É de facto complicado definir a fronteira entre o alternativo e o não alternativo. Mas quanto ao exemplo que referiste, o facto é que ao longo dos anos, no Reino Unido muitas bandas com sonoridades mais alternativas chegaram aos top’s lá. Os britânicos têm bom gosto (na minha opinião). Mas de resto, as bandas que citei, excepto no Reino Unido, não é muito frequente andarem no topo dos tops (passe a expressão).
Quanto a ser alternativo, eu escolhi mediante a sonoridade, atitude e meios por onde as bandas se movem, não tanto pelas vendas de discos.
Em tempos, era vulgar falar-se em “música independente”, mais óbvia de definir, porque se referia essencialmente aos meios de produção da música. A música era “independente” quando produzida nas margens da “indústria musical”, das editoras “multinacionais”. Era corrente ouvir-se que fulano assinara por uma “multinacional”, já com a desconfiança de que se seguiriam concessões estéticas. Na verdade, a música também era “independente” porque se acreditava que as opções estéticas pertenciam exclusivamente aos músicos, sem interferência das pessoas que alimentam o negócio da música.
A categoria “música alternativa” julgo que é mais recente. Nos anos 90, depois do “Nevermind” dos Nirvana, as “multinacionais” apressaram-se a assinar com bandas independentes, especialmente de Seattle, à procura da “next big thing”. Melvins, Helmet ou Mudhoney são casos desses. De certo modo, essa categoria estará associada a isso: estas bandas que soavam a “música independente” já não o eram formalmente. Talvez o “alternativo” apareça, enfim, para incluí-las, não sei. Mas é, sem dúvida, ainda mais difícil de definir, até porque contém um juízo implícito sobre o que exclui dela, o “lixo comercial”.
Fico satisfeito ao ver que o pessoal anda a ouvir Sufjan Stevens e Richard Hawley muito bom mesmo. E já agora Antony & the Johnson’s? Alguém conhece? Fez vários duetos com a Björk no seu ultimo álbum. De resto The Strokes, The National, Interpol, Editors, Mew… Band of Horses alguém ouve? E senhoras… Feist, Cat Power, etc, etc.
Respondendo ao apelo do Paracelsus, vou então “individualizar” um pouco mais.
Para isso escolhi Nellie Mckay. Talvez pelo facto de ser a menos conhecida de entre os exemplos que tinha apontado, e porque é também talvez a artista musicalmente mais alienígena de entre esses mesmos exemplos.
Ela é uma jovem rapariga 25 anos, multi-facetada, que além de música, é actriz e comediante. Durante a adolescência era apontada como uma geniazinha e estudou música em algumas das melhores escolas e conservatórios americanos.
Em 2004, lançou o seu álbum de estreia. Chama-se “Get Away From Me” (o título é uma paródia ao “Come Away With Me” da Norah Jones) e é quanto a mim uma das maiores pérolas musicais do novo século. O álbum tem uma história muito curiosa, é que no contrato que ela assinou com a sua editora o seu álbum tinha um limite estipulado de canções (não eram muitas). Mas ela resolveu que tinha que ser um álbum duplo e durante algum tempo pressionava incessantemente a editora para ter um duplo álbum. Rezam as lendas que os seus métodos consistiram em enviar caras garrafas de vinho para os chefes, em convocar reuniões e fazer sessões de Powerpoint mostrando imagens de armas. A editora acabou por ceder à pressão mas ficou acordado que seria a Nellie Mckay a suportar todos os custos adicionais de produção e gravação do seu duplo álbum. Resultado: uma obra-prima.
Definindo o seu estilo diria que anda entre o vocal jazz, o rock, a pop, e a loucura. As letras são das melhores que por aí se vêem: sarcasmo, ironia, alguma poesia, fantástico sentido de métrica e musicalidade, jogos de palavras inqualificáveis… na minha opinião, falando de mulheres, é melhor letrista que conheço. Musicalmente, é ela e o piano, onde é notória uma grande relação de cumplicidade. Em estúdio, nos álbuns acrescenta-lhe guitarras, percussão e mais uns perlimpimpins de produção.
Deixo aqui alguns vídeos de canções desse seu primeiro álbum:
Conheço Antony, sim. Excelente. Cat Power não aprecio tanto, Feist sim. De dizer que a Feist com o seu último álbum (Reminder, 2007) fez uma incursão na Pop, entrou nos tops, e diga-se que em grande estilo, conseguiu fazer dois dos melhores singles/canções pop do ano passado: “My Man My Moon” e “1,2,3,4”.
Bem vamos lá, eu não queria escrever neste tópico, mas não há como fugir.
Das bandas aqui apresentadas, só simpatizo com Sigur Ros e Arcade Fire, as que ainda não conhecia (como os Hoover que o Celsus aqui deixou), estou a dar-lhes tempo de antena e à espera que entre, todo este tipo de música não é de ficar a gostar automaticamente.
Como o RMP, já foi “slammado” em relação aos Joy Division, Jesus and Mary Chain, The Smiths, etc, também não vou por aí, mas fico-me pelos 80´s
Dead can Dance e This Mortal Coil, para mim as duas vozes mais belas do planeta, nas pessoas de Lisa Gerrard e Elizabeth Frasier, respectivamente, não me perguntem porque oiço isto, ou sequer porque comecei a ouvir, simplesmente tinha uns 15 ou 16 anos quando o bichinho se instalou.
