Antes de tudo, dizer que Ricardo Costa não é, nunca foi e, arrisco a dizer, nunca será um jogador de Selecção. Para além das limitações técnicas, acrescenta ainda uma boa dose de estupidez às suas características enquanto jogador. A forma como foi expulso é duma imbecilidade atroz.
Dito isto, achei este jogo globalmente deprimente. Frente a uma equipa cujo melhor jogador tem 35 anos, havia que ter uma ambição muito maior. Scolari tratou, com as suas declarações antes do jogo, de incutir nos jogadores a ideia de que empatar na Finlândia seria um bom resultado. Talvez por isso, quando começámos a jogar com 10 jogadores, a equipa se tenha retraído em excesso, abdicando praticamente de atacar. As substituições de Scolari agravaram ainda mais a situação.
Da equipa inicial, para além da inclusão de Ricardo Costa no onze, acho também que Caneira não deveria jogar na direita. Se é verdade que Paulo Ferreira não tem feito grandes jogos pela Selecção, é também verdade que terá potencialmente um desempenho muito melhor do que Caneira para quem aquela posição é estranha. Adaptações fazem-se em situações de recurso, o que não seria o caso. A hipótese de Caneira jogar seria, quanto a mim, no lugar de Nuno Valente, jogador que apenas e manterá na Selecção graças à crise de laterais esquerdos em Portugal.
Dito isto, é fácil perceber o porquê de tantas dificuldades na defesa. Fora Ricardo Carvalho, tudo o resto era muito pobre. Vale que Ricardo Rocha até terá entrado bem. Que Meira, Andrade e Miguel voltem depressa.
Mas o que se notou nesta “nova Selecção” foi a dependência de Deco. Se Deco jogava mal, a Selecção jogava mal, quando Deco melhorou, a Selecção melhorou também. Foi, de longe, o jogador mais influente da equipa.
Contrastando com a boa exibição de Deco, a exibição de Cristiano Ronaldo. Terá sido a exibição ideal para os seus detractores, tão desastrada que terá sido. Agarrado à bola, parecia querer fazer tudo sozinho. O problema foi que acabou ridicularizado por diversas vezes, perdendo quase sempre a bola na sequência de fintas inconsequentes. Em jogos como este fica a ideia de que o jogador do Manchester ainda precisa de evoluir muito até ser considerado um jogador completo. Hoje foi pouco mais do que nulo.
Mas se Cristiano Ronaldo não evolui, Nani mostra exactamente o contrário. Na sua estreia a sério, mostrou-se à altura das expectativas. Fintando apenas quando é necessário, Nani mostrou-se bem mais objectivo que Ronaldo. A sua maior pecha parece-me a capacidade física. Nani cai no chão com excessiva facilidade, resistindo pouco aos embates, ainda que me pareça haver também alguma “queda para a queda”, ou seja, em certos lances Nani prefere ganhar a falta do que tentar continuar a jogada. Acho que seria de corrigir este particular. De qualquer forma, sinto-me bastante satisfeito com a sua evolução como jogador.
Por fim, não posso deixar de destacar o golo de Nuno Gomes. É um jogador com o qual antipatizo, mas não posso deixar de ficar indiferente à sua apetência para marcar na Selecção. Acho mesmo que o seu índice de aproveitamento face às oportunidades que teve para jogar deverá ser bastante elevado. Nesse particular, acho que já merecia há mais tempo a titularidade. Até porque a concorrência é francamente fraca. Ver Postiga e Hugo Almeida no banco é tudo menos tranquilizador.