A questão aqui, para mim, não são os resultados. Se mantivermos a actual média de pontos por jogo, terminaremos a época na casa dos 69 pontos. Na época transacta, obtivemos 65 (4º lugar).
O objectivo não serão os pontos, não serão as vitórias. Em termos de tabela, o importante é assegurar a manutenção, nada mais. É claro que um registo de vitórias significará, para a maioria, que as coisas estão a ser bem feitas… e isso é um erro tremendo. Aliás, nestes últimos 3 jogos, vimo-nos privados de 5 jogadores. Não deixa de ser curioso que, mesmo estando as coisas mal, se tivéssemos vencido estes 3 últimos jogos, seríamos líderes. “se”, claro, mas não deixa de ser um indicador de que as coisas, em termos de resultados, não estão assim tão péssimas, ainda para mais quando nos lembramos da juventude e inexperiência desta equipa.
Pessoalmente, prefiro falar assim (a vários níveis). Se estivéssemos no final da tabela, a perder jogos atrás de jogos, seria muito fácil criticar. Assim, estando as coisas a correr normalmente, em termos de resultados, acho que nos podemos virar para aquilo que é mais importante: a evolução individual e colectiva da equipa.
Desde o início da época que me parece não existir uma ideia clara sobre o que deve ser esta equipa do Abel. Ao contrário da equipa principal, onde os princípios de jogo são clarinhos como água, as opções são lógicas mediante esses princípios (tirando um ou dois casos pontuais, vá) e a montagem dos onzes reflete isso mesmo.
Na equipa B… não. Tudo bem que será sempre relativamente fácil desculpar-se com a questão das lesões e dos cartões. Poderia justificar resultados menos satisfatórios mas nunca certas opções técnicas.
Não consigo conceber, logo para começar, uma equipa B cujo modelo táctico e ideia de jogo sejam distintas da equipa-mãe. As principais falhas do Abel, neste campo, têm sido:
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A colocação do Hugo Sousa como lateral. Condicionado pelas lesões do Mica e do King, passou a ser opção. Não sendo questionável de início, passou a sê-lo quando se viu o recém-contratado King 11(!) jogos no banco, jogando apenas 20 minutos, a extremo, num deles. Laterais de pendor bastante ofensivo, em constante apoio ao extremo e em constantes overlaps são dos maiores factores de desequilíbrio ofensivo nos A’s, pelo que o Hugo Sousa nunca na vida seria opção.
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O meio-campo. Bem, que confusão. Qual é a ideia ? Não pode haver. Simplesmente, não pode. Fui confirmar e tivemos, em 26 jornadas, 4 repetições de trio de médios. 1ª, 2ª e 3ª jornadas, com Fokobo, Kikas e JME. 14ª e 15ª, com Fokobo, Luka e Iuri. 16ª e 17ª com Fokobo, Luka e Wallyson. 21ª e 22ª com Fokobo, Wallyson e Chaby. De resto, uma mudança constante. Ora com um trinco físico e posicional (Fokobo ou Ié ou Rinaudo ou até Hugo Sousa) ora móvel como o Kikas ou Zezinho, no início, ora em 2-1 com o Wallyson/Kikas/Luka em duplo pivot e um organizador, ora com um trinco fixo e dois jogadores lado a lado, ora com o trio 6-8-10 bem definido, com o Iuri ou Chaby soltos… Bem, muita confusão. E, pior, muita mudança durante o próprio jogo, sem se entender. Aqui sim, um ponto em que acho que é fraquíssimo, havendo ou não integração com a equipa A: a leitura de jogo e mexidas na equipa.
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No ataque é onde se têm verificado menos alterações. Ainda assim, custa-me entender a falta de aposta/criação de rotinas em certos jogadores, tendo em vista o futebol base da equipa principal. Por exemplo, custa-me entender porque jogamos 95% do tempo com “extremos à antiga”: canhotos na esquerda, destros na direita. Não entendo o porquê de não criar rotinas, nem que seja em breves momentos durante o jogo, a jogadores como Esgaio, Iuri ou Chaby, jogando no flanco contrário. No jogo com o Trofense tivemos uma pequena amostra… mas foi com um defesa esquerdo a jogar a extremo direito. Com a lesão do Luka, a coisa alterou-se, o Iuri passou a jogar pela direita e com elevadíssimo sucesso, sendo o principal causador de perigo, ora com incursões pela linha, ora com movimentos interiores para o pé esquerdo.
Quando às análises individuais… Bem, com o conhecimento de alguns anos sobre vários destes jogadores, aliado ao que pude acompanhar a época anterior e ao que tenho visto esta época, permite-me uma boa base de comparação e análise da evolução da maioria destes miúdos. E este 4º ponto, apesar da força que poderiam ter os 3 que referi anteriormente, é o busílis da questão, para mim.
Correndo jogador a jogador, não vislumbro evolução clara em nenhum deles, tirando o Iuri. Não podemos dizer que, esta época, 26 jogos depois, o miúdo X está num nível muito superior ao apresentado a época passada por isto ou aquilo. De todos, o único de quem se poderá dizer isto, na minha opinião e como referi, será o Iuri. A aposta nele como 10, que defendo há vários anos, foi finalmente realizada e o sucesso foi tremendo.
Tirando este caso…
Bem, continuo a achar que existe um excesso de dureza e alguma falta de qualidade e inteligência na abordagem aos lances por parte do Riquicho, Ruben Semedo e Fokobo; Continuo a achar que o Wallyson e o Luka não sabem muito bem se se hão-de fixar como 10 ou como 8; Continuo sem saber se o Chaby poderá ser válido como extremo direito, conforme utilizado na pré-época pelo Jardim, ou até mesmo como 10, dada a falta de oportunidades continuas; Continuo a ver um Betinho muito preso à frente de ataque, embora a melhorar neste aspecto… Noutro prisma, continuo sem saber o que vale o Hugo Sousa como central, o Sambinha como jogador, o porquê de o Tobias não jogar um minuto, o porquê de o Manafá não ser testado como lateral, dado que como extremo nunca servirá, o porquê de o Meira só ter tido minutos à 20ª jornada…
Bom, acho que dá para perceber que não estou aqui a dar uma hater apenas porque não vou com a cara dele. Respeito imenso o Abel e sempre gostei dele como jogador, um profissional exemplar e, notoriamente, um homem cheio de bons valores.
No entanto, sou um adepto acérrimo de uma aposta fortíssima na formação e defensor de que a equipa B é O factor mais importante da sustentabilidade do clube, pelo que deve ter à frente alguém com outro tipo de tarimba e experiência no treino e evolução de jovens atletas.