O Sudão Meridional ou Sudão do Sul, vai a referendo a partir de hoje, para decidir se quer formar um novo estado independente do Norte, como consequência dos acordos de Naivasha, que marcaram o fim da segunda guerra civil do Sudão.
Esta região, que se poderá tornar em breve uma nova nação, é uma das mais pobres do mundo, quase do tamanho do Irão, tendo, no entanto, uma população ligeiramente inferior à da Áustria.
As diferenças entre os dois Sudões (e entre estes e o Darfur) são gritantes. O norte, populoso e núbio, está arabizado, sendo maioritariamente islamita, e é de longe a região mais desenvolvida. O sul, é constituído por tribos nilotas, maioritariamente animistas e cristãs, é rural, e está marcado por décadas de guerra e negligência do governo de Cartum. Ambas as regiões partilham, ainda assim, um carácter profundamente heterogéneo, sendo autênticas mantas de retalhos étnicas e linguísticas.
O sul será provavelmente mais famoso para alguns como a terra natal de vários basquetebolistas da NBA, incluíndo o actual jogador dos Chicago Bulls, Luol Deng e o mais alto jogador de NBA da história, Manute Bol.
[size=15pt][b]Clima de confiança no referendo sudanês[/b][/size]A votação no referendo do Sul do Sudão está a decorrer «de maneira positiva, mesmo entusiástica», muito bem organizada e num clima de confiança, disse António Monteiro, membro do painel de observação da ONU.
«Está a correr de uma maneira positiva, eu diria mesmo entusiástica. Desde manhã, da abertura dos centros, pudemos constatar o entusiasmo das pessoas, que desde muito cedo fizeram longas filas para votar», disse António Monteiro, contactado telefonicamente para Juba, principal cidade do Sul do Sudão.Segundo o embaixador português, a organização da votação está «muito bem - surpreendentemente quase - bem» e as autoridades, nomeadamente do presidente da região, Salva Kiir, com quem Monteiro e os outros observadores se reuniram hoje, têm mostrado «reacções positivas e muito confiantes em relação ao futuro».
«É bom, um bom começo e, como nós dizemos, é sempre bom quando se começa bem», disse.
Quanto aos incidentes de sábado no estado de Unity e no enclave de Abyei que provocaram pelo menos quatro mortos, António Monteiro sublinhou que, embora preocupantes, estão a ser tratados correctamente pelas autoridades de forma a não prejudicar o decorrer da votação.
O incidente em Abyei, região próxima do norte, «não tem directamente impacto no voto porque em Abyei não há centros de votação», mas é «naturalmente preocupante» porque o controlo desta província petrolífera é «talvez a mais delicada das questões que foram deixadas para posterior decisão».
Ainda assim, afirmou, «foram dadas garantias de que a situação está mais calma».
O incidente no estado de Unity «teve alguma repercussão» mas há, da parte das autoridades, «uma tentativa de o encarar como um incidente isolado» e de mostrar «que o importante agora é realizar o referendo e não ficar prisioneiro deste tipo de incidentes».
Os sudaneses do sul pronunciam-se a partir de hoje e durante uma semana sobre a manutenção da unidade com o resto do país ou a independência da região. Analistas, observadores e os próprios dirigentes do Norte contam com uma vitória clara dos apoiantes da secessão.