Aurélio Pereira

Esta conversa dos méritos ou falta deles na descoberta dos vários jogadores da nossa formação por Aurélio Pereira já tá um bocado gasta … de cada vez que alguém da nossa formação se destaca, é este filme, aparece logo algum iluminado a pôr em causa todo e qualquer mérito que AP possa ter.

Por mim, é como já foi dito atrás: Trabalho de equipa ! mérito de vários ! AP face mais visível por ser o chefe, tudo o resto … :inde:

Não me interessa se ele tem 100% ou 1% de mérito … interessa-me que os jogadores lá chegaram, e foram formados pelo Sporting !

Um texto muito interessante sobre Aurélio Pereira, escrito por Manuel Sérgio:

Aurélio Pereira ou um projeto antropológico.

Por Manuel Sérgio

Sinto como um privilégio conviver e merecer a amizade de Aurélio Pereira, o grande mentor e criador da formação dos jovens futebolistas do Sporting Clube de Portugal (SCP). A atividade que escolheu e a que com tamanha exemplaridade se devotou – segundo a opinião dos entendidos, não tem par, em competência e honestidade, no mundo todo.

Do seu trabalho “nasceram” jogadores como Cristiano Ronaldo, como Luís Figo, como Rui Patrício, como Ricardo Quaresma, como Simão Sabrosa, como André Martins, como João Moutinho, como Nani, como Semedo, como Mané, como Podence e tantos, tantíssimos mais. Para dar voz à admiração que nutro pelo meu Amigo Aurélio, não tenho receio em acrescentar: é um autêntico milagre o que ele tem realizado, entre os jovens futebolistas “leoninos”. Recebi, há uma semana atrás, saía eu de uma gripe traumatizadora, um telefonema do Jaime Cancella de Abreu: “O Aurélio Pereira propõe-nos um almoço, na quinta-feira da próxima semana, em Alcochete. O que acha?”. O que havia de achar, que me considero discípulo da eficácia, da lucidez, da firmeza, da seriedade do Aurélio Pereira? Respondi-lhe, imediatamente: “Estou à vossa disposição e agradeço-vos que permitam a minha presença”. Farto estava eu de saber que muito aprenderia com a irrequietude do Cancella de Abreu, o meu editor preferido, e a sabedoria do atual coordenador do recrutamento da formação sportinguista. Houvesse mais “Aurélios”, no futebol português, e seriam também mais os “Ronaldos” e os “Figos”.

Trilhando caminhos em que, antes dele, raros se afoitavam, levava comigo um arsenal de perguntas para, por meio delas, visionar o paradigma norteador do trabalho do Aurélio Pereira. Mas, antes que eu pudesse questioná-lo, antes de conversa mais folgada, ele adiantou-se: “Quero que você saiba, Manuel Sérgio, que só há dois anos que estudo as suas ideias, principalmente depois da leitura dos seus livros Filosofia do Futebol e As Lições do Prof. Manuel Sérgio”. E continuou: “E quero dizer-lhe também que as suas ideias, que não conhecia até 2012, nada têm a ver com o trabalho que, até àquela data, fiz no Sporting. Mas, hoje, que julgo conhecê-las, nas suas linhas gerais, sinto-me mais seguro naquilo que faço e vou até ao ponto de pensar que o meu trabalho tem fundamentação científica”.

Como há trinta anos me sucedera com José Maria Pedroto, outro desbravador da floresta cerrada da vasta problemática do futebol, uma grande emoção cresceu em mim, irrefreável, e a custo fiz uma súmula do que pretendia dizer-lhe: “Querido Amigo, hoje, dia 23 de Janeiro de 2014, é um dos dias mais felizes da minha vida. E porquê? Porque o Aurélio Pereira me diz que, também para ele, ajudar à formação de jogadores de futebol é, em primeiro lugar, medir as suas potencialidades físicas e técnicas e depois ajudar à formação de valores inegociáveis, nos jovens que chegam ao Sporting, entre os 6 e os 18 anos. No campeão do futuro, ou há também valores humanos, ou não há desporto. De facto, o futebol nasce de homens, homens só e nada mais do que homens”. Será esta a grande revolução que se processou, no futebol de formação do Sporting?

Atravessa hoje, o Sporting um momento de arrebatada e arrebatadora viragem, sob a liderança do Dr. Bruno de Carvalho. Aurélio Pereira, lucidamente recetivo ao trabalho do seu presidente, não corre atrás das fáceis e berrantes verdades dos comentadores, com ideias confortavelmente definitivas. Pelo contrário, numa atmosfera desanuviada de constrangimentos, pois que o Sporting o respeita e o estima, o coordenador do recrutamento dos jovens leoninos não desconhece o “primado teórico do erro” e critica e critica-se, já que todo o processo científico é um processo inacabado de verdades provisórias.

