O BES e os interesses instituídos: Sporting é vítima, ou cúmplice?

Há tanto a discutir sobre a relação entre o Sporting e o BES que me vou limitar a divulgar uma notícia que li hoje no jornal “Global”, um diário de distribuição livre, que resume um pouco a suspeição que paira em torno do Grupo Espírito Santo e que não se limita aos negócios com o Sporting.

Louçã ataca negócios com Espírito Santo

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou hoje o governo de permitir a destruição de uma vasta zona de paisagem protegida da costa alentejana para viabilizar um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo na herdade da Comporta.

“Não é apenas a destruição de zonas protegidas que está em causa. É também a facilidade com que os negócios se fazem contra o interesse público que está aqui em causa”, disse o dirigente bloquista.

“O povo tem uma expressão que se aplica muito bem ao grupo Espírito Santo: é como o piolho na costura, está por todo o lado. Investiga-se o caso Portucale - um milhão de euros nas contas do CDS - e, vamos ver: Espírito Santo”, disse. “No caso dos submarinos - 24 milhões de euros que aparecem numa conta em Inglaterra - também um favorecimento do CDS - e lá está: Banco Espírito Santo”, acrescentou Francisco Louçã.

Referindo-se ao empreendimento turístico da Comporta, o dirigente do BE lembrou que estão em causa terrenos equivalentes a “754 campos de futebol que foram retirados da Rede Natura ou da Reserva Ecológica Nacional para se poder fazer um empreendimento, porque são vários hotéis, três campos de golfe, 12.800 camas”.

“Ou seja, o negócio está sempre acima do interesse público e aparece sempre o Banco Espírito Santo”, frisou o dirigente.

há quem os ache os Salvadores e o modelo de gestão a seguir. :inde:

Se calhar é psicológico:

Como a cor do banco é verde o sportinguista aceita melhor :great:

:rotfl: és terrível :slight_smile: :great:

[b][size=14pt]BES, BCP, Soares Franco e o Sporting[/size][/b]

Nota preliminar: a informação apresentada foi publicada no blog bolanarede B e decorre de uma investigação realizada por dois grandes sportinguistas e amigos. Tomo a liberdade de citar as principais informações pois sei que mais do que o exclusivo o que os grandes sportinguistas que publicaram este texto pretendem é elucidar as consciências dos que dia 28 têm o poder de decidir entre o o projecto incerto de candidatos não estabelecidos e o fim certo de um Sporting entregue a lobbies bancários e interesses que em nada defendem o clube e que fariam do benfica de Vale e Azevedo uma brincadeira de crianças.

As Relações OPCA-BES

  1. Em 2004 a maior obra adjudicada à OPCA foi a remodelação de 44 balcões do BES (relatório e contas, pág. 25). A documentação relativa aos anos anteriores permite ainda confirmar que o processo de remodelações vem desde 2002.

  2. Não é só o BES que é um cliente importante da OPCA, também esta é cliente do banco, mantendo com ele uma relação de dependência no que a financiamentos diz respeito.

  3. a OPCA e o BES são parceiros num consórcio (que integra também a Mota/Engil) que concorre às parcerias público privadas para a construção de novos hospitais (http://www.opca.pt/gca/index.php?id=146).

4)Tudo indica que o próprio BES possui, directa ou indirectamente, uma importantíssima posição accionista na OPCA:

  • Informação institucional segundo a qual três grupos financeiros (entre eles o BES) controlam 98% da OPCA (Coming Soon - something quite cool);

  • Catálogo da OPCA referindo que em 99 um grupo de accionistas individuais adquiriu o controlo da empresa com o apoio do BES
    (catálogo opca , pág. 5);

  • Contas de 99 da Espírito Santo Participações Financeiras, SGPS, segundo as quais a sua filial Multiger, SA detém 19% da OPCA
    (http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/fsd0532.pdf, pág. 7);

  • Inventário de títulos e participações financeiras da Espírito Santo Financial, SGPS (integrante do relatório e contas de 2004), do qual constam 452.000 acções da OPCA, representando cerca de 9% do capital da empresa
    (http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/PC6015.pdf, pág. 20 do apêndice 2; por curiosidade, na página anterior podem confirmar que o BES também accionista do benfica).

  1. Conclusões e questões colocadas pela informação referida:
  • BES e OPCA não são apenas parceiros. São instituições intimamente ligadas.

  • o BES tem a capacidade de influenciar decisivamente o futuro da OPCA e inclusive de determinar a saída de Soares Franco da empresa.

  • que independência pode alegar Soares Franco para poder concorrer a umas eleições de um clube com compromissos com o BES em discussão.

  • que influência teve esta relação de séria dependência nas várias mudanças de posição de Soares Franco face à presidência do Sporting desde o Verão de 2005.

