Transição para o escalão sénior

No futebol de alta competição, os clubes que apostam na formação normalmente enfrentam um problema como fazer a transição para o escalão senior dos atletas nos quais vê possibilidades de vir a singrar no clube a curto prazo mas não de imediato.

O Sporting já tentou clube satélite e equipa B mas sem sucesso. Independentemente dos erros que o próprio clube cometeu nestes dois casos, penso que com a realidade do futebol português não serão soluções.

Em relação à anunciada Liga Primavera (ou intercalar) tambem tenho sérias dúvidas. A ideia não passa dum campeonato de reservas o qual já existiu algumas décadas atrás e foi descontinuado devido à sua falta de competitividade e pouco interesse gerado no publico.

Assim sendo, o que resta? Emprestar os jogadores por vários clubes como o Sporting tem feito ultimamente?

Parece-me óbvio que esses jogadores precisam de competir, mas tambem necessitam de “aprender”. Este “aprender” engloba quer no aspecto táctico, quer no aspecto de postura, quer em muitos casos no aspecto técnico e no aspecto fisico.

Ora, isso significa que emprestando os atletas por vários clubes e até países, esses mesmos atletas irão estar sujeitos a “ensinamentos” muito distintos e porventura até contrário aos modelos escolhidos pelo próprio Sporting.

A minha sugestão seria no incio de cada época, arranjar dois clubes; um da 2ª liga onde seriam emprestados aqueles jogadores que parecem ter boas hipóteses de pertencerem ao plantel do Sporting a relativo curto prazo e outro da 2ª divisão onde seriam emprestados aqueles atletas que existe alguma esperança que terão capacidade para virem fazer parte a curto prazo do plantel do Sporting.

Como os clubes são muito voláteis penso que este tipo de empréstimos teria que ser revisto no inicio de todos os anos. Pois será importante escolher esses clubes de acordo com o treinador que vão ter, o modelo de jogo que preconizam e a própria competitividade das suas equipas (uma mescla com jogadores experientes seria o ideal).

A localização desses clubes não me parece que seja importante. O país é pequeno e o clube tem uma estrutura que permite destacar um profissional para acompanhar essas equipas durante os jogos e até reunir-se com o treinador e dirigente dessas equipas para ver a evolução dos jogadores que foram entretanto emprestados.

Ter sucesso nesta transição poderá render ao clube muito dinheiro e tornar as equipa mais competitiva.

Obrigado pela análise. :great:

O problema sobre o que fazer aos jogadores jovens na transicão júnior / sénior é complicado e único no caso do Sporting, dada a “avalanche” de qualidade que é produzida anualmente.

Já apontaste algumas solucões, mas eu acho que o Sporting deveria apostar mais nas pessoas e menos nos Clubes. Ou seja, o Sporting deveria identificar um conjunto de treinadores que simpatizem com o Clube (não será concerteza difícil) e criar um compromisso com eles, estando esses treinadores dispostos a colocar a jogar, a treinar e a fazer evoluir jogadores do Sporting vindos dos júniores nos clubes onde treinarem, desde que o Clube tenha à partida as seguintes condicões de trabalho que constem de uma “checklist”.

Em troca, o Clube que os recebe é ou não beneficiado, consoante tem ou não essas condicões e consoante o treinador serve ou não os interesses do Sporting. Por exemplo, o Sporting cobre uma percentagem crescente do ordenado do jogador, assistência médica, seguro, etc, consoante o número de minutos jogados pelo jogador; caso o Clube tenha um ginásio assim, umas condicões de treino assado, e por aí fora, assim o Sporting contribui com uma percentagem das despesas de logística, etc. De realcar que estes Clubes não poderiam logicamente estar na mesma divisão que o Sporting para não viciar a competicão.

No fundo, é criar uma situacão win-win para o Sporting e clubes mais pequenos, assegurando o Sporting a permanência de jogadores com potencial nos seus quadros.

Näo sei se é isto que actualmente é feito, mas às vezes dá-me a sensacão que é tudo um bocado disperso e feito um bocado em cima do joelho (vide a má opcão de enviar o Daniel Carrico para o Olhanense).

