Vi este post quando foi lançado, penso que em Agosto do ano passado, e como floydiano convicto, disse que tinha que participar, mas teria que ser mais tarde. E aqui estou.
Escolher as melhores 10 músicas? Tarefa impossível. Contudo algumas que não posso deixar de falar. Como se disse acima, os albuns são histórias, nunca músicas isoladas, pelo que têm que ser “ler” de início a fim, e por aqui temos:
1º The Wall
2º Dark Side of The Moon
3º Wish you were Here e Animals ex-aequo
O primeiro é para mim o melhor album da história. Tem um “script” de início a fim, com todas as músicas a encadearem-se, e enquadradas naquilo que é um “show”, uma história dentro de outra história - logo no início, “Então pensavas que ias gostar do espectáculo? […] Está alguma coisa a iludir-te? Não era isto que estavas à espera?” e depois mais para o final, tipo durante o intervalo do espctáculo, “Tenho algumas más notícias para ti, ele não se sentiu bem, preferiu ficar no hotel”,
As letras são fantásticas e depois algumas delas acompanhadas de músicas extraoridnárias, hinos autênticos, dos quais o pessoal menos conhecedor só reconhece alguns; depiis a composição, sempre com sons a acompanhar os instrumentos. Martelos a bater, aviões a cair, bebés a chorar…
Depois a história toda, desde que o miudo nasce “A mamã gosta de ti, e o papá também […]” e depois na continuação, o alerta que a vida é um gelo quebradiço. Aliás um tema que eles nunca deixaram de focar ao longo dos seus 4 melhores albuns, acima referidos, a vida é passada a correr, quando olhas para trás é tarde demais.
Entretanto a morte do pai, o The Wall é um album totalmente autobiográfico, é um pouco a hiistória do Waters, que perdeu o pai na 2ª guerra, ele era aviador, nesta canção, a parte I do famoso Another Brick in The Wall (ABITW), e para mim a melhor parte devido à sua letra, é uma revolta contra a guerra, contra o pai que morreu sem ele o conhecer, “o papá foi embora, cruzou o oceano, deixando apenas uma memória, uma fotografia no album de familia; papá, que mais me deixaste? Foi apenas mais um tijolo no muro”, e depois aquela guitarrada final, fantabulástica. Depois, a luta contra os professores, a autoridade, o prólogo ao ABITW parte 2, a contar como os professores “expoêm todas as fraquezas escondidas pelos miudos […] mas quando chegam a casa à noite as suas mulheres gordas e psicopáticas dão-lhes cabo da vida” - porque o album também está cheio de momentos de humor. Depois vem o ABITW parte 2, acho que não é preciso falar desta; vem o Mother, outro hino muito conhecido, e com uma letra também impactante, o Goodbye Blue Sky, lindissimo, o fruto do desespero perante um futuro negro
"Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?
Did you ever wonder why we had to run for shelter when the
promise of a brave new world unfurled beneath a clear blue sky? "
Depois vem uma série de músicas maradas, a parte em que a personagem, o alter-ego do Waters, se afunda no desespero, primeiro a incerteza (Empty spaces), depois o desnorte (Yong lust), depois as paranóias e as loucuras (one of my turns), um momento de desespero e um primeiro pedido de ajuda (“oh babe, don’t leave me now…”), o isolamento (ABITW parte 3), o desistir (Good bye cruel world), uma tentativa de recuperação (“hey you”, outra grande música, quem está a ouvir o album sente ali uma esperança de recuperação, alguém do lado de fora do muro a tentar ajudar, “Hey you, dont help them to bury the light, don’t give in without a fight”, mas depois a machadada final “But it was only fantasy - the wall was too high as you can see…no matter how you try you could not break free, and the worms ate into his brain”), que continua com a alienaçao total (“is there anybody out there?” e “Nobody home”, sobretudo esta segunda tem uma letra que, cuidado, muito boa!).
Depois surge uma musica algo desligada, pelo menos nuca percebi porque está ali, “Vera”, apenas sei que tem a ver com Vera Lyn, uma cantora da altura da 2ª guerra que cantava uma canção “We would meet again some sunny day?”, penso que será uma espécie de revolta, no género, “oh Vera, prometeste que voltavam vivos da guerra e mentiste-me, onde é que estás agora?”, mas para assim ser faria mais sentido que estivesse no inicio do album, quando o pai morre, mas pode ser que ele só se tenha apercebido e revoltado mais tarde, mas também faria sentido que estivesse um pouco antes, quando ele fica louco. O mesmo para o “Bring the boys back home”, que penso estar associada. E no final vem outro hino, o Comfortably Numb, que é o começo da recuperação, com ajuda de tratamento e drogas, possivelmente o equivalente a opiácios, por isso o refrão, do confortavelemente paralisado:
O.K.
Just a little pinprick.
There’ll be no more aaaaaaaaah!
But you may feel a little sick.
Can you stand up?
I do believe it’s working, good.
That’ll keep you going through the show
Come on it’s time to go.
There is no pain you are receding
A distant ship, smoke on the horizon.
You are only coming through in waves.
Your lips move but I can’t hear what you’re saying.
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye.
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown,
The dream is gone.
I have become comfortably numb.
E o “show must go on” e o “in the flesh”, que é o tal intervalo no espectáculo de que já falei para dizer que o tipo não se sentiu bem, depois o Run Like Hell, já mais acelerado depois de algumas musicas calminhas, “waiting for the worms” em que se vai preparando o final, e o julgamento final, com o muro a ser deitado abaixo.
QUE GRANDE PEÇA DE ARTE!
Sobre os outros falo depois, agora tenho que tomar fôlego.