Uma curiosidade: Neste tipo de bandas os choques de personalidades são frequentes, não é só em equipas de futebol, mas, como as bandas são pequenas (imagine-se numa orquestra…), os estragos são grandes.
Os Pink Floyd andaram perdidos duas vezes, uma quando Syd Barret flipou, outra antes de The Final Cut.
Da primeira vez Roger Waters tomou o leme do barco, com o sucesso que se sabe, por muito que isso custe aos seus detractores e aos saudosistas.
Da segunda vez a coisa piou mais fininho. Após terem ultrapassado a Mission: Impossible de conseguir um álbum de sucesso (very long story) a seguir a The Dark Side of the Moon, as sequências dos álbuns Animals e The Wall foi mais complicada. O último até se safou, e atingiu mesmo uma geração mais nova, mas o projecto estava completamente esgotado.
Uma dos maiores problemas, que levou ao fim efectivo da banda (por muito que alguns continuem em actividade), foi o corte de relações entre o agora falecido Rick Wright e Roger Waters.
Wright já não contribuíra para nenhuma canção de Animals, e segundo Waters, estava demasiado dependente de cocaína. The Wall foi concebido por Waters, com contribuições mínimas dos outros membros e não só, e durante as gravações Wright foi mesmo despedido por Waters.
Mesmo assim foi o único que ganhou algum dinheiro, pois os outros tiveram que suportar os custos da tournée, enquanto Wright recebeu uma verba fixa, como músico contratado.
Wright também não participou em The Final Cut, que era suposto ser o último álbum da banda, mais uma vez um projecto de Roger Waters apenas, com contribuições mínimas de outros.
Por outro lado, as divergências entre Gilmour e Waters agravaram-se bastante com The Final Cut.
Waters tentou fechar a loja, oportunamente, precisamente com The Final Cut, mas os produtores acenaram com umas notas ao resto da banda, que lá prosseguiu, fazendo figuras tristes atrás de figuras tristes, adiando o que não devia ser adiado, em vez de acabarem em beleza. Já lá vão onze anos…
A morte de Rick Wright devia servir para acabar com aquilo de vez, mas estou convencido que lhes vão voltar a acenar com notas, até para aproveitar a publicidade que a morte de Wright trouxe. Money really sucks.
Estou a ver que és admirador do Waters, e não dos Pink Floyd :lol:
Os PF têm 3 periodos, sob a batuta de Barret, de Rogers e de Gilmore. Com Barret só fizeram album, de enorme sucesso e com hinos enormes, e não dá para saber o que aconteceria se o “diamond” não flipasse. Com Rogers atingiram o Olimpo, de facto os melhores albuns são com ele, mas o The Final Cut foi bastante abaixo dos standards mínimos para o grupo, e a carreira a solo posterior foi simplesmente medíocre. Com Gilmore, naquela fase em que houve mais equilibrio entre os membros (agora 3) do grupo, não sacaram nenhum grande album (isso era com o Rogers) mas sacaram grandes músicas, aliás a minha preferida de todas (Learning to Fly) é desse período, Dogs of War, On the turning away, e algumas do último album (Take It Back, Keep Talking, High Hopes são músicas perfeitamente ao nível do que o grupo fez em anos anteriores.
Estás enganado, não sou admirador de coisa nenhuma, trata-se apenas de dar a César o que é de César.
E não me custa nada admitir que acho The Final Cut uma obra-prima (infelizmente não é em formato MP3, ou num sistema com compressão, que alguém irá perceber isso). Quanto à carreira a solo, não faz o meu género, longe disso, mas acho-a mil vezes melhor, do ponto de vista qualitativo (e juro que não faz mesmo o meu género), que a de Gilmour e companhia.
Quanto ao teu gosto pela obra de Gilmour, bem, gostos não se discutem!
Embora não tenha acompanhado in loco grande parte da vida dos Pink Floyd acho que é tremendamente injusto desvalorizar o trabalho de Gilmour em prol de Waters…
Os espectáculos que eles fizeram na tour de 94/95 a publicitar o “Division Bell” provam isso… Tenho pena de na época não ter idade para ir ver/apreciar o espectáculo que passou por Alvalade durante duas noites seguidas!
