TAXIS vs UBER

Os serviços da aplicação de transportes Uber estão proibidos em Portugal. O Tribunal de Lisboa aceitou a providência cautelar interposta pela Antral, confirmou o Dinheiro Vivo junto da associação. "O tribunal de Lisboa decidiu a favor da providência cautelar interposta pela Antral", confirmou Florêncio de Almeida, presidente da associação, contactado pelo Dinheiro Vivo. A decisão obriga ao "encerramento e proibição em Portugal da prestação e adjudicação do serviço de transporte de passageiros debaixo da denominação Uber", refere o documento. A decisão obriga ainda ao encerramento da aplicação para telemóveis, da página de Internet e a interdição de uso de cartões de crédito e sistemas de pagamento pela Internet feitos através desta plataforma. O responsável da Uber em Portugal manifestou-se surpreendido com a decisão anunciada esta terça-feira pelo Tribunal de Lisboa. "Não recebemos ainda qualquer notificação do tribunal. Estamos surpreendidos com a decisão. Tudo o que soubemos foi através da comunicação social. Vamos analisar os fundamentos da decisão assim que formos notificados", adiantou Rui Bento, contactado pelo Dinheiro Vivo. O mesmo responsável acrescentou que a empresa "não foi consultada pelo tribunal ao abrigo deste processo". Rui Bento insiste que o serviço realizado em Portugal está "legalizado de acordo com as regras em vigor" e que representa uma "opção de mobilidade urbana", concluiu.

Vi ontem a vergonhosa posição da ANTRAL e seu lobby e a emissão da providência cautelar afim de proibir o serviço UBER em Portugal.

Isto merece um tópico próprio, na medida em que a legislação (agora com um vazio perante o serviço UBER) está a ser pressionada por um monopólio para que seja reformulada, afim de perpetuar esse mesmo monopólio.

Esta situação tem duas vertentes completamente distintas:

  1. O Serviço
    Para mim, o serviço da UBER é muitíssimo superior aos clássicos táxis. Motoristas bem escolhidos, carros com bom aspecto, pagamento resolvido anteriormente e transparente. É a evolução que faltava nos transportes individuais.

  2. O Enquadramento legal.
    Tal como em qualquer serviço inovador, beneficia de uma ausência de regulamentação. Aqui os taxistas poderão ter alguma razão. Compete ao legislador incorporar do atual regulamento, ou noutro criado, a legislação necessária para este tipo de serviços poder atuar no mercado. Espero que seja resolvido brevemente.

Depois, fica na mão dos taxistas resolverem o que querem fazer. Ou melhoram, ou baixam os preços, ou continuam como antes. É uma escolha deles.

Agora, o que é injusto é o consumidor ficar sem escolha, apenas para defender um grupo que genericamente não tem qualidade, muitas vezes mal educados (quem nunca foi insultado no aeroporto por morar perto?). Estou a falar genericamente, porque há taxis com qualidade, e taxistas impecaveis (Cheguei a ter o contacto de um que chamava sempre que precisava).

Vamos ver como evolui esta situação…

Apesar da proibição decretada ontem pelo tribunal, não tenho duvidas que mais cedo ou mais tarde a Uber vai voltar a operar em Portugal.

É verdade que falta enquadramento legal para esta actividade, porque o modelo de negócio deles encontrou um vazio legal na maioria dos países europeus. Mas o serviço que prestam é incomparavelmente melhor que o do simples “taxi”.

O primeiro passo já foi dado. A cidade de Bruxelas está a criar legislação que deve entrar em vigor no inicio de 2016, legalizando a Uber, daí a existir um efeito de contágio para outras capitais europeias não vai tardar muito.

Link aqui: http://www.politico.eu/article/uber-legal-in-brussels-european-breakthrough/

A partir daqui duas coisas podem acontecer ou os taxistas modernizam-se, ou ficam pelo caminho. Eu que trabalho no ramo hoteleiro à cerca de 20 anos, podia escrever um livro com as barbaridades que já vi taxistas fazerem a turistas. Isto para não falar na qualidade das viaturas, motoristas com péssima apresentação e mal educados. Como em tudo, existem bons profissionais, gente séria, que tem nesta actividade o seu ganha-pão, mas infelizmente são cada vez menos.

Esta é a minha visão:

Argumentos em que a ANTRAL tem razão:

  • Se há transporte de pessoas, e se existe uma licença especial que habilita condutores com capacidades super heróicas para a condução de passageiros, que se exija que a UBER em portugal só faça parceira com empresas que tenham motoristas com estas licenças.

