Regresso do Serviço Militar Obrigatório. Sim ou Não?

Cada um com a sua especialidade!
Essa até seria bastante útil e ia valer muitas medalhas de mérito e à decadência eleitoral do Chega :sweat_smile:

Não precisas de SMO para nada, precisas sim é de uma sociedade mais preparada.

As coisas que eu propus e nem pensei muito nelas, fazem parte do desenvolvimento individual e seriam muito mais bem aceites pela sociedade em geral. E todas ajudam muito mais a ter uma sociedade preparada do que 18 meses obrigatórios perdidos numa caserna.

O século passado já lá vai.
Aplicar as mesmas medidas é caminho andado para o falhanço.

Quem concorda com o serviço militar obrigatório para reeducar muito da sociedade, está bem enganado…

Não concordo que alguma vez a tropa tenha dado educação. Entendo que incuta a necessidade de regras, mas fazia-o de forma ditatorial e não propriamente educativa… até porque se trouxesse educação, os “cotas” da nossa sociedade seriam quase todos eles pessoas de extrema educação e respeito, e infelizmente vê-se muito pouco disso também!

Hoje em dia, com a mania revolucionária da sociedade e dos jovens, com a constante procura e necessidades de direitos, a obrigatoriedade por si só começava logo a ser um problema e depois essa tal forma rígida de se estar dentro do serviço militar imagino que iria logo começar a gerar um problema ainda maior de insubordinação! Até porque cada vez mais os jovens consideram que não têm que respeitar os outros.

Já agora, grande parte dos jovens que atualmente consideramos como insubordinados e mal educados, foram educados precisamente por muitos pais que ainda fizeram o serviço militar obrigatório! Se esses pais que ainda apanharam esse serviço militar e apanharam ainda a noção de que nas escolas devemos manter um grande respeito aos professores e considerá-los também como parte de nossos educadores não foram capazes de passar isso aos seus filhos (basta ver o que se passa hoje em dia nas escolas…), acham que vai mudar algo o serviço obrigatório militar? Muitos destes tais últimos pais que ainda serviram na tropa já entram naquele tipo de pais que para educar os filhos nem levantar a voz consideram que o devem fazer, quanto mais levantar a mão para uma palmada no cú, imaginem o que seria se os filhos tivessem que levar com gajos desconhecidos a darem-lhe ordens rígidas!

Pessoalmente não acho que o serviço militar deva ser obrigatório, considero sim que o serviço militar deva ser encorajado, mas para isso também teria que ser mudado totalmente o paradigma do que é a tropa atualmente… atualmente quem vai para a tropa tem uma vida SANTAAAAAAA e quem vai para lá só mama à nossa custa sem fazer absolutamente nenhum.

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Não concordo com o SMO. Não percebo sequer como é que o principal argumento para o SMO é a necessidade de educar os jovens cuja educação, em larga medida, é dada por pais, avós e professores que frequentaram o SMO. Não vejo sequer que os militares sejam um exemplo de comportamento na sociedade. A educação ditatorial e de supremacia hierárquica (muitas vezes desprovida de sentido) não é condizente com o meu pensamento.

Acho que deveria existir um maior investimento nas forças armadas, as quais deveriam ter salários mais atrativos e um plano de carreira mais interessante do que aquele que actualmente existe. Acho que as FA poderiam ter um investimento maior no recrutamento dos jovens, eventualmente, conseguindo desviá-los da Universidade: não só dos cursos da treta, mas também daqueles que querem ir para bons cursos e que são igualmente necessários no exército. Creio que são os EUA que, nesse aspecto, têm um funcionamento interessante, com diversos investigadores incorporados no exército.

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Na minha opinião, não.

