João Matos




OBRIGADO POR TUDO CAMPEÃO. :clap:

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Obrigado Lenda João Matos! Espero que fique na estrutura.

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Fez este mais pelo nosso clube do que o Ronaldo e deu nome há academia Sporting.

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Sem nunca ter sido um fora de série, foi um exemplo pela atitude, compromisso, profissionalismo e liderança.

Deixa um legado incontornável e, como Sportinguista, só posso agradecer tudo o que deu pelo clube.

Se tivermos sorte, que tenha vontade de continuar a trabalhar nas modalidades e que alguém tenha a visão de potenciar essa eventual “vontade” que o Matos possa ter.

SL

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Obrigado!

Uma lenda do nosso clube!

Obrigado por tudo capitão! Uma lenda! A segunda instituição portuguesa mais titulada do futsal português a seguir ao Sporting Clube de Portugal! :green_heart:

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Obrigado por tudo, João, e por tanto. Uma lenda viva do nosso Clube. E não são tantas assim.

Que continues connosco seja em que função for, capitão!

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https://x.com/SportingCP/status/2073089391824896158?s=20

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“Dei muito de mim ao Sporting CP, mas o Clube deu-me tudo”

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Futsal

João Matos com uma grande entrevista de final da carreira

Mais de 20 anos depois a vestir a listada verde e branca, João Matos despede-se do Sporting Clube de Portugal e do futsal.

Homem de um só clube, decidiu pendurar as sapatilhas e terminar a carreira aos 39 anos, depois de mais de duas décadas ao mais alto nível. Para trás ficam mais de 800 jogos e mais de 40 títulos de Leão ao peito, que fazem dele o jogador que mais vezes vestiu a camisola do Sporting CP e o que mais troféus conquistou também.

Tornou-se Lenda do Clube por tudo o que fez e deu na quadra, assim como por ter personificado tão bem o lema do Sporting CP: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória fizeram sempre parte do percurso de João Matos.

Internacional por Portugal durante mais de 15 anos, diz também adeus como o jogador mais internacional de sempre com 213 jogos e quatro títulos, entre eles dois Campeonatos da Europa e um Mundial.

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting CP e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte dois, parte três e parte quatro da entrevista.

Depois de tantos anos, tantos jogos e tantas conquistas, decidiu terminar a carreira. Já lhe “caiu a ficha” sobre essa decisão?
Não, não caiu, não vai cair tão cedo e pior será quando os meus ex-companheiros começarem a pré-época e voltarem a jogar neste pavilhão [João Rocha]. Apesar de a decisão já estar na minha cabeça há algum tempo, vai ser uma experiência nova para mim, um novo desafio e uma grande mudança de vida. Por mais que esteja decidido, ainda que pudesse continuar a jogar porque o fim não se deve a condições físicas, foi o contexto que me levou a tomar esta decisão, vai ser difícil e vai demorar o seu tempo.

E sente que, apesar dos mais de 20 anos, passou tudo muito rápido?
Passou a voar. Queixamo-nos sempre de que as épocas são longas e cansativas, mas foram 24 e passaram muito rápido. É giro olhar para trás e ver que são mais de duas décadas, 20 anos enquanto sénior, e ter flashbacks de quando cheguei. Perdi algumas memórias do meio do caminho, mas estes últimos anos foram muito marcantes. Os últimos cinco anos voaram completamente. Foi um período extraordinário em termos de conquistas e agora dou por mim no fim da carreira.

Valeu tudo a pena?
Sem dúvida, acho que não há dúvida sobre isso, e isto que está aqui ao nosso lado [os troféus] demonstra bem que valeu a pena.

