8 títulos mundiais é obra. Arranjem-me outro nome com um curriculum assim.
Há dias li um artigo, a propósito do Kelly Slater, Schmacher e Rossi que definia o oitavo título como aquele que definia o domínio sobre o desporto.
A.A.
Do oito deitado ao infinito
No desporto há homens que fazem a diferença, homens que atingiram metas julgadas impossíveis e habilidades julgadas inalcançáveis. No desporto, mais do que em qualquer outra coisa, é a competição que prova a habilidade de cada desportista. O free surf é muito bonito, a fotografia também, os jogos entre amigos criam mitos, mas nada prova mais a qualidade de cada um do que a pressão dos últimos minutos, ou o nervosismo do momento decisivo - ir para a frente e executar tão bem um determinado acto, que um conjunto de seus pares decide que aquele é que é o campeão do mundo. Quando acontece uma vez, alcançou-se uma meta; quando acontece duas, mostra-se capacidade; quando acontece três, marca-se a história de um desporto; ao quarto título é-se uma referência dentro do desporto; ao quinto e ao sexto forma-se uma lenda; e o sete torna-se o número mágico que pode marcar uma década, e em cada desportista raro que o alcança, tem uma história diferente, e cada história é contada como parte intrínseca, como um marco ontológico do desporto.
Michael Shumacher, Valentino Rossi, Stephen Hendry, e Kelly Slater têm os três vários aspectos em comum, mas este ano têm um aspecto em comum mais do que qualquer outro. Todos eles são considerados os melhores de sempre no seu desporto, ou pelo menos deviam, e todos eles buscam este ano o número impossível, o número que caído se torna no infinito, o 8. O oitavo campeonato, pode ser para Rossi o total domínio de uma década, mas para os outros três pode significar o total domínio do desporto em diferentes épocas. Talvez Shumacher e Kelly Slater já o tenham provado, visto que as suas sete vitórias já se encontram em anos diferentes e em épocas separadas, mas a oitava vitória seria mostrar que há gente que tem a capacidade de lhes tirar o título, mas a força de um campeão desta magnitude é tão grande, que a recuperação do título é inevitável. A capacidade destes homens é imensa e infinita. Serão deuses dentro do seu desporto na busca pelo infinito oito. Mas será que são capazes?
Rossi irá ganhar o oitavo, se não for este ano é no próximo, e depois talvez ganhe o nono e o décimo, e vá por aí fora até aos limites do campeão de bodyboard que nunca teve adversários. Stephen Hendry campeão de snooker (para quem gosta), adia o oitavo desde 2000, mas mais tarde ou mais cedo lá chegará. Shumacher terá a tarefa mais difícil entre eles todos, já anunciou a sua retirada, e encontra-se num campeoanto que gosta de alterar regras como quem altera roupa interior. E Kelly Slater? É no fundo dele que eu estou a qui a falar. O que se passa com Slater?
Kelly Slater de 2005 foi absolutamente dominador. Não houve Jimmy Slade que o afectasse, não houve festa ou celebração que tirasse a sua mente do objectivo. Todas as suas energias estavam viradas para a competição, via-se na cara dele, na maneira como dominava todos os heats, na maneira como falava nas entrevistas, e mesmo na maneira de como falou antes do campeonato, antes da cena do telemóvel no avião. “There will be no distractions, I want to win one more.” Ouvi-o eu a dizer num dia qualquer de webcast na Austrália. O Kelly Slater de 2005 é o mesmo de 2006? Não. O domínio do evento em Goald Coast e a vitória em Bells são, verdadeiramente, heranças do ano anterior. Todos os outros resultados, muito bons por sinal, foram feitos com Slater a meio gás. Talvez Theahupoo tenha sido azar, mas J-Bay teve Slater apagado, e no México a derrota contra Taylor Knox nunca aconteceria tivesse Slater com os seus sentidos apurados. Perguntam-me assim vocês: Miguel, achas que o homem não vai ganhar o campeonato do mundo outra vez? – Se tivesse de apostar o meu dinheiro punha-o todo nele. Mas uma coisa é certa, se há ano, mais até do que em 2003 que será fácil bater Kelly Slater, é este ano. Claro que posso sempre estar a ser enganado, porque Slater que é Slater quer sempre ganhar, à maneira dele…
A busca pelo oitavo, para Slater continua hoje, no Boost Mobile Pro. A onda em Trestels pede um surf moderno, cheio de manobras inovadoras e muita velocidade. Aposta-se num surfista novo para a vitória final. Slater perece-me bastante novo, mesmo assim…