O Matias foi o jogador sul americano do ano. Portanto, potencial ele tê-lo-á. Mas o próprio termo potencial significa virtual, possível, que exprime possibilidades.
Óptimo. Então, falta a parte da concretização desse potencial.
Os ingleses têm termos engraçados para este tipo de jogador que mostra um conjunto de recursos técnicos que, no entanto, não conseguem rentabilizar, no que a rendimento prático diz respeito. Podem chamar-lhes “a one trick pony” ou " a pony full of tricks". Qualquer dos termos reflecte uma consideração pouco positiva sobre o impacto prático do atleta no jogo. Ao fim de 2 anos, confesso que ainda não percebi que tipo de expressão se aplica ao Matias, mas começo a convencer-me de ele não é “the real deal”.
O tempo passa e o rapaz não consegue assumir a responsabilidade de cumprir todo o seu potencial.
No Chile, de acordo com os dados da wikipedia, ele marcou 37 golos em 82 jogos (na versão portuguesa/brasileira são 57 golos em 112 jogos). Portanto, não podemos dizer que a finalização é um dos seus pontos fracos. A diferença do rácio de golos, do seu período europeu, penso que se explica mais pela sua posição mais recuada que ocupou no Villareal, conjugada com um decréscimo evidente de rendimento. Mas não pelo facto de não ser um finalizador.
E, em frente à baliza, qualquer jogador tem obrigação de um mínimo de qualidade como finalizador. Eu não sei o que acham, mas irrita-me, solenemente, que se insista em mandar o Polga subir para as bolas paradas, após dezenas de situações em que, estando em óptima situação para finalizar, manda bolas para a bancada. Das duas, uma: ou não treina, resultando daí o seu inexistente pecúlio, ou treina e não tem remédio. Em qualquer das circunstâncias, eu questiono a utilidade de o mandar para dentro da área adversária.
Ou seja, o Matias não é um jogador que não esteja habituado a estar em frente à baliza. Tem, por isso, responsabilidades nesse capítulo.
Digamos que, tendo muito potencial, eu não poria a cabeça no cepo pelo Matias. Ele não me merece esse crédito, ao fim de 5 anos de Europa e 2 anos de Portugal. E não tenho como expressar o que eu gostaria que o Matias cumprisse tudo aquilo que promete.