Viveu tudo e desfrutou destes troféus como queria?
Vivi tudo da maneira que vivo a vida. Este desporto dá-nos muitas competências e muitas valências, mas também nos dá uma coisa que é a acção-reacção. Perdi a bola, tenho de a recuperar a seguir, por exemplo. Essa consciência e toda esta rapidez foram-se acumulando na minha cabeça: ligar e desligar constantemente. Por isso, da mesma forma que quando perdia estava focado no que se seguia, quando vencia era igual. Se é correcto ou não, se desfruto muito ou pouco, desfrutei à minha maneira e na minha forma de ser e de estar no desporto. Sem excessos, sem loucuras, muitas vezes ciente de que podia festejar mais, mas também não se pode, por exemplo, ganhar uma Champions e festejar muito porque dois dias depois já se está a treinar e podes não ganhar a competição que se segue. O único título que nos permite desfrutar por mais algum tempo é o campeonato porque entramos em período de férias. Por isso, acho que esta rotina virou mentalidade. Por um lado, ajudou a que nas derrotas não me fosse abaixo, mas, por outro lado, se calhar fez-me não desfrutar tanto como os meus colegas.

Ainda assim, viveu tudo intensamente. O trabalho e a dedicação dentro e fora de campo…
Sim, fui sempre assim e, por isso, agora preciso de desligar. A minha cabeça está cansada, estou a mil e essas rotinas diárias, mesmo não estando a treinar, deixam-me acelerado. Nesta modalidade, e no desporto em geral, vivemos as coisas com muita intensidade. São treinos, são estágios, são viagens e temos de conjugar tudo isto com o nosso lado pessoal. Isso, por vezes, é muito cansativo e muito exigente. Por aí, e acho que cada vez há mais essa noção, a vida de um desportista não é um mar de rosas.

E não se arrepende do tanto que perdeu no lado pessoal para ganhar tanto no lado profissional?
Nada, de todo. E mesmo que não tivesse ganho mais de 40 títulos, não me iria arrepender, porque esta vida não se faz só de títulos, faz-se de pessoas, momentos e emoções — a adrenalina, o frio na barriga, o nervosismo. E, neste momento, vejo vídeos de vários momentos que vivi e sei que já não vou viver nada disso de novo. Já não vou ter aquela adrenalina, aquele festejo, não vou gritar com o meu colega porque não está a correr para a direita, não vou estar a dar indicações aos gritos ou não vou estar no banco a puxar por um dos meus colegas. Neste momento é olhar para trás e pensar que não vou ter este tipo de emoções, mas vou ter de ter outras e de ir buscá-las a algum lado.

E estar aqui, no Pavilhão João Rocha, pela última vez como jogador do Sporting CP é estranho? Foi a sua casa em nove das mais de 20 épocas na equipa principal.
Hoje ainda não é estranho, só depois de desligar. Há poucos dias ainda estava, não neste, mas num pavilhão com adeptos e com a equipa a competir. Por isso, ainda é muito cedo para ter essa sensação. Acho que é normal, depois de tantos anos desta rotina, ainda ser difícil perceber o que é que vou sentir. Falo com muitos ex-jogadores, porque o meu círculo de amigos do futsal são praticamente todos antigos jogadores, e todos dizem o mesmo: por mais que te prepares, não estás preparado. Eu ainda não sei isso, mas vou sentir na pele e vou precisar de sentir isso. Vou e quero, porque é sinal de que me entreguei e que valeu a pena.

Vai ter muitas saudades, não vai?
Claro, e vou sentir falta de entrar na quadra e ouvir a Marcha, de sentir o calor dos adeptos e de sentir toda aquela intensidade do balneário. Vai custar-me muito e, por isso, é que o meu último jogo no João Rocha foi, provavelmente, um dos jogos mais difíceis da minha vida. Foi difícil conciliar o lado emocional com o que tinha de fazer. Foi uma loucura. Vou ter muitas saudades.