Tão fácil, exequível e desejável que até chateia! (se bem que poderia haver arei na engrenagem com os empresários e interesses vários, mais ou menos camuflados)

Mas não nos macemos e continuemos a desperdiçar…

Concordo com que o mencionas embora pense que alem do compromisso com o treinador tem que haver um compromisso com o clube ao qual emprestamos os nossos jogadores. A dispersidade da colocação de jogadores tem o inconveniente de ser mais dificil o acompanhamento. Em relação ao Carriço, até nem achava que o Olhanense fosse uma má opção. Era um clube com pretensões à subida e que “parecia” dar oportunidades. Não resultou, mas não sei se bem se tambem o próprio Carriço não tem culpas no cartório …

Não considero uma liga intercalar uma má ideia, caso seja organizada nos moldes que existem p.ex. em Inglaterra. Creio que se tivéssemos uma liga de reserva onde jogassem os jogadores castigados, a recuperarem de lesões e não-convocados, juntamente com júniores, seria muito mais competitiva e apelativa.

Mas também concordo com a ideia do Celsus. Mais do que apostar nos clubes, temos que apostar nas pessoas. E acho também fundamental fazer-se uma “triagem” dos jogadores que sobem ao escalão sénior, reduzindo para um máximo de 7, ou 8 jogadores por ano, e que seriam emprestados no máximo durante 2, 3 anos, cessando aí (em caso de não afirmação) a ligação ao Sporting.

É, na minha opinião, o período em que os jogadores se afirmam ou não. Raros são os casos de jogadores que despontaram após esse período.

Isso é o que acontece actualmente. :wink:

Exacto. E concordo com este método.

Desperdício haverá sempre e por uma razão lógica, há excedente de talento em quantidade com qualidade assinalável, é impossível o Sporting aproveitar melhor, pode e deve arranjar soluções para aumentar o tempo de “observação” de forma a não haver um desperdício tão grnade, isto é, criar uma solução que permita ter os jogadores a jogar, observá-los e se for o caso aproveitá-los, isto porque há jogadores que evoluem mais rápido do que outros, mesmo com condições exactamente iguais, fazendo com que uns sejam aproveitados e outros não, podendo existir a situação de vermos jogadores dispensados com rendimento superior a jogadores aproveitados, é raro mas acontece!

Solução/soluções há, algumas já foram referidas acima noutras respostas, parece-me boas e de execução relativamente fácil!

Por outro lado o Sporting é o único a ter este problema ou pelo menos é o único com o problema desta dimensão, o excedente é tal que tem que ser feitas apostas e é natural que sejam cometidos erros, felizmente a realidade mostra que há um aproveitamente razoável e as apostas tem sido criteriosas, basta ver as vendas, penso que é impossível ter em permanência 8, 10 ou 12 miúdos no plantel senior sem com isso baixar drásticamente a qualidade da equipa senior, 4/5 será o limite máximo sem comprometer a competividade dos séniores!

a liga intercalar vai ser interessante porque os juniores podem ganhar maior visibilidade e quem sabe ganhar uma oportunidade na equipa principal

o grande problema das equipas B foi o facto de jogarem por jogar ja que nao podiam subir de divisao :cartao:

Ganhar maior visibilidade concordo, já uma oportunidade na equipa principal tenho muitas dúvidas.

Para entrar um jogador, tem de sair em princípio um jogador também. Sempre foi assim e sempre assim será. Como o objectivo do Sporting é ser campeão, um jogador a entrar terá que pegar de estaca, já que não se contratam jogadores para o mercado de Inverno para tapar buracos - é o mesmo que deitar dinheiro à rua. E um jogador que pega de estaca é, por norma, um jogador experiente, com muitos anos de futebol em cima. As últimas contratações de Inverno bem sucedidas no que respeita à rentabilidade imediata dos jogadores foram quem?.. André Cruz?.. e logo com os resultados que todos sabemos.

Portanto, essa parte da oportunidade nos séniores do SCP parece-me demasiado wishful thinking e estou mais em crer que é sim uma boa oportunidade para se poder comparar a evolução dos jogadores em relação à altura em que saíram dos júniores.

O problema que eu vejo na liga intercalar é a motivação da mesma. Não acredito que vá atrair grande público. A imprensa não vai prestar grande atenção, assim sendo será dificil motivar os jogadores, mesmo juniores.

Mas se têm motivação para jogar nos juniores, à partida, numa liga destas estão mais perto do seu objectivo (subida ao escalão principal), logo, para mim, não faz sentido que não se sintam motivados.
Até porque existe uma maior cobertura por parte da C.S. a uma liga primavera do que à fase regular do Campeonato de Juniores.

O problema principal na transição para o escalão sénior, nem tem a ver tanto com a política de colocação dos jogadores ou ligas intercalares, mas sim com o excesso de estrangeiros no nosso campeonato!