Nesta perspetiva, uma evidência indiscutível ou é um engano ou uma patetice. Não foram, por isso, palavras lançadas ao vento as que escutei ao Aurélio Pereira, naquele almoço inesquecível: “O futebol estuda-se, em Portugal, divorciado da história das ideias, da vida social, económica e política. Por isso, ao contrário do que o Manuel Sérgio ensina, há muitos anos, para a grande maioria dos nossos agentes do futebol o futebol não passa de futebol. Ora, para nós, na formação do Sporting, o nosso trabalho tem de mergulhar numa problemática muito mais vasta do que a problemática típica do futebol. São as saudades da família; é o rendimento escolar; é uma formação para os valores, que vai muito para além da educação formal; é o respeito pelas tradições do clube que os escolheu – enfim, o futebol é mais do que futebol”. E, sublinhando bem o que dizia: “Nós, na formação do Sporting, temos a certeza que, se não formarmos homens, o jogador não nos interessa”.

Quando o jovem chega ao Sporting, se bem entendi o meu querido Amigo, Aurélio Pereira, é o seu jeito para o futebol, são os fatores hereditários, que imediatamente se procuram. “Mas é, através de um projeto antropológico, que desenvolvemos as qualidades do futebolista”. E, simpático, olhos-nos-olhos, confidenciou-me: “Manuel Sérgio, sem eu mesmo o saber, era a sua teoria que eu seguia”. Rendido, de lágrimas nos olhos, observei: “E é a sua prática, porque a prática é o critério da verdade, que vem dizer-me ser bem possível que eu esteja, teoricamente, no caminho certo. Querido Amigo, considere-me seu discípulo”.

A timidez e a modéstia de Aurélio Pereira, o seu sportinguismo convicto, não lhe ofuscavam a consciência da importância da suas (nossas) ideias. Por isso, as suas palavras não pareciam, nem embaraçadas, nem inseguras. O projeto antropológico do seu trabalho passara a ter paradigma científico. Entardecia. Lá fora. Amanhecia. Dentro de nós (o Aurélio Pereira, o Cancella de Abreu e eu próprio). Antes de entrar no carro, que me conduziria a Lisboa, o Aurélio Pereira ainda me deixou um aviso: “Gostaria de ler a sua tese de doutoramento”. Naquele almoço, senti a falta do José Maria Pedroto – um homem que viveu antes do seu tempo!

Fonte: ABOLA

Retirado da Página do Facebook da Cortina Verde.

Excelente texto, que enquadra bastante bem as mais-valias do Aurélio Pereira para o Sporting. Antes que venha aí o Sigurd, é aqui que eu vejo um papel mais determinante do Aurélio Pereira: não será tanto o detectar talentos, que o homem não está em todo o lado e há uma equipa muito grande para isso, mas isso é só o princípio, porque dá muito trabalho pegar em miúdos com um talento enorme para o futebol, mas com bastantes carências (de diverso tipo e que até são indicadas nesse texto) que têm que ser previstas, trabalhadas e contornadas.

Uma coisa é detectar talento. Outra, bastante diferente, é pegar nele em tenra idade e fazê-lo crescer em termos técnicos, mas também humanos, pois sem a parte humana o talento fica amputado e pode nunca se concretizar.

IMO, é este o grande mérito de Aurélio Pereira. Não tanto uma espécie de olheiro-milareiro, mas sim um mentor com qualidades humanas incomparáveis para fazer o acompanhamento diário da vida dos miúdos.

Eu não percebo nada disto, não leio teses nem estudos científicos sobre o tema, mas IMO é o processo de maturação dos miúdos, desde que chegam a Alcochete e se fazem homens, que muitas das vezes dita o seu futuro no futebol: quem não tem pés para isso nunca será um CR7, mas quem passa em Alcochete deveria ter condições para pelo menos singrar nos 2 primeiros campeonatos profissionais e isso não acontece porque pelo meio há toda uma problemática de crescimento que os miúdos enfrentam e que obsta fortemente a que se realizem o seu potencial futebolístico em toda a sua plenitude. E, infelizmente, esses problemas não se resolvem apenas com crescimento dentro do campo…

:twisted:

Grande texto. O Manuel Sérgio pode ser um teórico, pode ser amigo do Jesus, pode ser lampião… tudo o que quiserem. Mas que percebe de futebol não tenho dúvidas.

É bom vê-lo reconhecer a “visão” estratégica do Aurélio Pereira - cujos méritos são enormes, não há como não repetir. Ninguém diz que é ele que descobre jogadores, mas é ele que selecciona e lidera um grupo de trabalho que muito tem dado ao Sporting.

É sempre possível fazer melhor, e isto - evidentemente - também vale para o Aurélio Pereira. Agora, devemos ter orgulho no trabalho de pessoas como ele, bem como de outros que, na sombra, muito ajudaram o Clube.

Obrigado sr. Aurélio Pereira.

:arrow: :arrow:

Também sempre foi essa ideia que tive do Aurélio Pereira.