E porque é que, desde há muitos anos, tinha a vontade de terminar a carreira no Sporting CP e acabar, assim, por só representar um clube?
Não me via a jogar noutro clube. Foram muitos anos aqui – porque acreditaram em mim, porque fui sendo uma mais-valia e porque batalhei para ir ficando; nada me foi oferecido, e ainda bem – e, além disso, é o clube do meu coração. Isso ajuda a pesar as coisas, mas também não me via a jogar num rival. Tendo em conta o meu sentimento, principalmente nos últimos meses, não me via a treinar, a continuar a viajar, a estar longe da família e a ter de vir jogar ao João Rocha contra o Sporting CP. Seria um desafio muito interessante para mim, certamente, mas não fazia sentido. Dei muito de mim ao Sporting CP, mas o Sporting CP deu-me tudo e só fazia sentido ser assim, e sempre expressei isso. Neste momento, se houvesse necessidade pura e o desejo de continuar a jogar, se calhar voltava atrás com essas palavras — e tive propostas para continuar a jogar —, mas a mim não me fazia sentido deixar esta casa e ir para outro lado fazer o que fazia aqui.

No vídeo de despedida disse que “quando se joga com amor, quando se joga com alma, não existe outro lugar”. O seu lugar sempre foi Alvalade/Pavilhão João Rocha?
Sempre. E por muito casmurro que eu seja, e que reclame muitas vezes — porque sou assim, sou torto e tenho essa consciência —, esta é a minha casa, sem dúvida alguma, e acho que as pessoas sentem isso. Acho que é visível. Não digo que não fosse lutador, batalhador, noutro clube, porque é da minha forma de estar, mas também nunca escondi o verdadeiro amor que eu e toda a família Matos temos ao Sporting CP. Além disso, eu vivi aqui uma vida inteira – treinei nos antigos pavilhões, joguei na Nave, passei por Odivelas e pelo Paz e Amizade [Loures] – e sou muito grato por tudo.

Leia a parte dois, parte três e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

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“Fora do Sporting CP não teria mais de 40 títulos”

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Futsal

Parte dois da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte três e parte quatro da entrevista.

Esteve, basicamente, em todo o processo de crescimento do futsal do Sporting CP. Acha que teria sido possível construir a carreira que construiu, e vencer o que venceu, noutro clube que não este?
Não. Seria impossível até porque não conquistei nada disto sozinho. Foram as pessoas que acrescentaram valor ao Sporting CP que permitiram que isto acontecesse. Não foi uma questão de acaso ou de sorte, nem apenas do trabalho do João Matos, ainda que tenha dado a minha contribuição porque todos demos. Isto foi tudo graças ao Clube, às infra-estruturas, às pessoas credenciadas e com capacidade de trabalho, aos jogadores de muita qualidade que foram passando por aqui e ao staff que foi acrescentando valor. Passei por muitos ciclos, muita coisa e, de facto, acompanhei a evolução do clube em muita coisa e, certamente, fora do Sporting CP não teria mais de 40 títulos.

E acha que o facto de ter jogado só aqui, ter mantido os valores e ter conquistado tanto, faz com que seja respeitado não só pelos Sportinguistas, mas pelos adeptos em geral?
Acho que como em tudo, ou quase tudo, na vida se não houvesse 40 títulos, não seria assim, mas acredito que a lealdade, o compromisso, a dedicação e o esforço construam um legado. E agora, mais aos poucos, estou a perceber que sou um jogador consensual.

“Saber que fui um bom desportista é algo que fica da minha carreira e é tão bom como um troféu”

E é importante para si ter esse reconhecimento de adeptos do Sporting CP e rivais, jogadores, jornalistas e pessoas ligadas ao futsal, mas não só?
É uma boa questão… é bom sentirmos isso, é bom olharmos para trás e percebermos que fomos pessoas com valores e pessoas educadas — umas vezes mais do que outras. Tenho noção de que quando era mais jovem tive os meus devaneios e que nem sempre fui correcto, mas a maturidade e a experiência vieram acrescentar outros valores. Mas, sim, é bom saber que olham para mim e que me abordam como um bom homem do desporto, com bons valores, educado e que respeita tudo e todos. Saber que fui um bom desportista é algo que fica da minha carreira e é tão bom como um troféu.

