oficial da Escócia, “Flower of Scotland”. Ao contrário da maior parte dos hinos nacionais não é uma música sinfónica ou filarmónica. É muito recente para hino - uma canção folk, dos anos 60, com um forte cunho nostálgico que foi adoptada primeiro pelos adeptos do rugby, depois pelos do futebol e finalmente pelas Federações das duas modalidades. Ouvi-la em Hampden é de ficar com pele-de-galinha.

Uma versão em Hampden com legendas
http://www.youtube.com/watch?v=ybxfZoT6VHQ#noexternalembed (gostava de ver Alvalade a cantar assim)

Mudei completamente a letra e tentei respeitar a métrica original. O resultado? Aqui está, lado a lado:

[table][tr][td]O Flower of Scotland,
When will we see
Yer like again,
That fought and died for,
Yer wee bit Hill and Glen!
And stood
Against him,
Proud Edward’s Army,
And sent him homeward,
Tae think again.
[/td]
[td]Oh, verde-e-branca
Que te vestiram
Os maiores
Travassos e Damas
Manel, Jordão, Balakov!
Que por ti
Mandaram
Os encarnados
De volta p’rá Luz
De olhos no chão
[/td][/tr]
[tr][td]Those days are past now,
And in the past
they must remain,
But we can still rise now,
And be the nation again!
That stood
Against him,
Proud Edward’s Army,
And sent him homeward,
Tae think again.
[/td]
[td]Os que jogam hoje
Acreditam que
Merecem ser
Travassos e Damas
Manel, Jordão, Balakov!
Que por ti
Mandaram
Os encarnados
De volta p’rá Luz
De olhos no chão
[/td][/tr][/table]

Experimentem encaixá-la na melodia do video do youtube. O que acham?

Fazer um hino a falar sobre o Benfica era uma vergonha.

Por acaso acho que faltam um (ou até vários) hino que se possa cantar e sirva como elemento unificador e identificador de momentos importantes.

Acho que seria mais interessante conseguir cantar um hino do que ouvir uma música que pouca gente sabe a letra e que só desperta no refrão. Alias, essa marcha, se adaptada poderia ser cantada por todos sem a dependência da instalação sonora. Se os broncos das claques dos lamps conseguiram…

Depois, acho que deveriam existir pequenas canções que fugissem um pouco ao repetir à exaustão dos estribilhos do “só eu sei” ou do “todo o estádio a cantar”, que mais a mais recorrem demasiadas vezes a estrangeirismos tipo o allez.

Em relação à tua proposta, conheço e gosto da música é uma possibilidade de adaptação que até faz algum sentido com o original, mas não posso concordar com as referencias aos lamps.

Por outro lado, também não concordo, embora aceite, as referencias nominais.

Já alguns tempos também tive uma ideia semelhante (não terá a imponencia de um hino) com o “you are my sunshine” que é cantado em campos de rugby, mas também pelo Wigan.

http://www.youtube.com/watch?v=r6qPPZeyjbs

Ou mais informalmente nos states

http://www.youtube.com/watch?v=wUu-CyC9tJA

E seria qualquer coisa como (tradução quase literal e ainda a precisar de trabalho):

Tu és o meu Sol
A minha luz
Dás-me alegria
Nos tempos tristes
Nem imaginas
Quant’eu te amo
Não me sais do coração

P.S. A não referencia nominal é propositada pois parece-me que assim ganha um significado maior, quase funcionando em discurso directo ao Sporting.

Tanta conversa sobre a necessidade de um hino e esquecem-se que já temos o “Spóórting, óóóóó-óóóóó”, cantado pelo Jorge Fernando… :twisted:

Já nem me lembrava desse. Muito mauzinho, com aqueles interstícios de rap. E não se percebe um boi do que os tipos iam dizendo… :sick:

Porquê? Tentar fazer um hino que apela à união e à emoção sem referir um adversário que ajude a catalizar essa emoção, é como tentar bater palmas só com uma mão. Por exemplo, na versão original, o “Proud Edward’s Army” que é vencido, é evidentemente a Inglaterra, rival da Escócia.

