Biggie …I got seven Mack 11’s, about eight 38’s
Nine 9’s, ten mack tens, the shits never ends
You can’t touch my riches
Even if you had MC Hammer and them 357 bitches
Biggie Smalls; the millionare, the mansion, the yacht
The two weed spots, the two hot glocks
That’s how I got the weed spot
I shot dread in the head, took the bread and the lamb spread…
2Pac …Born in the ghetto as a hustler, told ya
A straight soldier, buckin at the bustaz
No matter how you try, niggaz never die
We just retaliate with hate, then we multiply…
# o El Sayed anda a assassinar rappers na Knock Out [Young, X-Treme]. :o :mais:
Depois de ver esta edição especial [Non Stop Trip] não tenho dúvidas de quem é o MC mais multifacetado liricamente - a par do Prof, talvez - é (quase) inacreditável o alcance das rimas do El Sayed no 1º e 3º Round.
Concordo contigo.
El Sayed oferece(u) sem dúvida, as rimas mais complexas.
Olhando estritamente para a profundidade das suas rimas, ninguém da liga está ao seu nível.
O Prof prometeu muito na primeira batalha.
Nota-se que tem uma predisposição muito diferente e superior à maioria dos gajos que por lá passaram.
E para além de tudo isto, ouvi alguns sons do Prof e reconheço-lhe talento.
O flow é natural, não é forçado. Nota-se perfeitamente que o gajo se sente confortável a rimar.
Apenas não concordo com a linha/estratégia que decidiu optar.
Esperava uma direcção diferente. Com outro tipo de “street value”. Com outro tipo de knowledge.
Mas convenhamos também: a qualidade da Liga Knockout está muito nivelada por baixo.
Alguns rappers são extraordinariamente medíocres.
Por muita vontade que a “corrente de rap nacional” tenha em passar o contrário, esta é a minha ideia.
Já assisti algumas battles ao vivo, e ninguém me convence do contrário.
No entanto, barbosa, convém separarmos outra coisa importante:
O skill que um determinado rapper “emprestou” à liga knockout, e o skill demonstrado “fora da arena”. O El Sayed é o exemplo perfeito da assimetria que existe nestes dois mundos.
No registo de battle, é absolutamente notável.
Rimas salpicadas de ironia, inteligência, duplos sentidos, triplos sentidos etc etc
Mas noutro contexto, fora de battles, dificilmente o El Sayed conseguirá singrar.
O ritmo e entoação do seu “discurso” impedirá sempre que o El Sayed consiga fazer a real diferença no contexto nacional.
Nesta fase, e perante algumas colaborações dele que já tive oportunidade de ouvir, só com muito boa vontade, é que consigo imaginar o El Sayed a triunfar, enquanto ARTISTA, no panorama nacional.
El Sayed não tem replay value.
Perante o ritmo previsível e excessivamente monótono da sua voz, não me consigo imaginar a ouvir um cd do El Sayed.
Digo isto, mas atenção: sem questionar, naturalmente, o talento (ao nível de battle rap) que ele inequivocamente tem.
Quanto ao Young, a sua situação ainda é mais complicada e limitadora, barbosa.
O Young carrega uma cruz pesada, para quem rima: o seu próprio timbre de voz.
E esta cruz, à partida, condicionará sempre o percurso do Young.
Porventura muitos discordarão, mas infelizmente (digo infelizmente, porque entendo que o Young até tem algum talento e percebe-se que se tem esforçado para melhorar) tem um tom de voz “irritante”.
Em relação ao Young eu discordo, o timbre de voz não tem influencia no seu percurso como rapper, Rap é um estilo musical em que a voz não tem grande importância, o que importa é o flow e o skill, e o Young tem esses 2 ingredientes, ele até pode não ter muitos ouvintes mas de certeza que vai ter props dos Hiphopheads (que é o que importa).