Foram os seus valores e o “ser como um Leão” dentro de campo que o fizeram sobressair, em comparação com jogadores mais vistosos?
Foi uma das coisas, certamente que sim. Ter consciência das nossas limitações é sempre um passo muito importante para crescermos. Eu tinha consciência do que tinha de melhorar e de que tinha de fazer valer as minhas valências para ajudar sempre a equipa. Acho que isso, o pôr sempre o colectivo em primeiro lugar, é que me fez vingar durante muitos anos e estar estes anos todos no alto rendimento. Isto é um desporto colectivo. Quando estava em campo era 20 por cento do rendimento da equipa, mas quando estava fora também tinha a minha percentagem de ajuda. Sabia que nunca ganharia nada sozinho e, por mais que diariamente tentasse superar o colega da minha posição, no final dava-lhe a mão para jogar tanto ou mais do que eu porque, se ele tivesse um rendimento melhor do que o meu, o Sporting CP ganhava e eu também ganhava mais um título.

E essa forma de ver a competição nasceu consigo ou foi algo que se foi desenvolvendo ao longo dos anos e, sobretudo, quando assumiu a braçadeira de capitão?
Creio que isto veio de casa e da educação que tive. Sou de uma família humilde e de desportistas, que me passou estes valores. Eu na formação do Sporting CP, e mesmo no Carnaxide, antes de vir para cá, já era assim. Na altura, tinha características diferentes e evidenciava-me mais do que os outros, mas sempre fui um jogador de equipa porque acho que só faz sentido assim. E isto vale para a vida também. Acho que devemos dar a mão ao outro, ajudá-lo a crescer e a ser melhor. Eu acho que sou assim, tenho essa essência, no desporto como na vida, e acho que isto de olhar pelos outros, ajudá-los e querer fazê-los ser melhores, forma equipas fantásticas e faz com que as equipas cresçam em termos de rendimento, em termos de ligação emocional e isso, se calhar, ajuda a conquistar títulos.

“Eu e o Nuno Dias casámos muito bem”

Foi também por isso, e por ter o poder de dizer as coisas certas no momento certo, que se tornou capitão nas equipas de formação do Sporting CP, na equipa principal e na Selecção?
Por acaso, não sou muito de palavras, sou mais observador, mas acho que as palavras certas têm de ser ditas na hora certa e no contexto certo porque quando se fala muito a mensagem não tem tanto impacto. Há mensagens que têm de ser impactantes, seja para causar efeito imediato, seja para motivar ou o que for, e há palavras que também têm de ser pensadas, assim como ditas no momento certo. Isso não nasceu comigo, fui crescendo e evoluindo nesse campo porque tive professores extraordinários.

Ao longo dos últimos anos, foi a extensão do Nuno Dias dentro de campo e a carreira dos dois está intimamente ligada. Acha que a chegada dele acabou por ser um momento fracturante na história do futsal Leonino e português?
Claro, não é por acaso que o Sporting CP é considerado a equipa da década nos anos em que ele está no Sporting CP. Eu e o Nuno casámos bem. Fui uma extensão dele dentro de campo, houve momentos em que pensámos de forma idêntica e outros em que não, mas sempre nos completámos com a mesma mensagem dita de formas diferentes e acho que isso ajudou muito a termos sucesso.