Argumentos em que a ANTRAL não tem razão:

  • ANTRAL não pode pedir que a lei veja a UBER como um serviço tal qual os TAXIs, pela simples razão de que a UBER não é igual. A uber não pára em praças, não aceita dinheiro, não anda na faixa BUS, etc, a UBER diz o preço antes da viagem, a UBER diz ao cliente o trajecto que este vai fazer (há possibilidade do cliente alterar esse trajecto antes de iniciar viagem). O motorista do Cavaco Silva pode ser condutor UBER, por exemplo. Os motoristas privados sempre existiram, mas agora, com a UBER, tiveram acesso a um mercado muito mais amplo.

  • A UBER é uma plataforma e não um serviço de transportes. Quem faz o transporte são empresas parceiras, com motoristas privados habilitados, empresas essas que pagam impostos e que têm seus motoristas credenciados/seguro automóvel/revisões etc. A UBER cobra uma % do preço total da viagem, que sai directamente do bolso da empresa parceira, que conduziu o cliente. Essa % é o preço que o condutor parceiro paga para que possa utilizar a app UBER.

  • O facto dos taxistas serem obrigados a de ter alvará, taximetro, CAP e etc, é que deveria ser o motivo da luta da ANTRAL. De que servem todos esses “acessórios” em cima do pobre taxista? Asseguram segurança ao consumidor? Não! Asseguram uma melhor frota automóvel de TAXIS? Claro que não! Asseguram um serviço de qualidade? Por vezes sim, mas a opinião geral da sociedade relativamente aos taxistas portugueses não é muito boa, aliás é cada vez pior.

  • A ANTRAL deveria lutar, sim, mas pela redução destes requisitos. Depois disto a ANTRAL deveria olhar para o serviço UBER e oferecer algo idêntico (e não, a app, Meo TAXIS não é, DE TODO, algo tão bom como o UBER);

  • O Uber faz exactamente aquilo que uma senhora da central de TAXIS faz: “atende” a chamada do cliente (neste caso, através da app) e liga o cliente ao carro mais próximo. A senhora da central também tem de ter alvará? A senhora da central é em si mesma uma empresa de transporte? Não. Não é.

Se soubesse alguma coisa de app development, abria já o meu “uber” aqui um Portugal só para chatear. É patético impedirem a concorrência seja ao que for.

Excelente Bruxelas!

Em NY também já há mais UBER do que taxi. O que vai ocorrer, e espero que sim, é as leis preverem a existência de mais empresas tipo UBER. Assim, as empresas de taxi terão uma alternativa: ou mantem o seu modelo actual, ou transitam para um serviço tipo UBER.

[i]Nuno Markl:

5 h ·
Durante um breve instante, tivemos uma amostra do que é um serviço de transporte super-civilizado, cómodo, 100% profissional. O que me consola é saber que, agora que conseguiram acabar com ele, todos os taxistas nacionais perceberam as lições e serão todos gentis; não mais barafustarão que o percurso é demasiado curto; não mais enganarão turistas incautos que apanhem táxi no aeroporto; não mais dirão não ter troco; estarão todos equipados com multibanco…

(pausa)

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!
Pronto, foi giro enquanto durou.

[hr]

Nuno Markl :
Tudo bem, mas então agora que a ANTRAL retire da Uber as partes boas e “indemnize” quem usava Uber estimulando um melhor serviço nos táxis. O empenho com que expulsaram a Uber devia agora ser o mesmo para melhorar o serviço que prestam aos clientes. Se é verdade que há muito taxista impecável, continua a haver também muito duvidoso.[/i]

:arrow: :arrow:

Mas qual ANTRAL vs Uber, é mas é, como o é sempre quando uma associação qualquer recorre à justiça para se proteger dos outros, ineficiência vs eficiência.

Se tiverem tempo para o fazer, vão à net procurar pelo combate que as transportadoras norte-americanas, com a ajuda do poder político e de todas as associações e mais algumas (das associadas e financiadas pelas empresas aos sindicatos), estão a subsidiar e a movimentar contra as transportadoras árabes que estão - estavam, porque estes movimentações anti-mercado surtirão os seus efeitos - a preparar-se para entrar no mercado norte-americano. E lá se irá à vida a possibilidade de o consumidor usufruir das vantagens decorrentes dessa abertura do mercado.

É exactamente a mesma trampa.

Este tipo de comportamentos sucede em tudo e algo mais: a associação dos pilotos e quejandos está a tentar bloquear o licenciamento de drones comerciais nos EUA. As autoridades têm acedido a, muito lentamente, licenciar os mesmos, mas impondo limitações que praticamente inutilizam as invenções.

