Estou consciente dos anti corpos criados por BdC. Por sua própria responsabilidade e por responsabilidade de quem entendeu colar aos insatisfeitos cultos de personalidade e a origem do “terrorismo”, para daí mais facilmente poder diabolizar o ex candidato. Já escrevi algures que num cenário ideal, o óptimo era aparecer alguém ( que não BdC ) claramente fora do circulo situacionista, com ideias e personalidade adequados ao cargo… essencialmente para evitar a persistência na balcanização, agora em lados diferentes da barricada.
Mas os cenários ideais nem sempre são possíveis. Não esquecer que BdC acumulou agregou cerca de 40% dos sócios que compareceram nas últimas eleições.
Numas eleições em que partiu como desconhecido e em que havia 5 candidatos, é obra.
E não me parece muito lógico associar o capital de confiança acumulado aos rostos da lista ou aos trunfos apresentados ( Barroso, Inácio, Van Basten )… para o bem e para o mal, havia outras listas com rostos com maior notoriedade e previsivelmente mais capazes de conquistar votos.
Parece-me redutor também sustentar os tais 40% no fundo de 50M. Há quem tenha falado em 100.
BdC acumulou:
1- O chamado voto útil, de insatisfeitos que não se revendo na sua postura, queriam o fim das direcções situacionistas.
2- Os votos dos sócios para quem os tais 50M eram importantes.
3- Os votos de quem se revia na sua postura e nas suas ideias.
Se em 1) e 2), não há garantias que tal se mantenha, penso que em 3), há uma sólida base de apoio, que não quer dizer necessariamente que todos os que votaram convictamente naquilo que consideravam os méritos de BdC, mantenham essa opinião. Certamente que não. A postura oposicionista de BdC terá afastado alguns Sportinguistas mais moderados, é possível vislumbrar isso mesmo. Ainda assim, essa base sólida existe e entendo-a suficientemente forte para tornar BdC e logo à partida, um candidato a ter em conta e com possibilidades invejáveis que não é fácil encontrar em qualquer pretenso candidato que apareça, seja de que “facção” for. O resto dependeria da nova lista, de novas ideias, de novas propostas e das candidaturas concorrentes.
O que tenho como certo, é que à medida que se ía construindo o desastre by GL, os pseudo notáveis do clube, os supostos opinion makers, todos ou quase todos os que têm visibilidade pública, íam clamando por conceitos vazios ( neste Sporting ) como união e estabilidade e BdC interveio para alertar para o desvio profundo de GL no que se refere aos moldes de investimento anunciado, para o folclore à volta da auditoria, para a queda das traves mestras do “projecto”, para a desinformação intencional em mais uma operação de cosmética como era/é a fusão SPM/SAD, desinformação patrocinada pela pretensa elite do Sporting e por toda a CS. BdC assumiu que perderia em termos de imagem e fê-lo várias vezes. Várias vezes também, sublinhou que havia coisas mais importantes que a sua imagem. Entendo que a sua postura nestes 2 anos, por vezes mais agressiva do que o desejável, contribuiu para a informação de muitos e tendo em conta isso mesmo, estou-lhe grato.
Não desprezo os tais anti corpos. BdC é, também e para os situacionistas, o lembrete da sua própria defesa, por vezes no limite da insanidade, de medidas de gestão, da postura e carácter revelados por GL. É o rosto que os faz lembrar os próprios erros de análise que muitos não admitem e não vão dar o braço a torcer. Preferirão votar no cão do vizinho, que em BdC, quanto mais não seja por uma questão de orgulho. Estou convcito que há uma franja de Sportinguistas que vê as coisas desta maneira. Que ao mesmo tempo vomitaram os tais conceitos de união e estabilidade e que os interesses do Sporting estavam em primeiro lugar. Que nada.