Racismo em Portugal e no mundo

Mas dá para usar insultos gratuitos que não sejam racistas? Vê lá bem se dá. Faz as contas.

Dá para insultar sem usar insultos racistas, mas se tu queres que o insulto doa, então vais pelo mais fácil de todos.

Imagina por exemplo uma briga de namorados, e a gaja no meio da discussão, vira-se para o gajo e diz-lhe que ele têm uma pila pequena. Isto é um insulto gratuito e um insulto baixo, feito mesmo para doer e para deixar a outra pessoa fodida.

Não quer dizer que uma pessoa deva usar este tipo de insultos, mas na sua grande maioria as pessoas quando é para insultar, usam aquilo que sabem que vai fazer mais dano.

Sem tirar nem por!
Eu próprio ás minhas filhas sempre lhes disse.
Nunca ofendam ninguem só porque sim, se o fizerem e me chegar aos ouvidos tem que se ver comigo.
Mas se alguém vos ofender que respondam da mesma maneira e se souberem alguma coisa que eles não gostem de ouvir é isso que devem dizer.
Se é para magoar é carregar onde doi.

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Parabéns pela metáfora, porque cor da pele e pila pequena são coisas realmente comparáveis. Mas então… se alguém andar aos gritos que a pessoa tem a pila pequena, passarem uns dias e andar à procura da pessoa com a pila pequena para lhe dar um tiro enquanto grita que a pessoa tem a pila pequena… Então sim, acho que se pode concluir que a pessoa que matou tem um problema de ódio em relação a pessoas com a pila pequena.

Mas é uma boa defesa, essa. O assassino não tem nada contra pretos, só disse aquilo para doer e só matou porque tropeçou na cadela.

Mas isso não serve para qualquer pessoa, serve apenas para quem é mal educado. Eu quando discuto (raramente acontece) não preciso de ofender ninguém.

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Tu estás a ser casmurro, o exemplo servia para demonstrar que quando alguém quer insultar, vai sempre para aquilo que vai doer mais, independentemente do que for.
Ninguém está a defender o homicida. O velho, esperemos nós, vai passar o resto dos seus dias na prisão, só te estou a dizer que lá porque ele utilizou insultos racistas, não faz disto um crime de ódio, a menos que se venha a saber que ele realmente matou o homem por ele ser preto.

Nem toda a gente discute assim, infelizmente, e quando a mostarda chega ao nariz, as pessoas tendem a dizer tudo e mais alguma coisa só para lixar os outros.

Eu cheguei a presenciar o exemplo que dei, ainda me lembro da cara do rapaz, que ficou completamente sem palavras e via-se que ficou mesmo magoado. O pior é que se bem me lembro foi uma discussão a brincar e a rapariga largou-lhe com esta.

Bom, eu volto a repetir: se um crime em que um homem se sai com ofensas racistas por motivo fútil (tropeçou na cadela), ameaça a pessoa de morte (tudo envolto em insultos racistas), dois dias depois anda à procura da pessoa com uma pistola e, quando o encontra, dispara 5 vezes enquanto grita insultos racistas… Se isto não serve para se pensar sequer que possa ter sido um crime de ódio… O que se servirá.

Vamos assumir que o homem tinha um problema com tropeçar em cadelas e, só por acaso, calhou tropeçar na cadela de um português de origem guineense. É como já te perguntei e continuo sem ter resposta: é o homicida que decide se o crime teve alguma coisa a ver com a cor da pele da vítima?

Uma pergunta honesta, que eu também não sei, as autoridades já se pronunciaram a cerca da razão do crime? É que quem deu originalmente o título de crime de ódio foi a cmerda tv.

Já agora quem declara o teor do crime são as autoridades, não é a cmerda tv, não és tu, não sou eu, nem são os vizinhos “não racistas”, que se largaram com a pérola do “O senhor não se metia com ninguém, apesar de ser de cor”.

Mas eu respondo-te: não, não é o autor do crime que decide se houve motivos raciais. Da mesma maneira que não é o autor do crime que decide se foi sem querer. Senão também pode dizer que a arma disparou sozinha.

