Mas podes fazer a análise de custos e benefícios incrementais, tens lá todos os dados, salvo erro o psilva fê-la logo na primeira resposta.
A verdade é que a opção 1 é a melhor a nível de custo-benefício, uma vez que o número de anos de vida incrementais ganhos é superior a todas as outras opções (basta multiplicarem o número de anos de vida ganhos pelo número de doentes passíveis de serem tratados com o orçamento disponível).
Mas existem muitas coisas a ter em conta… Por exemplo, se a doença de que falamos é um cancro (que acarreta muito dramatismo acrescido), qual é a justificação para não se optar pelo melhor medicamento, por aquele que dá melhor esperança de vida? Melhor ainda, com que lata um médico diz ao seu doente, um contribuinte do SNS, que não pode ter determinado medicamento que lhe poderia dar, em média, mais meio ano de vida (e se fugirmos ao conceto de média, poderia dar até muitos mais anos) porque não é uma opção que tenha um bom custo-benefício (já para não falar do conflito que essa atitude médica gera com o juramento hipocrático)? Outro exemplo, por que razão se deverá escolher a opção 1 ou 2 quando é a 3 que assegura uma maior igualdade de possibilidades à população? Deveremos aceitar a diminuição dos standards de qualidade médica em favor de um maior acesso à saúde pelas populações (ou seja, não restringir a uma elite que pode ser seleccionada segundo determinados critérios)?
Estes 2 exemplos devem chegar para se perceber que a questão é muito mais complexa que uma simples análise económica custo-benefício. Mas venham de lá mais opiniões. ;D
Mesmo que a escolha acabe por ser a mesma (não fiz as contas, mesmo assumindo que posso assumir todas as hipótese necessárias para fazê-lo), a análise está conceptualmente errada, por estar a comparar custos médios e não custos incrementais. Já te disse que isto está explicado na literatura, mas não te obrigo a acreditar.
Compreendo que a intenção do tópico seja discutir assuntos mais interessantes, mas estares a tirar conclusões com base na aplicação de metodologias erradas invalida-as à partida.
Primeiro a análise matemática:
A opção 1 beneficia 70 pessoas
A opção 2 beneficia 40 pessoas
A opção 3 beneficia 140 pessoas
Globalmente, o número de anos de vida ganha é de:
Opção 1: 140 anos
Opção 2: 100 anos
Opção 3: 42 anos
Se eu fosse um governo de esquerda, optaria pela opção 3: faria chegar a melhoria a mais pessoas; contudo o benefício para cada pessoa é irrisório.
Se fosse de direita, optaria pela opção 1: é a que gera mais bem estar, apesar de ser aplicável a um número menor de pessoas.
A minha opção, mesmo sem fazer contas e após ter feito as contas confirmei, seria a opção 1. Porque:
a opção 3 apesar de ser para muitas pessoas é apenas uma pequena melhoria, quase invisivel.
entre a opção 1 e 2, que melhoram significativamente a esperança de vida, optaria pela 1 por chegar a mais pessoas.
Eu percebo o teu raciocínio, mas um de outro tipo seria complicado de apreender, pelo menos aqui no fórum. Tens toda a razão na análise incremental e também que se deve sempre fazer uma comparação com métodos e soluções já em curso para poder dizer se é melhor ou pior.
Seja como for, acho que isto acaba por ilustrara um pouco as dificuldades sentidas na gestão da saúde. Enquanto que a maioria ou todos vós escolhia a 1 e alguns a 3, a verdade é que, na grande maioria dos casos, a escolha feita é a 2, porque aos médicos e doentes custa não “acompanhar o progresso” e proporcionar o que de melhor existe… e depois lá começam a aparecer os buracos na saúde. :mrgreen:
Uma análise simplista do problema poderia ser que se está a maximizar uma função objectivo sujeita a uma restrição orçamental, em que não se podia gastar mais do que o orçamento no tratamento dos pacientes. E nesse caso, como a função objectivo seria uma média ponderada dos benefícios das várias pessoas tratadas, fazer variar o peso destas na função objectivo iria permitir retirar conclusões diferentes, sendo as ponderações a a atribuir resultado de uma escolha ética (ver por exemplo raciocínio do Paulo Duarte de há umas mensagens atrás).
Se não houvesse incerteza isto poderia resolver-se julgo que através de condições de Khun-Tucker (se a função objectivo fosse linear nos parâmetros, não sei se é preciso também ser linear nas variáveis, métodos de programação linear poderiam ser aplicados). Mas o que inviabiliza esta análise é que o número de pessoas tratadas é determinado pela procura e não por quem oferece, havendo incerteza quanto à procura do serviço - os custos suportados pelo hospital são-no quando o doente é tratado, e essa variável tem um comportamento estocástico.
Por essa via, o que é feito é uma análise de qual o custo máximo por ano de vida ganho a suportar por se tratar um paciente adicional. E esse patamar é definido de forma ímplicita ou explícita tendo em conta a valorização de alguma instituição. Normalmente escolhe-se a sociedade, isto porque a alocação destes fundos ao tratamento das doenças têm (como em todo o problema económico) um custo de oportunidade, derivado do facto de não serem gastos, por exemplo, em Educação e em Defesa. É na base da comparação desse rácio de custo-benefício incremental com o patamar admitido pela sociedade que a escolha da provisão de um tratamento com maior custo mas maior benefício (ou, em casos mais raros, de menor custo e menor benefício; os outros casos envolvem decisões triviais) é tomada. A presença adicional de uma restrição orçamental activa, juntamente com o desejo dos médicos de tratar o maior número possível de doentes esgotando o orçamento se possível, pode levar a que a solução óptima envolva dar o tratamento menos eficaz a uns e o mais eficaz a outros. E para decidir quem são uns e quem são os outros mais uma vez têm de ser aplicados critérios éticos.