O Halloween também tem uma voz que não agrada á muitos e no inicio toda a gente lhe chamava de drogado mas hoje é dos rappers nacionais com uma das carreiras mais solidas. Existem muito outros exemplos: O Odb dos Wu-tang, o RA Rugged man etc…nenhum hiphophead vai deixar de ouvir um rapper por causa do tom de voz até porque rap não é cantado é “rappado” (Flow + Poesia).
Em relação ao El Sayed concordo com quase tudo menos com facto de ser o melhor da LKO. Como rapper o 9miller é bem melhor.
Naturalmente que respeito a tua opinião. Até porque nenhum de nós é o “dono da verdade”.
Cada um é o dono da sua verdade.
Mas reforço a minha discórdia num “pormaior”.
Aliás, sublinhei as partes em que discordo totalmente.
Totalmente, mesmo!
Vou tentar explicar o meu ponto de vista. A voz, em si, não é o mais importante. Obviamente que não é! Nem sequer deixei passar essa ideia.
Tu é que (porventura) precipitadamente, e passando a redundância, terás pensado que eu pensei essa situação. Digo eu.
Mas claro que faz diferença. Não apenas para o mal, ou no sentido negativo.
Em muitos casos, pelo contrário até.
Vozes graves, vozes roucas, não apenas alguns exemplos que deste. Olha por exemplo, para o próprio Ghostface Killah ou Scarface.
A um “conteúdo” e flow fantásticos, juntam uma voz que, que por si só, e cada uma à sua maneira, já facilita a aceitação natural por parte de quem ouve.
Claro que a voz tem um peso específico. Não esmagador. Não absoluto. Mas tem o seu peso.
Não é por acaso que eu, com todo o respeito que excelentes artistas de todas as partes do nosso País me merecem, tenho uma maior predisposição em ouvir rappers da margem sul, ou de Lisboa.
Tendo crescido na margem sul, no seixal, e tendo passado algum tempo também em Lisboa, sempre tive maior predisposição (é intrínseco. Não forço) em ouvir Chullage, Sanryse, Sam, Keidje. Porquê? Porque para além do skill, e do flow, que é o mais importante, a própria voz também encerra a sua importância.
Há vários pormenores que são determinantes: tom de voz, sotaque etc etc.
Toma o exemplo do Mundo Segundo. O Mundo Segundo é um rapper extraordinário.
Em termos de flow, rimas, é um dos rappers mais completos no contexto nacional.
No entanto, e sem risco de contradição, assumo sem rodeios que (é uma limitação minha. Confesso. Que me acompanhará sempre) tenho maior “dificuldade” em ouvi-lo.
Porque o seu sotaque é demasiado carregado para mim.
E o mesmo se aplica a rappers alentejanos, de qualidade inquestionável.
Mas repara: isto é a minha perspectiva. Muito pessoal. Tenho a certeza absoluta que, em 100 pessoas, 99 discordarão.
Se me permites o exagero, e pensando no conceito “ouvir rap”, como se de um curso superior se tratasse, tirei a licenciatura na Arrentela, mestrado no Miratejo e doutoramento em Lisboa.
É impossível, perante esta vivência de décadas, e quando o Rap ainda nem sequer estava “na moda”, reduzir o peso que a voz, em si, tem. Embora não seja o mais importante.
É sempre importante sublinhar isto. Para que, de uma vez por todas, eu me faça entender.
Julgo que fiz as ressalvas necessárias. Demasiadas até.
O mesmo acontece em relação a rappers de Ohio, Chicago, Detroit, California, Tennessee.
O skill “em si” (conteúdo e flow) é o mais importante.
Agora não me tentem vender a ideia que um rapper que tenha um conteúdo e flow interessantes, com uma voz de “chipmunk”, terá a mesma facilidade em “se fazer ouvir”.
Se eu estabelecesse um paralelismo propositadamente infantil (porque é falível) entre o rap e o futebol, eu não estou a dizer que a voz propriamente dita de um rapper, corresponde à técnica ou discernimento táctico de um jogador.
Agora, neste paralelismo, a voz de um rapper não é seguramente, apenas a forma como um jogador ata os atacadores da chuteira.
Claro que a voz em si, também pode determinar uma maior facilidade na predisposição de qualquer um ouvir um rapper.
