Estoril Open 2009

O problema é que nunca teve o mediatismo deste ano! A pressão foi muita e nunca teve igual no Estoril! E mais uma vez repito que jogou frente a um tenista com outros recursos a todos os niveis!

Blake é fraquito na terra batida (para mim que não sou muito experiente a ver ténis masculino é uma surpresa).

Não vi o jogo com total atenção mas no segundo set quando tudo apontava que mais tarde ou mais cedo Blake iria cair, penso que na primeira oportunidade que o americano teve para quebrar o serviço do Gil fê-lo e venceu logo o 2º set… ficou mesmo um amargo de boca. Com o jogo que Gil até lá estava a fazer merecia ter acabado com o jogo no 2º set, estando Gil muito seguro nos seus jogos de serviço e sempre a fazer tremer o americano nos seus.
No terceiro Blake acaba por vencer mas aqui já mostrando mais que Gil quando estava à espera de mais um set no minimo equilibrado.

Não é bem assim. Blake no ano passado chegou à final em Houston e em pares já ganhou 2 torneios de terra batida, em Houston e Munique, ambos em 2004.

Pode não ser um especialista, mas continua a ser um jogador consistente em terra batida.

Não fazia a minima ideia ;D . Fraquito realmente talvez seja um exagero.

Depois de perdermos é sempre bom identificar os feitos do nosso adversario para de alguma forma atenuar a derrota. Somos todos assim como tal é importante referir que o Blake ja foi o 4º do mundo e que no seu melhor ano (2006) venceu os torneios de Sydney, Las Vegas, Indianapolis, Bangkok e Stockholm. Em 2004 teve uma lesão muito grave num treino quando fracturou o pescoço ao embater num dos postes da rede. Teve em risco de ficar paraplegico mas recuperou milagrosamente e conseguiu voltar em grande nivel. É um lutador nato e um heroi nos estados unidos! Um nome que ficará para sempre marcado na historia do ténis. Visto assim e tendo em conta que ja venceu 10 trofeus de singulares a contar para o ATP e 5 trofeus de pares, foi finalista em 12 torneios de singulares e 2 de pares, ate que o resultado do Gil nao foi mau! :wink:

Frederico Gil teve o encontro mais ou menos controlado até ao momento em que estando a ganhar 30-0 com 5-4 no segundo set se deixa virar completamente. A partir daí notou-se que ele nunca mais foi o mesmo, tal como Blake. Enquanto Gil abanou de tal forma que entrou muito mal no terceiro set, o americano estabilizou de vez e passou a segurar os seus jogos de serviço com muita facilidade, coisa que até então não havia conseguido.

Houston não é bem terra batida, aquilo é um piso conhecido como “har tru” e que é feito a partir de uma rocha qualquer que existe por lá. Aquilo é praticamente igual ao hardcourt apenas tendo uma camadinha de pó cinzento-esverdeado por cima e que mal se nota.

De resto, o Blake em toda a sua carreira no circuito ATP tem saldo negativo de vitórias/derrotas (39/42) na terra batida, o que é algo raríssimo num jogador com tantos anos no top 20 mundial.

Estive la, e assisti a um grande jogo entre o Ferrero e o Davidenko! De realçar as presenças de Daniel Carriço e Adrien Silva

o problema do gil foi que no 3º set praticamente não meteu 1º serviços, e como tal facilitou as respostas ao blake…

Ninguém coloca em causa os outros atributos da senhora em questão :twisted:, mas por aqui se vê o nível de conhecimento das pessoas que vão ver o Estoril Open.
http://www.record.pt/noticia.aspx?id=ab596649-3982-4e7c-a011-a2132502723a&idCanal=114e7ca2-d72f-44fb-9c4a-880172108daf
Sintomático!

:frowning: >:( :lol: :lol:

a32772, mais de metade das pessoas que lá andam são isso. Gente que entra com um convite e que anda de tenda em tenda a petiscar no croquete e à espera de um flash amigo. Ver os jogos está quieto. E mesmo quando os vão ver é só quando suspeitam que há transmissão em directo com possibilidade da carinha laroca aparecer na TV.

Só para vermos o quão ridícula é esta feirinha de vaidades que é o Estoril Open, quando vemos o estádio na TV reparamos que metade do espaço das bancadas é destinado a camarotes, muitos deles vazios. Estou farto de ver ténis e nunca me lembro de lá fora ter visto algum estádio onde metade das bancadas são camarotes. Triste.

