Dos estrangeiros, gostei destes (estão por ordem).
- James Blake - Overgrown

Vai ficar na memória daqui a décadas. Que grande álbum. No primeiro disco (homónimo) já tinha posto a fasquia bem alta - dois “singles” que podem ser ouvidos por todos sem que se perda o compromisso pela criatividade e arrojo, e depois dois singles seguintes absolutamente fantásticos (Lindisfarne e Unluck). Mas todo o álbum era excelente. Este, é ainda melhor. Rebenta com a escala. O primeiro single, Retrograde, enquadra-se na mesma categoria dos primeiros 2 singles do primeiro álbum (acessíveis, mas excelentes e não facilitistas). Depois, é que rebenta com a escala. Na Life Round Here, junta electrónica e hip-hop de uma forma soberba. Na Overgrown tem uma música belíssima. Na Take a Fall for Me, com o RZA, continua nesse excelente diálogo com o hip-hop. Na Digital Lion (a minha preferida) mete-se com o Brian Eno e cria uma obra-prima, absolutamente criativa (raro quando tanta coisa já foi feita) e bem conseguida. Na Voyeur tem também uma música belíssima. Enfim, álbum do ano e - para mim - sem margem para dúvidas.
- Pond - Hobo Rocket

O “Lonerism” de 2013. Rock psicadélico, capaz de nos transportar para outros universos. 7 músicas excelentes. É que não há uma má (quando a “Midnight Mass” é a mais fraca está tudo dito sobre o nível das outras). Talvez a minha preferida seja a Xanman (o segundo single), mas é difícil dizer. A pedirem claramente uma presença em Portugal no próximo ano. Talvez não seja tão criativo quanto o Yeezus, ou até quanto o Settle, mas dentro do género ficará na História.
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Kanye West - Yeezus

Já tanta coisa foi dita sobre o Yeezus… É obviamente um álbum excelente. Em termos de sonoridade, é também bastante criativo e futurista. Numa altura em que se reciclam ideias antigas (em alguns casos, de uma forma de continuidade que não deixa de ser excepcionalmente bem conseguida na prática), o Kanye West lança uma coisa parecida com… nada. Nunca se ouviu parecido e é muito bom. Porém, acho que a sua prestação como cantor está estranhamente inferior ao que é capaz. Seria de esperar que ao vivo não resultasse tão bem, e acho que até resulta melhor…
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Fat Freddy’s Drop - Black Bird

Chill. Blues, sobretudo, mas com jazz e até reggae à mistura. Tive muita pena de não os ter visto por cá - sempre gostei deles, e este ano lançaram aquele que (para mim) é o álbum mais maduro e conseguido. Estão no ponto. Como este estilo de música é precisamente o meu preferido (embora goste também de electrónica, de rock, de hip-hop… de tudo, até de fado), a junção dá isto. Posso estar a sobrevalorizar o álbum precisamente por isto. Mas acho que não.
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Disclosure - Settle

Nem sou grande fã de house, mas os Disclosure conseguem um compromisso enorme entre a qualidade/criatividade e a acessibilidade. Conseguem, com este álbum, tornar-se aquela banda que toda a gente diz que gosta sem vergonha nenhuma, dos críticos à malta que vai ao Urban e gosta da música (obviamente também se incluem os que ouvem Alt-J e Twin Shadow como se não houvesse amanhã). Ainda por cima é o álbum de estreia… When a Fire Starts to Burn, Latch, F for You e Whitenoise são músicas muito, mas mesmo muito boas. E há outras colaborações no álbum que também correm muitíssimo bem.
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Apparat - Krieg Und Frieden (Music for Theatre)

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Paperclip People - The Secret tapes of Dr. Eich

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Daft Punk - Random Access Memories

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Kaytranada - Kaytra Todo

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Kurt Vile - Wakin on a pretty daze

Também estrangeiros, ainda não tive oportunidade de ouvir os dos Arctic Monkeys, Vampire Weekend, Savages e David Bowie. Destes ouvi os singles, e gostei. Acho que não ouvi álbuns que sejam verdadeiramente desilusões. De alguns esperava mais (estou a pensar em National - com 3 boas músicas -, Daftside - com um grande single -, Jamiroquai - com algumas boas músicas -, Ducktails - algumas boas músicas, mas depois daquela prestação ao vivo no PdC, o álbum ainda não foi o que podia ser -, etc.
Por cá gostei de
- KaSpar - Ascensus

