Vale a pena ler …
"Oligarquia
do Grego oligarchía
s. f., forma de governo em que o poder está nas mãos de um pequeno número de indivíduos ou de uma família poderosa.
Há cerca de dez anos atrás, foi apresentado aos sócios do Sporting Clube de Portugal um plano de recuperação do clube, que atravessava então grande agonia devido a míngua prolongada de títulos no futebol, que visava a reestruturação de toda a administração do mesmo, passava por conceber um Estádio novo, uma Academia de jovens com centro de estágio para todos os escalões e ainda um espaço comercial adjunto ao novo Estádio que, segundo os mentores, seria a derradeira tábua de salvação do clube.
Acrescentado ao mesmo estava por inerência a valorização desportiva, através de resultados, óbviamente, do futebol do clube.
Foi uma votação pacífica, poucos discordaram do modelo, principalmente porque foi pioneiro e como tal era mais a curiosidade em ver como funcionava que as dúvidas em relação ao mesmo.
Esse plano, com o passar do tempo foi apelidado de “Projecto Roquette”, principalmente devido ao abandono deste da presidência do clube, e para que os sócios e adeptos se lembrassem dos desígnios do citado. Depois de Estádio, Academia e Espaço comercial estarem prontos e ainda devido a grande desgaste, erosão e infelizmente confusão, ficou nesta última forma a que vulgarmente se chama Projecto.
O projecto nasceu com bom auspício, uma Taça de Portugal ganha por Carlos Queiroz e uma equipa de nível indíscutivel que continha nomes como Ivkovic, Valckx, Naybet, C.Xavier, Balakov, Iordanov, Figo e outros que injustamente esqueço, ou acho que não merecem menção, essa equipa não tinha sido construída pelo projecto.
Ganhou a Supertaça referente a esse troféu, e depois andou disfarçado o projecto, nada ganhou, muita asneira cometeu, só mesmo os sportinguistas se lembram amiúde das apostas em nomes como Carlos Manuel, Octávio Machado, Robert Waseige, Vicente Cantatore, ou dessas pérolas com nome de jogadores que foram César Ramirez, Viveros, Kmet, Giménez, Missé-Missé, Assis, Outtara e outros que justamente para a minha sanidade mental me esqueça deliberadamente.
Com o avançar dos projectos imobiliários e das novas infraestruturas que se avizinhavam, ainda que para cépticos como eu, que apostaram em como nunca veriam um Estádio novo no seu tempo de vida (e só tinha vinte e cinco anos), começar a ver em papel, e acabar na inauguração foi diga-se verdade uma das sensações mais espectaculares que experimentei, e acho que todos vocês que possam ler isto, independentemente da côr, sentiram o mesmo quando foi a vossa vez.
Entretanto, venderam-se Valckx, Naybet, Figo, Juskowiak, Balakov, Nélson, Ivkovic, Dani, Porfírio, etc, por razões várias, inclusivé dispensa, ou não acautelar de contrato, perderam-se Oceano, C.Xavier, Caneira, Cadete e foi vendida a maior esperança do clube, Simão Sabrosa.
No virar do século, e com uma equipa remodelada, em cujo principal intérprete era Pedro Barbosa (uma das coisas boas do projecto), contratam o treinador do Piacenza de seu belo nome Materazzi, perante a chacota geral, depois de humilhante eliminação da Taça Uefa por um “colosso” chamado Viking Stavenger, o projecto rejeitou a sua escolha, e numa medida desesperada daquelas em que dizemos “Ás vezes pega…”, foram buscar um homem da casa, Augusto Inácio, com três reforços para posições fulcrais na reabertura do mercado, e apoiado num veterano ciático que desatou a marcar golos e no que mais tarde seria votado sétimo melhor guarda redes do Século XX (outra coisa boa do projecto), Peter Schmeichel, fez a coisa pegar mesmo.
Quebrou-se um grande jejum, partiu-se com a misantropia, o projecto estava para ficar.