Eu apoio a 100%. Assim aquele pessoal do fórum que diz que é preciso apoiar a Ucrânia custe o que custar e vibra com vídeos NSFW da guerra têm aqui a oportunidade de ouro de largar o teclado e ir combater.
Pimenta no cu dos outros é refresco :smirk:

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Acho que devia ser obrigatório… contudo eu não tive que o fazer, e claro pimenta no cu dos outros para mim é refresco, com isto quero dizer… que uma vez que não me toca/tocou, essa questão devia ser posta a quem foi obrigado e o que é que a experiência trouxe a essas pessoas.
O meu pai por exemplo arranjou maneira de não ter que ir, apesar do pai (meu avô) ter sido militar. Imagino que pela experiência de quem foi obrigado, não era assim tão porreiro.
Na altura até queria ter ido para a força aérea (queria tentar PILAV), mas os meus pais não me apoiavam e insistiram para fosse para a universidade, e assim foi.

O problema da educação não tem nada a ver com isso, tem a ver com a falta de tempo dos pais para educarem os filhos.

Portugal está cheio de gente que trabalha tanto que chega ao fim do dia estafada e sem vontade de aturar os putos, por isso fica fácil entregar-lhes um tablet e mandar os putos calar. Mesmo os que têm mais tempo e não andam a dar tables a putos, vão acabar por os ver conspurcados porque se eles não tiverem, têm os amigos deles na escola.

Para as coisas mudarem, há muitas medidas que poderiam ser implementadas, mas que não interessam a muita gente. Uma delas seria desde logo implementar o sistema laboral de 6/7 horas e fazer como penso eu o Japão fez em que reduziram e deram a possibilidade do trabalhador de escolher se quer fazer mais horas, recebendo o x a mais. Refiro esta questão, porque eu percebo perfeitamente que um pai depois de passar 9 horas ou mais a trabalhar em trabalhos completamente estafantes, a vontade que tem de chegar a casa e aturar um puto deve ser 0, fora que tem a casa toda para tratar.

Reforçar o setor educativo e mais importante, reforçar a autoridade dos professores e docentes escolares, criminalizar a sério as intervenções dos pais na escola (neste ponto então acho mesmo rídiculo), hoje em dia os pais pensam que mandam nas escolas, é surreal, todos têm opinião e todos fazem o que querem e todos os funcionários e docentes têm medo deles, porque não os deixam trabalhar em sossêgo. Eu não vou ao escritório de um advogado explicar-lhe como é que faz o trabalho dele, ou ao do médico, ou vou andar atrás de um varredor de rua a dizer-lhe como é que deve varrer melhor, cada profissão tem de ser respeitada e nas escolas isso não se sente, por amor de deus, hoje até na universidade andam pais a pedir justificação de notas. Mas está tudo maluco ?!

Pior ainda fica quando se for preciso são depois esses mesmos pais que até à universidade dos filhos vão pedir justificações, que saiem de lá com uma nota que o filho não merece ainda se for preciso, só porque o docente também não está para se chatear e depois se vão gabar se for preciso para os amigos que são uns todos poderosos e que “ninguém faz farinha com eles” e se for preciso depois são essas mesmas pessoas que andam ai pelas ruas a apregoar “No meu tempo isto não era assim, havia respeito…” e blábláblá.

Depois estamos a colher os frutos da geração do “coitadinho do menino”, eu sou professor de EDF e treinador há cerca de 5 anos, e neste espaço temporal já por duas vezes tive discussões com pais/avo por estar a repreender míudos indisciplinados, no fim ambos me deram razão e ficou ali resolvido e acabaram a agradecer-me, mas conheço casos de pessoas que até a serem agredidas chegaram, o que é isto?

As pessoas queixam-se das novas gerações, mas não entendem que o problema reside na base das nossas gerações e mais velhas e não propriamente nas novas, porque as mais novas só fazem o que as mais velhas deixam e incentivam a fazer, nem que seja pelo deixa andar.

Posto isto, a educação há mais de 20 anos que necessita de uma refórmula a sério, precisa de criar condições aos seus profissionais e mostrar um futuro para o setor, para que possa solidificar as bases de um país que se quer próspero, a Educação é a base fundamental de uma sociedade e se ela está podre…

Posto isto, sou contra o regresso do serviço militar obrigatório nos moldes anteriores e a favor do regresso num molde muito diferente. Porque eu próprio cresci em quarteis com o meu pai que era sargento dos comandos e a camaradagem e as coisas que lá se aprendem podem ter muitas valências no futuro do país, não só na formação de pessoas inteligentes e com noções do mundo, mas especialmente a nivel do respeito pelo próximo e amor à pátria, que se perdeu completamente em Portugal.