Não preciso de enfatizar a importância da mensagem em si, e do respectivo flow que um rapper emprega.
Obviamente que in the end of the day é o mais importante.
Sendo este tópico tão específico, tão particular, julgo que não tenho a necessidade de estar a enfatizar a importância (em doses industriais) que a mensagem e flow têm. Obviamente que é o MAIS DETERMINANTE.
Mas jamais irei “negligenciar” a importância crucial que a voz de um rapper tem, para uma aceitação inequívoca da minha parte, no que se refere, por exemplo, à compra de um determinado projecto.
Claro que tem importância.
Uma coisa é eu ouvir uma track, uma colaboração aqui e acolá, no youtube.
Ouvir uma track do Young? Porque não?
Ouvir um som aqui e acolá? Siga para bingo.
ouvir/ver um vídeo da LKO, juntamente com uns amigos, no puro “avacalho”? Porque não?
Agora comprar um futuro projecto do Young, será extraordinariamente improvável.
Para eu gastar 10, 15, 20 euros, num determinado projecto, evidentemente que tenho de me identificar com o projecto de uma forma transversal. No fundo, tenho REALMENTE de sentir o rapper. A todos os níveis.
E de certa forma, isto até acaba por entroncar noutro ponto.
Lembro-me das inúmeras conversas que travei com o Gilbert (produtor executivo do Chulla), e com o próprio Keidje, sobre a “imaturidade” musical que muitos rappers nacionais revelavam e ainda revelam.
Já agora aproveito para falar disto também.
Um rapper não deixa de ser “underground” ou passa a ser mainstream, se tiver outro tipo de preocupações musicais.
Os rappers têm e devem evoluir.
Acho que em Portugal, somos pouco exigentes com os rappers.
Um gajo qualquer cospe umas barras, e existe logo uma masturbação colectiva.
Apesar da dimensão do país, e ser sobretudo um endeusamento por parte de pitas, faz-me confusão, ainda assim, a “dickriderização” que já existe em torno de X-tremes, 9 millers etc etc.
Mas os culpados, em última análise, são os ouvintes.
Acho que os ouvintes do rap tuga, não são exigentes.
Um barra aqui sobre babis, outra barra acolá sobre groupies, e ainda outra sobre wella, e pronto…“está feito”.
Quando o pessoal fala de evolução do rap nacional, eu confesso que estou “preocupado”.
Até porque dou por mim, ciclicamente, a ouvir albuns que já foram lançados há anos.
Continuo a ouvir os mesmos rappers: Sam, Chulla, Sanryse, Keidje, e pouco mais.
Pouco mais, no contexto nacional, claro.
Por esse motivo, importa dizer:
Um rapper ter a preocupação de não ser monocórdico, não é mau. Pelo contrário.
Um rapper não passa a ser um “sell-out”, por se preocupar em apurar variações “melódicas” (refrões, bridges) de maneira a evitar que as pessoas se cansem.
Aliás, o próprio Chulla, (e eu disse isso ao próprio Gilbert) “perdeu-se” ao não ter conseguido acompanhar a evolução.
Um rapper “reinventar-se” não é sinónimo de fraqueza. É a força dos tempos.
O Sanryse a mesma coisa.
Até porque quando te referes aos hiphopheads, convém dizer que os rappers não vivem apenas de props.
Os rappers não vivem apenas de “ya, estou a sentir o flow”, “ya, curto da mensagem”. “Ya man, está fixe. Continua aí com a cena”.
Studio time, requer dinheiro.
E embora eu prefira muito mais o rap norte-americano, continuarei a contribuir para o rap nacional e comprar albuns/mixtapes.
Mas para isso, tenho de genuinamente sentir o projecto.
Os meus 10/15/20 euros exigem maior esforço, dedicação e devoção por parte dos rappers.
É a única maneira de alcançarem a “glória”.
