Mais chocante que isso só a emissão do filme “Pato com Laranja”!
O programa do Francisco José Viegas passava num horário tardio, para espectadores adultos, capazes de optar.
E a seguir? Proibem-se os filmes com o Humphrey Bogart nas televisões? Corrigem-se, à maneira estalinista, as fotografias do Hitchcock com charuto, apagando-o? O Churchill desaparece dos manuais de história?
Realmente, o problema não é proibir-se o tabaco em lugares públicos. Tudo bem. É a legitimidade que hoje ganha força das ideias de higienização. Políticos “puros” são um pesadelo, como um bocadinho de história do século XX comprova facilmente. Prefiro-os com vícios públicos. Felizmente, quem perdeu a II Guerra foi o vegetariano cujo regime visionário concebeu a primeira legislação anti-tabagista. Deixai os políticos fumar, ser humanos (respeitando a lei, evidentemente).
Para o registo, sou ex-fumador de cigarros, e não tenciono retomar; fumo ocasionalmente uma cigarrilha, sem inalar o fumo, sózinho, em casa, para evitar a morte fulminante de quem esteja na minha companhia. Antes de sair de casa, claro, tomo um banho de Amukine.