Hip-hop/Rap e derivados

Onde no som “Clima” é que o Dillaz dá a mínima dica que a alinea foi roubada pelo Piruka? :rotfl:

Que eu saiba ele logo a seguir a falar no roubo da alinea fala do Zambujeiro.

Já vi pessoas que diziam que jamais me roubariam
Quando eu fui ler o meu texto faltava uma alínea

Já vi meio quilo de galinhas marroquinas
Onde a bófia procurou e só viu porcos da Índia
Sufocado pelo próprio cordão
Criado no meu lindo Zambujeiro

Quem é que é do Zambujeiro?..

Ou não sabes peva do que estás a falar ou estás a tentar fazer os outros passarem por parvos. Essa interpretação do Clima também está gira (o que raio é que os primeiros 4 versos têm a ver com os 2 últimos??).

Acho todos estes beefs ridículos. Dito isto, deu para perceber quem é que tem bom flow, métrica e vocabulário e quem se repete e manda rimas confrangedoras (se calhar não foram só 1 no meio de 3, aliás…).

Se pegarem neste som do Sam são capazes de encontrar dicas para rappers de agora.
Sam sempre à frente.

Que é suposto esse vídeo querer dizer ? Que o sam está a dar uma entrevista ao afilhado do seu grande amigo regula?

E repara que ainda que dizes que a minha interpretação do clima é estupida, mas eu baseei me na letra, tu em suposições.

Pelo contrário rapaz, eu não só não me baseei em suposições como não sugeri destinatário nenhum nem para a letra do Dillaz nem para a do STK. Quem anda a tentar tirar nabos da púcara com uma bola de cristal mas sem grande jeito para o fazer és tu. Só que para esse peditório não dou até porque não vim aqui defender ninguém.

Só acho estranho um tipo no meio de um beef fazer duas canções em que os dois refrães são expropriados às duas músicas a que está a responder. Mas isso cada um sabe o que faz e cada um é livre de lhe dar o valor que quiser.

Podes achar mais ou menos puxada, mas a verdade é que está lá escrito, e conhecendo o trabalho do Dillaz como conheço, tenho a certeza que não foi por acaso.

Agora se tenho a certeza que aquilo é para eles ? Óbvio que não. Agora para o piruka ? Não há a mínima coisa na música do Clima que leve a entender que é para o Piruka. E por aqui me fico.

[member=24344]Vylela :mrgreen: #RickRuben

Eu (também) não aprecio a nova métrica do Eminem - a amplitude das suas notas vocais desceu consideravelmente, o que tornou aquele agudo enraivecido|provocador que o caracterizava numa raridade* - mas o brinquedo que é o seu dicionário mental continua a ter momentos de genialidade: “[font=arial]This love triangle left us in a wreck, tangled[/font]”. Eu ainda não ouvi o álbum todo mas das duas que já ouvi aprecio a honestidade do Walk on Water. Há um desejo tão grande de ver novos projectos de Eminem que quando surgem dá-se, em mim, um efeito Woody Allen. A genialiade, o toque criativo já não está tão aflorado mas aqui-ali vê-se o porquê e isso .. chega. Das suas últimas produções, aprecio o “Not Affraid”, “No Love”, “Survival”, “25 to Lyfe”, “Rap God”. E há outras.

*
Veja-se a partir dos 02:07 até 02:17.
https://www.youtube.com/watch?v=3BXDsVD6O10

#LOVELY

Fabuloso ano para o Kendrick, grande disco, grandes singles, grandes videoclips. E ainda apareceu muito bem em malhas de outros (na Power da Rapsody, nesta última do Jeezy com o J Cole, etc etc).

Quanto ao Em, os beats são aterradores. Nem dá para apreciar o que quer que seja da métrica dele quando há anos que ficou parado em 2000 em termos de beats (tirando algumas boas excepções de temas). Depois, tem um problema há anos e anos que é tentar agradar a tudo e todos o que lhe tira identidade. Ele próprio assumiu agora numa entrevista que tentou dar um bocado aos fãs do Eminem mais cru/maluco e um bocado aos fãs do Eminem mais maduro. Isso não lhe permite ter um fio condutor no discurso e nas ideias, torna-se demasiado contraditório. Aliás, numa destas entrevistas disse uma coisa engraçada, que é se lhe aparecer um nome de uma celebridade ou do que quer que seja que encaixe na rima vai usar no matter what. Mas isto é uma arte que exige que as rimas sejam mais do que meros jogos de palavras, tem que se pensar sobre o que se quer realmente dizer (se é que se tem realmente alguma coisa importante para dizer ao mundo).

Acrescentava só a colaboração com a SZA e o Vince Staples :mais:

Muita emoção, grande métrica e uma mensagem muito poderosa. Melhor que a original.

“I heard Eminem’s booty is getting raw
What’s he fucking for?
Y’all can take that nigga right back
He cant pipe no more”

Pull your fucking pants down nigga

Foi um bom ano e um bom álbum, mas dai a fabuloso… Ouvir GKMC é uma experiência e dá umas sensações que DAMN fica muito longe de conseguir, falta-lhe a meu ver coerência e um fio condutor na temática. E houve tracks a que tive uma aversão quase instantânea, como esta Love e Loyalty, parecem-me ter sido tentativas de meter umas faixas no mainstream (algo que já tinha feito com Bitch Don’t Kill My Vibe, Swimming Pools, Poetic Justice) com um som que não é o dele (contrariamente a estás três que referi).