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Quando tinha 18 anos foi dos últimos anos de SMO. Ainda fui à Calçada da Ajuda às inspeções, um regabofe do crl. Pensão Setubalense, talvez a pior espelunca em que estive na vida. Gajos na calçada a tentarem enganar mancebos a vender louro prensado.

Foram uns dias bem passados com o pessoal da minha terra, Évora, mas um misto de twillight zone com tragicomédia. Recordo com bom humor esses dias. Fiquei apto e pedi adiamento, pois no ano seguinte entrei na faculdade. Quando saí fui para reserva territorial (onde ainda estou).

Houve uma altura da minha vida, quando era miúdo onde ainda ponderei seguir a carreira universitária na Escola Naval mas depois lembrei-me que seguir ordens sem questionar e ter de andar a respeitar regras de etiqueta inúteis é algo que não me assiste muito. Em todo o caso, gostaria de ter feito tropa na Marinha. Quanto mais não fosse para fazer a viagem de uma vida no Navio Escola Sagres.

Dito isto, e como sou um gajo pacifista que despreza em toda a linha o nacionalismo bacoco e a visão militarista da sociedade, sou em principio contra o SMO. Já o meu lado pragmático diz-me que, embora não seja nacionalista gosto muito do meu way of life aqui neste cantinho pacifico. Gosto muito do meu país, gosto de ser europeu e gosto de viver em liberdade. Gosto de ter liberdade para pensar, para falar, para discordar e que discordem de mim. Gosto de ter liberdade para viajar, conhecer outros países e culturas. Em suma, defenderia sempre o meu e o dos meus, direito a viver nestas condições contra qualquer filho da ■■■■ que se lembrasse de querer inverter as coisas pela força. E infelizmente os tempos que vivemos, do regresso dos nacionalismos, dos populismos, dos regimes iliberais, do obscurantismo religioso, politico e intelectual, de regressão democrática e aumento do militarismo e belicismo estão a tornar o mundo um local mais perigoso, com mais conflitos. A Guerra Fria acabou e hoje temos uma situação ainda pior, com a lâmina do holocausto nuclear sob a cabeça de todos nós. Temos de equacionar seriamente qual o nosso papel neste “novo-velho” mundo de maiores ameaças existenciais, e enquanto unidade territorial perceber quais são as nossas necessidades de defesa.

Acho que temos de ter capacidade defensiva. Isso é fulcral. Mas acredito que o devemos fazer de forma inteligente e o mais otimizado possível. Gosto do modelo suíço por exemplo. Acho que têm SMO mas nem acho que seja essencial. Acho que a carreira militar deve ser essencialmente atrativa quer a nível salarial, quer como forma de entrar mais tarde no mercado de trabalho dando competências e formação que sirva mais tarde para quem queira sair da carreira militar. Apostar na qualidade e formação dos efetivos e menos na “carne para canhão”. Ao mesmo tempo modernizar as forças armadas numa lógica defensiva onde menos é mais. Apostar em sistemas inteligentes e autónomos, etc. Aumentar a intensidade tecnológica nos sistemas de defesa. Apostar na formação autónoma para operar e manter os sistemas (ao contrário do que acontece com o Arsenal do Alfeite à mingua enquanto que nos submarinos continuam a ser os alemães da Siemens a ter o exclusivo da manutenção durante um porradão de anos, só para dar o exemplo).

Claro que isto obriga a investimento. E este é a principal tragédia dos nossos tempos. O centro de gravidade do investimento europeu aos dias de hoje está a fugir do Estado Social para a Defesa. Essa é a grande vitória de Putin e dos EUA (e do seu complexo industrial-militar) e de toda a gente que lucra com a guerra. A História diz-nos que quando aumenta o investimento em defesa e militarismo, reduz-se no Estado Social e em todos os mecanismos de proteção e assistência social. E isto é trágico. O problema é que nos colocaram aos dias de hoje numa completa encruzilhada que, seja qual for a escolha, coloca em causa o nosso way of life (neste caso, e não falando apenas de Portugal, Europeu).

