Um pouco de história (7) de 1973 a 1982

Em Março de 1973 Ramiro Valadão é eleito Presidente do Sporting, poucos dias depois renuncia, é a crise instalada. O Conselho Leonino reúne-se e o empresário João Rocha é convidado a assumir a Presidência sendo eleito em 7 de Setembro. Começa o maior reinado da história do Clube com promessas de erguer uma grande obra. Surge assim a Sociedade de Construções e Planeamento, o primeiro projecto de Clube-Empresa em Portugal, que é aprovado pelos sócios em Novembro de 73. Em Março de 74 o Governo autoriza a Sociedade e a emissão de 2,5 milhões de acções de valor nominal de 100 escudos cada, mas a revolução de Abril deitaria por terra este projecto.

73/74 foi uma das melhores temporadas da história do Sporting, que conseguiu aí a sua 4ª dobradinha, á qual juntou a presença numa meia-final da Taça das Taças ingloriamente perdida para uma equipa alemã manifestamente inferior. Depois dum empate em Alvalade, com Dinis a desperdiçar um penalti que fez recordar o lesionado Yazalde, veio uma derrota por 2-1 em Magdburg, com Tomé a falhar nos últimos instantes do jogo e de baliza aberta, aquele que poderia ter sido o golo da passagem à final, que teria premiado justamente um percurso de sucesso, que começou com a desforra da eliminação de 64 frente aos galeses do Cardiff, passando depois pelos ingleses do Sunderland, e suíços do Zurique, a quem foi devolvido o 3-0 de 68, para terminar ingloriamente na Alemanha do Leste.

A viagem de regresso da RDA durou mais de 40 horas, o Sporting encontrou as fronteiras do País fechadas na sequência do 25 de Abril e só a muito custo João Rocha conseguiu que os deixassem entrar. A agitação da revolução contagiou o Clube, e apesar de Campeão Mário Lino já não orientou a equipa na Final da Taça de Portugal, onde foi Osvaldo Silva que esteve no banco para mais uma vitoria sobre o Benfica, outra vez sem Yazalde que tinha acabado de bater um recorde que ainda hoje perdura, ao marcar 46 golos no campeonato, juntando à Bola de Prata a Bota de Ouro que premiava o melhor marcador da Europa.

A temporada seguinte começava com uma escandalosa derrota em Alvalade frente ao Olhanense, na sequência da qual o treinador Alfredo Di Stefano que nem tinha contrato assinado, sairia sem dar cavaco a ninguém, deixando Osvaldo Silva mais uma vez com a equipa nos braços, para ser eliminado da TCE pelos franceses do Saint-Ettiene, que na altura eram uma das melhores equipas da Europa.
Entretanto chega o chileno Fernando Riera que não consegue melhor do que um 3º lugar no Campeonato e uma decepcionante eliminação nas meias-finais da Taça frente ao Boavista. Yazalde volta a ganhar a Bola de Prata agora com 30 golos e está de saída para o Marselha por 12500 contos, um ano antes o Real Madrid oferecera 27 mil. Para o seu lugar é contratado à CUF Manuel Fernandes.

O Sporting revelava algumas dificuldades em adaptar-se aos novos tempos e 75/76 novamente sob o comando de Juca, voltou a ser uma época atribulada. Na Taça UEFA depois de afastados os modestos malteses do Sliema, o Sporting cai novamente frente aos húngaros do Vasas Budapeste. No Campeonato a equipa acaba num modesto 4º lugar e pela primeira vez fica fora das competições europeias. Pelo caminho mais uma polémica interdição de Alvalade devido outra invasão de campo agora na Tapadinha. A agitação espalhava-se também dentro do grupo, Damas aliciado pelo FCP e Santander recusou-se a renovar o contrato e é apupado em Alvalade depois duma exibição desastrada, num jogo que terminou com um empate a três golos frente à Académica, no final da temporada opta por Espanha, não seguindo assim o caminho de Dinis e Alhinho que no ano anterior tinham rumado ao Porto.
Era o ressurgimento do FCP com o qual João Rocha nunca soube lidar. A esperança de salvar a época foi depositada na Taça, mas depois duma vitória sobre o Benfica 1-0 que seria repetida na inauguração do Estádio de Ponta Delgada desta vez por 4-3, a decepção aconteceu em Guimarães nas meias-finais, numa altura em que o FCP também já estava fora da carroça.