Creio ter sido a primeira música a sair cá para fora desse álbum (“Division Bell”)… Apesar de gostar da música acho que fica a léguas da versão live do High Hopes que também é dessa altura! Gostos…
[font=Tahoma]A questão é que se trata duma carreira longa, e ao comparar tudo, a última fase é simplesmente medíocre em relação às anteriores, é mais pop do que qualquer outra coisa, alinharam pela mediocridade, juntaram-se ao resto do poletão, que se lixe a qualidade. Nota-se que vocês não conheceram as fases anteriores a Gilmour, e aceitam esta como algo natural, e não como claramente abaixo do que era, como é a realidade. Algum de vocês conhece, apenas por acaso, a banda sonora de Zabriskie Point?
Desde que Gilmour dirige a banda que apostaram no circo, como tantos outros. Até pode dar dinheiro, mas isso não me aquece nem arrefece, eu cá só gosto de música, não gosto de circo.
Aparte os concertos que deram origem à primeira metade de Ummagumma (em Birmingham e Manchester), que tiveram algum sucesso (relativo…), os Pink Floyd nunca se prestaram a concertos ao vivo, dado o experimentalismo da sua música. O concerto de Pompeia é um mito, já na altura o produtor apostara no circo em vez da música, tentando capitalizar o sucesso musical da banda em visualização. Hoje teria sido um sucesso, pois mal se ouve música, «vê-se» música, em DVD, Youtube, etc., ninguém parece querer saber do som.
As experiências ao vivo da banda tinham sido um desastre, do ponto de vista económico, até à era Gilmour. Os concertos até cumpriam bem a sua finalidade, que era promover os álbuns, mas davam prejuízo. The Wall foi um caso clamoroso, o álbum vendeu bastante bem, mas os concertos deram prejuízo (excepto para Wright).
Com Gilmour ao leme, os concertos lá vão vendendo, mas isso é circo. É mais o fogo de artifício que a música. Aliás, o tipo de música tradicional numa banda desse tipo é puramente de estúdio, ao vivo só mesmo à base de playback e efeitos.
O destaque que vocês dão a uma ou outra canção é sintomático. As canções são a essência do pop, algo para o qual a banda avança a largos passos… Deviam ter fechado a loja enquanto era tempo. Assim são mais uma como tantas outras, tipo U2.
BTW, há um artigo interessante sobre o assunto em [size=8pt]http://en.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd_live_performances[/size].[/font]
No essencial concordo contigo e ja tinha escito isso no topico “O que andas a ouvir”: ha por ai muitas bandas que ja deviam ter parado ha muito. Por respeito a si mesmo, à sua obra e aos fans a quem sâo apresentados productos completamente mediocres
Antes de mais mediocridade e qualidade são termos completamente subjectivos, dizes isso de uma maneira do tipo “senhor da verdade”. Estou-me sinceramente a lixar para os concertos, anywyay, nem os posso assistir sequer, mas o que é certo é que o Division Bell e AMLOR, têm grandes musicas na minha opinião, e isso chega-me.
Nota-se que vocês não conheceram as fases anteriores a Gilmour, e aceitam esta como algo natural, e não como claramente abaixo do que era, como é a realidade. Algum de vocês conhece, apenas por acaso, a banda sonora de Zabriskie Point?
Oh por favor, frases deste tipo são muito chatas numa discussão sobre musica. Lá por não concordarmos com a tua opinião, quer dizer que não conhecemos a banda… : :
A primeira vez que ouvi o TPATGOD, não me disse nada, a 2da vez idem aspas, e ainda hoje o album está longe de ser um dos meus favoritos.
Lá por gostar de algumas musicas do periodo pos Waters, o meu album favorito é o DSOTM.
Nunca tinha visto tantos fãs de Pink Floyd num forum só ;D
O meu album favorito é o the Wall ,gosto de tudo naquele album ,para mim é perfeito . Mas as minhas musicas preferidas de Pink Floyd são (sem ordem especfica)
Run Like Hell ( " this song is for the weak ")
Breathe
Comfortably numb
Money
Learning to Fly
Shine on you crazy diamond
High Hopes
Welcome to the machine
One of these days
Welcome to the machine
Vi Pink Floyd em Portugal a 22 Julho de 94 ,fui só eu, ou mais alguem aqui foi?
Sugiro que não ajuízes as coisas pelas aparências.
É claro que tudo isto se trata de questões completamente subjectivas, de que outro modo podes dicutir música?
Ou bem que és músico, e podes eventualmente discutir aspectos puramente técnicos, ou então só podes referir aspectos subjectivos.
Por exemplo, tenho aqui ao lado um colega que até é maestro, bastante graduado, e não consigo discutir música com ele, é uma conversa de surdos, aparentemente não temos quaisquer gostos comuns. Também conheço um membro da OG, e é a mesma coisa, ele não consegue apreciar o mesmo que eu porque não gosta de tocar essas obras.