De que forma é que a liderança dele deu espaço à sua, enquanto capitão, ao longo de todos estes anos?
Nunca houve barreiras, nem entraves. O Nuno chegou ao Sporting CP com um método de treino e de jogo totalmente diferentes daquilo a que nós estávamos habituados. Mudou completamente a forma de treinarmos e de jogarmos e eu tive de me adaptar a essa realidade. Isso foi difícil, foi um excelente desafio para mim, que vinha de outro tipo de rotinas, mas o Nuno também teve de se adaptar àquilo que era a minha forma de estar e acho que, como disse, casámos perfeitamente. O Nuno veio trazer outro tipo de liderança, com muita ambição, com muita rigidez e com muito perfeccionismo, mas nunca chegou ao pé de mim e disse “não faças isto, faz assim” ou “preciso de ti assim, não quero que estejas neste registo”. Da mesma forma que eu nunca cheguei ao pé do Nuno e disse “não podes falar assim com determinada pessoa” ou “não podes ter este tipo de comportamento”. Isso nunca aconteceu porque as ideias casavam.

As duas lideranças entendiam-se e respeitavam-se…
Exactamente. Eram lideranças diferentes, mas entendiam-se e respeitavam-se porque tínhamos em comum o desejo de que a equipa crescesse e a mesma vontade de ganhar.

Leia a parte um, parte três e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

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“Antes era difícil chegar à equipa principal, eu fui um dos felizardos”

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Futsal

Parte três da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte dois e parte quatro da entrevista.

Em termos de treinadores acabou por só ter três no Sporting CP, mas passou por várias gerações de jogadores. Mudou muita coisa dentro do balneário desde a primeira equipa até à última?
Mudou muita coisa, o que é normal, e coube-me a mim adaptar-me a essa evolução constante, que não se vive só no balneário, mas também no resto da vida. Felizmente, adaptei-me sempre muito bem e sempre tivemos excelentes balneários. Como falámos anteriormente, e como costumo dizer, acompanhei as evoluções em tudo. Há uns 18 anos, no Sporting CP, qualquer pessoa que estivesse aqui, se quisesse treinar com a equipa de futsal, treinava. Chegava ao Multidesportivo, pedia para subir, dizia que podia treinar à terça e à quarta-feira e treinava, enquanto hoje somos mega profissionais, temos analistas, somos observados em tudo, temos de responder a questionários, tomamos suplementos. É tudo diferente e, também por isso, a própria forma de estar no balneário é diferente. Com a dita velha guarda, que eu tenho no coração para a vida toda, tive momentos extra futsal que me marcaram para sempre. Também passávamos mais tempo juntos. Agora não, não só pela minha idade ser muito diferente da de muitos dos que cá estão, mas também porque dou mais privilégio à família, sou pai e tenho mais obrigações, ou porque hoje a modalidade é mais profissional.

E agora o vosso mediatismo também é muito maior, não é?
Sim, é tudo maior. Toda a nossa exposição é muito maior e requer outros cuidados, temos de ser sinceros. É a verdade e a realidade, mas as coisas são como são e cabe-nos a nós adaptarmo-nos e criarmos ligações em todas essas diferenças e evoluções que vão acontecendo.

“Temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP”

Uma coisa que também mudou, para lá do que já falámos, foi o peso da formação na equipa principal do Sporting CP…
Sim, o Sporting CP tem feito um excelente trabalho e, na minha opinião, o futuro está salvaguardado por muitos anos. Antes era diferente. Eu, basicamente, durante 15 anos de sénior fui o único jogador que transitou da formação para a equipa principal e se manteve. O Gonçalo fez a formação, mas esteve emprestado; o Varela, o André Galvão, o Erick, o Neves ou o Diogo também, mas depois veio um trabalho da estrutura, pensado e organizado, e, felizmente, já mais jogadores fizeram essa transição, afirmaram-se e mantiveram-se. Isso, para mim, é muito bonito de se ver e é incrível, mas também dá para perceber o quão difícil era, lá atrás, chegar ao plantel sénior e afirmar-se. Eu fui um desses felizardos. Mas, actualmente, temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP e temos uma Champions conquistada com muitos jogadores formados no Sporting CP. Além disso, continua a haver muito talento e muito potencial na nossa formação, que, eu espero, possa acrescentar valor e dar continuidade a isto. Quem sabe um dia o Sporting CP não possa ter um plantel com 12 ou 14 jogadores da formação.