Ele não é nenhum génio em termos de descobrir jogadores jovens, o tal “olheiro-milagreiro”, ele é sim uma espécie de pai para os jogadores, o que faz muita diferença depois na forma como eles crescem, na forma como eles se tornam homens e até na forma de jogarem e nas decisões que tomam na sua carreira.

A mim sempre me disseram isto, seja qual for o desporto, “a principal característica de um jogador é a sua inteligência”, claro que isto não significa que alguém que tem 20 a Matemática dava um grande jogador de futebol, mas, um jogador que tenha uns grandes pés, se não tiver o minimo de cabeça, nunca vai ser um grande jogador, poderá passar por boas equipas, mas quando acabar a carreira, dificilmente vai ser relembrado no mundo do futebol.

Ter a cabecinha no sitio é meio caminho andado para o sucesso e acredito que o grande mérito do Aurélio Pereira passa por aí, por a cabecinha no sitio aos jovens, para estes no futuro conseguirem ter sucesso.

alguém sabe se o sporting está a preparar alguém ou melhor alguma equipa que continue o excelente trabalho que temos feito na formação de jogadores, sob a orientação do aurélio pereira ?

obrigado

Não sei (acho que não) se Aurélio Pereira tem a ver com a formação (técnica ou humana) dos jogadores da formação (os internos e externos na academia).
Penso que existem 3 grandes áreas na formação (scouting/deteção, formação técnica, formação humana), e a guitarra do Aurélio é apenas o scouting.
A parte técnica sempre teve, pelo menos enquanto academia Alcochete, um coordenador técnico de quem dependiam os treinadores, até à pouco tempo era Jean Paul e agora Bento Valente.
O enquadramento humano dos jovens internos está associado às atribuições/responsabilidades do diretor da academia, que define também a estrutura necessária a esse fim.
O que pode ter acontecido, quando a formação estava sediada no antigo E.Alvalade, era que, face ao menor peso da estrutura e formandos, os próprios treinadores (por onde passou A.P.) fizesse o acompanhamento humano dos jovens. E a cultura adquirida ficou…

ok, obrigado pelo esclarecimento. não tenho grandes conhecimentos sobre o funcionamento da estrutura e os processos de formação de jogadores, em parte a minha questão vem daí.

Olha que acho que tás enganado.

O Aurélio Pereira acho que trata da parte da formação humana.

Mesmo atrás destes 3/4 posts, estávamos a ter essa conversa.

Pois por estarem a ter essa conversa é que dei a minha opinião, de acordo com o que sei.
A formação humana dos jogadores decorre das regras de funcionamento da academia e deveres dos jogadores relativamente ao relacionamento, disciplina, deveres e hábitos escolares…regras essas definidas pelo diretor e acompanhadas pela estrutura dele dependente, a qual inclui uma panóplia de áreas de acompanhamento.
A área de AP é o scouting/prospeção.
Claro que AP e até os treinadores poderão aconselhar pessoal e futebolisticamente os jogadores, mas sempre numa perspetiva de iniciativa individual e supletivamente aos deveres de cumprimento das regras da academia, aproveitando o carisma que têm…como o não poderão fazer.

Então ainda bem que o fizeste (dar a tua perspectiva), porque eu imaginava o Aurélio Pereira como estando mais “presente” nesse desenvolvimento dos jogadores. :great:

Countdown para entrada do Sigurd: five… four… three… :twisted: :twisted: :twisted:

Só vim porque chamaste. De pouco vale o que digo aqui. Já desisti… Um bom mito também não faz mal a ninguém.

Eu só não percebo como é que se dá mérito aos olheiros e se retira mérito ao Aurélio. Não é o Aurélio que escolhe trabalhar com eles e não com outros? Não é o Aurélio um dos que toma a decisão final? Não é o Aurélio que coordena o departamento?

Pergunto porque me faz muita confusão ver as pessoas que estão por dentro do desporto elogiarem todas o Aurélio Pereira e ver tantos outros desvalorizarem-no assim… :think:

E os que o desvalorizam mais são alguns que trabalharam com ele dentro da estrutura da academia. Isso é o que mais me faz confusão.
Eu sou suspeito porque tive o privilegio de o conhecer quando treinava uma equipa de formação em Sesimbra e ele esteve presente como patrono num Torneio, e comprovei a opinião que já tinha dele, É UM AUTENTICO SENHOR DO FUTEBOL :victory:

Pessoal estou a fazer uma biografia sobre este grande senhor para a faculdade alguem sabe se este senhor é licenciado ??

Alguém também tem informações sobre o Aurélio Pereira que possam ser uteis ?

Nasceu numa pequena aldeia da Beira interior, no concelho da Pampilhosa da Serra, num lugar paradisíaco chamado Vidual de Cima, perto de onde eu também sou originário. Veio jovem para Lisboa, onde havia uma grande comunidade pampilhosense, particularmente nos bairros da Graça e Alfama. Jogou futebol amador. Não é licenciado.