Assumindo isso, a subjectividade, desde sempre, nunca poderia ser ou deixar de ser dono da verdade, nem eu nem ninguém.
Mas, quanto mais insistem em “canções”, mais me convences que estou certo quanto a conheceres ou não a banda. É que, queira-se ou não, todos os álbuns de originais dos Pink Floyd são temáticos (até o Obscured by Clouds o é, apesar de ser uma banda sonora), e isolar faixas é compará-los à popalhada comercial tipo pastilha elástica, é como ouvir apenas um andamento duma sinfonia, ou um ária duma ópera. Em última análise, é desrespeitar o criador.
Relativizando isto, obviamente, é evidente que no conjunto dum álbum não se consegue gostar de tudo, mas isolar canções demonstra que o álbum em questão está a ser alinhado pelo rame-rame pop. Os produtores sempre impuseram à banda a emissão de singles, normalmente com o lado A igual à primeira faixa do lado B do LP, uma prática muito comum das editoras na época. Se no contexto dos álbuns algumas dessas faixas eram giras, isoladamente eram uma chachada, só faltavam os refrães alarilados, tipo trá-lá-lá, do pop.
No entanto, de certeza que concordamos em muitas coisas. Por exemplo, correndo o risco de ser linchado, já há muito que declarei publicamante que acho o The Piper at the Gates of Dawn um mito, e acho The Dark Side of the Moon a todos os títulos magnífico (excepto as edições comemorativas, cujo som remasterizado fede).
O que quem já só conheceu a banda no seu declíneo talvez não saiba, é que nenhum dos seus membros era brilhante em coisa nenhuma, e que o segredo estava na criatividade e originalidade. Desde o momento em que se transformaram em “vira o disco e toca o mesmo” perderam o interesse.
Mas enfim, até há quem compre o DVD do Gilmour…
Sugiro que não ajuízes as coisas pelas aparências.
É claro que tudo isto se trata de questões completamente subjectivas, de que outro modo podes dicutir música?
Ou bem que és músico, e podes eventualmente discutir aspectos puramente técnicos, ou então só podes referir aspectos subjectivos.
Por exemplo, tenho aqui ao lado um colega que até é maestro, bastante graduado, e não consigo discutir música com ele, é uma conversa de surdos, aparentemente não temos quaisquer gostos comuns. Também conheço um membro da OG, e é a mesma coisa, ele não consegue apreciar o mesmo que eu porque não gosta de tocar essas obras.
Assumindo isso, a subjectividade, desde sempre, nunca poderia ser ou deixar de ser dono da verdade, nem eu nem ninguém.
Nope, não sou musico, e de facto compreendi mal as tuas palavras, mas a maneira como criticaste tão duramente o trabalho do Gilmour pareceu-me um tanto ou pouco, desculpa o termo, musicalmente arrogante.
Também já tive discussões de musica com musicos, e de facto torna-se dificil argumentar quando eles vêm com termos demasiado técnicos.
Mas, quanto mais insistem em "canções", mais me convences que estou certo quanto a conheceres ou não a banda. É que, queira-se ou não, todos os álbuns de originais dos Pink Floyd são temáticos (até o Obscured by Clouds o é, apesar de ser uma banda sonora), e isolar faixas é compará-los à popalhada comercial tipo pastilha elástica, é como ouvir apenas um andamento duma sinfonia, ou um ária duma ópera. Em última análise, é desrespeitar o criador.
Relativizando isto, obviamente, é evidente que no conjunto dum álbum não se consegue gostar de tudo, mas isolar canções demonstra que o álbum em questão está a ser alinhado pelo rame-rame pop. Os produtores sempre impuseram à banda a emissão de singles, normalmente com o lado A igual à primeira faixa do lado B do LP, uma prática muito comum das editoras na época. Se no contexto dos álbuns algumas dessas faixas eram giras, isoladamente eram uma chachada, só faltavam os refrães alarilados, tipo trá-lá-lá, do pop.
Não consigo mesmo concordar com este ponto. Da mesma maneira que consegues isolar um ou outro tema de um disco conceptual como o Sgt Peppers (LitSwD, A Day in a Life ou mesmo o tema titulo), também consegues isolar momentos do Requeim do Mozart (a Lacrimosa é muitas vezes utilizada em filmes, anuncios etc) ou o 3º andamento da 7ª do Beethoveen, sem faltar ao respeito aos seus criadores.
