Sejamos dignos

Sem internet, com o rádio ligado, tive que desabafar à frente do meu computador, ontem à noite…

Esta noite, o meu amor pelo Sporting ganhou en intensidade, como se ainda houvesse necessidade.

Esta noite, só não chorei porque as minhas lágrimas, não querendo mostrar-se, preferiram correr lá por dentro. Existiram, disso tenho a certeza. Existiram, e existem neste momento em que escrevo essas palavras.

Hoje não tenho internet. Sofro em casa, sózinho, cortado do mundo. Oiço o hino do Benfica, oiço os comentadores a gritar que o Benfica é campeão de Portugal, oiço a alegria dos benfiquistas. Sofrer sózinho. Pelo menos não vou ter que ouvir, como muitos em Lisboa, as ruas encarnadas.

Esta noite, esperei até ao último suspiro desta edição do campeonato. Ouvi na rádio. Qualquer que fosse o campeão, a reacção quase seria a mesma. E foi esta. Ouvi o relato. A minha bandeira do Sporting foi hasteada bem alto no meu apartamento. Deitei-me no sofá a ouvir. Poucos segundos antes do fim do jogo do Bessa, percebendo quem iria ser campeão, e como que preparado para aquela morte, como se a esperança ainda tivesse existido de ver o meu Sporting campeão, fui buscar o meu cachecol e a minha camisola.

Pus o cachecol nos meus ombros. Deitei-me no sofá. Pus a camisola por cima do meu peito. Não sei por que razão mas, por ter agido assim, tenho a certeza que morri com dignidade e honra. Esperei pela hora da morte em silêncio. Esperei e foi quando gritaram que fechei os olhos e que senti a água salgada a inundar os meus olhos, com doçura, com ternura, com amor, com carinho.

Já não ouvi mais nada. Foi barulho a tentar irromper pela rádio. Não ouvi mais nada. Foi algo mais profundo que emergeu, e foi e será sempre mais forte que tudo o que puder ver e ouvir e sentir : o amor pelo Sporting sobrevoou esta noite.

Esta semana perdemos tudo, dizem eles. Esta noite o campeão não somos nós.

O Sporting nunca me perde, e eu nunca perco o Sporting. Foi sofrimento solitário. Será ferida longa e profunda. Pensamentos que nunca esquecerei. Mas,

Sejamos grandes. Sejamos dignos. Sejamos como o nosso clube merece.

Agradeço a todos os Sportinguistas que apoiaram o nosso clube todas as semanas. Agradeço aos jogadores e aos técnicos pela garra que mostraram.

Tomando o Livro do Dessassossego, abrindo ao acaso, encontrei estas frases do Fernando Pessoa que hoje parece ser sportinguista:

[i][b]Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida. Façamos da nossa falência uma vitória, uma cousa positiva e erguida, com colunas, majestade e aquiesciência espiritual.

Se a vida [não] nos deu mais do que uma cela de reclusão, façamos por ornamentá-la ainda que mais não seja, com as sombras de nossos sonhos, desenhos e cores / mistas / esculpindo o nosso esquecimento sob a parada exterioridade dos muros[/b].[/i]

Acho que esse sentimento é comum a muitos Sportinguistas!
Ontem fui para o estádio artilhado de adereços (coisa que nem costumo fazer)…
Dormi com a camisola do grande SPORTING em cima da cama (aquela de 99\2000 que me foi dada pelo Di Franchesci :lol: ) relembrei esse grande ano e acabei por adormecer com um sentimento misto…embebido nos golos do Acosta, mas sempre sem sorrir pq sabia o que tinha acontecido ontem…
Só não posso concordar nos agradecimentos aos jogadores…não por uma questão de ingratidão, pq eles sim são ingratos! podem perder mas não podem deixar de correr…e tantas vezes que isso aconteceu este ano (salvo honrosas exepcoes)

SPORTING SEMPRE