Lá está, temos visões diferentes do rap, o que eu mais valorizo num rapper é o talento e isso não vem no tom de voz, vem no flow e skill até porque o tom de voz é algo inato e pouco se pode fazer para alterar isso. Se tivéssemos a falar de outro estilo musical (Rock, RB, Jazz) eu dava importancia, mas como é rap os aspectos que eu dou importância são totalmente diferente, valorizo bastante o flow e o skill. E quando falo de skill não estou a falar da mensagem, estou a falar da capacidade de dominar tecnicas de escrita (wordplay, recursos estilísticos, rimas multissilabicas, duplos sentidos etc). Um dos rappers da tuga que mais aprecio é o Xeg e eu nem sequer suporto a voz dele, mas eu consigo ignorar esse aspecto e apreciar os outros, até porque para mim têm muito mais peso. Tu não consegues negligenciar a importância da voz na performance dum rapper, já eu não consigo “crucificar” um mc por ter um tom de voz menos “agradável”. Pontos de vista diferentes.
Faz-me alguma confusão não conseguires ouvir ou comprar um possível álbum do Young e ouvires álbuns do Sanryse, que para mim é tipico rapper que parou no tempo , continua a rimar como se tivesse em 96, sem flow, fora de tempo com rimas básicas, tenho o maior respeito por ele por se um mano da velha guarda mas ele está completamente inadaptado e desatualizado do panorama musical.
Em relação ao ouvintes, concordo que sejam pouco exigentes, ainda acrescento mais, percebem pouco de rap.
“Quando o pessoal fala de evolução do rap nacional, eu confesso que estou “preocupado”.
Até porque dou por mim, ciclicamente, a ouvir albuns que já foram lançados há anos.
Continuo a ouvir os mesmos rappers: Sam, Chulla, Sanryse, Keidje, e pouco mais.”
Mas se o pessoal continuar a ouvir sempre os mesmo rappers (Valete, regula, xeg e stk) o rap tuga nunca irá evoluir, o rap tuga está completamente monopolizado, não dão espaço nem oportunidade para outros rappers sobressaírem, existe qualidade (em pequena escala), basta procurarem nos sítios certos, o rap tuga é muito mais que Valete e Sam the kid.
Verdade que o rap em Portugal é muito mais que Valete e Sam the Kid, mas o que vejo nesta nova geração de rappers há uma enorme falta de pro-actividade em prol do movimento e de seguimento neles próprios logicamente.
Vejo em muitos rappers a tentativa de alcançarem tudo de uma vez, não criando bases para isso, saltando uma enormidade de etapas. Deixo aqui um exemplo, sendo de Viseu, não um local muito central em termos de hip-hop vivendo da carolice de alguns para manter o hip-hop vivo na cidade, não tenho muito contacto em concertos ao vivo dos rappers nacionais, mas aqui à uns 10 anos ou mais via com muito mais facilidade em rappers como Chullage, Dealema, entre outros mais ou menos conhecidos, a pegarem nas suas coisas e aceitarem convites para certas cenas em Viseu e eles vinham na boa, recebendo muito ou pouco, nos dias de hoje aqui por Viseu dos rappers mais conceituados e/ou mais conhecidos da nova geração nenhuma ou quase nenhum tem essa disponibilidade para pegar nas suas coisas e ir quase na aventura até Viseu, esteve por aqui há umas semanas o Dillaz, numa discoteca, mas percebi que já tem outra máquina por trás que o possibilita vir cá.
Enquanto muitos destes rappers tiverem na cabeça a mentalidade do ter uma música no youtube que tem muitas visualizações e partilhas, e que já está preparado para o sucesso, é estar a encaminhar a carreira ou possível carreira do modo errado. Depois quando caem na realidade que isso não lhes traz dinheiro para o bolso são os primeiros abandonar o rap.
Em eventos maiores, como por exemplo o Ser Humano, vejo por lá muitos rappers da dita nova geração, estão aqui a ter sua oportunidade. Não vejo que os caminhos estejam fechados para eles, já que em termos de promoção em meios de comunicação o rap tem uma promoção quase nula, cenas só de hip-hop como por exemplo revistas, como existiam antigamente, não há, vários programas de rádio neste momento acho que só há um a uma escala maior na antena 3, por isso a promoção, criação e divulgação do seu nome para o público está fechada para todos, porém aberta para todos o fazerem através da internet.