Na minha visão um bom disco conceptual, têm que ter um ou outro tema mais grudante ou orelhudo (que podem tombar para o comercial), caso contrário pode-se tornar demasiado maçador, e é isso que torna as obras que mencionei antes fortes.
Estou em querer que consideras que um tema no momento em que é tem “commercial appeal” é automaticamente desprovido de genealidade ou até mesmo qualidade, e se por um lado acho que isso 70% das vezes aplica-se, por outro os restantes 30% também dizem muito… A pop não é só esterco caro.
O que quem já só conheceu a banda no seu declíneo talvez não saiba, é que nenhum dos seus membros era brilhante em coisa nenhuma, e que o segredo estava na criatividade e originalidade. Desde o momento em que se transformaram em "vira o disco e toca o mesmo" perderam o interesse.
E verdade, eles não eram propriamente uns virtuosos, e tal como dizes, o segredo deles era mesmo a creatividade originalidade, mas isso para mim já faz deles geniais, o facto de terem explorado coisas que nunca antes alguém tinha ousado experimentar. É essa a grande essencia da banda na minha opinião.
Desculpa lá, mas esse comentário é extremamente injusto! Dizer que o Pulse é circo é extremamente injusto e desvalorizador do espectáculo em si (que sim, para a qual contribui e muito a vertente sonora!)… Mas já que se fala na vertente sonora do álbum, volto a repetir que eu pessoalmente prefiro ouvir a versão do “High Hopes” deste Live in do que propriamente quando saiu o álbum!
Por outro lado quer queiras quer não, em todos os álbums existem músicas que são mais faladas que outras porque é impossível gostar de um álbum todo por igual! Poderás dizer que poderá existir um maior ou menor seguimento entre as músicas e isso poderá agradar-te mais ou menos, mas nunca poderás dizer que um álbum é fraco se existirem músicas de alto gabarito mas que rompem os caminhos umas das outras…
Quanto à essência da pop, acho que isso é uma ideia discutível… Em todos os estilos de música (tirando a corriqueira, aquela que é designada por pimba!) há coisas boas e coisas más, porque a música é um processo criativo que pode contemplar diferentes acústicas e estilos, logo é tremendamente injusto dizer-se que determinado estilo de música é bom ou é mau… Existem é intérpretes desse estilo musical que podem ser bons ou maus e mesmo aí entramos no campo da subjectividade já que os gostos variam de pessoa para pessoa! E já que falas em U2, posso dizer que é uma banda que eu aprecio…
Poderias dizer que existem bandas que são feitas pelos respectivos produtores em estúdio e que são meros intérpretes da canção pastilha elástica que rende no imediato uns milhares, mas isso é outra discussão pois esses artistas existem em todas as áreas…
[font=Tahoma]Acredita, nem tudo o que parece é. Todos sabemos que por escrito não há largura de banda suficiente, e devemos dar o desconto.
Se fosse a julgar todos os que conheço virtualmente pela escrita já teria cortado relações com a maioria, mas como o mundo é muito pequeno, já conheci muitos internautas ao vivo, e foram surpresas atrás de surpresas.
[E aqui nem se fala, sobretudo a seguir a um mau resultado da equipa de futebol…]
O problema que tenho com os músicos nem é técnico por assim dizer. É mesmo uma questão de gostos.
O que é maestro aprecia coisas que detesto, por exemplo Britten, e não aprecia música baseada na melodia; havias de o ouvir falar de Bach e Mozart: «é tudo tão certinho, tão by the book », diz ele num tom desdenhoso. Isto é porque ele está a imaginar as partituras enquanto ouve, e quer lá saber da melodia.
O que toca na OG não gosta do meu compositor preferido por causa do material deste em relação ao instrumento dele. Já alarguei a discussão a nível internacional, e os músicos doutro naipe adoram a música desse compositor…
Ou seja, os músicos são suspeitos.
Curiosamente, qualquer destes tipos gosta de quartetos de Shostakovich e de Bartok…
Aparentemente, Shostakovich já compunha mais para os músicos que para o público, fruto do contexto. Ele e os colegas dele tinham que inventar música alternativa à tradicional, adequada ao conceito de «realismo socialista», o que quer que isso fosse. Ora, inventar por inventar, porque não fazer o que dava gozo aos profissionais da música?
Quanto ao isolar de parte duma obra, é evidente que cada um faz o que quer. Mas não foi isso que o compositor imaginou.
Repara no teu exemplo do Requiem de Mozart (actually, de Sussmayer); na época não podias entrar nem sair a meio da missa!
