Zero mesmo? É pena, gostava de ter um que pudesse bater os recordes de Peyroteo, de Yazalde ou do Correia formado pelo clube. Obrigado pelas respostas.
O Saleiro até tinha bons golos até ir para a equipa B, que se passou?
Ninguém te disse que não há ninguém, mas como deves supor é extremamente difícil prever se determinado jovem chegará a esse nível, ainda para mais numa posição destas que é provavelmente a mais imprevisível de todas.
Pontas de lança talentosos temos muitos e em praticamente todos os escalões, dizer onde é que eles estarão daqui a dez anos é que é outra conversa.
Não é uma questão de formação mas sim uma questão de “emprego”. Nenhum pai recomenda a um filho tuga que seja ponta de lança…
Ponta de lança e Português, não há emprego para isso em Portugal. Por tendência a malta já adora tudo oq ue vem do estrangeiro, dão 200% mais paciência a estrangeiros do que aos da casa. E como sabemos os pontas de lança têm de ir marcando mas é natural que comecem muito mal (ver Slimani que é um avançado excelente e como começou). Se não fosse estrangeiro estava condenado ao fim dos primeiros 6 meses.
O Betinho tinha bons números até e levava a crer que podia ser avançado de referência. Mas a realidade é que nunca teve hipóteses, mesmo nos empréstimos. Um ponta de lança tem de jogar sempre, e vários jogos seguidos até encontrar a sua forma de marcar golos. Em portugal não há paciência para pontas de lança que não marcam logo ao fim de 1 jogo máximo, pior ainda se for tuga. É logo catalogado e acabou a carreira.
Não pode haver paciência, tem que ser um predestinado.
Num campeonato, em que os 3 grandes com os pequenos apanham equipas sempre a jogar em bloco baixo, precisam de homens de área e goleadores que resolvam jogos. Suportar dores de crescimento depois custa pontos
O PL não é propriamente aquele jogador que chega, faz meia-dúzia de fintas e toda a gente bate palmas e quer ver mais. Nem é aquele jogador que se andar a correr o jogo todo e tiver umas tranças fixes se quer ver mais. Nem é o gajo que vira outro e o adepto quer ver mais. Nem é o puto que faz um grande corte na defesa e o adepto quer ver mais. O PL está lá para marcar golos. O PL está lá para resolver jogos. Um puto como PL só tem lugar num plantel sénior num caso de desespero. Se o brasileiro vindo da série C1 se lesionar. Se o gabonês contratado recentemente da 3ª divisão italiana estiver com sérios problemas físicos. Se o extremo rápido estiver indisponível. É nessa altura que o puto português, PL de raiz, que dominou os escalões de formação a marcar golos tem lugar.
Quando o puto conseguir o lugar ainda vai ter de viver com o estigma de que o PL não presta. Nessa altura terá 15 minutos de jogo. Nesses 15 minutos de jogo tem de fazer golo. Se não fizer golo é porque não serve e é mais um dos célebres PL portugueses que se destacaram nos escalões de formação e, mais tarde, deram em nada. Daqui a uns anos, aparecem numa qualquer liga polaca ou cipriota a fazer uns golos. O pessoal diz que ainda foi a tempo de fazer qualquer coisa, mas que nunca serviria para um grande.
O Betinho é um bom exemplo. Se o Betinho há uns anos atrás, quando entrou contra o Estoril-Praia tem feito golo, hoje, às tantas, estava no plantel principal ou, pelo menos, tinha uns quantos jogos realizados na 1ª liga como titular. Assim, contam-se uns joguitos pelo Setúbal, um empréstimo sem sentido para as divisões inferiores inglesas e um regresso (emprestado) para a equipa B, depois de não conseguir agarrar lugar naquilo que é um fraco clube português.
Na próxima temporada talvez vá a tempo. Talvez marque 5 ou 6 golos na pré-temporada e entre a 15 minutos do fim do 1º jogo oficial. Talvez nesses 15 minutos de jogo consiga fazer um golo e talvez o treinador, a seguir, tenha confiança suficiente para lhe dar mais minutos. Talvez nos outros minutos ele marque mais uns golitos e ganhe o lugar. Mas são demasiados talvez. Não é um jogador que vá ouvir palmas por fazer 4 ou 5 dribles inconsequentes, ou que vá chamar a atenção por andar a pressionar os defesas e ter um bom posicionamento. Cairá no esquecimento se não marcar, pelo menos, 10 ou 15 golos na temporada. :inde:
O que leva também a que muitas vezes os bons avançados sejam postos a jogar a extremos quer tenham jeito para isso quer não. O que não falta são exemplos, mesmo por cá, Wilson Eduardo, Carlos Mané, Gil Santos, Rafael Leão, o próprio Cristiano Ronaldo não era originalmente ponta de lança?