Uma faixa a que volto muito regularmente é Lust, de longe a minha preferida em DAMN

Dizer que o Piruka saiu por cima neste beef com o 9 e com o Holly … :lol:

Gosto de alguns sons do Piruka, gosto dos sons do Holly, só não aprecio muito o 9, por isso estou à vontade para falar. Não estava mesmo nada à espera desta resposta do Piruka, até porque o próprio tinha dito “quem responde ao pai não responde aos filhos” (não foram bem estas palavras, mas foi algo do género) e acabou por fazê-lo.

Acho que esta resposta está fraquinha, ainda mais que a Certidão de Óbito.

Se formos a ver tudo o que saiu desde o “Filho da Guida”, parece-me bem claro ver quem é que saiu por cima, mas pronto. Cada um com a sua opinião.

Por acaso discordo em absoluto, acho muito interessante que o Kendrick se espraie por várias sonoridades e gosto dessas duas, acho que o álbum consegue ter uma grande diversidade e variedade de estilos sem perder uma linha central que não vejo por exemplo no Revival.

Gosto muito do GKMC e do Butterfly mas também gosto muito deste, sendo três discos com abordagens muito diferentes provam (para mim) que ele tem tido uma carreira excepcional, reinventando-se e surpreendendo sem perder a qualidade. Três clássicos futuros for sure.

Da malta a emergir com força nestes últimos anos acho que só o J. Cole (num estilo totalmente diferente) se aproxima, com os últimos dois discos dele (Forest e 4 Your Eyez) a serem para mim também eles futuros clássicos.

É interessante que quer no caso de um quer do outro parece-me haver cada vez mais uma importância dada à ideia de álbum em vez de colecção de singles, que se calhar está-se a tornar rara. A ideia de investir tanto em cada disco e de fazer álbuns com princípio, meio e fim é algo que me parece claro na vontade dos dois e a que me parece que dão mesmo muita, muita importância.

:venia: :venia: :venia:

:mrgreen:

Tenho de vir aqui depois de ouvir a última música do álbum do Eminem: Arose.

[member=22933]GonçaloC por mais que o Eminem utilize palavras de famoso aleatoriamente, acusá-lo de não saber e|ou ter temas relevantes de discurso é não ter prestado atenção ao conteúdo genuíno|cru|autêntico|verdadeiro de tudo aquilo que ele escreveu nas inúmeras músicas que orquestrou neste álbum. Eu até diria que em termos de conteúdo lírico continuam a existir poucos que se preocupam em colocar a sua vida tão exposta musicalmente. É, ainda assim, o álbum que menos me agradou desde a sua reabilitação (?) por ter alterado a métrica do seu rap, colocou demasiadas pausas entre palavras, desacelerou determinadas sílabas algo inexplicavelmente e os beats, de facto, não conseguem extrair uma atmosfera sonora digna de louvor.

Dito isto, se a sua última música - em álbum! - for mesmo o Arose*, é embrulhar uma carreira|legado com chave de ouro. É este o seu registo predilecto. É uma música que reúne todos os ingredientes que o caracterizam. É uma música de coração. É uma música de história. É uma música de verdade. É uma música de carinho. É uma música de honestidade. É uma música de Em. Obrigado. GOAT.

*
https://www.youtube.com/watch?v=EXXEVQJECOg

Barbosa, eu não disse que ele não tinha “temas relevantes de discurso” (seja lá o que isso for). Disse que não tinha (e não tem) um discurso estruturado e definido sobre o que o rodeia, com princípio, meio e fim. Não há fio condutor nas ideias (é capaz de dizer tudo e o seu contrário desde que isso lhe permita eficácia nas rimas e jogos de palavras, onde é exímio). E cada um julga isso como quiser.

É curioso que sejam tipos mais novos e nascidos noutra era - como o Kendrick e o J. Cole - que valorizem tanto, nesta fase, o conceito de disco e a ideia de construírem um discurso lógico e sem excessivos paradoxos. Já o Eminem, como assumiu ainda agora numa entrevista à Vulture, tenta dar um bocadinho de cada coisa para agradar ao máximo de fãs possíveis. Pensar no que os fãs querem ouvir e responder a partir daí não me parece grande ideia para mote de criação de uma obra artística. Ele fala muito na “diversidade” do novo disco, em ser um álbum muito diverso. Eu acho que sonicamente a coisa pode ser diversa, mesmo líricamente pode abordar vários temas, mas tem de ter um fio condutor e não se pode contradizer a toda a hora. Há rimas embaraçosas para um artista que já não é adolescente nem tem um público adolescente. No caso dele, sonicamente há diversidade mas é mau quase do início ao fim (que raio de beats, nem em 2000 eram bons, agora então…) e liricamente a coisa é pobre.