E acredita que alguns deles também serão capazes de transmitir tão bem os valores do Sporting CP, como fez o João Matos?
Sim, não tenho dúvidas disso. Esta geração [irmãos Paçó, Zicky Té, Diogo…] sente muito o Sporting CP. Às vezes também é preciso pô-los com os pés na terra, porque sentem em demasia o Sporting CP e isso nem sempre é benéfico, e eles sabem disso. Já não são jovens, têm mais de 25 anos e isso no desporto já não é ser jovem, mas eu não consigo olhar para o Zicky, o Diogo ou os Paçós como não sendo jovens (risos). São jovens com maturidade, conhecimento e experiência. São extraordinários, são, realmente, extraordinários e não há dúvida nenhuma disso, mas, como todos nós, têm de continuar a crescer. Eles sabem disso, sabem que não podem estagnar, mas também têm consciência de que, de uma forma diferente, porque cada um é como é, conseguem passar os valores do Sporting CP. São jovens que têm qualidade, que já venceram muitos títulos e já venceram Ligas dos Campeões.

Leia a parte um, parte dois e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

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“Já sinto saudades…”

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Futsal

Parte quatro da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte dois e parte três da entrevista.

Despede-se com três Ligas dos Campeões, 12 Campeonatos Nacionais, 10 Taças de Portugal, entre tantos outros troféus. A primeira Champions foi o título mais importante?
Sim, no Sporting CP, sim, mas também fui Campeão do Mundo com a Selecção. E, com todo o respeito aos Sportinguistas, e acho que percebem, o Mundial sobrepõe-se a uma Liga dos Campeões. Mas a primeira que conquistámos foi, sim, o título mais importante porque foi, sem dúvida, um ponto de viragem. Foi a bola bater no poste e entrar depois de muitos anos a tentar, foi investimento, foram jogadores, foram derrotas duríssimas em finais, foi tudo e mais alguma coisa. Essa conquista galvanizou-nos e impulsionou-nos para termos ainda mais fome, e aquilo que conseguimos fazer foi extraordinário: vencemo-la e demos continuidade a isso ao mais alto nível. E, por isso, é que a minha carreira virou completamente do avesso com títulos internacionais em seis/sete anos.

Ganhou no Sporting CP e ganhou na Selceção, com a companhia de muitos jogadores do Clube também. Sente que as conquistas no Sporting CP, esse vício e hábito de ganhar, ajudaram a Selecção?
Tudo o que eu fiz no Sporting CP ajudou a Selecção. É no clube que se aprende, que se ganha essa fome e essa ambição, porque o trabalho diário é feito aqui. A Selecção bebe depois aquilo que se faz nos clubes. E, claro, ajudou muito, certamente. Há sete anos não tinha nenhuma Champions, agora tenho três. Estive uma década e meia sem ganhar uma e, de repente, tenho três. Jamais pensava que isto iria ser possível. Sem dúvida que desbloquear essa página nos deu fome de conquista, e essa fome de conquista, também pelos jovens que foram aparecendo no Sporting CP — com uma mentalidade diferente da minha, mais ambiciosa, mais louca e mais intensa —, ajudou a Selecção.

Começou este percurso a vencer e terminou a vencer, ainda que não tenha conquistado um último Campeonato Nacional. Quão importante é para si que tenha sido assim? O adeus com mais uma Champions na mão…
Acabar a carreira com a conquista de mais uma Liga dos Campeões é de sonho, claro. Mas, e permitam-me dizer isto, esta prova devia jogar-se no final da época, como acontece no futebol. Com todo o respeito pelo nosso campeonato, ganha-se uma Champions, é-se o melhor clube da Europa ao ganhar a competição mais importante de clubes, e dois dias depois já se está a preparar um jogo de play-off do campeonato. É cruel, não se faz a um atleta e não se faz a uma estrutura que acaba de tocar o céu. Acima de tudo, não é justo porque não nos permite desfrutar essa conquista na plenitude. Mas, claro, terminar a carreira com esta conquista foi muito bom. No campeonato, infelizmente, o desfecho não foi como queríamos e como esta equipa e este plantel mereciam. E, para mim, ainda há a mágoa de não ter conseguido jogar a negra por lesão, tal como no ano passado.