E já nem falo da heresia que é usar música em publicidade. Coitados de, por exemplo, Barber, Mahler, Pachelbel, assim como o francês que compôs o chamado Adágio de Albinoni (que não foi, nem nada que se pareça, escrito por Albinoni), entre tantos outros. Só a Ária da Suite nº 3 de Bach já conheceu mais difusão que talvez só mesmo As Quatro Estações de Vivaldi devem conseguir dar luta.
Essa malta deve estar toda a dar voltas na sepultura.
As praxes do profs de música aos caloiros, com o Te Deum de Charpentier ou a Carmina Burana, são bons exemplos do absurdo a que se chegou à custa da publicidade. Tal como a carreira dos PF desde Gilmour, é sempre a mesma coisa, greed !
Só em concertos muito específicos é que ouvi obras incompletas. Aliás, só me ocorre um, e porque foi há pouco tempo, porque até onde chega a minha memória, talvez mesmo só num encore dum solista é que devo ter ouvido alguma obra retalhada.
[É mais do que evidente que isto não inclui os casos específicos de obras como as Sinfonias em Lá menor de Schubert ou em Ré menor de Bruckner, por exemplo, em que a questão não se coloca sequer.]
Por incrível que pareça, só mesmo em música muito orientada para o consumo é que dou por mim a ouvir apenas uma ou outra faixa e não o álbum todo, e quase sempre por limitações de tempo. Posso é alterar a ordem das faixas num álbum. Por exemplo, hoje sabe-se qual era a ordem inicial das faixas do Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band, que à última hora foi alterada. Logo que soube qual era experimentei-a, e até achei que fazia mais sentido.
Mas atenção, se ouço apenas uma ou outra faixa, é geralmente porque é o pouco que consigo ouvir no todo, de tão má que acho a música. De tempos em tempos alguns dos meus irmãos impingiam-me pop, e em cada álbum só conseguia ouvir umas duas faixas, mas isso é uma capacidade que tenho desde muito novo, a de criar um ranking pessoal das faixas dum álbum logo à primeira audição.
Já em contextos muito específicos, por exemplo numa demonstração audiófila, é inviável passar um álbum por inteiro, o que se pretende é ouvir um detalhe, e por vezes nem uma faixa inteira se ouve. Referiste a Sétima Sinfonia de Beethoven, e por acaso uso muito o segundo andamento para esse fim, assim como o segundo e o início do último da Nona. Mas acredita que em pensamento peço sempre perdão ao compositor
Dizes que a pop não é só esterco. É evidente que não se pode generalizar. Até acredito que 0,001% escape, mas receio estar a ser optimista, pois é totalmente impossível quantificar, mesmo em imaginação, quanto será a totalidade, os 100%.
A essência do pop é algo que já escapa à música em si, à arte, à criatividade, visto que o objectivo (pelo menos em 99,9% dos casos) tem a ver com a já referida greed. Não é caso isolado, por exemplo, na chamada música de intervenção passa-se o mesmo, o objectivo prevalece sobre a música em si, embora o objectivo seja outro, teoricamente totalmente oposto. Mas quem sofre é sempre a música.
O teu comentário sobre o talento individual dos PF acaba por vir de encontro ao que afirmo: [/font]
o facto de terem explorado coisas que nunca antes alguém tinha ousado experimentar. É essa a grande essencia da banda na minha opinião.<<< E há quanto tempo é que não experimentam nada? É ou não «vira o disco e toca o mesmo»? Acho até que se Gilmour não tem conseguido a colaboração de Bob Ezrin então é que aquilo teria mesmo morrido à nascença. Foi pena…
É pá, que mania isto do “eu é que percebo de música, vocês são uns totós comerciais que comem o que vos metem à frente”. Recordo que isto é uma espécie de homenagem ao Wright, que acabou de morrer, por favor não estragar com este tipo de discursos, Wright esse que participou na fase pós Waters, e muito bem, os albuns foram editados, estão aí, são dos Pink Floyd, vamos discutir isso e não banalidades paralelas :arrow:
Acredita, nem tudo o que parece é. Todos sabemos que por escrito não há largura de banda suficiente, e devemos dar o desconto.
Se fosse a julgar todos os que conheço virtualmente pela escrita já teria cortado relações com a maioria, mas como o mundo é muito pequeno, já conheci muitos internautas ao vivo, e foram surpresas atrás de surpresas.
[E aqui nem se fala, sobretudo a seguir a um mau resultado da equipa de futebol...]
Sim tens razão.