O que posso dizer sobre este Ascensus do KaSpar? Apenas, e só, que sendo bastante longo (21 músicas), é fácil ouvi-lo todo. Enquadra-se nos melhores álbuns de electrónica lançados este ano a nível global (talvez seja injusto restringi-lo ao panorama nacional).
- Orelha Negra - Mixtape II

Também longo, mas muitíssimo bom (outro que extravasa o panorama nacional). Soul, blues, hip-hop e R&B… tudo misturado, tudo tremendamente criativo. O Solteiro é o single, e consegue essa tal mistura (radiofónico mas bom) - pena a nível lírico a parte do Regula ser tão mais limitada que a do STK. Depois a Heartbreaker, com a bela voz da Mónica Ferraz, a reinventar a Soul. Dominoes e A Noite em que eu Nasci (com o Fuse) a serem também elas inovadoras e boas. Sempre tu, com a fantástica veia lírica do Carlos Nobre (aka Algodão, aka Pacman) por cima de um instrumental R&B do caraças. Blues Booze, com a Da Chick, muitíssimo boa. E uns Remixes muito bons (lembro-me de um do Fred muito bom). Enfim, criatividade no topo e enorme qualidade. Podia estar perfeitamente no 1º lugar.
- Samuel Úria - O Grande Medo do Pequeno Mundo

Um dos grandes cantautores da nova geração do nosso País. Talvez o melhor, desde que o B Fachada fechou portas. Bom dueto com o Manuel Cruz no «Lenço Enxuto», belíssima música em «Forasteiro», uma bonita música na colaboração com Márcia em «Eu Seguro», mais risco mas com contenção e boa gestão na «Espalha Brasas» e depois, aquela que é a minha música preferida do álbum (conheço muita gente, que percebe bem mais de música que eu, que não o acha): «Pequeno Mundo». Porém, está significativamente abaixo dos dois álbuns de cima. Não houve a evolução esperada face ao «Nem lhe tocava» (2009). Mas é sempre um prazer ouvir o tipo que usa uma t-shirt a dizer que se fosse americano seria republicano. Tem personalidade e uma identidade muito definida, o que é raro hoje em dia.
- Manuel Fúria & Os Náufragos - Manuel Fúria contempla os lírios do Campo

Ex-vocalista dos Golpes no seu projecto a solo. O seu primeiro álbum com Os Náufragos (creio que são membros dos Capitão Fausto que o acompanham). Outro música com uma identidade muito clara e definida. Musicalmente, preferia o seu rock nos Golpes. Acho até que podiam ser “A” banda rock portuguesa dos dias de hoje se não tivessem acabado tao cedo. Muito bonita a canção «Que haja festa não sei onde», a tradição tão bem presente/reinventada em «A Tempestade» e uma versão muito bonita da música «À minha alma», dos Golpes (a original é ainda melhor, mas é uma versão muito bem conseguida). A contrastar com a instantaneidade, com o stress e com as altas rotações em que se vive hoje; a humanização da música, por assim dizer.
- Xungaria no Céu - Xungaria no Céu

A Florcaveira (editora do Manuel Fúria, penso) em peso: Samuel Úria, Tiago Cavaco (Guillul), Alex d’Alva Teixeira, Nick Nicotine, João Coração, o próprio Manuel Fúria, etc. Provocação afirmada em «Tou Pronto», uma bela introdução em «Xungaria no Céu», resposta à robotização electrónica em «Xungaria não teme o F.U.T.U.R.O.» e outras arrojadas/boas: Por te amar não me contive, Saia cá para Qual é o segredo porque as meninas gritam de medo?, Pousaste os Auscultadores e o Futuro do chão não passa.
Ainda não tive oportunidade de ouvir o da Gisela João (enorme single!), o novo do Carlos do Carmo (de certeza muito bom), o da Márcia e o dos peixe:avião.
Estou-me a esquecer de várias coisas, de certeza.