Mas o ténis português é isto: uma modalidade dominada por gente que não gosta assim tanto de ténis, que vê aquilo como uma espécie de último reduto de estatuto social, um clube exclusivo e de acesso vedado a quem realmente gosta de ténis mas jamais pagaria 40 ou 50 (ou em alguns casos, até bem mais) euros/mês em quotas ou em aulas para os miúdos. Por isso, mesmo com o sucesso de tenistas portugueses, duvido que em Portugal o ténis alguma vez se massifique (algo que há muito já aconteceu por essa Europa fora). Aquela gente não quer.

No meu caso particular, sempre que fui assistir a torneios de ténis, fui sempre olhado de lado por gente que via um intruso entre o clã queque. E depois era olhado como extra-terrestre sempre que dizia para a pessoa ao meu lado palavras como “slice”, “drop shot” ou mesmo um simples “erro não-forçado”. No dia em que o ténis português for das pessoas que gostam mesmo de ténis, então poderemos sonhar em ter os nossos Nadais e Djokovics.

Que o Estoril Open é uma vaidade de vaidades estou eu careca de saber, mas ainda assim não deixo de me mijar a rir ao ver destas cenas. No ano passado sempre que um desses vips era entrevistado então era um fartote, onde frases como “Então o Federer é o Federer…” faziam as minhas delícias. :mrgreen:

Mas atenção, o Lagos também tem noção que foi esta feira de vaidades que lhe permitiu fazer o torneio e como tal para ele está tudo bem dado que ele antes de ser um adepto de ténis é um empresário.
E também é preciso ter noção que não é só por cá que o ténis é um evento social. Nos grandes torneios também constatamos que são pessoas com muito dinheiro e com um certo estatuto que vão assistir a certos jogos. Em Wimbledon então é o expoente máximo nesse aspecto. A diferença é que as pessoas lá não só gostam do ténis, mas sobretudo respeitam-no, considerando-o um acto cerimonial. Cá não, a partir do momento em que deixam os seus lugares vazios para se fazerem às fotografias está tudo dito…

Quanto ao desenvolvimento do ténis em Portugal, não me parece que este seja responsabilidade dos senhores do dinheiro. Embora seja uma modalidade cara, não deixa de ser verdade que a Federação pouco faz para chamar os jovens aos courts. Não há divulgação de eventos, não se criam condições acessíveis a qualquer puto, independentemente da sua posição social. É um vazio total!

E não é só isso! Hoje em dia, da maneira que o nível de espectacularidade está em alta era de aproveitar e de trabalhar com a televisão pública para a transmissão dos grandes torneios! Nem no tempo do Agassi/Sampras se viu tanta espectacularidade como nestes últimos 2/3 anos, onde observamos atletas a competir a um nível estratosférico e com grande equilíbrio entre eles. Bom, se aliarmos a isso o facto de termos um tuga a começar a aparecer lá mais em cima no top então não vejo melhor altura para dar o salto definitivo. Se não aproveitarem uma embalagem como esta para divulgarem a modalidade, então nunca haverá momento ideal para efectuar esse trabalho…

Já que falaste em Wimbledon uma curiosidade: naquele estádio magnífico e naquele que é o mais antigo torneio da história do ténis, no ano passado para veres o melhor jogo da história do ténis, a final entre o Nadal e o Federer pagavas 91 libras. Se quiseres ir amanhã e domingo assistir aos jogos do court central do Estoril vais pagar um total de 90 Euros. Enfim… :sick:

Para haver massificação do ténis, é preciso que os clubes de ténis deixem de ser uma espécie de country clubs do tipo de criaturas que acima descrevi, que fazem questão de tornar o ténis uma modalidade só deles e inacessível à ralé que não pode pagar quotas de valores na ordem dos 40/50 euros. Uma família da classe média quando pensa pôr uma criança a praticar um desporto, olha para todas as possibilidades e quando vai ver o ténis vê: esses tais 40 ou 50 euros por mês por 1 ou 2 aulas semanais de ténis, e vê as outras onde se paga 4 ou 5 vezes menos e muitas vezes até com mais aulas por semana. Porque é como digo, essa gente que manda nos clubes de ténis muitas das vezes nem gosta ténis, quer apenas manter uma espécie de pose social.

Ricardo, o problema é que em Wimbledon aquilo funciona por convites. Mesmo tendo as 90 libras para gastares, não te é fácil sacares um bilhete para uma final desse torneio. E não concordo que tenha sido o melhor jogo da história. Achei a final deste ano da Austrália de melhor qualidade! :stuck_out_tongue:

O resultado aí apresentado está correcto. Tu provavelmente é que o interpretaste ao contrário.

Eu não interpretei, porque na Borla o negrito estava exactamente assim :wall:
Eles meteram mal o negrito e eu nem olhei para o resultado. Só depois é que li o mesmo.

Dou-te mais um exemplo, então: Só precisas de 65 euros para estar na final de Roland Garros deste ano.

