Boas a Todos!
Quanto à pergunta do tópico a minha resposta é cristalina: NÃO! Não há ninguém mais Sportinguista do que eu. Pode haver igual, mais é que não.
Agora mais a sério, e embora perceba a pergunta, julgo ser impossivel quantificar (bem como qualificar) o Sportinguismo. Acho que, tal como a fé não se explica, sente-se. E cada um sente à sua maneira.
Quando lia o que o Gabriel Alves escreveu parecia estar a ver-me a mim próprio. Também eu passei pelas claques, fui muitas vezes de Guimarães para Lisboa para ver jogos como o Sporting-Farense só porque se ganhássemos iriamos para primeiro, arrastando o meu pai que nem Sportinguista é(Vitória de Guimarães) mas que lá me fazia a vontade pois eu não guiava e não me deixavam ir sózinho para lisboa de comboio ou de camioneta ; cheguei a ter bilhetes para os camarotes do Bessa e usei-os para entrar para a superior, cheguei a ver jogos em Leiria debaixo de árvores, a chuver e a trovejar, com um placard publicitário da Peugeot à frente que só deixava ver meio campo, enfim, coisas de quem gostava de ver a bola junto ao “barulho”.
Com os anos e desde o novo estádio que passei de sócio da superior para sócio da central onde comprei cadeira e como estudava em lisboa nessa altura não falhei um único jogo durante 3 épocas; vinha a casa nos fins de semana que jogávamos fora e tive sempre a sorte dos aniversários da família calharem quase sempre em fins de semana sem bola ou de jogos fora.
Tenho notado que há muita malta com uma ideia errada do pessoal da central. No meu sector posso garantir-vos que nada disso se passa: as pessoas não estão em pé a cantar e a saltar é certo, mas mesmo eu já não estou para aí virado. Acho que a idade ajuda a isso. Os meus “vizinhos da frente” no estádio, são uma família de 4: pai, mãe e 2 filhos. Pai e mãe nos 60 e filhos quase nos 40. O pai esteve envolvido naquela históra de pintarem a águia de verde há muitos anos atrás nas vésperas de um Sporting-benfica. O filho é um dos fundadores da juve. Também no tempo deles saltaram e cantaram junto à claque mas há um tempo para tudo. A minha paixão, como a deles, continua a mesma de quando corriamos o país e o mundo e ficávamos na superior. Há uma tenência nas superiores (principalmente na sul) para olhar a malta da central como os “yes men”, os tipos que não protestam e aos seus olhos os da central são menos Sportinguistas que os outros: não é verdade e não falo só por mim.
Imagino o que será viver o Sporting no estrangeiro! Deve ser muito doloroso embora hoje em dia seja mais fácil estar a par de tudo. Imaginem um Sportinguista há 30 ou 40 anos atrás.
Vou contar-vos uma história de um senhor que conheci aqui há uns 4 anos e que esteve emigrado em França cerca de 40 anos:
Conhecemo-nos num café aqui da zona aquando de um festejo qualquer de um golo do Sporting. Começamos a falar e tal e das primeiras coisas que ele me diz é o seguinte: “Não há ninguem mais Sportinguista do que eu! Sou Leão de nome, o meu cão é o leãozinho, guio um peugeot verde e tenho conta no Credit Lyonnais.” Achei um piadão e rapidamente ficamos amigos. Nunca tinha ido ao estádio, nem ao velho nem ao novo, e a paixão dele pelo Sporting era igual à minha ou à de qualquer um de nós.
Disse-me uma coisa que jamais esquecerei e que acho que define bem o Sportinguismo do Sr. Leão: “…os meus filhos ficaram em França, tá tudo casado, a minha missão aqui está cumprida, se morrer morrro um homem feliz; só há uma coisa que me deixa triste: não saber o que será o Sporting daqui a 50 ou 100 anos.”
A minha conclusão honesta é que ninguém é mais Sportinguista do que ninguém e a presença assídua no estádio, o facto de ser sócio, o assinar o jornal, o cantar e ver jogos de pé ou sentado não são, nem podem ser, medidores de Sportinguismo.
Abraço