Depois disso e já sem Inácio, mais uma pérola de treinador chamado Lazlo Boloni, que deveria ter sido despedido à terceira jornada, mas com a chegada de um extra terrestre duas vezes recusado pelo rival do outro lado da rua, que fez cinquenta e dois golos numa época e deu Campeonato, Taça e Supertaça na mesma época, acabou por se salvar, lembro-me de dizer na altura que seria o momento certo para saír, iria pela porta grande, quase era linchado pelos meus correligionários, foi o que se viu, saíu a chorar e a perguntar porque não podia ficar, nunca, mas nunca percebeu porque foi despedido, ninguém foi capaz de lhe explicar, ninguém sabia…
Mais uma opção espectacular, Fernando Santos, para os sportinguistas “O Timex”, que faz grande parvoíce numa época só e acaba achincalhado e despedido pelos jornais que chegavam um dia atrasados aos Estados Unidos, onde entretanto a equipa do projecto se deslocara.
Muita escolha, dizem eles, em todos estes casos, inclusivé Materazzi, e tirando Inácio, e muita investigação é feita para delinear o perfil do candidato. Essa aturada escolha recaíu por último nesse aboençado ser, criatura única chamada José Peseiro. Que estudo tão aturado, reparem neste padrão; Materazzi, Boloni, F.Santos e J.Peseiro, claro que no meio disto tudo venderam Ronaldo, Quaresma, Hugo Viana e Simão voltou a Portugal para o slb, porque não souberam acautelar um valor que lhes fosse acessível na cláusula de opção, acreditem se quiserem, mas Simão horas antes de assinar pelos vermelhos, ainda telefonou a Aurélio Pereira a perguntar se havia novidades, mais tarde aconteceu o mesmo com Quaresma para o porto, mesmo motivo, mesmo telefonema para a SAD…
Mas o projecto tinha um Estádio novo, e uma academia e um centro comercial às moscas, e um desinvestimento cada vez maior na equipa de futebol, e um extinguir de modalidades amadoras que vão cerceando a maior riqueza do clube que é o ecletismo, e uma completa falta de qualidade em tudo o que se compra, um desprimor completo em tudo o que se faz, uma falta de respeito pelas figuras do clube e pelos sócios e adeptos que mais ninguém toleraria, um autismo, uma arrogância, uma ignorância, tudo isto atroz, e ficam ali e não saem, veja-se como as próximas eleições estão marcadas para Setembro, impedindo assim uma hipotética nova direcção de planear uma época com rigor. Tudo porque um homem quer ser o presidente do centenário, mais de três milhões, a apanhar com a quimera de um ser que já não tem explicação.
Instalou-se uma Oligarquia à frente dos destinos do Sporting Clube de Portugal, são sempre os mesmos, e quando acabam de rodar chamam os amigos para a festa, pobre João Rocha nem na comissão do centenário teve lugar, mas o director da Coca-Cola na Peninsula Ibérica que por acaso nem é português e deve ser tão sportinguista como eu do “Pode ser F.C.”, esse, está lá.
Este projecto já não existe, sobretudo este projecto não foi o que nós votámos, não votámos na miséria, mas ainda que fosse, não votámos na anarquia, o projecto vota favorável, com todos os seus accionistas presentes (por acaso na sua maioria representado pelo presidente, num grupo que reúne mais de 70% das acções) Um lucro de 16 Milhões de Euros, e congratula-se do primeiro ano de sempre com lucro, lá fora quem sente a sério, vai descarregando a raiva do caos em que lhe aparece à frente, uma equipa à deriva, sem timoneiro, mas a oligarquia está feliz.
Eles não mentem, o perfil do treinador é simples, sem provas dadas, inexperiente, que aceite todas as condições explicadas, mas, mesmo necessárias, são, não reclamar e acima de tudo não ter ideias, este é o perfil, este é o padrão, só não vê quem não quer.
Por isso, é que quando vejo Liedson a mandar Peseiro comer no cú, tal como já vi outro, ou Polga a defesa esquerdo numa táctica com quatro centrais, ou a oligarquia a fugir de um estádio dez minutos mais cedo para não apanhar com a “turba”, deixando a equipa à mercê, quando os vejo eliminados da Europa por uma equipa, em que mesmo que não tivessem treinador, só o grupo de onze jogadores que entrassem tinham obrigação de golear, ou até mesmo quando leio que o Capitão de equipa deu dois socos num dos sub-capitães devido a um fora de jogo mal tirado na peladinha, tal como acontecia com a malta como quando jogávamos na rua, sinceramente, eu já não ligo. Perdi a capacidade de me irritar, já chega.
Querem a cabeça de Peseiro? Cuidado com o que pedem, este não vale nada, mas não se esqueçam do padrão, quem vier, será um bocadinho pior, a não ser que alguém se disponha a tomar conta do PROJECTO extinção, acabadinho de baptizar por mim…"