A época seguinte começa em grande com um claro 3-0 sobre o Benfica na estreia de Salif Keita, um jogador de grande qualidade oriundo do Mali que formaria uma poderosa linha avançada com o brasileiro Manoel e Manuel Fernandes. Agora sob a orientação do inglês Jimmy Hagan que tinha sido tri-campeão nos vizinhos do lado, o Sporting parecia imparável no campeonato, mas ao virar do ano começa a fraquejar e no fim acaba em 2º lugar. Na Taça repetiu-se a gracinha dos três secos ao Benfica, desta feita com um “hat-trick” de Manoel, num jogo onde se estreou o júnior Freire logo apontado como um craque do futuro, perder-se-ia no deslumbramento da fama. De nada serviu esta vitória, pois na eliminatória seguinte o Sporting prova nas Antas o amargo sabor dos três golos sem resposta.

Era ano de Mundial mas a tradição foi quebrada pelo FCP. O Sporting reforçado por Jordão que tinha preferido Alvalade ao anunciado regresso à Luz, e sob o comando do brasileiro Paulo Emílio, teria um regresso fugaz à Taça UEFA donde foi eliminado à primeira pelos franceses do Bastia. O campeonato também não correu melhor, principalmente depois de Jordão ter partido a perna, atingido brutalmente por Alberto durante um derby. O treinador brasilleiro seria mais uma vítima do famoso chicote, sendo substituído pelo Preparador Físico Rodrigues Dias que ganha a 10ª Taça de Portugal do Clube numa finalíssima frente ao FCP, depois de ter eliminado o Benfica, o que acontece pelo 3º ano consecutivo.

Em 78/79 o treinador escolhido é o jugoslavo Milorad Pavic, outro técnico que já tinha tido sucesso no velho rival, e que tal como Hagan não o conseguiu repetir em Alvalade.
Tudo começou com mais uma passagem rápida pela Taça das Taças logo eliminado pelos modestos checoslovacos do Banik Ostrava, e terminou numa finalíssima da Taça de Portugal perdida para o Boavista, pelo meio mais um 3º lugar num Campeonato sem história para os leões.

A derrota na Final da Taça custou o lugar a Pavic. Regressou Rodrigues Dias ainda com o crédito da Taça de 78, mas não durou muito. Depois de eliminar da Taça UEFA os modestos irlandeses do Bohemians, o Sporting voltava a cair na 2ª eliminatória em mais um episódio da maldição alemã, agora frente ao Kaiserslautern e com muita polémica à volta de um árbitro turco acusado de estar comprado. O mesmo se dizia em Portugal do árbitro do derby realizado pouco tempo antes na Luz, em jogo que o Sporting protestou mas sem provimento.

Nessa altura João Rocha era um homem cansado e perante a crise financeira apontava as diferenças de tratamento que eram dadas aos dois grandes de Lisboa pelas autoridades como a causa das dificuldades resultantes dum passivo que já ia nos 89 mil contos. Mas Artur o “Ruço” ao emigrar para os Estados Unidos depois de ter trocado o Benfica pelo Sporting, afirmava que o Clube não tinha estruturas nem organização e que servia mais para a vaidade de certas pessoas do que estas o serviam.

É tempo de mais uma chicotada. Chega a vez de Fernando Mendes outro histórico que no entanto começa mal com uma derrota na Luz para a Taça de Portugal.
Resta o Campeonato. Mendes constrói uma equipa alicerçada numa defesa muito forte e um poderoso trio de ataque constituído por Manoel, Manuel Fernandes e Jordão que ganha a Bola de Prata com 31 golos. O Sporting bate ao sprint o FCF, impedindo o desejado tri-campeonato até aí nunca conseguido pelos portistas, no meio de muitas acusações em relação ao célebre autogolo de Manaca, que garantiu os decisivos dois pontos em disputa em Guimarães na penúltima jornada dum Campeonato que terminaria com festa em Alvalade.

O titulo deu nova alma a João Rocha que sonhava recuperar a “sua” Sociedade de Construções e Planeamento, mas a temporada corre mal com eliminações precoces na TCE frente aos húngaros do Honved e na Taça de Portugal em Braga, ás quais se soma um Campeonato sempre longe da luta pelo titulo que terminou com mais um 3º lugar.