OPCA, Estoril, Judas e o Sporting

Outros factos soltos com alguma importância:

  • José Luís Judas desempenhou funções de escriturário na OPCA antes de ingressar na Câmara de Cascais. Posteriormente regressou à OPCA, ja com Soares Franco ao leme para o… conselho de administração. Judas foi entretanto constituido arguido num processo relacionado com terrenos da Câmara cedidos ao Estoril-Praia… na altura em em que Soares Franco estava relacionado com o clube.

  • Uma análise dos documentos da OPCA permite verificar que, sem surpresa, foi esta empresa que construiu o edifício Visconde de Alvalade e acessibilidades circundantes.


Porque é que os “media” não falam?

Ao sportinguista comum não tem escapado certamente a profusão de textos elogiosos, entrevistas e destaques dados à campanha de Soares Franco, ao mesmo tempo que se estranha a total ausência de informação sobre questões interessantes como as que são aqui apresentadas. Os sportinguistas que ainda se dão ao trabalho de ler pasquins desportivos são obrigados a digerir inclusive colunas diárias de apoio à candidatura, como a assinada por Bernando Ribeiro no Record. Bola e Jogo não escapam também à lógica de apoio, mais ou menos claro, expresso com alguma evidência na cobertura e forma com a informação é veiculada.

Informação preliminar : A CMVM é a principal fonte de informação do que aqui é apresentado. Sendo assim alguma da informação poderá estar desactualizada e outra é inexistente, nomeadamente para as empresas não cotadas (DN, JN, O Jogo → Controlinveste/Sportinveste de J. Oliveira, A Bola → Vicra). Ao leitor pede-se também que tenha presente que como é do domínio público o poder de influência numa sociedade não é determinado apenas pela participação accionista mas também (e cada vez mais, como os clubes demonstram melhor que qualquer outra empresa) pela relação de financiamento. Mais importante que a informação que aqui foi apresentada seria conseguir identificar a dependência que os grupos de média sentem das instituições financeiras em causa, de modo a poder medir com exactidão o comprometimento.

Sendo assim:

  1. Os irmãos Oliveira (O Jogo) são potenciais compradores da fatia da SAD que poderá ser vendida, sendo já accionistas importantes da SAD do FCP.

  2. Dos grandes grupos de comunicação presentes em bolsa (se me escapou algum digam), só a Impresa (SIC e Expresso, entre outros) não é participada por um dos bancos em causa.3) Na Cofina (Record e CM, entre outros), o BCP detém uma participação de 2,35%.4) Na Media Capital (TVI, entre outros), é o BES que directa e indirectamente possui uma posição global de 2,84%.5) Na PT Multimedia (SportTv), o BES tem uma participação global de 8,27%; por sua vez, na PT (que controla a PT-M), o mesmo BES detém 9,2% das acções.PS- Apesar das limitações de informação institucional que referi em 1), é público que a compra da Lusomundo pelo grupo de Joaquim Oliveira terá sido financiada pelo… BES.
    Não admira pois que os únicos sítios onde se encontre contestação a sério seja na Sic-Noticias, através de Rui Santos e curiosamente no Semanário, um jornal desalinhado e cuja expressão é pequena para fazer mossa, no entanto apresentamos aqui o link para um artigo saído nesse semanário no passado dia 13 e que põe completamente a nú todas as intenções de BES e BCP no processo.

Quem quiser ler na integra basta “clickar”, aqui limitarei a minha transcrição às passagens mais importantes do imbróglio;

“Filipe Soares Franco não surpreendeu e apresentou-se como candidato à presidência do Sporting, sendo o possível vencedor das eleições marcadas para 28 de Abril. E caso isso não sucedesse, o risco do crédito bancário concedido ao clube leonino obrigaria os bancos a constituir reservas sobre a totalidade dos financiamentos, já que não é credível para nenhum auditor que a banca possa executar o Estádio José Alvalade. Neste contexto, Ricardo Salgado está empenhado em conseguir, ainda antes do fim do ano, a transferência do património imobiliário do Sporting para um fundo que pague ao BES as dívidas, sob pena de ser obrigado a constituir reservas no valor de cerca de 150 milhões de euros, ou seja mais de metade dos lucros anuais do seu banco. Ora isto implicava uma queda de 50% no valor das acções do BES e provavelmente o despedimento da sua administração.”

…“É, por isso, tão vital para a banca portuguesa que a administração do emblema dos leões, tal como acontece no Benfica, seja controlada pelos credores. Até porque nenhum banco cairia na situação de executar o Sporting pois isso implicaria de imediato a constituição das reservas e o assumir dos prejuízos…”

…"A solução existe, portanto, e o nome de Soares Franco, um “homem de mão” do BES, é bem visto para montar a solução que não tem que passar directamente pela alienação definitiva dos imóveis sportinguistas.De qualquer modo, Soares Franco avança dizendo pretender continuar com a alienação dos imóveis, reservando para o clube as mais valias do projecto imobiliário. Como? Com a engenharia financeira de uma venda imediata com a recompra acordada para daqui a dez anos, por preço certo, predefinido, que basicamente incluiria apenas o preço actual e os juros dos dez anos. Deste modo o Sporting não tinha que avançar já para a alienação do estádio, feito para o Euro 2004, com reduzidos fundos do Estado, e por outro lado não se via sem as mais valias imobiliárias do projecto desenvolvido por José Roquette. Uma solução equilibrada, que “safava” agora os bancos em dificuldades e simultaneamente obrigaria o BES e o BCP a manter os fluxos de tesouraria para Alvalade.