A punição (seja crime de ódio ou não) vai dar ao mesmo. O cúmulo jurídico é 25 anos e trata-se de um assassinato por motivo fútil. E premeditado. A questão é percebermos todos que temos um problema com racismo. Não é tão grave como noutros países, mas temos. Parece que isto ofende alguém, não sei. Já sei que a SOS Racismo e o Ba vos enervam e tal, mas não custa assim tanto parar para pensar e perceber que temos um problema.

Também temos um problema com machismo. Acho que 50% dos homicídios em Portugal são no contexto de violência doméstica. E, mesmo assim, há quem ache que o país não tem problema nenhum com machismo e que são casos isolados de pessoas que não estavam bem. Claro que quem mata nunca está bem, mas viver uma vida inteira a achar que a vida de quem é diferente (negro, mulher, o que seja) vale menos… Quando se vive assim, parece-me mais provável chegar o dia em que se mostre mesmo que essa vida vale menos. E depois mata-se por nada.

Eu falo por mim, eu não tenho problemas em admitir que existe racismo em Portugal, pelo menos na forma de insultos e estereótipos, para ambos os lados, sendo que o que a grande parte das pessoas têm problemas em admitir é que existe racismo proveniente das outras raças. Quanto a racismo institucional, até hoje nos locais onde trabalhei, nunca vi tal coisa, tendo mesmo chegado ao ponto de ver o contrário, de fazerem de tudo para tentar evitar despedir um rapaz negro que era do mais incompetente que eu vi até hoje.

Eu não sei o suficiente sobre a violência doméstica para tentar argumentar que a mesma pode ou não ter algo a ver com o machismo, se um gajo/gaja chega a casa e só está bem a ofender/bater no companheiro/a por tudo e por nada, acho que o problema vai mais longe que machismo.

São entendidos como crimes de ódio todos os crimes contra as pessoas motivados pelo pelo facto de a vítima pertencer a determinada raça, etnia, cor, origem nacional ou territorial, sexo, orientação sexual, identidade de género, religião, ideologia, condição social, física ou mental.

Os crimes de ódio são diferentes de outros crimes pelo facto de serem dirigidos não apenas a um indivíduo, mas antes a um determinado grupo com determinadas características específicas. Deste modo, os grupos alvo dos crimes de ódio podem sentir que não são bem-vindos, que não se encontram seguros numa determinada vizinhança, comunidade, escola ou local de trabalho. Normalmente, os perpetradores de crimes de ódio têm como objectivo ameaçar e enviar uma mensagem de ódio a uma comunidade inteira, e sendo membro desta comunidade pode existir um sentimento colectivo de insegurança e medo.

As definições existem por algum motivo. Não faz sentido dizer que é crime de ódio apenas porque sim.

Tudo leva a querer que o crime que foi praticado teve como alvo apenas e só a vitima. Ele ser racista enquanto pratica o crime é apenas mais uma questão reprovável. No futuro havendo mais informações sobre a motivação do velho pode-se então rever a questão.

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Não é assim tão simples.

Se ficar provado que o homicida injuriou ou ameaçou a vítima por causa da sua raça, e isso não tiver motivado o crime de homicídio, então é mais um crime pelo qual terá que responder, porque nesse caso o crime de homicídio não “consome” o crime de incitamento ao ódio.

Ele teria então que responder por dois crimes diferentes, e no caso de ser condenado ficava provado que houve uma manifestação de racismo.

Portanto, sendo um bocadinho calculista, numa perspetiva da estratégia de defesa do homicida, se calhar até lhe convém que assuma que o crime foi motivado por ódio racial, porque provavelmente vai ser condenado por homicídio qualificado de qualquer forma (pela posse da arma e pelas ameaças anteriores) – ora, como o ódio racial já é uma das circunstâncias usadas para qualificar o homicídio, esse motivo ficaria “diluído” na tipificação de homicídio qualificado, em vez de entrar num outro crime que agravaria mais a pena. Isto em termos teóricos, claro, porque para uma pessoa com 80 anos de idade, que enfrenta uma moldura penal entre 12 a 25 anos, mais ano menos ano de pena vai dar no mesmo.