Quanto ao isolar de parte duma obra, é evidente que cada um faz o que quer. Mas não foi isso que o compositor imaginou.
Repara no teu exemplo do Requiem de Mozart (actually, de Sussmayer); na época não podias entrar nem sair a meio da missa!
Certo, mas lá está a palavra chave “na época”, os tempos mudam, logo o publico alvo das musicas também muda.
E já nem falo da heresia que é usar música em publicidade. Coitados de, por exemplo, Barber, Mahler, Pachelbel, assim como o francês que compôs o chamado Adágio de Albinoni (que não foi, nem nada que se pareça, escrito por Albinoni), entre tantos outros. Só a Ária da Suite nº 3 de Bach já conheceu mais difusão que talvez só mesmo As Quatro Estações de Vivaldi devem conseguir dar luta.
Essa malta deve estar toda a dar voltas na sepultura.
As praxes do profs de música aos caloiros, com o Te Deum de Charpentier ou a Carmina Burana, são bons exemplos do absurdo a que se chegou à custa da publicidade. Tal como a carreira dos PF desde Gilmour, é sempre a mesma coisa, greed !
Eu acho que isso é complexo de elite ;). Agora a serio, cada um é como era, mas acredito que muitos ficariam contentes por a sua musica chegar a mais pessoas, não acredito que a musica erudita corra o risco de começar a dar nas radios (tirando a antena2:P), mas se a publicidade ajudar as pessoas a tomar conhecimento de obras belas e majestosas, pergunto-te, why not?
Tens mesmo a certeza em relação a isso do Albioni? ???
Só em concertos muito específicos é que ouvi obras incompletas. Aliás, só me ocorre um, e porque foi há pouco tempo, porque até onde chega a minha memória, talvez mesmo só num encore dum solista é que devo ter ouvido alguma obra retalhada.
[É mais do que evidente que isto não inclui os casos específicos de obras como as Sinfonias em Lá menor de Schubert ou em Ré menor de Bruckner, por exemplo, em que a questão não se coloca sequer.]
Por incrível que pareça, só mesmo em música muito orientada para o consumo é que dou por mim a ouvir apenas uma ou outra faixa e não o álbum todo, e quase sempre por limitações de tempo. Posso é alterar a ordem das faixas num álbum. Por exemplo, hoje sabe-se qual era a ordem inicial das faixas do Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band, que à última hora foi alterada. Logo que soube qual era experimentei-a, e até achei que fazia mais sentido.
Mas atenção, se ouço apenas uma ou outra faixa, é geralmente porque é o pouco que consigo ouvir no todo, de tão má que acho a música. De tempos em tempos alguns dos meus irmãos impingiam-me pop, e em cada álbum só conseguia ouvir umas duas faixas, mas isso é uma capacidade que tenho desde muito novo, a de criar um ranking pessoal das faixas dum álbum logo à primeira audição.
Enfim são visões diferentes de ver a musica. Eu sou capaz de pegar num dos exemplos que te disse antes (Requiem ou a 7ª) e ouvir só o andamento que me aptece na altura, e no fim desligar ou mudar de disco.
Mas o que não falta aí é discos pop que valem pelos singles, nisso estamos de acordo, assim à memoria vem-me o Great Escape dos Blur, excelentes singles, mas o resto…
Já em contextos muito específicos, por exemplo numa demonstração audiófila, é inviável passar um álbum por inteiro, o que se pretende é ouvir um detalhe, e por vezes nem uma faixa inteira se ouve. Referiste a Sétima Sinfonia de Beethoven, e por acaso uso muito o segundo andamento para esse fim, assim como o segundo e o início do último da Nona. Mas acredita que em pensamento peço sempre perdão ao compositor :-)
Jé me deixei de fazer isso, geralmente as faixas (ou bocados) que gosto mais, são o que as pessoas gostam menos, já dei por vários amigos a gostarem de um disco que outrora lhes tinhas mostrado e que na altura não gostaram, e quando os confrontei com isso, eles dizem-me que lhes mostrei os bocados errados. É sempre dificil, geralment tem que se pensar no que a pessoa poderá gostar e não o que gostamos, e isso foi algo sempre dificil de conciliar no meu caso.
Dizes que a pop não é só esterco. É evidente que não se pode generalizar. Até acredito que 0,001% escape, mas receio estar a ser optimista, pois é totalmente impossível quantificar, mesmo em imaginação, quanto será a totalidade, os 100%.