Todas as novidades são contrariadas pelo status quo. O que seria um procedimento compreensível, caso a lei não favorecesse esse combate, mas todo o sistema é regulado e montado por aqueles que o constituem.

Num país virado para o progresso da sua economia, é a lei que acompanha o progresso, não o progresso que espera por que a lei o alcance. A lei, na vasta maioria dos casos, delimita a inovação, não a acalenta.

Algo deste género já era expectável. Na minha opinião o futuro não será a Uber mas sim uma plataforma idêntica para os taxis. Já há algumas como a TaxiMotions mas não é bem a mesma coisa, mas tudo depende dos taxis sairem dos anos 80 e adaptarem-se ao século XXI em vez de barafustarem…

Nisto tudo tanto a Uber como os táxis têm razão.

Os taxistas têm razão porque a Uber efectua o mesmo serviço (se reduzirmos ao básico que é o transporte de passageiros), a um preço mais baixo porque não tem, nem por sombras, os mesmos custos que têm um táxi… desde licenças, impostos, inspecções aos veículos, etc… e por isso têm toda a razão quando dizem que é concorrência desleal nesse aspecto.

A Uber e os utilizadores da Uber têm razão porque o serviço de táxis actual é uma aberração numa sociedade moderna.

[ul][li]Condutores maus, quer em termos de condução quer em termos de simpatia, não se preocupam minimamente com o cliente porque facilmente vão acima do limite de velocidade e não respeitam sinais luminosos durante a madrugada e isso pode incomodar os passageiros[/li]
[li]Serviço deficiente… quantas vezes já tentei apanhar um taxi às 2 da manhã em lisboa e recusaram o serviço porque não lhes dava jeito ir para o meu destino [/li]
[li]Péssima atitude quando se entra num taxi numa praça de taxis (onde podem ficar algum tempo à espera) e dizemos que vamos para um sitio perto, como se fossemos obrigados a viajar pelo menos 20 quilometros só porque eles tiveram na fila)[/li]
[li]Trajecto mais longo para tentar sacar mais dinheiro, técnica amplamente utilizada quando são transportam turistas[/li]
[li]O “problema” do troco e do método de pagamento porque nunca têm moedas e então em vez de 8€ tem de ficar em 10€[/li]
[li]E todos os items descritos acima não são praticados por condutores que são a excepção à regra mas sim uma prática muito/demasiado comum no mundo dos taxistas. [/li][/ul]

E a verdade é que a Uber resolve todos os problemas acima descritos, o pagamento é por cartão na aplicação e nunca se troca dinheiro com o condutor, escolhe-se o condutor com base na avaliação dele, sabe-se onde está o carro, que carro é, quanto tempo demora, e sabemos que ele aceita o nosso percurso e é possível verificar que está a seguir o trajecto mais apropriado.

Portanto das duas uma… ou a Uber se adapta à legislação para se tornar legal e tornar os condutores “legais” ou os taxis mexem o rabo, saem do seu pedestal onde fazem o que querem com um péssimo serviço e oferecem tudo aquilo que que a Uber oferece mesmo que a uma tarifa mais elevada…

A Uber não tem sucesso por ser mais barata que os taxis… tem sucesso porque oferece um serviço que está a anos-luz do actual.

Se o problema fosse a concorrência desleal motivada pelos custos que a lei impõe a um sector regularizado, a Antral atacaria, primeiro, a legislação e, depois, quem opera à margem dela, mas não é o caso. A verdade é que um ataque à legislação - pela qual, ah pois!!, a Antral é responsável, pois o regulador não determinada nada sem ouvir terceiros - abriria o sector a novos modelos de negócio, modelos cujas vantagens nascem precisamente da resposta aos defeitos do modelo de negócio que a paralisante Antral quer, à nossa custa, resguardar.

Vão para o ■■■■■■■!

