Pouco me interessa saber se ode ou não ser argumento de defesa por parte de quem o faz. Interessa saber é se as coisas acontecem por isso. E sim, na maior parte dos clubes acontece.
Quem atribui valores é o mercado. Se o mercado o quisesse por 20 milhões, já ele não andava pela Suíça. Provavelmente por menos também não o vendiam.
Estavam cá a trabalhar ou estavam cá na jarra?
Aquela cena das contas, das imparidades, etc.
Gastaram 4 milhões, mais comissões. O jogador não deve receber salário mínimo, de certeza. Nem sequer deve de estar no patamar mais baixo do plantel. O treinador não pode com ele (é a mensagem que passa, pois não tem problema em criticar o tipo em praça pública), acha que ele comete erros parvos que custam dinheiro e o tipo, somando os minutos todos, nem a correspondência a 10 jogos completos deve ter.
Qual escolha? Vai uma aposta que continua a suspirar por um lateral esquerdo?
Se não cabe na filosofia de jogo, não serve. Duvido que qualquer um daquele plantel seja para o treinador o ideal de jogador naquela posição. Todos eles têm umas falhas, por muito “inhas” que sejam. Se não vieram outros, há poucas opção para explicar isso: ou as falhas eram demasiado para serem considerados soluções ou os jogadores que encaixavam não vieram porque não se conseguiu comprar o passe.
Mas o problema é que muita gente acha útil ao que o treinador não acha. Ainda hoje voltei a ouvir a cena do Slimani. “Devíamos ter um Slimani”, dizia um colega meu. “Mas o treinador não joga com Slimanis”, respondi eu. “Mas eu acho que fazia falta”. “Pois, mas não és o treinador”.
E é um bocado por aí. Houve quem trouxesse o Camacho. Afinal nenhum treinador queria o Camacho. Mas alguém achou que era útil. Agora custa 1.2 milhões/ano (dizem). Também alguém achou que o Rosier seria útil, mas não era bem o que o treinador queria. Tivemos sorte, saiu sem ser à Borja. E os exemplos continuariam.
A minha sugestão? Onde é que eu sugeri o que fosse sobre esse assunto? Mau, outra vez a escrever bêbado!

Não, não disse nada disso. Aliás, sobre o Edwards em si nem opino nada. Mas se o treinador quer um Edwards e confias no treinador, não lhe vais dar um médio interior de equilíbrios. E esse gajo pode ser muito útil e muito bom nisso, mas não é o que se pede.
Há equipas no mundo que contratam da seguinte forma: “eu tenho um avançado que joga bem de cabeça. E eu vou querer usar esse avançado. E ele tem maior rendimento quando ataca bolas ao primeiro poste. logo, preciso de um lateral que suba bem e cruze bolas para o primeiro poste”. Então os scouts analisam estatisticamente jogadores que cruzam com sucesso ao primeiro poste. E deslocam-se (ou em vídeo) e vêm diversos tipos em ação, analisando tudo. É claro que não pode fazer apenas aquilo bem, tem de defender, subir, etc. Diversos parâmetros. Mas se não meter bem as bolas ao primeiro poste, nem olham para ele segunda vez. Por muito bom e útil que seja nas outras merdas todas. E têm sucesso desportivo assim.
Não encontram quem querem? Não investem noutro. Ou buscam desenvolver alguém que tenha o potencial certo (mesmo comprando mais novos e maturando internamente) e/ou fica quem está e até conseguirem o alvo a equipa tem de se desenrascar pela esquerda.
Aqui, das duas uma: ou o treinador escolhe quem quer, ou escolhe um diretor desportivo, comissão técnica, o que quiseres e o treinador sujeita-se à ideia de jogo imposta por eles. Ou tenta desenrascar-se, o que normalmente só funciona com plantéis de topo (e nunca funciona muito bem). Agora escolhe a melhor opção para este momento no Sporting.
A cena do “não vem mais ninguém” continua apoiada na ideia que o treinador escolhe nomes. Eu não tenho essa ideia. Porque acredito em quem me disse que o Paulinho não era o único na lista, que um deles custou menos de 16 milhões (porque dizes ter sido esse o valor) e muito provavelmente (eu acredito nisso) marcaria mais golos, fazendo as mesmas funções. Podem-me ter mentido, mas “venderam-me” essa história. Só que, segundo a mesma história, o Sporting chegou lá e disseram que “assim não”. E o salário também não entusiasmou o jogador. Um caso entre outros semelhantes.