O Rafael Leão tem vindo a mostrar ser um talento puro, um diamante por lapidar e com uma margem de progressão / evolução muito acima da média para a sua idade. Há ainda um certo complexo em lançar um jogador tão tenro na equipa A, tanto da equipa técnica e sobretudo nos adeptos. Muito querem vê-lo já saltar etapas e entrar na equipa principal, o problema é que depois “ninguém” está na disposição de esperar e dar tempo ao jogador para se adaptar, ambientar e poder desfrutar do seu futebol no patamar mais elevado do Sporting. Vão começar a exigir a um miúdo de 18 anos que faça tudo bem, que resolva os jogos e sempre que falhar, vem a famosa frase “Eu sabia, mais um cepo!”. Temos que cimentar mais o carinho, a paciência, o conforto, aos nossos jovens melhores atletas e até mesmo aos jovens do clube de forma geral, sobretudo quando chegam ao patamar máximo porque alguns vão adaptar-se bem e outros vão sentir mais dificuldades. Isto para quem quer viver da formação, para quem tem uma formação com enorme resultados, é crucial e essencial. Exigentes sempre, mas com noção das expectativas e sobretudo do que se exige, já que muitos exigem aos jogadores, aquilo que muitas vezes lhes é exigido na vida e são incapazes de responder positivamente.
A equipa técnica só lançará um jovens tão tenro, mas com qualidade e talento, quando dominar alguns aspectos que consideram essenciais na sua equipa. Ora, isto demora algum tempo a ser transmitido, a ser interiorizado, por isso, é impensável que vá ter oportunidades assim tão cedo, poder já trabalhar de quando em vez com o plantel principal será já um excelente avanço. Depois, depois logo se vê a evolução, como responde aos estímulos e a capacidade de transitar entre teoria e prática, entre treino e jogo.
Adoraria lançar um talento aos 18 anos. Era um excelente incentivo para os nossos jovens, um excelente sinal, significaria que podiam ser lançados a qualquer altura, o que os motivaria ainda mais e seria um elemento essencial na captação que fazemos todos os anos para a nossa formação. O Mané teve oportunidades cedo e foi o que foi. O Gelson Martins foi outro que saltou praticamente a equipa B e foi bem lançado, ha exemplos para quase tudo, é tudo uma questão de operacionalidade e sobretudo de crença. Se crermos que o atleta tem potencial e qualidade para ser lançado já, é um passo que devíamos assumir e assim saltar algumas etapas. Contudo, se continuar onde está, o Rafael Leão, é uma decisão sem qualquer drama e bem ponderada, acertada até, tendo em conta a nossa forma de trabalhar nos últimos anos.