Claro que sim. Nem nunca tentei afirmar o contrário. :+1:

Numa discussão que culmina num homicídio a sangue frio podemos inferir que certamente houve agressividade e ofensa pessoal no discurso. Ter chamado ao malogrado “preto” e ter-lhe dito “que voltasse para a sua terra” vão de encontro ao ataque pessoal. Se o falecido tivesse chamado ao idoso, no calor do momento, “velho” poderíamos também classificá-lo como discriminador etário? O indivíduo em causa já tem algum registo criminal relativamente a este tipo de situações? As pessoas que o conhecem classificam-no como racista e capaz de cometer actos violentos contra pessoas de outras raças? Acho que importa mais responder a este tipo de perguntas, o resto são assumpções disparatadas que nos dias que correm ganharam uma mundanidade exacerbada.
Com isto não digo que não houve racismo, apenas que, nos tempos hodiernos, tem costas largas e que não fica aqui provado que tenha sido o motivador do homicídio.

Certo, mas parece haver muita malta com problemas perante a possibilidade de ter havido. E é como já disse acima: não é o autor do acto que tem de nos confirmar se foi racista ou não (senão nunca era). Com o que se sabe hoje, parece ter juntado a fome (nervos com uma altercação) à vontade de comer (não ser especialmente fã de “estrangeiros”, digamos assim).

A mim o que me chateia é os paninhos quentes sempre a tentar fingir que não há um problema (“agora é tudo racismo”, “e se fosse um preto a matar um branco”, etc.). Como se o facto de existir um problema nos ofendesse a todos pessoalmente. Há grandes coisas que denotam e promovem um absoluto desprezo perante algumas vidas. Mas também há pequenas coisas que denotam e promovem esse mesmo desprezo. No final, ambas podem acabar como acabou este caso em Moscavide.

Quando era mais jovem tive vários amigos de diferentes etnias e sou a favor de todo o tipo de iniciativas em prol do combate ao racismo, reconhecendo que, apesar de continuamente caminharmos na direcção da igualdade racial, este é um problema que ainda não foi completamente solucionado. Apenas defendo que, nos últimos tempos, todos os incidentes que envolvam pessoas de cor são “empacotados no caixote” do racismo, baseando-se em premissas ocas e sem justificações palpáveis. E este cenário é igualmente preocupante, sendo a linha que separa o bom-senso e a liberdade de expressão do que é realmente ofensivo e xenófobo cada vez mais ténue.

Tony, a questão aqui acho que é a seguinte… se o gajo fosse branco o velho matava-o na mesma? eu diria que provavelmente, neste caso, sim… pelo menos pelo que conheço da história.
o motivo aqui conta muito.

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Não sei se matava, mas um gajo de 80 anos que pensa matar alguém porque tropeça num cão parece ferver em pouca água (para ser simpático). Pelos vistos, já tinha armas em casa há muitos anos. Calhou só matar quando se cruza com um preto a quem mandou para a sua terra, a quem disse que o matava como matou muitos como ele na guerra? Se calhar, foi, calhou ser um preto. Pessoalmente, não acredito muito nisso.

Pois é exatamente assim que eu coloco a questão, e acho que não.

Basta pensar no que será mais provável, pelas regras da experiência:
um indivíduo ter um ressentimento qualquer contra a raça africana e uma discussão por causa de um cão ser a gota de água que o leva a cometer um crime de ódio racial, ou um indivíduo ganhar vontade de matar alguém por causa de uma discussão fútil relacionada com um cão e ao mesmo tempo proferir insultos racistas sem qualquer relação com o caso? Se o problema foi o cão ou a atitude da vítima, o que é que isso tem a ver com a sua raça ou com a sua proveniência, para isso ser invocado pelo homicida? Ainda por cima parece que o homicida esteve na guerra do Ultramar, acho que não é preciso fazer um desenho.

Só o julgamento permitirá esclarecer as motivações do crime.

Até lá, penso que o @Tony_Cascarino resumiu muito bem quando diz isto:

epa pode ser… só acho só estranho a situação… se ele tinha armas e ressentimentos aos negros que chegasse para lhes matar… só pelo facto de ser negro… então já teria tido inumeras oportunidades para o fazer no passado.
mas é como te digo… não sei a historia toda nem o que passa na cabeça do homem… pode perfeitamente ter sido por ele ser negro, há obviamente muito racista neste mundo.