E pronto… parabéns a quem conseguiu ler até ao fim, provavelmente ou é um sportinguista a sério ou alguém muito curioso.
Parabéns sobretudo aos sportinguistas que realizaram e continuam a realizar estas investigações pois o futuro do Sporting é a sua principal preocupação neste tema… e já agora a minha também.

Gabriel, vale a pena :smiley: ?

Por mais .pdf da CMVM, por mais comunicado do BES, por mais consulta de pasquins/jornais de época que confirme todo o teu post anterior… isso tudo não passa de teorias da conspiração sem fundamento.

:wall: :wall: :wall:

Não é por nada que se diz que o BES é o banco do regime…

:lol:

Como dizia o Eddie, tu és terrível. :twisted:

Salvo erro esse texto sobre BES-OPCA-Sporting é do FLL.

Entretanto, já está desactualizado. A promiscuidade tornou-se maior. Ver porquê:

Terrível é ver sportinguistas negar tudo mesmo com todas as evidências à frente dos olhos, mas é como digo: fosse o BES vermelho, LFV em vez de FSF ou Benfica em vez de Sporting as opiniões seriam diferentes.

Que fontes…

Mas porquê? Queres mais fontes? Queres que eu tenha mais trabalho e coloque os links com a mesma notícia que na altura saiu em todos os jornais portugueses (excepto os desportivos)?

Ou não, espera, tu queres consultar o site da própria empresa, ver a constituição dos orgãos sociais, para não teres que dizer “que fontes…”:

http://www.opway.pt/

Tudo isto é extraordinário! O FSF de braço dado com o maior credor do Sporting… E ninguém se lembra de lhe perguntar se há conflito de interesse?

Isto lembra-me uma passagem do Evangelho, Mateus 6:24 :angel: : “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Agora pergunto: entre o Deus Sporting e as riquezas BES, quem é que o FSF há de escolher? A quem é que ele se dedica, em parcerias aparentemente milionárias, quem é que ele despreza, dando-lhe uma hora por dia do seu tempo?

“Beatices” à parte, o FSF está a tentar fazer uma coisa que há 2000 anos se sabe ser impossível. Quando Sporting e BES entrarem em conflito, ele optará por? ? ? ? Não é difícil adivinhar, não é preciso ser-se o Messias…

Vou citar o forista Chirola outra vez: SPORTING ACORDA!

[75% Mode]Vocês criticam por tudo e por nada. Vocês gostam de deturpar o que o meu pres… o presidente disse: ele não precisa de dedicar mais do que uma hora por dia ao Sporting porque no clube há pessoas com capacidade e grande qualidade que não precisam da sua presença (nota: se temos em conta que cada uma dessas pessoas também dedica 1-2 horas por dia ao clube, errr… pois)[/75% Mode]

PS: ultimo comentário que o cargo não permite mais :smiley:

Ora essa, agora um moderador só por ser moderador não pode ter opinião?

Um moderador pode opinar, não pode é… fazer este tipo de ironias (para não dizer outra coisa :twisted: ).

Além do mais, a minha opinião já foi dada há meses.

Eu só gostava de perceber com tanto artigo e tanta desconfiança, qual é a diferença entre a relação do BES e o Sporting e do BES e outra instituição qualquer que tenha pedido dinheiro emprestado ao BES? E já agora qual seria a diferença se fosse outro banco qualquer? Já agora tambem gostaria de perceber poque o BCP (concorrente directo do BES) entrou no consorcio que financiou o Sporting? Já agora tambem gostaria de perceber porque a CGD (o outro grande concorrente do BES) tambem tem uma parceria com o Sporting para a academia e algumas das modalidades?

A diferença é que na presidência de outra instituição qualquer não está um “funcionário” do BES. Muito simples.

E eu gostaria de perceber como é que outros clubes, com passivo tão grande ou maior que o nosso, não estão “nas mãos” do banco que os financia e têm dinheiro para contratações. Isto se calhar vai dar no mesmo das tuas 2 primeiras perguntas…

Dá-lhe Falâncio! 8)

Pelo que se diz, o Porto conseguiu uns acordos espectaculares com a Câmara do Porto (centro de estágio, terrenos das Antas, etc), e o Benfica conseguiu um crédito muito acima do normal com a Banca (uma taxa de juro significativamente inferior à do Porto e Sporting).

Quanto ao cômputo geral das SADs, a do Sporting é a mais massacrada pelos Bancos, tendo paradoxalmente a melhor “saúde financeira” das três. (ou seja, os Bancos usam e abusam do SCP no que respeita ao pagamento da dívida).