A ANTRAL, como qualquer associação que faz da legislação a sua principal aliada, deseja acima de tudo manter o sector fechado a quem vem oferecer ao mercado uma solução diferente e, não podia não ser assim, melhor.

http://observador.pt/2015/04/29/sentenca-na-integra-tribunal-considerou-uber-um-serio-risco-para-utilizadores/

Agora que a Antral acabou com o Uber, ficamos à espera que se tornem realidade as suas outras reivindicações:

-obrigar os deputados a viver com 400 euros por mês (+passe)

  • comer aquela gaja
  • mandar os pretos para a terra deles
  • mandar os ciganos para a terra deles
  • mandar os [inserir nacionalidade] para a terra deles.
  • desligar os semáforos das avenidas da Liberdade, Ceuta e República.
    (eu diria da Boavista, Aliados e Brasil)
  • não atravessar nas passadeiras
  • o Benfica ganhar o campeonato
  • não saber o nome de mais de três ruas
  • não aceitar clientes portugueses
  • acabar com todas as rádios, menos a Amália
  • dar um tiro nos cornos a todos os ministros
  • partir os dentes ao Cavaco com um taco de golfe
  • comer aquela gaja
  • não ter de passar facturas
  • autorização especial para circular com carros dos anos 80 sem ir à inspecção
  • o Benfica ganhar o campeonato
  • meter os maricas todos num barco sem fundo
  • partir a suspensão do carro do presidente da Câmara nos buracos da estrada
  • obrigar os presos/drogados a limpar as florestas no Verão
  • comer aquela gaja.
  • ter mais pequeno/trocado
  • ressuscitar o Salazar
  • comer aquela gaja e o Benfica ganhar o campeonato
“Os motoristas e veículos cadastrados pela Uber para esse transporte de passageiros não possuem licença para o efeito, nem são portadores da carta de condução averbada com o grupo 2, nem efetuaram formação, com aprovação em exame”, lê-se no documento.

MENTIRA - PAra se ser condutor UBER, tem de se apresentar Alvará, Seguro Profissional, Carta condução, Veículo superior a 2005 de categoria VW Golf ou acima, Seguro automóvel e B.I. As licenças que a ANTRAL fala, são obrigatórias para TAXISTAS, mas o uber não é um serviço de TAXIS. É uma plataforma que liga um cliente a um motorista privado.

A associação alegou que os veículos utilizados pela Uber “não estão identificados como tal, nem possuem taxímetro, nem obedecem a qualquer indicação de preço tabelado”.

MENTIRA - O cliente tem na app a indicação do custo por km, por minuto e da bandeirada. O cliente sabe, antes de aceitar a viagem, quanto vai pagar. O cliente sabe, antes do carro chegar, o nome do condutor, e a matrícula do carro. Não tem de estar identificado, não é um TAXI, é um carro com motorista privado. O carro do Cavaco Silva também não está identificado.

Na providência cautelar, também se pode ler que o modelo de negócio “não obedece a qualquer requisito legal de acesso e controle de atividade, não assenta em qualquer estrutura de custos fixa, uma vez que não suporta os custos de obtenção de alvarás e licenças junto das entidades competentes, de aquisição e adaptação dos veículos, de manutenção e reparação dos mesmos, de contratação e formação dos motoristas, dos seguros exigidos para o transporte de passageiros oneroso, nem sequer os decorrentes da tributação fiscal, tendo em atenção a forma de pagamento e a ausência de um verdadeiro recibo”

MENTIRA - Mais uma vez, a estratégia d A NTRAL é tentar fazer do uber algo igual aos TAXIS e exigir a mesma coisa. Seria válido se o UBER fosse um serviço de taxi, mas não é: não pára em praça, não anda na faixa BUS, não tem taxímetro. O uber é outra coisa, logo não é possível exigir-se a mesma coisa. O uber aceita como parceiros, empresas de motoristas privados. Empresas essas que pagam impostos como todas as outras em Portugal, e cujos condutores têm de possuir o que eu acima referi.

Diz a ANTRAL que a atividade da Uber é “ilegal, publicitada de forma enganosa e que constitui um risco para quem o utiliza” e que constitui “uma prática de concorrência ilegal, dificilmente controlável, fortemente prejudicadora deste setor e de difícil reparação”.

MENTIRA - Mais risco corro eu a pagar 8€ por uma viagem de taxi, de 10 km, num carro MErcedes Benz com mais de 30 anos, cujo interior está pejado de doenças.

“Quem utiliza este serviço Uber não sabe, até porque é apregoado o serviço como melhor, mais seguro e mais barato, a quem pertence aquele veículo, nem que o condutor não está habilitado com carteira profissional para o efeito, nem sequer sabe, na prática, quem é o indivíduo que o conduz”.

MENTIRA - Além do serviço ser melhor, mais seguro e mais barato, sei a quem pertence o veículo e o condutor está habilitado a conduzir veículos ligeiros de passageiros. Isso basta-me. A ANTRAL deveria lutar para perceber o porquê de ter de ter licenças em cima de licenças e se isso faz sentido.

Deveras surpreendido que o tribunal tenha aceite esta bases… :o

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https://www.uber.com/invite/3x4i2