A essência do pop é algo que já escapa à música em si, à arte, à criatividade, visto que o objectivo (pelo menos em 99,9% dos casos) tem a ver com a já referida greed. Não é caso isolado, por exemplo, na chamada música de intervenção passa-se o mesmo, o objectivo prevalece sobre a música em si, embora o objectivo seja outro, teoricamente totalmente oposto. Mas quem sofre é sempre a música.
Isso que disseste tem todo a lógica, mas volto a dizer-te, mesmo sobre essa ordem de pensamento, é bem possivél fazerem-se canções com qualidade. Principalmente nos 60’s, 70’s e 80’s, é verdade que infelizmente a musica era um veiculo de ideologias, mas mesmo assim não se deixaram de fazer grandes melodias, e grandes instrumentais. E mesmo hoje, assim de repente digo-te a Madonna e o Michael Jackson, na minha opinião têm musicas geniais, e são só os reis da pop.
O teu comentário sobre o talento individual dos PF acaba por vir de encontro ao que afirmo:
>>> o facto de terem explorado coisas que nunca antes alguém tinha ousado experimentar. É essa a grande essencia da banda na minha opinião.<<<
E há quanto tempo é que não experimentam nada? É ou não «vira o disco e toca o mesmo»? Acho até que se Gilmour não tem conseguido a colaboração de Bob Ezrin então é que aquilo teria mesmo morrido à nascença. Foi pena...
Eu nunca disse que o que eles fizeram recentemente é superior aos grandes discos antigos, só defendo que também há qualidade nos ultimos trabalhos, também acho que há muitos fillers no AMLOR e Division Bell.
Disclaimer: Post longo e largamente :offtopic:.
(Esperemos que não incomode o alemid…)
A sério peço a vossa paciência, pois não é todos os dias que encontro um interlocutor como o Dreamflight. Não é música, é mesmo o que sinto.
E quem não estiver para isso pode sempre não ler isto, que eu saiba ninguém aponta pistolas a ninguém, obrigando-os a ler o que não querem.
Afinal em que época é que a obra foi escrita? É uma discussão interessantíssima, sempre actual, mas longuíssima, e deve ter lugar noutro local, mas vai pensando nisto:
Já ouviste, sei lá, por exemplo Bach ou Vivaldi ou Carlos Seixas ou Domenico Scarlatti, numa réplica de cravo da época, acompanhado por réplicas dos restantes instrumentos da época, numa sala como as dos palácios de Sintra ou Queluz?
Não deves ter ouvido, mas não te deve custar imaginar a comparação com as mesmas obras assassinadas num Steinway ou Yamaha, com uma orquestra filarmónica, num grande auditório.
Só sei que nada sei, mas tenho a certeza absoluta que ganharia qualquer aposta, fosse de quanto dinheiro fosse, em como preferirias a primeira opção.
Tomara ter tanta certeza doutras coisas como tenho disto!
BTW, ouviste falar naquele mito, segundo o qual um produtor que assistia ao resultado das filmagens de Morte Em Veneza terá perguntado:
Who wrote this music?
(Resposta)
Gustav Mahler.
(nova pergunta)
Can we hire him?
Por acaso, é inacreditável o que os alunos chamam às músicas, «a da Eurovisão», ou «a do Old Spice», lindo…
Yep, imagina-me no lugar dum grande ditador, estavas feito ao bife… :rotfl:
Simples, não dá lucro; greed diz-te alguma coisa?
Não é por acaso que nos países mais ricos há Antenas Dois por todo o lado, orquestras por todo o lado, concertos ao vivo por todo o lado.
Felizmente dá para ouvir alguns online, mesmo se o som é uma bosta.
Bem, embora o autor do artigo da Wikipedia diga que foi um italiano, se a memória não me falha, o book que tenho ali na estante diz que foi um franciú, mas posso estar a ser atraiçoado pela minha memória. Se quiseres vou ver o código ISBN do calhamaço. Lembro-me do autor usar o termo «falsificação».
O contexto duma demonstração audiófila é diferente. Não interessa se a «vítima» da demonstração gosta ou não da música, o que se está a demonstrar é a capacidade ou incapacidade do sistema audiófilo reproduzir determinada coisa. A música orquestral é nesse campo simplesmente impiedosa, ao contrário de jazz, e do pop, raro é os sistema com dinâmica suficiente para a reproduzir. É uma das principais razões do insucesso dessa música junto das massas (hehehe), a seguir à já citada greed, mas isso é outra história.
Sinceramente, o meu advogado proibiu-me terminantemente de comentar esses nomes
[Mas como ele não deve ler isto, pergunto apenas qual é o mérito disso!]