Sobre o destino do Betinho já se falou. O Ponde anda a ser aposta a ponta de lança na equipa B, como o Betinho foi, depois de ter andado também a jogar como médio ofensivo, vamos ver o que sai daqui. O Postiga foi dispensado para o Rio Ave, emprestado para o Varzim e mesmo no Varzim pouco tem jogado. O Mama Baldé é actualmente lateral direito. E por fim o Alexandre Silva foi para o Vitória de Guimarães onde joga muitas vezes como extremo.
O Wilson Eduardo é daqueles casos inexplicáveis de jogadores que vão parar à ala. É rápido, é certo, mas no 1 para 1 é fraco. No entanto, sabe entregar a bola, é um bom finalizador, não tem problema em rematar à baliza. É claramente jogador para PL. No entanto, no Sporting CP tem sido encostado à ala.
O Carlos Mané idem. É melhor no 1 para 1 do que o Wilson Eduardo. O miúdo tem um faro de golo tremendo, no entanto, como é rápido… joga na ala.
Não percebo esta fixação de pregar jogadores à ala quando grande parte deles nem sequer tem qualidade a jogar ali. :inde:
Talvez se mude o paradigma quando se perceber que o jogador português não é muito alto em termos médios bem como não é estritamente necessário ter 3 metros para se ser um bom avançado. Como tal, se um jogador for rápido e talentoso com a bola nos pés, não tem necessariamente de cair para a ala ou recuar no terreno, por ter só 1,80m.
Esta sim é, quanto a mim e como já referi inúmeras vezes neste fórum, a principal causa da ausência de avançados de qualidade em Portugal.
A morfologia do jogador português não propicia o aparecimento de avançados na linha de Mário Gomez, Slimani, Gignac ou Negredo. Como, infelizmente, é este o perfil do avançado fetiche para o treinador tuga todo e qualquer jogador talentoso mas sem 1,90 m é invariavelmente colocado a jogar na faixa mesmo que descaindo para o centro em situações de finalização com bola cruzada da ala contrária (mesmo aqui, estimulando processos terrivelmente bacocos).
Nunca, se tivessem nascido em Portugal, teriam existido Aguero, Griezmann, Michael Owen, Dybala, Vietto e tantos outros…
Tocas-te no ponto. O problema é que isto continua enraizado. Não só no comum adepto, como também existem treinadores que preferem jogadores com determinadas características para determinadas posições, independentemente do talento de A ou B.
Atenção! Eu percebo a vantagem que é ser um animal fisicamente em variadas posições, nomeadamente PL! Mas causa-me espécie ver jogadores a brilharem toda a formação a PL e acabar nas alas só porque apareceu um tronco com olhos que tem mais 5 cms que ele. Alguns nem são particularmente baixos…
Isso é verdade, mas acaba por nem ser tanto um problema só cá em Portugal ou no Sporting. Por exemplo olhas para França e vês tipos como um Lacazette ou um Griezmann, aquilo são avançados, é à frente da baliza que brilham e marcam golos, por mais que sejam móveis ou mais rápidos (mais no caso do primeiro), que tenham bom toque de bola, que andem por todo o lado, que apareçam mais recuados ou caiam nas alas.
Mas lá está, também esses passaram pelo mesmo, também foram postos mais longe das balizas, também foram desviados para as alas, até que mostraram efectivamente toda a sua qualidade, explodiram, e conquistaram os seus lugares na frente.
Também há muito a ideia, ou o preconceito, de que quando aparece um avançado mais baixo, móvel e muito rápido, vai acabar por ser alguém que só vai render como avançado se estiver numa equipa mais pequena, que aposte mais em contra-ataque, etc. Mas também há que reconhecer que há vários casos em que acaba por ser assim, a maioria dos que acabam por ser diferentes são aqueles que são mesmo muito bons.
Antes do Slimani quem tive-mos com a mesma altura? sem recuar a Jardeis e Acostas, porque mesmo do primeiro nem um vaga memória. lembro-me do Liédson, bom jogador, baixinho, e embora no fim não estivesse com a cabeça no Sporting (quem o culpa? aquilo era um caco) que ainda sofria com o facto de metade da equipa ser trapos e remendos.