Interessante a vossa discussão entre voz, flow e skill. :mais:
DorianGray, achei piada ao indicares o sotaque cerrado do Mundo. :lol:
Claro que se nota um pouco do sotaque, mas para quem está mais em contacto com este sotaque digo-te já que o sotaque dele até nem se nota muito. Lá está, passa muito pela habituação e o contacto diário com diferentes maneiras de falar, a mim às vezes também faz um pouco de confusão o sotaque ou entoação que certos rappers de Lisboa colocam, lá está mais uma vez é a falta de um contacto diário com isso. Gosto bastante do sotaque do porto no rap, torna a coisa mais agressiva e crua.
Concordo. Sem dúvida.
Faço notar que nada tem a ver com questões de “bairrismo” ou regionalismo.
Portugal é demasiado pequeno para essas divisões primárias.
É mesmo o hábito e convívio.
Um sotaque extraordinariamente carregado, atenua logo “qualquer coisa” em termos de entusiasmo da minha parte.
Não o faço o por mal. Mas atenua logo.
Naturalmente que, tal como referi, o talento quando é inequívoco…é inequívoco.
Mas por exemplo, para uma pessoa de Viseu, ou até mesmo do Porto, se faz confusão o sotaque ou entoação da voz de uma pessoa de Lisboa (e acredito perfeitamente que faça), imagino a “dificuldade” diária, sempre que se liga a televisão.
Sou obrigado a concluir que, em muitos casos, a dificuldade seja crónica. Eterna.
Desde apresentadores de televisão, comentadores de futebol, analistas políticos, actores etc etc quase todos têm a mesma entoação.
A entoação, se quiserem, para simplificar, de Lisboa.
Quase todos. Repito: quase todos.
Já tinha comentado isto com uma amiga minha natural do Porto.
É muito raro, na televisão, ouvir um profissional de televisão com sotaque nortenho, alentejano, algarvio.
Claro que todos nós conhecemos casos. Mas fazem mais parte da excepção, do que da regra.
Não digo isto, com pena, nem com satisfação.
Apenas registo o facto.
Concordo com a parte inata. Sem dúvida.
Mas no que diz respeito à valorização do talento, não temos visões assim tão diferentes.
Naturalmente que valorizo o talento, e todas as premissas que referiste.
Um dos rappers da tuga que mais aprecio é o Xeg e [b]eu nem sequer suporto a voz dele[/b], mas eu consigo ignorar esse aspecto e apreciar os outros, até porque para mim têm muito mais peso.
Mesmo que tenha sido um abuso de linguagem da tua parte, uma espécie de verdade "esticada ao máximo", e que eu compreendo, para evidenciares o peso que dás à característica X, e o peso que não dás à característica Y, não suportares a voz de alguém, e mesmo assim ouvires (independentemente do talento) já roça o fastidioso.
Este sim, é o exemplo perfeito que nos separa.
E agradeço-te que tenhas trazido à discussão este exemplo, porque coloca a nu as diferenças que existem entre nós, neste ponto em particular.
Para continuar a ouvir um artista, e não apenas ouvi-lo pontualmente, tenho que retirar bastante prazer desse exercício.
Eu suporto a voz do Xeg. Se não suportasse, jamais perderia tempo a ouvi-lo.
Até porque a realidade que muitos rappers relatam, também constam em muitos (e interessantes) livros sobre crónicas urbanas, sobre bairros segregados e marginalizados, sobre abuso de autoridade, abuso de poder dentro dos próprios bairros, sobre a promiscuidade entre polícia e poder local, retrospectivas de adolescências difíceis, clandestinidades e obscenidades "lá no canto da praceta" como o Keidje dizia etc etc
A realidade urbana, tal como tu sabes, imagino eu, não se esgota no rap, nem em prosa.
Se eu não suportar a voz de um gajo, venham daí outros projectos e/ou registos de outros rappers, ou venham daí essas crónicas sob forma de outras alternativas.