Disse, no decorrer desta entrevista, que o Sporting CP lhe deu tudo na vida. Por isso, o que leva neste seu último dia no Clube?
Levo um misto de emoções muito grande e que ainda é muito difícil de processar e de digerir, mas já sinto saudades. Levo um enorme sentimento de orgulho, uma carreira inacreditável, pessoas, momentos e memórias. Por isso é que ainda me é muito difícil conseguir explicar aquilo que sinto neste momento e que vou sentir no futuro. Acima de tudo, prefiro falar do que de bom fica e não da tristeza de não continuar a representar o Sporting CP.

E, agora repassando tudo o que aqui viveu nestes mais de 20 anos, há algum momento mais marcante que lhe venha logo à cabeça?
Há vários, mas o levantar a primeira Liga dos Campeões aqui no João Rocha é algo impossível de esquecer. Acho que foi o meu momento mais feliz no Sporting CP. Essa conquista foi mesmo especial por tudo. Como já disse, por ser a primeira, pelos festejos, pela loucura da equipa e dos adeptos…

E o momento mais triste qual foi?
Provavelmente a Liga dos Campeões que disputámos no MEO Arena. Foi muito difícil não conseguirmos conquistar o troféu diante dos nossos adeptos, mas as condições que tínhamos na altura, o plantel, o momento, o contexto e quem defrontámos [FC Barcelona] se calhar conseguem minimizar essa tristeza. O que sempre foi, de facto, muito triste para mim foi não poder ajudar a equipa devido a lesão, principalmente nestes últimos dois anos.

“Ficar na história? Não tenho essa noção”

Para terminar, e porque o seu legado é impossível de apagar, tem noção de que fica na história do Sporting CP?
Não tenho essa noção porque acho que, apesar de saber os números, não tenho bem noção do que fiz e do que conquistei. Os números e os títulos dizem que estive presente, que trabalhei e que fiz muito pelo Sporting CP, por isso ficarei na história por ter ajudado o clube a conquistar estes títulos todos, mas não tenho bem noção do que deixo individualmente.

E como é que acha que, no futuro, vai ser recordado pelos Sportinguistas?
Muito sinceramente, acho que daqui a dez anos já ninguém se vai lembrar de mim porque o desporto, nestas coisas, é muito ingrato. Claro que fiz muito, e quem faz muito é sempre lembrado, mas não quero criar nenhuma expectativa porque a realidade me diz que muito depressa caímos no esquecimento. Já foi assim com outros.

Isso é a humildade a falar ou, de facto, não sabe a dimensão da grandeza que tem e do que fez?
Se calhar não. Sei a forma como sou visto e reconhecido pelo Mundo fora no futsal, mas não tenho essa noção. Acho que essa janela se vai abrir agora e tenho de esperar para ver.

Leia a parte um, parte dois e parte três da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

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Será possível que não fica?

Deve precisar de uma pausa. Mas claro que tem ter lugar no clube.

É impossível não ficar emocionado. Muito difícil não verter umas lágrimas.
GRATO POR TUDO, eterno Capitão!
Lenda do nosso grande amor. Orgulho leonino.
:green_heart:

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Acho que não conheço Futsal sem João Matos.

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Se na época 26/27 não integrar a nossa estrutura ou equipa técnica é uma vergonha! Tenho um feeling que vai acabar por ingressar na federação, eventualmente na equipa técnica nacional

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