A verdade é que, apesar de perceber a frustração e concordar que falhar a Champions tem impacto, não compro a narrativa da “catástrofe”. Parece-me um exagero evidente.
Sim, entrar diretamente na Champions dá outra força no mercado e fragiliza um rival. Mas basta olhar para o que realmente aconteceu nas últimas épocas para perceber que isso não determina campeonatos:
- O Sporting foi campeão duas vezes depois de ter ficado duas vezes em 4º lugar.
- O Porto foi campeão depois de um 3º lugar.
- Ou seja: 3 campeões nos últimos 6 anos não tinham disputado a Champions na época anterior.
Isto desmonta a ideia de que ficar fora da Champions é automaticamente um desastre competitivo. O que faz diferença não é o acesso direto, é a competência na gestão.
Se houver menos dinheiro, a solução não é dramatizar — é ser mais certeiro. E aí sim, temos falhado redondamente:
- Vender jogadores como Afonso Moreira, Mateus Fernandes ou Fatwa por valores baixos é má gestão.
- Repetir o erro com Travassos seria absurdo.
- E gastar dinheiro em Kocho, Vagiannidis, Ioannidis, Faye, etc. enquanto se desperdiçam talentos internos é simplesmente incompetência.
Depois há o argumento financeiro. O Benfica fez 53,1M numa Champions normal para um clube português. O Braga, na Liga Europa, já leva 25,5M. A diferença é de 28M. É dinheiro, claro. Mas é também o equivalente ao que gastámos em entulho nos últimos mercados.
E mais: estar na Liga Europa não impede de somar pontos europeus. Nós acabámos com 27.500 pontos. O Braga tem 24.750 e ainda pode ganhar um troféu europeu.
Portanto, não estamos a falar de uma inevitável catástrofe estrutural. Estamos a falar de más decisões, más compras, más vendas e má gestão de recursos.
O problema não é a ausência de Champions. O problema é a terrível incompetência com que temos gerido o que temos.

