Esta vai ficar para a história. Lembram-se daquele emigrante português no Canadá que ganhou a lotaria local? Pois bem, parece que o tipo é lampião e depois de se ver milionário, pôde cumprir o sonho de se fazer sócio do Recreativo da Luz e fazer uma visita à capoeira, com direito a recepção oficial, oferta de lembranças e apresentação a personalidades do clube. Tudo isto à luz das câmaras da TV. E ainda bem.
Ficou, por exemplo, registado em conferência de imprensa a seguinte pérola:
Lampião -“Desde que me conheço que sou benfiquista. Quando o Benfica perdia, diz a minha família que eu me deitava na cama a chorar(…)”
Repórter - E hoje em dia já sofre menos?
Lampião - “Hoje…antigamente talvez o Beifica perdia menos…Hoje já não choro porque senão estava sempre a chorar”
Mas o melhor estava guardado para o fim da visita, quando o cromo é levado até ao relvado da capoeira e se depara com o símbolo da agremiação. Mais uma vénia para a TV por estar no sítio certo à hora certa. Atentem lá nesta pérola:
Até tive pena do homem (um homem humilde) quando vi a reportagem há uns dias. :inde:
Compreendo a “gralha”, até porque o homem não está em Portugal há uns 40 anos… trocou-se todo.
Agora o que mais me chamou a atenção foi a humildade do homem a dizer que ia gastar algum dinheiro para ajudar o clube. Ó homem, deixe-se disso. Guarde-o todo. Não vê que descobriram petróleo para esses lados? Guarde o seu prémio e não seja anjinho…
Eu não chamei burro ao homem, e do meu ponto de vista nem é o homem em si o principal motivo de chacota.
Humilde como certamente me pareceu ser, de certeza que não foi ele que montou, ou pediu, todo o espectáculo da visita ao estádio, da entrega de galhardetes e da conferência de imprensa, para criar matéria para mais uma reportagem televisiva sobre a agremiação galinácea. Está na cara que o homem foi um mero instrumento no meio de tudo isto e por isso assisti com regozijo ao feitiço a virar-se contra o feiticeiro: a maneira simples e descontraída como deitou por terra a suposta grandeza do clube com a expressão “agora já não choro, senão estava sempre a chorar” e depois a constatação de que o mais recente sócio do Galinhame é tão dedicado ao clube que nem tem na ponta da língua a designação do animal que o simboliza.
São óbvias as razões que estão por detrás de todos estes salamaleques das relações públicas do SLB a um novo-rico que não sabe o que há-de fazer a tanto dinheiro e é óbvio quem é que vai ficar a ganhar com esta relação entre o SLB e o premiado da lotaria, mas não se conseguiram aproveitar dele sem que ele tenha antes dado ao país mais um motivo de chacota sobre o Galinhame em geral, por isso só tenho que lhe agradecer.