Depois a tónica são as grandes referências do Sporting que são citadas - o adversário derrotado surge apenas como auxiliar para sublinhar a sua grandeza. Mas é muito importante para contextualizar essa grandeza e ajudar a fazer a ligação entre o passado dessas grandes referências e a actualidade - os “encarnados” que Travassos ou Damas venceram e os “encarnados” de hoje que queremos que os actuais jogadores vencem.

Além disso a referência a “os encarnados” pode ser vista como uma sinédoque, representando todos os nossos adversários. Pode trocar-se “Luz” por “casa”, se acharem que isso torna a coisa mais generalizável, mas acho mesmo que um hino que não identifique um adversário será sempre coxo e falhará a função de gerar emoção.

Sobre as referências aos lamps, ver post acima. Quanto às referências nominais, têm uma dupla função:

  • São nomes que qualquer sportinguista sabe e tornam mais fácil memorizar a música
  • Concretizam a grandeza do clube seja qual for o contexto. Dizer o “Sporting é o maior” pode ser um bocado esquisito nas alturas em que estamos em baixo; mas dizer que Damas, Balakov ou Travassos (podem ser outros) são os maiores faz sempre sentido, independentemente da altura em que o hino é cantado. Claro que têm de ser nomes consensuais (um Figo nunca poderia estar num hino, por exemplo) - mas acho que aqueles cinco são.

Acho mesmo que a resistência a incluir referências aos grandes nomes do clube e aos adversários - em conjunto com as letras complicadas - são as grandes fragilidades dos vários hinos que foram sendo proposto ao longo do tempo.

E porquê? Porque tornam os hinos demasiado genéricos para que alguém se identifique com eles. Ouves um hino que só diz “O Sporting é o campeão” ou “cantam todos pelo Sporting” e dás-te conta que basta substituires “Sporting” por outro clube qualquer - Oriental", “Atlético”, "“Benfica” ou “Porto” - para teres um hino desse clube. É um pouco aquele desconsolo que sentes ao entrares na loja TBZ do clube e veres exactamente os mesmos produtos - o Garfield, a louça, o tapete para o rato, o diploma de “Grande Sportinguista” etc - que encontras na loja TBZ da Luz ou do Dragão. Só varia a cor, o símbolo e uma ou outra palavra.

Ora o objectivo do hino é exactamente o contrário: é apelar a algo de único: a nossa memória única e os nossos sentimentos únicos enquanto Sportinguistas. E o que nos torna únicos não é acharamos que somos diferentes ou somos os maiores - isso é precisamente o que é comum a todos os adeptos de todos os clubes. O que nos torna únicos são os nossos grandes atletas, as nossas grandes vitórias (e derrotas) e a forma como nos opomos aos nossos grandes adversários - logo tem de ser sobre isso que deve cantar o hino, de maneira tão simples quanto possível.

Curioso que eu tb pensei exactamente na mesma música!!! Lembrei-me dela por causa do cântico do Celtic ao Larsson, mas fica complicado tal cântico funcionar como “hino”. O próprio ritmo parece um cântico e não um hino, pelo menos a mim. No meu caso a letra era algo assim:

Força SPORTING
Meu grande SPORTING
Sempre contigo
Até morreeeeer
Seja na Luuuuz
Ou no Dragão
O nosso lema
VENCER, VENCER!!!

Sinceramente não acho que seja preciso um novo Hino para o Sporting… Dá-me muito gosto ouvir a nossa Marcha da Mª José Valério; dá-me prazer poder gritar com o estádio todo “Viva o Sporting” e é sempre um momento bonito quando no principio da marcha ouvimos o tiririririririri tiririri… ai vamos lá cantar a marcha…

Também temos o Só Eu Sei que é um clássico no nosso estádio e, quando cantando em unissono, arrepia-nos a todos e faz borrar os adversários.

