Antes de mais, as minhas críticas são as mesmas há meses, recorrentes tanto nas vitórias como nas derrotas, portanto, desejo uma excelente viagem até ao trabalho a quem responde com “se tivessem ganho, eram os maiores”. Não me considero uma pessoa assim tão burra para pensar que “se ganhámos, está tudo perfeito. Não ganhámos, está tudo mal”.
Uma vez mais, não gostei deste Sporting. Estou longe, muito longe, de achar que fizemos um grande jogo. Controlo de bola é muito diferente de controlo do jogo. O JJ foi inteligente. Já o referi por aqui, anular este Sporting não é muito complicado, havendo índices mínimos de talento para tal, algo que existe no benfica. Este Sporting é de uma banalidade colectiva atroz, no momento ofensivo, com especial destaque para o jogo interior no meio campo adversário, que chega a dar pena. Muito, muito insuficiente e por demais debatido por aqui, repito, tanto após vitórias como derrotas.
Pensei, sinceramente, que se tinha apercebido da estupidez (sim, estupidez) que é este duplo pivot. No último jogo, após termos ficado a perder e mesmo sem que os dois jogadores tenham inatas características para a posição 10, ver João Mário e Adrien jogar praticamente lado a lado e bastantes metros à frente do William, com este fixo no centro e a assumir a primeira fase de construção, foi uma lufada de ar fresco. O Sporting passou a ter opções interiores, passou a ter médios a chegar à área, passou a… jogar como um grande.
Como referi, pensei que a resposta tão positiva a essa pequena nuance táctica tivesse sido suficiente para se entender isto mas… estava muito errado.
A estratégia do JJ para este jogo foi muito simples. Fico incrédulo (ou nem por isso) quando vejo tantas e tantas referências ao “autocarro”. Um “autocarro” costuma chamar-se a quando as equipas metem duas linhas quase coladas e em cima da grande área defensiva, ou mesmo lá dentro. Ontem não se viu nada disso. Ontem viu-se um benfica comprimido em 30 metros, a anular por completo os espaços entre-linhas para circulação de bola. A anular por completo, tacticamente, a superioridade numérica do Sporting no meio campo. A anular por completo a saída de jogo do Sporting, obrigando-nos a ter como única solução o pontapé longo dos dois centrais, com o esperado insucesso associado.
Não vejo autocarro nisto, vejo… inteligência. O benfica queria, acima de tudo, anular este Sporting e não perder. E conforme já referi muita vez por aqui, não havendo Slimani, este Sporting é das equipas mais fáceis de anular tacticamente:
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povoar as zonas interiores à frente da defesa e puff, acabou-se o jogo interior, pois estas só poderão ser quebradas por um 8 forte em transições no meio campo ofensivo, com e sem bola, e o nosso 8 é o Adrien, zero neste aspecto. Depois o 10 é o JME, excelente jogador com a bola no pé mas que precisa de espaço. Ali, no meio dos trincos, não dá, tal como acontecia com o André Martins. Os únicos com capacidade para tal… um está em Arouca, o outro a mostrar como se faz nos grandes palcos da segundona;
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oferecer o jogo aos extremos e povoar essa zona, obrigando a soluções de recurso e cruzamentos (por não haver apoios interiores) de qualquer lado, de qualquer forma. Se a qualidade global dos cruzamentos já é baixa, o cenário torna-se constrangedor quando o receptor, no meio do Luisão e Jardel, é o Montero. O Slimani, sozinho, disfarça a inoperância ofensiva porque sempre é capaz de responder a alguns destes cruzamentos;
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minimizar as acções com bola do William Carvalho, obrigando-o a lateralizar sempre, algo que, uma vez mais, fica facilitadíssimo pela falta de referências interiores. Na primeira fase de construção, obrigá-lo a não ser referência (fica facílimo quando é o próprio treinador que o tira desta função, metendo-o a 20 ou 30 metros dos centrais), passando esse papel para os centrais, limitando-os às já referidas bolas longas inócuas.