[b]Ouvir uma música, mesmo "não suportando ouvir a voz de um gajo", independentemente do talento que as rimas encerram? Jamais!
Jamais mesmo![/b]
- Faz-me alguma confusão não conseguires ouvir ou comprar um possível álbum do Young e ouvires álbuns do Sanryse, [b]que para mim é tipico rapper que parou no tempo , continua a rimar como se tivesse em 96, sem flow, fora de tempo com rimas básicas[/b], tenho o maior respeito por ele por se um mano da velha guarda mas [b]ele está completamente inadaptado e desatualizado do panorama musical.[/b]
Concordo com algumas observações que fazes sobre o San.
Em boa verdade, eu tenho bem presente o enquadramento familiar e profissional do Sanryse, nos últimos 8/9 anos.
Não me debruçarei aqui num espaço público sobre isso, porque entendo que não é o sítio correcto, mas sei perfeitamente o que desmotivou o Sanryse.
Por esse motivo, não subscrevo na íntegra tudo aquilo que disseste.
Ou dito de outra forma, se quiseres, conhecendo a realidade familiar e profissional do Sanryse, e conhecendo também o peso específico que ele próprio teve no impulso do rap no contexto nacional, não me sinto suficientemente confortável para “atacar” a sua estagnação, da maneira como o fazes.
Embora respeite a tua opinião.
Quanto ao Young, e à confusão que te faz eu não comprar um possível album dele, enquanto compro (comprei) projectos com o selo do Sanryse, admitamos:
Se um parou no tempo, o outro ainda está à procura do seu próprio tempo.
Por agora, o Young é apenas mais um rapaz que participou na Liga Knock Out e que ainda está à procura de um lugar, no contexto nacional.
Seja ele qual for.
Em relação ao ouvintes, concordo que sejam pouco exigentes, ainda acrescento mais, percebem pouco de rap.
Concordo. Mas é uma realidade irónica e algo perversa que acaba também por envenenar o próprio espectro do hip-hop nacional.
Tu achas que muitos percebem pouco de rap.
Porventura os mesmos, pensariam/pensarão que tu percebes pouco de rap. Ou que eu percebo pouco de rap.
Os ouvintes de rap, também carregam um pouco essa “mania”.
“Eu percebo porque já ouvia isto desde X, Y, desde Z. Agora o pessoal só ouve W”.
É um bocadinho isto.
Todos nós, quase sem excepção, julgamos que dominamos o fenómeno.
Mas se o pessoal continuar a ouvir sempre os mesmo rappers (Valete, regula, xeg e stk) o rap tuga nunca irá evoluir, o rap tuga está completamente monopolizado, não dão espaço nem oportunidade para outros rappers sobressaírem, existe qualidade (em pequena escala), basta procurarem nos sítios certos, o rap tuga é muito mais que Valete e Sam the kid.
Atenção! Eu nunca disse que não estaria disposto a dar oportunidades a outros rappers.
Procuro sempre estar (mais ou menos) a par daquilo que vai saindo. Mas com alguma qualidade.
Sempre que me passam uma nova mixtape, uma nova colaboração, dou sempre oportunidade.
Agora, para comprar um cd, um projecto? Tenho mesmo de apreciar.
Sou muito mais exigente hoje, em 2014, do que era em 97, ou 98.
Dou por mim, ciclicamente a ouvir os mesmos trabalhos lançados de 3, 4 rappers, porque no “final do dia”, não há nada que me cative com inteira propriedade.
A esmagadora maioria dos putos que vão lançando coisas, vão lançando sem muito critério.
A pressa é inimiga da perfeição.
Não é por acaso que o Sam The Kid ou o próprio Valete, não lançam um álbum a solo, há algum tempo.
Se quisessem, já o tinham feito.
E mesmo que os trabalhos estivessem muitíssimo aquém daquilo que eles próprios exigem de si mesmos, certamente que não seriam trabalhos inferiores à esmagadora maioria dos trabalhos que têm sido lançados.