Conseguir encontrar aqui um equilibrio era importante, mas vivemos em Portugal e os tempos “dos descobrimentos” já lá vão.

Já agora discordo frontalmente dessa ideia de que a tropa serve para moldar caracter e “fazer homens”. Se alguma coisa faz é o contrário: transformar homens em autómatos. Ou pior, quando em tempo de guerra, transformar população ativa em carne para canhão e destruir gerações de criadores de riqueza. Os valores e a educação aprendem-se em casa. Quanto muito a tropa dá-te ferramentas práticas de sobrevivência, dá-te amigos e memórias engraçadas da recruta (o que eu já me ri com as histórias da recruta de alguns foristas).

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Totalmente contra.

Maior investimento, maior cuidado com as forças armadas, mas nunca tornar uma obrigação.

Atualmente, têm poucas condições, ganham mal e apenas compensa se fizerem 1/2 missões na RCA, Afeganistão ou outro sítio qualquer. De outra forma, é uma miséria salarial.

E durante o ano, passam a vida sem fazer grande coisa, exceto na altura de verão que são muito úteis nos incêndios.

Em vez de tornar algo obrigatório, devem tornar esta profissão em algo apelativo, com certos benefícios e regalias.

Eu não sou professor e pedem-me recorrentemente explicações acerca de como faço o meu trabalho. Muitos dos quais, com argumentação google e, mais recentemente, chatgpt.

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Quem é que te pede as explicações ? ofereces serviços ?

Um professor não oferece serviço nenhum, tem o objetivo e a prioridade de educar as gerações do futuro e tem estruturas e “chefes” sobre os quais se tem de justificar, não é aos pais dos meninos que tem de justificar o que quer que seja.

A mim não me incomoda nada que me peçam justificações do meu trabalho, pedem-me constantemente. Deve é ser quem em mim manda e não quem pensa que manda, felizmente sempre soube lidar bem com estas coisas e nunca tive nenhum problema, mas há quem os tenha e percebo perfeitamente porquê.

Sou a favor desde que para TODOS e sem usar esse período para achincalhar e humilhar.

A menos que Portugal esteja em risco de ser invadido , não vejo a necessidade.

Se os jovens andam perdidos , para que é que serve a escola ?

Mude-se o que se tenha de mudar.

Agora andar a dar carne para canhão para guerras feitas e promovidas por zionistas , não.

Até porque para isso já existe a praxe nas universidades e politécnicos.

Existe sempre objeção de consciência um direito constitucional entregai eu e por motivos religiosos

Totalmente contra o serviço militar obrigatório.
Ninguém deve obrigar, quem quiser ir que vá por livre vontade.
Até digo mais, se houvesse guerra, muitas pessoas não iriam para a guerra, nem que fosse obrigatório e acho muito bem.
Ser carne para canhão, perder pernas e braços ou morrer com uma bomba? Para quê? A vida é curta e deve ser aproveitada.
Muitos que apoiam a ideia têm uma ideia errada, pensam que a guerra de hoje é comparável com o que se fazia no serviço militar há 20 anos.
E muitos pensam que por terem feito a tropa têm mais princípios que aqueles que nunca foram à tropa.

Parem de jogar jogos de guerra no computador e pensem na vida real que acontece todos os dias.

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Entrei em 86 e estive lá 16 meses no exército. Acho que foi a partir de 88 que começaram a reduzir.

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Eu saí em Maio de 1985. Tinha impressão que após uns meses tinha terminado a fase de 16 meses. Afinal foi mais tarde um pouco.

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Tudo muito bem, tudo muito bonito e tudo muito bem escrito
Eu também acho que ninguém deveria gostar de guerras e que as coisas por pior que possam ser deveriam ser resolvidas na conversa.
O problema é que isso não existe. Para dois conversarem um deles querer conversar não basta, é preciso que sejam mesmo os dois.
Vai sempre haver quem queira conquistar pela força e não pelo diálogo e é bom que se convençam disso e saibam lidar com isso.
Alguém disse um dia e com total razão que se queres viver em paz prepara-te para a guerra.

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