Atenção, vou ser bem explicito, NESTE MOMENTO, não pode estar mais forte, ficarei muito surpreendido se estiver mais forte. Porque os automatismos da equipa vão ao ar, quando perdes tantos elementos.
Agora, não quer dizer que com o passar do tempo esta equipa não venha a ser até melhor, aliás como escrevi no outro post, o Rui Borges finalmente vai criar o seu plantel.
São nucleares por um conjunto de coisas; qualidade individual + status ganho dentro da equipa + títulos e dinâmica de vitória. Uns demoraram mais tempo a construir isso, outros foi logo quando chegaram.
Mas o ponto é este. Construir uma equipa dá trabalho, construir uma equipa vencedora dá muito mais trabalho, construir uma equipa vencedora com referências do Clube é o pináculo da coisa. Era aqui que nós estavamos. Uma época sem títulos é mau, perder aquela taça de Portugal foi horrível, mas o que distingue os líderes competentes dos outros, é perceber exactamente onde se tem de mexer e onde não se pode tocar.
Eu acho que depois da taça houve uma data de reações emocionais que levaram a algumas atitudes e decisões que na minha óptica, vão ser prejudiciais para o Sporting. Esta coisa de “fim de ciclo” foi claramente uma viragem estratégica da administração, e palpita-me, motivada pelas reações emocionais do final da época. Eu que aqui elogiei a política de renovações do clube e de manter as referências como fundamentais para uma cultura de exigência e de vitória, esta viragem é exactamente o contrário disso.
Não é apenas a saída dos jogadores e do seu rendimento desportivo da época passada, é o desmantelar brusco e precipitado de uma equipa vencedora, com cultura de Sporting. Não digo que não houvesse trabalho a fazer depois daquele display da taça, mas tenho muitas dúvidas que esta solução encontrada seja a melhor. Aliás, tenho a certeza que não foi.
Estou muito apreensivo em relação não só à próxima época como também ao futuro do Clube a curto-médio prazo.
O Quenda, Morita e Hjulmand iam sempre sair, independentemente de como acabasse a época.
O Pote sair é um bónus que benefecia a todos, mas especialmente a nós.
O Trincão, não sou fã da sua saída, mas acho que a direção achou que com esta campanha de Champions e ano de Mundial, que não ia valorizar mais que isto.
O Bragança sair ou não, depende da renovação do contrato e compreendo se a direção não quiser que um jogador com o seu historial de lesões fique dos jogadores mais bem pagos do plantel, especialmente entrando para o último ano do seu contrato.
O mais importante é manter jogadores como Maxi, Diomande, Suarez, Fresneda que conseguem elevar a equipa nos jogos a doer e que não existem somente para bater em mortos.
Vai nos fazer falta nos momentos mais exigentes um espírito de liderança, de maturidade e capaz de agarrar a equipa. Devíamos sacar um jogador com esse perfil.
Dos jogadores mais carismáticos do plantel tem um físico sensível e nem sempre podemos contar com ele. O Nuno Santos. Depois temos o Max que joga com alma mas falta-lhe capacidade de temperar o temperamento sul-americano. O Inácio nos grandes jogos treme imenso, o Bragança é demasiado “educado” ..
Por isso, para mim, é fundamental ter alguém maduro, com carisma e liderança no balneário.
Concordo… o Rui foi muito importante quando veio mas a época passada caiu imenso, acho que seria um bom suplente mas para titular gostava de ver um GR de outro calibre. Adorava que viesse o Hornicek mas o valor é provavelmente proibitivo.
Isso não diminui a delicadeza do problema da substituição.
Se ainda juntas o Trincão e o Pote, que são apenas os 2 jogadores mais decisivos do clube nos últimos anos depois de Gyökeres, temos uma problema bem bicudo para resolver.
A sério que me faz confusão a desvalorização que é feita em relação a isto. Acho que está muita genta confiada numa mão cheia de nada.
Acredito que é mais fácil substituir jogadores do que as rotinas entre eles.
As micro-dinamicas como lhes chama o Rui Borges.
Jogámos sem o Pote alguns jogos esta época e conseguimos superar a sua ausência.
Tivemos (outra vez) muitos lesionados o que dificulta a consolidação dessas micro-dinamicas.
Com as eventuais saídas de Pote e Trincão acho que já temos parte do problema resolvido com o Salazar que considero um grande reforço e que já cá devia estar há muito tempo face ao que tem feito no Braga. Não sei se ficamos a perder na troca com o Trincão, pois para mim pressiona melhor, é mais veloz e também tem muita técnica e muito golo.
O Pote é um caso complicado. Teve finalmente as duas filhas por que tanto ansiava e isso destabiliza sempre um jogador, como até se notou no hujlmand que também foi pai este ano. Depois veio a lesão e a ansiedade de não estar em condições de ir ao Mundial. Muita merda na cabeça para se focar no seu desempenho.
É um jogador muito talentoso que muito nos deu mas que esta época teve a cabeça demasiada desfocada no clube.
Pode ser que ainda se encontre um compromisso entre o clube e o jogador e que ele possa ficar com a vontade e alegria que anteriormente demonstrou.
Parece-me inegável que será extremamente arriscado se realmente ficarmos sem Morita, Hjulmand, Trincão, Pote e Quenda no mesmo defeso. A única maneira de minimizar o risco é, obviamente, ter acerto máximo nas contratações, algo que é muito improvável, mas vamos esperar para ver e esperar o melhor. Atenção que o acerto não se refere só ao desempenho desportivo, mas tudo o resto que os jogadores que vão sari levam com eles. Aliás, o facto de andarmos a coçar a cabeça para encontrar uma opção para capitão já diz muito do desafio que vamos ter pela frente.
Sinceramente, estou a começar a ficar um pouco preocupado com a nossa situação para a nova época. Estou a ver muitos jogadores do “núcleo duro” da nossa equipa que irão sair, e muitas dúvidas naquilo que serão os seus substitutos. Temos que ter ambição para voltar a recuperar o título perdido!