Simplesmente ainda não lançaram, porque são exigentes com o próprio trabalho.
Porque estabeleceram, eles próprios, padrões mínimos de qualidade.
E porque buscam, ou pelo menos projectam, um percurso em evolução. E não em retrocesso.
Não tenho dúvidas que, qualquer um dos dois, se quisesse, teria material suficiente para lançar um bom CD duplo já amanhã.
A todos os níveis: wordplay, storytelling, flow, ritmo, intensidade, boa selecção de instrumentais. Tudo.
Se reparares, há gajos que participam na LKO, e que até já têm algum bus, sem sequer terem muito trabalho registado.
O que, no meu entendimento, é perigoso.
Esta é uma das principais lacunas da nova geração. A pressa.
A ideia de que mais importante do que fazer bem, é fazer.
Ou pior, mais importante do que fazer, é fazer rápido.
Não concordo inteiramente com a monopolização que defendes.
Nesse aspecto concordo mais com o DaCunha.
As oportunidades têm sido criadas.
E a internet, hoje em dia, atenua qualquer dificuldade presencial e circunstancial que exista em termos de abertura de portas. A prova evidente de que hoje em dia é mais fácil ganhar visibilidade, é esta própria discussão.
Onde é que há 7, 8, 9, 10, 14, 16 anos estaríamos a falar de um rapper, com um percurso tão reduzido, (ainda) tão pobre, tão “sem sal”, como o percurso do Young?
Se me permitem o exagero, o Young (quase que) ainda não é rapper e já está a ser discutido no tópico Hip-Hop/rap.
Isto espelha um pouco a forma rápida, e viral, com que os trabalhos , as tracks, chegam até nós.
Sou obrigado a discordar de vocês os dois DorianGray e Dacunha:
1- Criou-se um estigma em relação aos rappers que participam na LKO, o pessoal acha que são putos que começaram a rimar a 2 meses e já querem chegar ao topo ou lançar álbuns á pressa, quando em muitos casos nem é disso que se trata. Falando do Young particularmente, ele já rimava muito antes de participar na LKO, eu acompanhei o trabalho dele desde o inicio embora ele seja muito jovem já rima a cerca de 5/6 anos, e sempre foi lançando tracks ao longo dos anos, nunca lançou um projecto porque queria aperfeiçoar as suas skills, portanto dizerem que o Young caiu no rap de para-quedas ou que ainda não é um rapper é algo que não me assiste. O Young é rapper e é um bom rapper, não porque eu acho, mas porque reúne habilidades que lhe tornam um rapper talentoso, tem um bom flow consegue fazer fast flow com uma boa dicção, tem uma boa capacidade escrita e um bom jogo de palavras. Se ele vai ter sucesso ou não, eu não sei, mas potencial tem e já o demonstrou em várias musicas.
Por outro lado também existem (na esmagada maioria) rappers que são sobrevalorizado na LKO, quando a maior parte de deles nem tem grande qualidade.
2- “Tu achas que muitos percebem pouco de rap.
Porventura os mesmos, pensariam/pensarão que tu percebes pouco de rap. Ou que eu percebo pouco de rap.
Os ouvintes de rap, também carregam um pouco essa “mania”.”
Isso é verdade, nós ouvintes de rap temos essa “vaidade” de demonstrar que somos os expert no assunto. Mas eu mantenho o que disse, quando vejo rappers como o Nga a ter o buzz que tem, só posso chegar a essa conclusão. E mais, muito dos ouvintes não percebem as técnicas de escrita que os rappers utilizam, o que torna ainda mais difícil perceber de rap. É o mesmo que estar a ler Fernando Pessoa e não saber o que são recursos estilísticos, obviamente nunca vais conseguir valorizar a obra do autor na totalidade.
3- Este ponto é o que eu mais discordo: Quando dizem que tem sido criadas oportunidades para os rappers da nova geração ;
Os cartazes para concertos de rap são sempre o mesmos nomes : Stk, Valete, Regula (sempre), depois os mesmos da nova gen: Grognation, Malaba (não é bem nova escola mas pronto), Dillaz e 1 ou 2 rappers que ganharam visibilidade na LKO e pouco mais.