Já agora o pensamento dele sobre o Trump diz muito do que ele é como pessoa e rapper. Diz que no início até achava que podia ser bom porque era um bom empresário e homem de negócios, agora odeia-o. Há aqui algo de leviano e pueril na forma como pensa a vida dele e o mundo, nota-se sobretudo que não há um pensamento estruturado sobre as coisas que depois leva a oscilações brutais. Já o Nani Moretti (?) dizia, “as palavras são importantes”, brincar com elas e às rimas é giro mas não é para os verdadeiros artistas, esses brincam com elas mas sabem exactamente o que querem transmitir de único e não têm de se envergonhar com aquilo que dizem só para pôr vocábulos a rimar (e na história do Eminem há disso aos pontapés…).

Há músicas aqui que pura e simplesmente não podem estar, líricamente, no mesmo disco que uma Walk on Water. É ridículo porque parece de duas pessoas diferentes, de um tipo inteligente, maduro e com perspicácia a observar o que o rodeia e de um rapaz pequeno que rima tudo o que lhe vem à cabeça. Já foi tempo disso e foi uma pedrada no charco quando apareceu mas, convenhamos, se ele não é consensual ao contrário de outros deve precisamente a alguma imaturidade na escrita. Fica difícil levá-lo a sério quando ele próprio não se leva a sério, diz que rima o que lhe vem à cabeça - na tal entrevista - e que não podem tomar tudo o que diz à letra, que às vezes é só para “brincar” (e não, o número de vendas não torna isso obrigatório, caso contrário teríamos de considerar os Ed Sheerans desta vida artistas intemporais e revolucionários, definidores das mudanças da música).

[member=22933]GonçaloC em relação ao álbum em questão estamos de acordo - em quase todos os argumentos - não há que negar, até pela qualidade dos anteriores pré-reabilitação (?), que estamos na presença de um produto algo emaranhado numa enorme dispersão de temas, de ritmos, de estilos, de abordagens silábicas em 19 músicas cujo verdadeiro conteúdo, em inúmeras delas, é mesmo o significado das suas letras e a genuinidade do que retratam. É um álbum que liricamente não é oco, foi simplesmente bastante mal concebido. Há aqui músicas que mereciam outro cuidado, em “Like Home” ele produz, na escrita isto* - um texto estupidamente poderoso - e entrega, oralmente, com um beat terrível, uma métrica incompreensível e o impacto da letra|mensagem foi-se. Tu tens também o “Bad Husband” que em termos de texto nem sei se não é a melhor numa confissão pessoal que não se vê nenhum rapper ter a coragem de abordar.

*
Our spirit’s crushed, and this spot’s a tight one
But here the jaws of life come
To pull us from the wreckage, that’s what we get pride from
When we can’t wear stars and stripes 'cause
This type of pickle that we’re in is hard to deal
But there’s always tomorrow still
If we start from scratch like a scab, get the scars to heal
And band together for Charlottesville
And for Heather, fallen heroes, fill this wall with murals
Nevada get up, hit the damn resetter
Let’s start from zero, this is our renewal
Spray tan, get rid of, get a brand new, better
America, and here’s to where it all

E até mesmo a imaturidade que não se compreende aos 40 anos (?) é compreensível que se utilize como crítica, mas se a sua imaturidade não o permitiu consenso ao longo da sua carreira, questiono que “maturidade” canções de armas|mulheres|droga apresentam quando a generalidade dos grandes nomes do hip-hop as têm aos montes? É a essência do próprio Slim Shady, aliás, a personagem Slim Shady é quiçá o imaturo mais sábio que se recorda, até porque o Em utilizava esse disfarce algo “palerma”|“infantil” para bagunçar temas sociais criticáveis. Ele sempre foi uma voz critica em tom sério, como “White America”|“Like Toy Soldiers” como em tom brincalhão “The Real Slim Shady”|“Without Me”. Eu sinceramente acho que o problema do álbum é o emaranhado que referes e não propriamente a escrita imatura. Não consigo é concordar com isto “Já o Nani Moretti (?) dizia, “as palavras são importantes”, brincar com elas e às rimas é giro mas não é para os verdadeiros artistas, esses brincam com elas mas sabem exactamente o que querem transmitir de único e não têm de se envergonhar com aquilo que dizem só para pôr vocábulos a rimar (e na história do Eminem há disso aos pontapés…).” quando estamos a falar de um dos maiores activistas, de hip-hop, em questões sociais|raciais|mundiais e até económicas desde que surgiu.

Retirar do contexto as suas declarações relativas à utilização de nomes famosos e|ou de artistas e generalizar para todos os temas é um exercício desconexo da realidade. E se é para usar a entrevista à Vulture, importa frisar isto: “Okay, it does depend on the song. People who know my music can tell when I’m joking around and when I’m being honest about a subject.”. Eu percebo o porquê de ele ter tentado agradar a todos os seus fãs, dá-me ideia que será mesmo o seu último álbum e provavelmente quis algo eclético que agradasse a todos aqueles que sempre o adoraram. A questão foi a concepção do mesmo. Ele acabou, quiçá, por não agradar nenhum, em não mais do que uma música. É, ainda assim, enorme.