Muito me surpreenderia se no próximo dia 26 de Março tivesse vontade de participar no sufrágio sportinguista. Se o fizer, é porque terá aparecido o candidato impossível, com um programa simples e corajoso:
1- Tirar o clube das mãos dos banqueiros, para o devolver aos sócios;
2- Fazer jus ao nome, e tornar o Sporting o clube mais português de Portugal;
3- Ter como objectivo primeiro, ser o campeão do ecletismo, dos valores e da ética desportiva.
Não acredito em santos milagreiros que tiram da cartola clones de Mourinho e estrelas que já o foram ou nunca chegarão a cintilar.
Não acredito que quem teve responsabilidades na pesada herança que nos deixa a geração Roquette, tenha qualidades para participar na regeneração do Sporting.
Recuso-me a comprar a dose de banha da cobra com que nos pretendem enganar no início de cada época futebolística. Ser campeão da bola, tem que deixar de ser um objectivo, para passar a ser uma consequência. O resto é demagogia barata, irrealismo e paleio de café.
Se o Sporting quiser ter futuro, terá que começar por desenferrujar os dois únicos activos que lhe restam. Uma escola de jogadores que seja a fábrica onde se produzem, valorizam e vendem talentos desportivos, permitindo encaixes para reduzir o passivo. Um Sporting no mercado, sim, mas na exclusiva posição de vendedor.
E há que travar o decréscimo da massa associativa, incutindo-lhe o orgulho no produto das suas escolas futebolísticas e no ecletismo das suas modalidades, levá-lo aos estádios e aos pavilhões, em todas as frentes.
Inverter o défice crónico, adequar a folha salarial às possibilidades do clube e remunerar em função de objectivos, é possível, mas requer a coragem de furar o delírio e o regabofe em que temos vivido.
Tudo isto poderá parecer Sporting, Sonho e Utopia. Assim seja. Estamos num país onde o palpite tem dignidade constitucional, mesmo para dizer coisas absurdas. Estou num clube onde a minha condição de sócio pagante do lugar onde me sento me dá o direito de nunca assobiar a minha equipa, mesmo quando me espeta murros do lado de dentro do estômago. Não. Quase de certeza não irei votar. O meu candidato não existe.