João Rocha aproveitando a crise do FCP tenta contratar Pedroto que no entanto prefere ir para Guimarães, mas consegue trazer Oliveira que formaria com Jordão e Manuel Fernandes um trio de luxo que sob o comando do inglês Malcoln Allison conquistaria a 5ª dobradinha do Sporting, num Campeonato feito quase sem falhas, à semelhança da Taça que termina no Jamor com um claro 4-0 ao Braga.
A Taça UEFA até começou bem com duas goleadas aos luxemburgueses do Red Boys e uma histórica vitória por 4-2 em Inglaterra frente ao na altura poderoso Southampton de Kevin Keagan. A surpresa acontece frente aos debutantes do Neuchatel, depois dum empate a zero em Alvalade, na Suiça o Sporting perde por 1-0 e fica pelo caminho.

È neste período que o ecletismo do Sporting ganha uma dimensão mundial.
Nos Jogos de Montreal Carlos Lopes ganha a Medalha de Prata nos 10000 m, ele que nesse ano já tinha sido Campeão do Mundo de Corta-Mato, para no ano seguinte ficar em 2º lugar na mesma prova e conquistar a primeira de três vitorias individuais no Crosse da Taça do Campeões Europeus de Corta Mato, que coincidiu com o primeiro titulo colectivo do Sporting nesta prova, iniciando aí um longo domínio na especialidade, repetindo o feito em 79, para em 81 arrancar para uma série de sete vitórias consecutivas, que seria retomada nos anos 90 chegando a um total de 14 títulos, para os quais também muito contribuiu Fernando Mamede, este com dois títulos individuais para além dum 3º lugar no Campeonato do Mundo de Corta Mato em 1981, ano em que bateu em Alvalade o recorde da Europa dos 10000 m com uma marca que seria superada um ano depois por Carlos Lopes num recorde que só duraria 13 dias até ser recuperado por Mamede.

Em 1977 o Sporting torna-se na primeira equipa portuguesa a ganhar a Taça do Campeões Europeus de Hóquei Patins, com um cinco considerado como o melhor de sempre da história do Hóquei mundial, formado por Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Chana e Livramento

Sociedade de Construções e Planeamento.

Gostava de saber mais sobre este assunto.

Julgo que a partir deste tópico, pelo menos os mais velhos já poderão partilhar algumas das suas vivências enquanto sportinguistas.

As minhas primeiras recordações remontam à temporada de 73/74, e é curioso como até sou capaz de relacionar certos jogos com o sitio onde ouvi os respectivos relatos, porque na altura era raro dar um jogo na televisão, que até só chegou aos Açores em 1976.

Há alguns jogos de que me lembro perfeitamente, nomeadamente os 3-0 ao Zurique, os dois com o Magdburg, as vitórias por 3-0 aos lamps, na estreia do Keita num sábado à noite, e para a Taça no dia do Manoooel que foi num sábado à tarde. Isto para além de algumas dolorosas derrotas que quase me levavam ás lágrimas.

O primeiro derby que realmente vi foi na televisão, o dos 4-3 na inauguração do Estádio de São Miguel.
Também me recordo perfeitamente da Medalha de Prata do Carlos Lopes em Montreal nos primeiros jogos que acompanhei na TV, e da grande campanha da equipa de Hóquei em 77 e até mesmo das vitórias na TCE de Corta-mato, estes acompanhados pela radio com grande entusiasmos numa altura em que os domingos à tarde eram sagrados para os relatos

Foi também nesta altura que vi pela primeira vez um jornal A Bola naquele formato enorme quando eles ainda eram uma referência no jornalismo de Portugal, e até me recordo que o titulo da crónica do Sporting 8 Oriental 0 que vinha na ultima página, era qualquer coisa como: “Não são Violinos mas tocam muito bem ou estão muito afinados”, a partir desse dia passei a direccionar, salvo erro um escudo e meio da minha semanada para comprar a edição de 2ª feira, mais tarde passei a comprar as três edições semanais.

As crónicas do Carlos Miranda que acompanhava sempre o Agostinho no Tour também era imperdíveis e recordo-me de ler uma entrevista a João Rocha onde ele falava com entusiasmo do seu “Projecto” de tornar o Sporting ainda maior com a construção daquilo que chamava uma “Cidade Desportiva”, é claro que não me lembro de muitos pormenores, pois nessa idade não dava grande atenção a certas coisas pelo que penso só os mais velhos poderão acrescentar algo mais sobre a tal Sociedade de Construções e Planeamento, mas com o jubaverde “fora de jogo” só se for o vitinhos :wink:

Parte da Cidade Desportiva está lá, em frente a Alvalade.

Que me lembre, apesar destes projectos serem anteriores à minha entrada a sério no futebol, a Cidade Desportiva nunca foi verdadeiramente um projecto assente na construção de estruturas desportivas, salvo o estádio (ou o seu fecho e posterior cobertura).