E claro Song to the Siren também por eles, uma cover do Tim Buckley (pai do falecido Jeff Buckley), que foi estupidamente comercializada por um perfume ^-^- Essa é a minha canção preferida de sempre, seja de que banda for, seja em que altura for, se tivesse que escolher uma e só uma, seria sempre Song to the Siren pelos This Mortal Coil.http://profile.imeem.com/4NLyMg-/music/MMiCC4QE/this_mortal_coil_song_to_the_siren/
Em relação a Dead can Dance, podia destacar umas quantas, mas é uma banda com uma obra tão vasta e tão grande qualidade que por vezes só faz sentido ouvindo os álbuns todos.
E já que vão andar pelo meu Imeem, aproveitem para surfar as diferentes playlists, está tudo organizadito.
Gostava de deixar a questão sobre o que é alternativo, porque dentro de cada rótulo há bandas alternativas, queria falar aqui de Walls of Jericho ou The Termals, mas ainda me dizem que não se insere, porque Metal Core, ou Grind Punk, mas dentro do género não deixa de ser alternativo.
Tal como uma banda de Death Metal chamada The Agonist que é o meu novo vicio, é alternativo na onda onde se move, mas não me parece que fossem concordar… :-X
Bom, alem dos já mencionados Joy Division e dos mais recentes Arcade Fire, Interpol e Editors, estes são os projectos que ando a ouvir dentro do Alternativo:
Pois, isso ainda tem a ver com a discussão aqui sobre os Smiths. Se é “alternativo” ou não.
É verdade que os Smiths tinham uma popularidade incrível em Inglaterra, onde os jornais musicais pensaram estar ali os novos Beatles (de que andam sempre órfãos). Só que o top inglês é um caso único no mundo. O “Meat is Murder” chegou lá ao primeiro lugar, mas nos EUA não entrou sequer no Top 100.
Já em Portugal - lembro-me bem - eram conhecidos apenas de meia-dúzia de gente. Ou seja, eram consumidos como alternativa à música ouvida na tv e nas rádios (onde, tirando o “Som da Frente” e a RUT, pelo menos em Lisboa, a música popular tocada nas rádios era exclusivamente “comercial”).
Vão-me matar com o que se segue, mas no dia em que os Beatles tivessem atingido metade da genialidade dos Smiths, eu talvez os considerasse uma banda de jeito, assim sendo, não passam de um dos maiores embustes da historia…
Nunca irei perceber o que há de especial nessa bandeca, mas pronto, isto sou eu, um gajo radical…
Bem, há que dar valor a homens que começam por pôr adolescentes patetas aos grititos com o “Love Me Do” e acabam a inspirar sociopatas do piorio com o “Helter Skelter”.
Isto é de dar valor, nestes tempos em que se ganha reputação com um ou dois discos, e depois se caminha para o conformismo.
PS - Sobre os Smiths, o queria dizer é que não tenho dúvidas de que foram “alternativos”.
A própria definição de alternativo daria pano para mangas. Paracelsus, um par de nomes que têm alguns anos:
Working Week, de Robert Wyatt, ex membro dos Soft Machine, (ingleses) ; experimentalismo melódico pré eletrónico, influenciou montes de coisas, desde Lamb a Goldfrapp;
Lounge Lizards, de John Lurie e Arto Lindsay, (americanos) rock-vanguarda, distorção máxima como textura, composições elaboradíssimas: Mr Bungle ou Melvins beberam dali.
Não posso deixar de acrescentar dois dos meus gurus: Captain Beefheart no rock, Sun Ra no jazz.
Já não me lembro quem é que elogiou Keith Moon: actualmente, a banda mais parecida com The Who que eu conheço chama-se Alabama Thunderpussy.
E Feist, depois da sua performance nos Grammys (Aretha Franklin “abriu” para ela, eh, eh, eh) convenceu-me. É ela, e não a Peyroux, a herdeira de Joni Mitchell.
Creio que o “problema” do Incy é conhecer mal a banda. Também não tinha grande opinião, gostava de algumas musicas mais comerciais mas a ideia principal que eu tinha deles era mesmo de Love Me Do. Então ouvi Sgt Peppers e tudo mudou.
Assinalados estão aqueles que ouço e que são de grande qualidade…principalmente The National e Editors.
Agora os fans de David Fonseca matem-me mas ao ouvir o cd “The Back Room” dos Editors fico sempre com a sensação que é neles que o David vai buscar toda a sua inspiração :think: (posso estar enganado mas parece)
Não sei se são bem alternativos ou não mas ouço: The Album Leaf, Alpha, Blur, The Dandy Warhols (grande som), The Gathering, Orangotang (banda portuguesa) e Pixies.
Só agora é que li o que escreveste, Paracelsus. Antigo/s? Ele editou discos durante boa parte da década de 80… Creio que te safas se fores a um p2p… (E experimenta Captain Beefheart & his magic band, a sério: foi por causa dele que palavrões como “alternativo” começaram a ser usados a propósito do rock)