O Valete não lança nada ha bastante tempo, está a quase 10 anos pra lançar um album lol, os ultimos sons que lançou, excepto “Mulheres da minha vida”, são de baixa/razoável qualidade, e mesmo assim está sempre a dar concertos, é esse tipo de sobrevalorização e monopolização do raptuga que eu critico. Convidarem rappers constantemente para irem cantar musicas que foram lançadas em 2001 ou 2006 quando ha rappers que lançaram projetos de qualidade em 2013 ou 2014 á espera de uma oportunidade. É isso tipo de cenas que eu não consigo compreender, e depois o pessoal parte logo do principio que por ser um cena lançada pelo Valete, Regula ou STK é um clássico, quando muito vezes nem está nada de extraordinário. O ultimo álbum de Regula está fraco mas ele teve um reconhecimento enorme, e os próximos projetos que lançar vai ter ainda mais reconhecimento, tendo eles qualidade ou não. Rappers/musicos quando ganham nome qualquer trampa que dizem é ouro, e depois existem uns quantos que até são talentosos mas nunca vão obter reconhecimento, porque não existe espaço, e na tuga ha muito disso.
Infelizmente os ouvintes de HH tuga ainda não tem maturidade suficiente para ouvir rap pouco convencional, um rap mais complexo e mais pensativo, em que tens que repetir a track 5/6 vezes para perceberes o sentido da musica, o pessoal quer é cenas mais simples e básicas em que se entende tudo á primeira, por isso rappers como: Nerve, Tilt, X-tense ou mesmo um João tamura, nunca irão ter grande atenção por parte dos ouvintes de rap tuga.
É verdade que a Internet veio quebrar bastantes barreiras em relação a divulgação e promoção da musica mas se os ouvintes não percebem ou não se interessam por cenas mais complexas e técnicas, não ha muito a fazer.
Zé Alguém, nada contra os rappers que entraram na LKO, quando me referia à nova geração estava a falar de uma forma geral. Mas falando da LKO, aqui está algo que deu visibilidade a quem não tinha para um público maior, aqui está uma oportunidade para mostrarem o que tem.
Voltando aos cartazes, aqui pode estar uma enorme bola de neve por parte de todos os envolvidos no movimento. Desde promotores que chamam sempre os mesmos e que não tem confiança nos mais novos, desde falta de espaço em editoras mais pequenas ou mesmo maiores para apoiarem um rapper mais novo, falta de espaço na comunicação social para se promoverem ou serem promovidos novos rappers, depois claro que só tem a net para mostrarem o seu trabalho, até mesmo pouca capacidade dos ouvintes de rap para ouvir algo novo, diferente, algo que desconhece, depois junta-se isto tudo e há pouco espaço para os novos rappers.
Porém, não concordo nisso a 100%, porque eles lá vão entrando alguns espectáculos.
Mas volto a frisar, tem que haver mais pro-actividade pelos mais novos, e não estarem à espera que as coisas lhes apareçam. É preciso ir à luta, bater no terreno, saírem das áreas de conforto onde estão sempre os amigos para os concertos, volto-me a repetir não vejo isto na nova geração quando via isso com outros no passado.
Concordo que falta cultura de rap em Portugal, o boom nos meados dos 2000 também não ajudou muito a isso, apareceu muita coisa naquela altura que deu uma ideia errada do que era, criou vícios nos ouvintes errados que demoram os seus tempos a corrigir, se alguma vez irão ser corrigidos. Mas esta também é uma velha questão e discute-se em todos os tipos de música, o que é para ti bom, com qualidade, para outros não presta, nem lhes soa bem, depois podem entrar outras coisas pelo meio desde a futilidade dos tempos que correm, falta de maturidade para ouvir certas cenas no rap, por ai fora, depois claro que até rappers que indicas Zé Alguém tem menos alcance em quem ouve porque não está para ai virada para o que ele diz, ou não tem a compreensão para entender o conteúdo ou a técnica.