Mas a ter um hino grandioso em Alvalade que fosse algo deste género:

http://br.youtube.com/watch?v=A8cffEaZGh0

vejam que vale a pena!

Acho que a Marcha da Maria Jose Valerio sera eterna,mesmo havendo outros hinos.
Aquele Viva o Sporting num estadio cheio ate arrepia.
Ou numa sala cheia que e onde eu o tenho cantado mais vezes.

Vejo os jogos no sector A14, um pouco acima da Juve Leo e é com imensa pena que vejo a enorme falta de criatividade da actual claque. Desde a separação da claque e consequente nascimento dos Directivo, que a criatividade na criação de cânticos está no Topo Norte.

Sem a antiga dinâmica da Juve Leo, torna-se muito difícil que todo o estádio entoe um cântico como os que vemos cantar nesses videos. Em uníssono, em Alvalade, só a Marcha, o tradicional insulto às galinhas, ou os assobios.

Era bom era…

Mas nestas coisas a vontade não basta, e, para que tal se concretizasse, era preciso uma conjuntura muito especial e especifica, que passaria por factores como:

  1. bom momento do clube, de maneira a aproveitar a embalagem da motivação dos adeptos em torno do clube

  2. empatia generalizada entre adeptos, equipa técnica, direcção e jogadores

  3. estádio CHEIO com mais frequência

  4. uma personalidade ou um grupo consensual que toda a gente ouvisse e respeitasse, para dar o mote

Aquilo que temos hoje em dia é insucesso atrás de insucesso nas competições que realmente mobilizam as massas, sendo os sucessos mais recentes uma Taça ganha frente ao Belenenses e uma Supertaça ganha ao FCP num jogo em que nem sequer se venderam todos os bilhetes.

Há desconfiança dos adeptos em relação à direcção, falta de solidariedade dos adeptos em relação ao treinador (por razões que se aceitam, a meu ver) e rancor cada vez mais acentuado em relação aos jogadores (uns porque são indisciplinados, outros porque não têm carisma, outros porque mostram vontade em sair).

Estádio não passa dos 80% de lotação nem em jogos com Manchester, Inter ou Roma, nem em meias-finais da Taça UEFA e raramente ultrapassa essa fracção em clássicos internos.

O Sporting não tem uma voz. A promoção dum hino teria que ser feito pelas claques. Em conjunto não dá porque não se entendem. E se for só uma a tomar a iniciativa, as outras iriam boicotar.

Tá díficil. Mas boa iniciativa Petrovich.

Não devemos estar muito longe. Temos de combinar ir beber um copo! :wink:

Quanto ao tópico, o único clube português (ou o único grande) que tem um hino - do qual por acaso gosto bastante - é o FC Porto. Mas não vejo grande interesse em criar um hino, embora se fosse bom não deixasse de apreciá-lo e cantá-lo.

A passagem pelas roulotes faz parte de qualquer peregrinação a Alvalade, por isso e quando quiseres, lá nos encontramos. :beer:

grande ideia…

e a melhor coisa que se podia fazer era nós,adeptos,entoramos um hino, e os jogadores após o hino fazerem algo parecido ao haka…já pensaram nos niveis de motivaçao dos nossos jogadores se tal acontecesse??

juro, que até ao fim da próxima semana elaborarei um hino e postarei-lo aqui…

Saudaçoes

Isso é uma ameaça ou uma promessa? ???

ameaça??? que poderei dizer com ameaça…?

Claro que é uma promessa…Vou tentar despachar tudo o que tenho para poder dedicar-me a tempo inteiro a esse hino…Se achassem a letra algo grande, como tem de ser para o SPorting, então só restava alguem das claques iniciarem antes dos jogos, de forma a propagar o hino aos restantes adeptos…

Mal posso esperar! :arrow:

Eu acho que ele ainda não percebeu! :idea:

Desculpa mas não percebi o quê???

Tens alguma coisa contra mim? Ou isso tudo é inveja por eu ser do Sporting e tu dizeres que és do Sporting? Sim, porque há uma diferença entre ser do sporting e dizer que se é do sporting…