Enquanto andarem a comprar Zequinhas, Carlões e Djavans ao Ipanema de Ipanguaçu ( devido essencialmente às belas das comissões ) em vez de apostarem nos Josés Silvas ou nos Carlos Pereiras nunca mais vamos lá.

Faz falta uma lei, até mesmo a nível internacional, que imponha uma percentagem de jogadores vindo das academias e/ou do país de origem dos clubes.

zeze isso torna-se cada vez mais impossível. Desde a Lei Bosman, ao estarmos inseridos no espaço europeu, hoje em dia não podes negar a ninguém trabalho com base no factor da nacionalidade.
É pena que assim seja, mas é a realidade. Acho que o futebol, e o desporto de alta competição em geral, não podem ser equiparados às demais áreas da sociedade. Tem especificidades próprias, logo deveria ter regulamentos próprios que não fossem abrangidos por leis europeias.

Eu percebo-te, mas isso não é desculpa nenhuma. Os regulamentos europeus estão lá e são para cumprir, mas há formas de dar a volta a questão.

Por exemplo, os prize-moneys - apesar de não ser muito habitual em Portugal, é algo que existe muito em Inglaterra, consoante a classificacão na Premier League. Se eu fizesse parte da Federacão (instituicão de interesse nacional da qual a Liga é apenas um organismo autónomo), o que eu faria era dar um “prize-money” anual consoante a percentagem de portugueses no plantel de uma equipa - assim asseguras um incentivo à formacão de jogadores portugueses e a lei Bosman lá pode continuar a funcionar como habitualmente. :wink:

E isto é apenas um exemplo.

Celsus, e os prize-money e Inglaterra é pelo numero de ingleses na equipa? Então só os mais “pequenos” devem ganhar, pois os principais clubes não chegam a ter 5, 6 ingleses no plantel.

Em Inglaterra só há prize-moneys para os vencedores da Premier-League e mais uns quantos consoante a classificacão. Isto foi apenas um exemplo, uma “analogia” :twisted: :twisted:, para mostrar como se podem dar incentivos que invertam a tendência sem ser preciso quebrar as regras.

Ah, sim, sim, compreendi-te. ;D

Relativamente a esses prize-money, e apesar de ser um pouco off topic, acho que faz todo o sentido que existam. Um clube que lute para ser campeão não pode ter prejuizo ao sê-lo. Em Inglaterra o prize-money chegou a ser igual, ou superior ao da Champions.

E assim deixavamos de ouvir alarvidades como ser preferivel ficar em 2º durante 2 anos, do q em 1º e em 3º.

Nos juniores há um titulo nacional em jogo. Em relação à chamada à selecção nacional de juniores, tambem não sei se para os seleccionadores terá mais valor o que fazem no campeonato nacional de juniores ou na liga intercalar. As minhas dúvidas têm a ver que na selecção os jogadores jogam só com e contra jogadores do mesmo escalão etário. Ora isso só acontece na própria competição de juniores, enquanto na liga intercalar a “mistura” com jogadores seniores pode “condicionar” quer no bom sentido quer no mau sentido a prestação desses juniores.

Uma das formas da Liga Intercalar resultar a nível de assistências e interesse seria fazer com que os jogos fossem imediatamente “antes” ou “depois” dos jogos da Liga Sagres (pelo menos no caso do Sporting). Garantia-se assim que pelo menos algum público já que lá estava via também os outros jogadores em acção.
Existem obviamente alguns problemas tanto na opção “antes” como na opção “depois”. Na opção “antes”, o eventual desgaste de 2 jogos consecutivos no relvado poderia prejudicar a equipa no jogo da Liga Sagres. Na opção “depois”, obrigaria a que o jogo da Liga Sagres começasse até às 19:00, sobre pena do jogo da Liga Intercalar acabar bem depois das 23:00.
Existe outro problema, que seria o desgaste para os jogadores mais jovens pertencentes aos juniores. Como é óbvio, não poderíamos jogar no jogo da equipa intercalar com convocados para o jogo da Liga Sagres, mesmo os suplentes. O que faz com que restassem apenas 7 ou 8 jogadores da equipa principal. Os outros teriam de ser juniores. O problema é que os juniores jogam ao Sábado, o que os obrigaria a fazer 2 jogos no mesmo fim de semana.

Metendo de parte esta hipótese (à medida que fui escrevendo este post, foi-me parecendo cada vez mais irrealizável), a opção passaria por ter os jogos a meio da semana (desenquadrados dos jogos europeus) e de entrada livre tanto para sócios como para simpatizantes.