OK, amigos na mesma
Atenção, aqui o problema é que o pessoal que curte pop (não vou aqui e agora focar o porquê disso) ficar chateado com o que digo sobre o assunto. É que sentem-se atacados pelo que digo, e nem sequer conseguem raciocinar. Se eu estivesse atacar alguém, seriam os produtores da pop, e não os consumidores, por muita má opinião que pudesse ter em relação a alguns destes.
Oh alemid é só uma tipica discussão de forum pa, sem stresses.
Afinal em que época é que a obra foi escrita? É uma discussão interessantíssima, sempre actual, mas longuíssima, e deve ter lugar noutro local, mas vai pensando nisto:
Já ouviste, sei lá, por exemplo Bach ou Vivaldi ou Carlos Seixas ou Domenico Scarlatti, numa réplica de cravo da época, acompanhado por réplicas dos restantes instrumentos da época, numa sala como as dos palácios de Sintra ou Queluz?
Não deves ter ouvido, mas não te deve custar imaginar a comparação com as mesmas obras assassinadas num Steinway ou Yamaha, com uma orquestra filarmónica, num grande auditório.
Só sei que nada sei, mas tenho a certeza absoluta que ganharia qualquer aposta, fosse de quanto dinheiro fosse, em como preferirias a primeira opção.
Tomara ter tanta certeza doutras coisas como tenho disto!
Yap, ganharias a aposta. ;D É raro encontrar esses “revivalismos” por aí, o máximo que consegui foi ver uma obra to Tchaikowsky (não me lembro qual) tocada numa sé catedral. Suponho que o efeito seja arrepiante não?
BTW, ouviste falar naquele mito, segundo o qual um produtor que assistia ao resultado das filmagens de Morte Em Veneza terá perguntado:
- Who wrote this music?
(Resposta)
- Gustav Mahler.
(nova pergunta)
- Can we hire him?
:o :o :rotfl: :rotfl:
Impagavél essa.
Simples, não dá lucro; greed diz-te alguma coisa?
Não é por acaso que nos países mais ricos há Antenas Dois por todo o lado, orquestras por todo o lado, concertos ao vivo por todo o lado.
Felizmente dá para ouvir alguns online, mesmo se o som é uma bosta.
Lá está, cá a musica erudita aínda está muito ligada às elites. No entanto os mesmos países ricos de que falas, são os grandes consumidores da pop de hoje em dia, certo?
Bem, embora o autor do artigo da Wikipedia diga que foi um italiano, se a memória não me falha, o book que tenho ali na estante diz que foi um franciú, mas posso estar a ser atraiçoado pela minha memória. Se quiseres vou ver o código ISBN do calhamaço. Lembro-me do autor usar o termo «falsificação».
Não duvido disso, já não é a primeira vez que vez que ouço falar desses casos desses de falsificações.
O contexto duma demonstração audiófila é diferente. Não interessa se a «vítima» da demonstração gosta ou não da música, o que se está a demonstrar é a capacidade ou incapacidade do sistema audiófilo reproduzir determinada coisa. A música orquestral é nesse campo simplesmente impiedosa, ao contrário de jazz, e do pop, raro é os sistema com dinâmica suficiente para a reproduzir. É uma das principais razões do insucesso dessa música junto das massas (hehehe), a seguir à já citada greed, mas isso é outra história.
Pois, pensava que falavas de outra coisa. Mas isso também depende da qualidade da gravação do disco, ou até mesmo do maestro em questão, certo?
Sinceramente, o meu advogado proibiu-me terminantemente de comentar esses nomes ;-)
[Mas como ele não deve ler isto, pergunto apenas qual é o mérito disso!]
LOL
Merito??? É que no meio de tanto esterco, para mim, as grandes excepções são mesmo os reis. Eles já foram mais geniais do que hoje, mas é ironico como grandes temas são também responsaveis pelo aparecimento de tanta m***a das bandas de hoje.
OK, amigos na mesma ;-)
Atenção, aqui o problema é que o pessoal que curte pop (não vou aqui e agora focar o porquê disso) ficar chateado com o que digo sobre o assunto. É que sentem-se atacados pelo que digo, e nem sequer conseguem raciocinar. Se eu estivesse atacar alguém, seriam os produtores da pop, e não os consumidores, por muita má opinião que pudesse ter em relação a alguns destes.
No problem
Alias no fundo estarias mesmo a atacar os compositores das musicas, visto que a maioria dos artistas nem sequer escrevem as suas próprias musicas, uma das grandes diferenças em relação às bandas de ontem.