3 pontos simples, tacticamente falando. Algo que aconteceu ontem e que acontece em TODOS os jogos. Mas ontem, os centrais eram Luisão e Jardel e não Miguel Oliveira e Diego, os médios defensivos eram Samaris e André Almeida e não Nuno Coelho e Rui Sampaio e, principalmente, os laterais não eram Tinoco e Balliu, mas sim Maxi e Eliseu (jogo fraquinho mas muitíssimo bem dobrado pelo André Almeida).
No capítulo defensivo, as melhorias têm sido evidentes. Continuamos com o mesmo problema: os laterais sobem quase sempre os dois, em todas as jogadas. Não seria problemático tendo um médio defensivo mais fixo, formando um trio aquando dessas subidas, mas… não temos.
É, portanto, um ponto-chave a explorar pelos adversários. Se há uma perda de bola na transição ofensiva, ou mesmo em ataque organizado, a preocupação passa invariavelmente pela colocação nas faixas laterais, onde são frequentes situações de um para um entre o extremo adversário e o central desse lado. Ontem, o esquema adversário manteve-se com os dois avançados precisamente para aproveitamento destas situações, fechando os alas mais por dentro.
Neste campo, há que enaltecer o enormíssimo jogo do trio William Carvalho - Paulo Oliveira - Tobias Figueiredo, os grandes responsáveis pela total inexistência ofensiva do benfica, durante 92 minutos, tirando UM lance em que Jonas escapa. É obra.
Como refiro há alguns meses, é este o cenário global que vejo neste Sporting. Há problemas individuais que considero graves, como o era a utilização de Maurício/Sarr, notoriamente sem as características necessárias para a sua posição, neste modo de jogar. Tal como no caso do Maurício/Sarr, havia, desde sempre, uma solução interna muitíssimo válida. Para os problemas do meio-campo, também. E são duas, até. E acredito que mudando o meio-campo, possamos limitar muitíssimo as enormes debilidades ofensivas desta equipa, tornando-a muito mais forte colectivamente e não, como acontece hoje, à mercê de rasgos individuais ou da sorte de um cruzamento, por acaso, calhar onde anda o Slimani.
Como nota final, vou-me poupar a comentários sobre a inoperância do banco na leitura de jogo, as substituições tardias ou a teimosa continuidade da primazia ao nome das camisolas e não à qualidade de jogo, focando-me apenas na última substituição / últimos minutos:
Aquilo que aconteceu não foi, como tenho visto por aí, “azar”. Se fosse a primeira vez, poderia aceitar. Não o foi. Esta época são já 4 jogos (académica, maribor, schalke e agora este) que perdemos (ou empatamos, no caso do schalke) nos descontos… e sempre pelo mesmo motivo: falta de ratice, falta de nervo ou o que lhe quiserem chamar.
Não são coisas bonitas, é certo. Não defendo nem nunca defenderei aquilo que o benfica fez ontem, com demoras absurdas para fazer um lançamento lateral aos 5 minutos de jogo, as demoradas reposições do Artur ou as várias simulações de dói-dói ao longo de todo o jogo… Mas nos descontos, a ganhar, porra, há que ser minimamente inteligente.
Tudo quer atacar, tudo quer sair a jogar… Não há ninguém que ensine esta rapaziada a matar um jogo ? A congelar uma partida ? Porra, eram 4 minutos. Como disse, em todos aqueles casos, o Sporting estava em vantagem no jogo (o empate a 3 na Alemanha, com 10, era uma enorme vantagem). Em todos esses casos, deixou-se uma substituição para o final, substituição essa que poderia (deveria!) ser usada para congelar a partir, meter mais um trinco, um central, qualquer coisa. Não é de hoje que, nesses momentos, o jogo directo passa a ser constante por todas as equipas. Pergunto… qual a lógica de, em todos estes 4 exemplos, nunca se ter optado por isto ? Na Alemanha, aos 89 minutos, tirou-se o Capel para meter o Carrillo. Golo sofrido aos 93. Com o Maribor, Paulo Oliveira no banco, opta-se por trocar Slimani por Montero aos 92. Golo sofrido aos 93. Em Coimbra, com menos 1 e a ganhar 0-1, opta-se por tirar um médio para por um central, perdendo o meio campo. Golo sofrido aos 92.
Se fosse situação virgem, como referido, não era preocupante. Assim… é por demais.