Era básicamente um projecto de construção, com o Sporting a ceder os terrenos e a ficar com parte do construído além de verbas em cash.

Mas também gostava de saber mais e até dissipar dúvidas sobre isto.

Recordo que numa antiga revista Sporting (anos 80s) havia uma fotografia dos edifícios que estão por trás do novo estádio, todos eles em construção.

Recordo, também, uma fotografia muito antiga que o meu pai tinha onde aparecia João Rocha com uma maqueta do interface do Campo Grande e, ao fundo, o José Alvalade já com a bancada nova (tudo isto na mesma maqueta).

Deste período ainda não tenho grandes memórias (nasci em 76) mas a primeira vez que a minha mãe me levou ao Estádio José Alvalade foi no último jogo da temporada 79/80.

De acordo com o Almanaque do SCP, esse jogo foi a 1 de Junho de 1980, um Sporting - União de Leiria, vencemos 3-0 e comemorámos o título.

O jogo foi apitado por Marques Pires de Setúbal e o SCP alinhou com: Fidalgo (Vaz, 80 min,); José Eduardo, Vitorino Bastos, Meneses e Barão; Eurico, Fraguito e Ademar; Manuel Fernandes (cap.), Jordão e Manoel. O treinador era Fernando Mendes.

Golos: 1-0, Manuel Fernandes (27 min.); 2-0, Jordão (72 min.) e 3-0, Jordão (88 min.).

Com estes dois golos, Jordão tornou-se o melhor marcador do campeonato com 31 golos.

Eu tinha três anos e meio e, obviamente, não me lembro de nada. Mas lá que foi uma estreia em grande, lá isso foi. 8)

JOÃO ROCHA

Preseidente entre 1973 e 1986 o maior consulado da história do Clube

MÁRIO LINO

Defesa direito histórico dos anos 60. 2 vezes Campeão nacional. 6 vezes internacional. Foi o treinador na histórica temporada de 73/74. Ainda hoje trabalha no Sporting.

YAZALDE

Um dos maiores goleadores de sempre.

KEITA

Um dos melhores jogadores estrangeiros que passou pelo Sporting

CAMPEÕES 79/80

Em baixo: Ademar, Manuel Fernandes, Barão, José Eduardo, e Manoel.
Em cima: Eurico, Jordão, Fidalgo, Meneses, Fraguito e Bastos

FENANDO MENDES

Grande Capitão dos anos 60. 21 vezes internacional, 2 vezes Campeão cional e Vencedor da Taça das Taças.
Como treinador seria Campeão em 79/80

[b]KEITA[/b]

Um dos melhores jogadores estrangeiros que passou pelo Sporting

A serio, 1 dos melhores? Nâo me lembro nada dele… :oops:

[b]MÁRIO LINO[/b] [URL=http://imageshack.us][img]http://img337.imageshack.us/img337/58/mariolinoyy8.jpg[/img][/URL] Defesa direito histórico dos anos 60. 2 vezes Campeão nacional. 6 vezes internacional. Foi o treinador na histórica temporada de 73/74. Ainda hoje trabalha no Sporting.

É o delegado ao jogo da equipa de juniores do SCP. Sempre presente. :slight_smile:

DAMAS RECEBE A TAÇA DE 74

A EQUIPA DA DOBRADINHA DE 81/82

Em baixo: Ademar, Inácio, Barão, Manuel Fernandes, Bastos, Mário Jorge, Lito, Marinho, Oliveira e Márinho (adjunto);
Em cima: Eurico, Jordão, Manuel Marques (massagista), Meszaros, Xavier, Jaime Lopes (dirigente), Virgilio, Freire, Nogueira, Esmoriz, Fidalgo, Malcoln Allison (treinador) e Dr. Alfaiate (médico)

JORDÃO

43 vezes internacional 15 golos. 2 vezes Campeão Nacional. Vencedor de uma Taça de Portugal e de uma Bola de Prata ao serviço do Sporting

MALCOLN ALLISON

Treinador Inglês da dobradinha de 1981/82

CAMPEÔES EUROPEUS DE HÓQUEI EM PATINS

Em baixo: Rendeiro, Ramalhete, Carmelino,Carlos Alberto
Em cima: Garrido, Jorge, Chana, Livramento e Sobrinho

CAMPEÕES EUROPEUS DE CORTA-MATO

Aniceto Simões, Carlos Lopes, Fernando Mamede e Carlos Cabral