Quanto ao resto: :o ou estavas cheio de sono quando disseste isso :twisted: ou não deves ter visto os mesmo jogos que eu. A final de Wimbledon foi absolutamente épica, durou quase 5 horas (com as interrupções da chuva foram mais de 7 horas) e teve os seguintes parciais 6–4, 6–4, 6–7(5), 6–7(8 ), 9–7. Quase toda a gente o considera o melhor jogo de sempre. A final do Australian Open apesar de também ter sido muito boa não teve metade da emoção e a vitória do Nadal foi bem mais previsível, e os parciais mostram que não houve tanto equilíbrio: 7–5, 3–6, 7–6(3), 3–6, 6–2.

Não tive tempo para falar aqui do torneio. Faço-o agora. Foi muito fraquito. Primeiro porque os favoritos portaram-se todos mal, à excepção do James Blake que até esteve melhor do que se esperava sendo o torneio de terra batida. O Nalbandian e o Ferrer tiveram um comportamento execrável e vieram cá só para mamar o cachê e laurear a pevide. O Nalbandian então nem se fala, uma vez que podia ter desistido, mas preferiu vir cá só receber o cheque e no dia a seguir marcou logo uma operação que já andava a adiar.

Acabou por ganhar justamente o Montañes que na final contra o Blake esteve quase a perder, mas livrou-se no tiebreak do 2º set e depois aproveitou o cansaço do americano para a aplicar uma tareia de 6-0 no 3º set.

Outra coisa: já não há paciência para a cantilena do estádio novo. Não fosse a megalomania de querer ter um estádio com tecto amovível (para quê? para estar às moscas um ano inteiro? não conheço nenhum torneio de 250 pontos que tenha tectos amovíveis) que custa milhões e milhões de euros e que ainda por cima o João Lagos quer que seja o Estado a pagar tudo, não fosse essa estupidez, ia eu a dizer, e já se poderia ter feito um estádio fixo com condições muito decentes e que seria relativamente barato (até poderia ser feito sem ajuda do Estado, apenas com dois ou três patrocinadores).

Não concordo de todo!
O simples facto dos números serem nos sets serem mais equilibrados não indica de maneira nenhuma que o jogo tenha sido mais bem jogado. Eu só assisti ao jogo de Wimbledon passados uns tempos depois deste ter acontecido, não tive a oportunidade de assistir em directo, assisti depois de sacar um DVD espanhol (acho que do jornal " A Marca") na net, mas considero que Federer nesse jogo não atingiu metade daquilo que jogou na Australia. Aliás, na Austrália ele perdeu contra um adversário que para além de mostrar a regularidade que mostrou em Inglaterra mostrou muito mais ténis. E acho de todo injusto quando afirmas que a vitória de Nadal foi bem mais previsível, porque o suiço jogou a um nível excelente durante largos momentos do encontro pecando depois por oscilar depois de uma forma incrível.

Se queres que te diga, até coloco o jogo do Masters de Roma de há umas duas/três épocas atrás à frente desse jogo de Wimbledon em espectacularidade, porque embora o Nadal na altura não fosse um terço do jogador que é hoje em dia conseguiu ganhar o jogo da maneira mais incrível que eu já vi. Algo que não se explica, só visto! E na minha opinião a crise mental de Federer contra o espanhol tem muito a ver com esse jogo.

Já agora, viste o jogo de ontem?

Mas não foi tão emocionante como Wimbledon. Normalmente para um jogo ser épico ou não, depende também muito do último set. Na Austrália o último set foi um passeio para o Nadal, foi quase torturante ver aquilo. Em Wimbledon não. Em Wimbledon tivemos um jogo que com tanta interrupção pela chuva já durava há umas 7 horas, e sempre bem disputado, muito renhido e era impossível adivinhar o vencedor. Depois tivemos ainda aquele último set absolutamente de outro mundo, com jogos longuíssimos todos eles discutidos nas vantagens com dezenas de game points e break points não convertidos. Depois devido à regra do não tiebreak do último set em Wimbledon, o set teria de ser ganho com dois jogos de vantagem. Acabou 9-7 e mesmo esse último jogo do set foi muito disputado com pontos longos e indecisão até à última gota.

Sendo relva, normalmente os jogos são mais rápidos porque não só a superfície é rápida como as bolas normalmente tomam efeitos difíceis (quando húmida ainda pior). Por isso na relva os pontos costumam ser muito curtos e costumam favorecer o serviço-volley. Aquela final foi o contrário de tudo isso, muito longa, com longas trocas de bola, quase como se fosse terra batida., donde ter sido a mais longa da história de Wimbledon e ter sido absolutamente épica.